terça-feira, 3 de novembro de 2009

Transcende a Existência


QUE GIBIS ESTRANHOS SÃO ESSES?!
Lendo Tudo de Um Mundo Eclético Como a Vida

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Não é scan


Estou em uma época de minha vida que parece reprisar o meu passado como leitor de quadrinhos, onde eu lia tudo que encontrava. Claro que, lá no passado, devido ao lugar onde eu morava, variedade não era algo muito constante. Mas, às vezes, aconteciam milagres.

Muitos anos antes de sequer saber o que era banda desenhada, numa galáxia muito distante...

Eu estava em Duque de Caxias, aqui no Rio de Janeiro, andando como sempre fazia, procurando alguma coisa nos sebos de rua, ou de banca, nos quais eu já estava acostumado a comprar. Lembro então que uma revista muito diferente das habituais estava perdida ali, naquele mafuá de gibis antigos, em um sebo em que o homem vendia as revistas no chão. Comprei imediatamente é claro. Era Shakespeare em Banda Desenhada (que muitos anos depois descobriria ser como se chama gibi, lá na europa).

A única vez que tentei ler um livro de Shakespeare não consegui devido aquele formato de peça que me irritava profundamente, então nunca me interessei. Mas, aquilo era gibi, e quando folheei, a arte me atraiu de sopetão. A edição englobava de uma só vez nesta ordem: Hamlet, Romeu e Julieta e A Tempestade. Os dois primeiros eu conhecia, claro. Mas, o último nem fazia idéia do que seria, pois não era profundo conhecedor do autor e até hoje não sou.


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O que mais me impressionava naquela revista era como cada página não era dividida em quadrinhos, mas a ação acontecia toda na página "aberta". Como se vê na imagem acima, da história de Romeu e Julieta, os personagens passeiam pelo papel, sendo que os diálogos é que pontuam cada novo "movimento". Eu veria, mais tarde, essa técnica até em quadrinhos de super-heróis como Demolidor, só que... em apenas uma página ou outra. Aqui, toda a revista (ou álbum) é desenhada assim, sem nunca se recorrer aos quadrinhos. Isso me deixou impressionado.

Hoje, pesquisando na internet, descobri essas imagens e o nome do autor, Gianni de Luca. Italiano. Ou seja, o álbum na verdade é um fumetti, como são chamados os quadrinhos na Itália, e eu nem mesmo sabia que já lia fumettis, no caso Tex e Zagor. Tais termos eram desconhecidos para mim. Fosse o que fosse, este era diferenciado, e eu não sabia que era meu primeiro contato com os grandes artistas de Banda Desenhada, muito antes ainda de conhecer Moebius,
Enki Bilal, Milo Manara e muitos outros.


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Meus contatos com quadrinhos que não fossem aqueles de sempre eram muito escassos. E eu não sabia que algumas das coisas que eu lia e considerava "comuns", não eram material dos Estados Unidos e na verdade, não me preocupava com isso. Alguns exemplos são: Mortadelo e Salaminho (Espanha), Lucky Luke (França/Bélgica), Iznogud (França). Já Asterix e Tin Tin, eu dificilmente lia, devido talvez ao preço e por ser difícil encontrá-los em sebos. Estranhamente, no entanto, eu sabia que as histórias da Disney eram produzidas também na Itália, Bélgica e no Brasil apenas lendo o código lateral. E, por uma outra estranha coincidência, as da Itália eram minhas preferidas (europeus novamente).

Com a chegada dos scans, me dei conta de algo importante. Uma HQ não precisava ser européia para ser instigante, diferente, bem desenhada, e ter algo a falar além de super-heróis. Além de (re)descobrir
Will Eisner, como já relatei em um post anterior, eu começava a descobrir e redescobrir outros autores americanos ou não, que faziam um trabalho tão diferente quanto Gianni de Luca e suas páginas com "movimento".

Com Robert Crumb descobri o tal movimento underground e, ao mesmo tempo, descobri que eu não precisava ser underground para gostar de algo assim. Algo como, não precisar usar óculos de intelectual para assistir a filmes iranianos, como faço às vezes. Crumb e seu Fritz, The Cat, suas mulheres bundudas e sua loucura extrema, movida muitas vezes por drogas, me cativava como qualquer história do Homem-Aranha e Cia. Mas, de outra forma, claro.


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Mesmo sendo arredio quanto ao mangá e seus fãs que faziam o estilo parecer coisa de alucinados por cultura japonesa, acabei por ler obras que iam além de raios e esferas mágicas, descobrindo inclusive um de seus autores mais conceituados, Osamu Tezuka. Fosse pela sua biografia quadrinizada, fosse pelo mangá Adolf. Outro que acabei por conhecer nos mangás, depois de conhecê-lo por suas animações foi Hayao Myiazaki. Assistindo Nausicäa do Vale dos Ventos acabei por me empolgar e ler os dois primeiros volumes do mangá com o mesmo nome. Mas, neste campo ainda estou apenas começando.

E, mesmo que por meios tortuosos, vou descobrindo o mundo dessas HQs completamente diferentes do que cresci lendo. Quando a animação Persepolis foi indicada ao Oscar, acabei por comprar o volume completo da HQ de Marjane Satrapi. Afinal, se eu via filmes iranianos, porque não ler uma HQ de uma iraniana? E não me arrependi.

Os quadrinhos assim escritos e desenhados são mais que histórias de entretenimento, mesmo que sejam lidas como se fossem. Tais histórias mostram que quadrinhos vão ao infinito e além. Maus, HQ de Art Spielgelman é de uma qualidade espantosa. O autor conta as memórias de seu pai sobre os campos de concentração, representando judeus como ratos e alemães como gatos. Além disso, o autor se insere na história, entrevistando seu pai enquanto podemos ver o relacionamento dos dois, usando a metalinguagem de forma fantástica.


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E, claro que, indo a tantos países eu também teria que interiorizar e redescobrir o meu também. Os scans me fizeram ir aonde eu nunca havia estado antes, do jeito certo. Eu pude ler de verdade coisas com as quais não tive contato quando era criança e adolescente, como por exemplo: Chiclete com Banana, Piratas do Tietê, a revista Circo, Níquel Náusea, tudo que foi publicado de artistas brasileiros na revista Animal. E, além do antigo, o novo foi surgindo e aproveitei o ensejo e acabei por conhecer e adquirir o que saía no circuito de HQs nacionais como Santô e os Pais da Aviação, Irmãos Grimm em Quadrinhos, Bang Bang, Prontuário 666, Jubiabá, entre outras.

Eu percebia que o mundo das HQs diferentes era muito mais vasto, talvez até do que o das HQs habituais. N próprio mundo das HQs ditas comuns, havia muito a ser explorado. Alguns gibis eram diferentes dentro da mesmice. Era o caso do idolatrado Watchmen, que falava do mesmo de forma totalmente diferente e inédita. Tínhamos Sandman que era um verdadeiro mundo a parte, mesmo estando dentro do Universo DC. E o selo Vertigo trazia mais e mais HQs que você se perguntava, como eu pude viver sem ler isso? Era o caso de Preacher, Hellblazer, Livros da Magia e etc.


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Meu universo quadrinhístico se expandiu e até mesmo se dividiu em universos paralelos, fazendo com que eu entendesse que não havia isso de "quadrinhos de super-heróis" ou mangá, ou fumetti ou quadrinho europeu. Haviam apenas os quadrinhos, fosse de que nacionalidade fosse e as divisões só existiam para efeito de identificação, nada mais. Se fosse comprar uma HQ tinha de ver se eu gostaria dela não pelo país em que foi produzida, mas pela história que contava ou se a arte me agradava. A experiência contada no início mostrava isso. Eu não sabia de que país a HQ Shakespeare em Banda Desenhada tinha sifo feita, eu apenas queria lê-la. Eu só não sabia que a lição era essa, na época.

Muita gente que está acostumado a ler somente super-heróis torce o nariz para outro tipo de quadrinho, justamente por serem diferentes. E, alguns quem lêem quadrinhos diferentes, acham que são melhores do que quem lê quadrinhos de super-heróis. Um meio termo é necessário. Ninguém é obrigado a ler o que não gosta, mas se não experimentar não vai saber se gosta. Pelo menos foi o que aprendi com Shakespeare e Gianni de Luca.

No fim das contas, sejam de onde forem os quadrinhos, o que importa é a viagem e não o veículo. Ou vice versa.


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Meu quadrinho diferente que estou lendo esses dias




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domingo, 1 de novembro de 2009

Curto Muito Tudo Isso!


PARA O PASSADO E AVANTE
Porque Não é Um Pássaro, Nem Um Avião


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Hoje em dia parece haver um consenso geral de que nerd que é nerd de verdade, fã de quadrinhos "arrojados" e "realistas" tem que, automaticamente não gostar do Super-Homem. Não, não, estou errado. Tem que não gostar e falar mal, senão está por fora do que é feito de bom nos quadrinhos.

Também tem que saber questionar o porque dele voar desafiando a gravidade, se não tem nem mesmo algum poder mágico. Como se fosse explicável aranhas radioativas, isótopos radioativos e raios gama não matar ninguém de câncer em vez de dar superpoderes. E como se mágica existisse.

Mas, digamos assim, sendo bem piegas, no caso do Super-Homem, a mágica existe. A maioria dos que questionam suas aventuras hoje em dia, cresceu lendo suas histórias e, talvez por isso, continuaram lendo e ampliaram seus horizontes quadrinhísticos. O Super-Homem foi o começo de muitos e de todos. Falando, é claro, dos super-heróis.

Uma das minhas lembranças mais antigas acerca do Homem de Aço, é eu estar em pé, na janela da casa da vizinha, assistindo aos epísódios em preto e branco das Aventuras do Super-Homem com George Reeves. Eu não me importava que fosse sem cor, diferente gibis, ou mesmo que o cabelo dele fosse estranhamente penteado para trás e parecesse fixado com algum tipo de gel. Não me importava nem mesmo com os efeitos especiais um tanto quanto precários, sabendo que mesmo naquela época o seriado já era muito velho. Para mim, aquilo tudo, era pura magia.


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Eu lia qualquer revista do personagem que me caísse nas mãos e devorava em menos de minutos. Era uma época em que não importavam cronologias, sagas intermináveis, mortes, ressureições, ou mesmo se a sunga estava por cima da calça. Todo garoto, inclusive eu, pendurava uma toalha ou um pano de secar pratos nas costas e pulava de algum muro até torcer o tornozelo, sem se importar muito se isso era ridículo. Afinal éramos crianças e para criança nada é ridículo.

Quando o filme de 1978 surgiu, e todos pudemos acreditar que um homem podia realmente voar, eu podia apenas sonhar. Ir ao cinema para ver algo assim era impossível. Eu tinha nove anos de idade, e só cheguei a ver uma única cena do filme, numa lembrança que me é muito emblemática.

Eu esperava para entrar na escola e um garoto chegou com nada mais nada menos que o álbum de figurinhas do filme. A inveja só não me corroeu porque eu era feito de aço, como meu personagem preferido. Ele mostrava a todos, como se fosse um verdadeiro troféu. E era. Eu me meti entre a pequena multidão de outro meninos e consegui ver uma única figurinha, que nunca mais esqueci: o Super-Homem se colocando no lugar do trilho do trem quebrado. A figura que abre o post. Eu só veria o filme muitos anos depois na TV.


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Mas, até lá, não faltou o que ler. Devo confessar que detestava com D maiúsculo os gibis publicados pela Editora Brasil-América. Hoje entendo a importância que a editora teve até mesmo para que alguns desses quadrinhos chegassem ao Brasil. Mas, mesmo quando criança, o tipo de diagramação de suas revistas me incomodavam. Nem mesmo fonte de HQs eles usavam, e eu ainda nem sabia o que eram fonte. Assim, foi com alegria que recebi a notícia (não lembro como) de que a DC Comics - e, claro, o Super-Homem - agora seriam publicados pela Editora Abril.

Quando cheguei à banca de jornal, no ano de 1984, e vi o Super-Homem voando praticamente em minha direção na edição publicada pela nova editora, eu sabia que uma nova era estava começando. E eu nem mesmo sabia o quanto seria nova. Óbvio que hoje também sei o quanto a Editora Abril mutilou as publicações que teve em mãos, mas na época tudo era ignorância, e os ignorantes se divertem mais.


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Mesmo lendo tudo quanto era tipo de quadrinhos, tanto Marvel, DC, e o que quer que aparecesse, o Homem de Aço sempre estava presente e os eventos que reformularam o Universo DC trouxeram algo inesperado para mim. Um dos meus desenhistas preferidos, cujas histórias eu só estava acostumado a ver na Marvel em aventuras de X-Men, Quarteto Fantástico e Tropa Alfa, agora não apenas assumiria o maior super-herói de todos os tempos, como também refaria toda a sua origem, uma responsabilidade tão grande quanto o personagem.

Ler as aventuras nessa época era como estar na aurora dos quadrinhos. Novos tempos que estávamos vendo nascer ali, diantes de nossos olhos, mesmo que com alguns anos de muito atraso em relação a publicação nos Estados Unidos. Mas, quem se importava? Tudo era novidade.

Infelizmente Crise nas Infinitas Terras foi o pontapé inicial para que sagas e mais sagas, sempre mais complexas (em publicação, não em texto) fossem a ordem do dia. Talvez, essa seja a única sorte que tive ao ficar "congelado" por sete anos anos sem ler quadrinhos durante a década de 90. Eu perdi muita coisa que merecia ser perdida, entre elas o malfadado Super-Homem Elétrico. Mas, quem nunca ficou ligadão que atire a primeira pedra.


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Os anos se passaram e, como é o caso de todo personagem que é publicado todo mês em mais de um título, durante 70 anos, muito lixo se acumulou. É o mesmo com Batman, X-men, Homem-Aranha. A necessidade de preencher os títulos fazem com que os criadores façam qualquer coisa para que as lacunas desses personagens sejam preenchidas. Mesmo que precisem matá-los algumas vezes e trazê-los de volta outras tantas.

A Morte do Super-Homem - que voltou encadernada este ano - foi uma destas muitas histórias. Acabou sendo marcante não como um Batman: Cavaleiro das Trevas ou Watchmen, mas como um evento da mídia. Um texto que chega a ser quase bobo, com um vilão surgido do nada, e muita fanfarra em torno da morte do Super-Homem. Como fã que sou acabei por comprar o Volume Um do encadernado e li de cabo a rabo. Fãs estão sempre ali mesmo nos piores momentos, vide os de Michael Jackson.

Mas, como todo personagem que tem seus altos e baixos, os altos sempre são os mais marcantes e interessantes. Tudo bem, o Super já lutou com Muhammad Ali, Asterix, He-man, Já esteve lado a lado com o Pernalonga, mas o que importa é que tivemos grandes histórias contadas por pessoas inspiradas.

Minhas recomendações são que você leia as coisas que valem a pena, como O Homem de Aço, de John Byrne; Superman: As Quatro Estações, de Jeph Loeb e Tim Sale; Superman: Entre a Foice e o Martelo, Superman: Britânico Legítimo e tantas outras.

Muita gente deixou de gostar das aventuras do Homem de Aço porque ele representa praticamente um outro tempo que não existe mais, um em que o Bem sempre triunfava sobre o Mal. Seguir acreditando nisso, mesmo que seja de um outro modo, que histórias boas sempre triunfam sobre as ruins, pode ser difícil nos dias de hoje, mas o mito permanece.

Tentar encontrar explicações lógicas para certas coisas como poder de voar, supersopro, superaudição, supervoltada no tempo, é o mesmo que tentar encontrar uma lógica em um cara que tem seus pais assasinados e sai por aí vestido de colante representando um morcego para exorcizar seus traumas.

Não curtir por razão de gosto pessoal é aceitável, não gostar porque virou moda curtir apenas anti-heróis com garras e cuecão de couro é deixar de aproveitar o que há de melhor em ser nerd, a capacidade de alçar vôos que só mesmo a imaginação permite, e para esses vôos não há lei da gravidade que resista.


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PACATO: O GARFIELD-GUERREIRO

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PINUPS E MUITO HORROR

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Galeria de Robert McGinneys


X-NUTS E OUTRAS TIRINHAS HÍBRIDAS

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ai, que tudo!


E SE DEUS FOSSE...

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- Se Deus fosse nerd teria criado o mundo em 6 edições e na 7a. o Alan Moore assumiria.

- Se Deus fosse geek teria criado o mundo em 6 fases (ou níveis) e na 7a. haveria easter eggs.

- Se Deus fosse George Lucas ele faria o mundo em 6 episódios e o 7o. na verdade seria o primeiro.

- Se Deus fosse o Capitão Kirk ele faria o mundo em 6 datas estelares e na 7a. ele gritaria Khaaaaaaaaaaan!

- Se Deus fosse político faria o mundo em 6 dias de obra superfaturada e no 7o. sairia ileso na CPI.

- Se Deus fosse usuário do Twitter faria o mundo em 6 dias de 140 caracteres e no 7o. só daria RTs.

- Se Deus fosse o Batman faria o mundo em 3 dias, em 2 dias derrotaria sua galeria de vilões e em mais 1 dia derrotaria o Super-Homem descontrolado, e no 7o. ficaria lamentando a morte dos pais.

- Se Deus fosse baiano passaria 6 dias pensando em fazer o mundo, mas no 7o. desistiria e iria atrás do Trio Elétrico.

- Se Deus fosse carioca, manja, faria o mundo em 6 diashhh, e no 7o. recolheria as balas perdidas.

- Se Deus fosse Quentin Tarantino, faria o mundo em 6 motherfucker filmes e no 7o. seria apenas o roteirista.

- Se Deus fosse o Super-Homem faria o mundo em 6 dias e no 7o. giraria a Terra ao contrário para descansar a semana inteira.

- Se Deus fosse gaúcho, tchê, faria 6 churrascos em 6 dias e no 7o. não tinha isso de descansar não.

- Se Deus fosse técnico de futebol faria o mundo em 6 partidas e a 7a. seria um amistoso.

- Se Deus fosse fosse a Xuxa faria o mundo em xeis dias e no xétimo iria embora levando o seu anjo.

- Se Deus fosse o locutor da Sessão da Tarde aprontaria altas confusões em 6 dias cheios de muita loucura e no 7o. reprisaria.

- Se Deus fosse americano faria os EUA em 6 dias e com que sobrasse faria o resto no 7o.

- Se Deus fosse o MacGyver faria o mundo em 6 dias com um clip e um pedaço de papelão e no 7o. escaparia dele.

- Se Deus fosse cubano faria o mundo em 6 revoluções e na 7a. já teria camisas com sua cara circulando por aí.

- Se Deus fosse burocrata faria o mundo em 6 vias e a 7a. teria de ser autenticada em cartório.

- Se Deus fosse brasileiro faria o mundo em 6 dias, ficaria uma droga, mas no 7o. ele continuaria, pois é brasileiro e não desiste nunca.

- Se Deus fosse o Capitão Nascimento faria o mundo em 6 treinamentos e no 7o. ia subir um morro pra relaxar.

- Se Deus fosse camelô ele faria o mundo em 7 dias pelo preço de 6 e você ainda levaria uma caneta BIC quatro cores de grátis.

- Se Deus fosse o Paulo Coelho faria o mundo em 6 livros muito chatos e no 7o. entraria para Academia Brasileira de Letras.

- Se Deus fosse o Hulk esmagaria o mundo em 6 dias e no 7o. se perguntaria como diabos a calça dele não rasga.

- Se Deus fosse o Sérgio Mallandro faria "glu glu" por 6 dias seguidos e no 7o. "I love you yeah yeah".

- Se Deus fosse o Sílvio Santos faria o mundo em 6 rodadas do Pião da Casa Própria e na 7a. abriria as Portas da Esperança.

- Se Deus fosse as Casas Bahia faria o mundo em 6 vezes sem juros e a 7a. prestação você só pagaria em janeiro.

- Se Deus fosse Chuck Norr... hã, oi, errr... como vai seu Norris. Eu sei, eu sei, não tem isso de SE. Não, não vou esquecer.


SIMPSONIZAÇÃO TOTAL!

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E Muito Mais no Springfield Punx


WTF COSTUMES: FANTASIAS MUITO DOIDAS

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Perca horas aí, vendo as outras


SOBREVIVÊNCIA DO MAIS ESPERTO

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ENTRANDO NO ESPÍRITO DE NATAL





SPY X SPY X PREDADOR X ALIEN

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GUSTAVO: NOSSO SIMPSONIZADOR NACIONAL

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Postado pelo artista no Twitter, @Gooogla




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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Maluco, eu?


NUNCA ME INTERESSEI TANTO POR FILOSOFIA
Atenção: não é scan e nem será digitalizado

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Estou na Livraria Saraiva, no Botafogo Praia Shopping, olhando a mesma estante de quadrinhos que sempre olho quando vou lá. As HQs são diversas, mas já antigas para mim. Ficam sempre ali, apertadas umas contra as outras sem muita arrumação. Ou, se teve alguma arrumação um dia, esta já se foi, com tantos e tantos nerds mexendo e remexendo atrás de algum novo lançamento.

Não que não haja lançamentos, claro que há, mas são escassos. Assim sendo, se você vai lá todo fim de semana, já sabe o que tem por ali de cor. Então, enfio minha mão aleatoriamente e puxo uma edição que penso ser um livro de RPG (eles deixam HQs e livros de RPGs misturados, numa falta de organização que só se vê naquela seção). Logo percebo que não pode ser de RPG, já que na capa 4 personagens estranhos, ao estilo cartoon, sorriem para você.

Olho para a parte superior e vejo o título: Epicuro, O Sábio. Olho para a parte inferior e vejo os autores. Quando me deparo com o segundo nome, já decidi - em minha mente - que vou comprar a edição sem nem mesmo saber do que se trata ainda. O nome é Sam Kieth. O primeiro nome - William Messner Loebs - também não me é estranho, mas confesso que na hora não lembro de nada sobre o mesmo.

Eu ia comprar a HQ sustentado apenas na confiança que tinha no talento de Sam Kieth, esperando que o resto fosse bônus. O artista foi co-criador de Sandman, junto com Neil Gaiman. Só isso seria suficiente para validar a obra. Mas, ele ainda criou The Maxx, personagem que não é muito conhecido por aqui, mas que os fãs de quadrinhos sabem bem quem é. Já emprestou seu traço a heróis e anti-heróis como Batman, Lobo, Wolverine e outros.


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Folheio o livro e logo percebo que minha decisão quase incosciente de comprá-la estava certa. A arte de Kieth transborda pelas páginas. E, se estou parecendo um nerd babão falando assim, é porquê foi exatamente assim que fiquei na hora. Viro o livro e leio a sinopse, entendendo que é algo sobre filosofia, gregos, e etc. Mas, a parte que mais me chama a atenção, é uma citação: "Lembra dos filmes de Bill e Ted? As aventuras do trio (Epicuro, Platão e Alexandre) de Messner-Loebs e Kieth são mais inteligentes e engraçadas".

E, falando agora do que se trata o gibi, Epicuro é um filósofo que quer ter sua própria escola de filosofia, mas que está tendo dificuldades para isso, seja por esbarrar com Sócrates, que monopoliza a filosofia na área, seja por ter de toma contar de um Alexandre que ainda não é O Grande, mas - como um filme da Sessão da Tarde - apronta altas confusões.

Seu único amigo de verdade é o também filósofo Platão que, apesar de grande amigo, é um fervoroso "fã" de Sócrates, e quer porque quer agradá-lo de toda maneira, assim como todos os outros filósofos da área. Porém, Sócrates só trata como ser humano a Aristóteles, seu aluno.

No entanto, Epicuro tem problemas mais sérios com que se preocupar: os deuses. Hades, Hera, Zeus, Apolo e Dionísio. Por toda as 168 páginas, Epicuro tem que livrar os outros e a si mesmo da ira de tais deuses, com suas paixões, ciúmes e luxúrias. Isso tudo sem deixar de continuar lutando para ser um ilustre filósofo.

Devo confessar que nunca antes me diverti tanto com Filosofia. O texto de William Messner-Loebs (roteirista de quadrinhos tradicionais de super-heróis) é bem humorado e inteligente. A linguagem dos personagens "traduzida" para o nosso modo de falar comum, incluindo gírias como "playbozinho", entre outras, faz a coisa toda ficar mais surreal.

O mais incrível de tudo é a HQ não ser um lançamento, mas já estar no mercado há dois anos, tendo sido editada pela Conrad, com capa dura e papel couché, com direito a extras e tudo mais. Um tesouro que faz por merecer seu preço salgadinho de 54,00. Não sei se é fácil de encontrar por aí, mas qualquer coisa, é só ir à loja da Conrad (jabá sem cobrá, dá pra aguentá?).

Talvez eu seja apenas desinformado e todo mundo conheça Epicuro, o Sábio. Mas, sei que realmente fazia tempo que eu não lia algo tão divertido, com uma arte tão arrojada e fazia tempo também que eu não usava a palavra "arrojada" em uma frase.

Li em dois tempos e resolvi fazer este post para que quem não conhece, saiba da existência de tal publicação. Ou da não existência, se formos nos pautar por alguns filósofos, é claro.


SHE-RA COMO VOCÊ NUNCA VIU ANTES





Direto do Twitter, via @Blaffert, por @celosantos


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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Bananas Carameladas


RABISCOS NO CONTINUUM DA MINHA VIDA

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Etrigan, Criado por Jack Kirby


Minha lembrança mais antiga acerca de um desenhista de quadrinhos me remete a Paul Gulacy. Hoje em dia eu sei o nome do artista, mas na época que ganhei de minha mãe um número de O Mestre do Kung Fu, quando este era publicado pela Editora Bloch, eu não fazia idéia de quem ele era. Para uma criança isso pouco importava. Claro que antes desta revista eu tive e li outras, mas isso está tão longe no meu passado que não consigo me lembrar que artistas de quadrinhos de super-heróis, tive os primeiros contatos. Mas, como sempre tive contato com esses quadrinhos desde criança, tenho certeza que vi muita coisa do mestre Jack Kirby.


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E, minhas primeiras impressões (como criança) sobre Kirby eram: "Nossa, como esse cara desenha mal". Pessoas atarracadas demais, cabeças estranhas, um traço incômodo. Tudo no desenho de Jack Kirby me irritava. Eu pensava o mesmo de Steve Ditko, quando lia velhas histórias do Homem-Aranha. Como as histórias dos dois já eram velhas na minha época, eu imaginava que isso se dava devido fato de serem desenhos antigos. Obviamente eu era só uma criança e não sabia de nada. A admiração que tenho pelos dois hoje é grande, já que ambos foram essenciais para a criação de muitos personagens que me acompanharam por toda vida. E passei a entender o quanto o estilo de Jack Kirby influenciou a muitos. Ironicamente eu gostava muitos dos desenhos de John Byrne, sem saber que Kirby era uma de suas maiores influências, vide o personagem OMAC, criado pelo mestre do qual Byrne também escreveu e desenhou histórias, assim como Os Novos Deuses.


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Enquanto Kirby, Ditko e Gulacy são minhas memórias mais antigas na Marvel, na DC é o ilustrador Curt Swan, uma espécie de desenhista praticamente oficial das aventuras do Super-Homem. Tanto era considerado assim que o artista foi quem desenhou a última história do Homem de Aço - escrita por Alan Moore - na era pré-Crise nas Infinitas Terras. Swan, Super-Homem e Editora Ebal são lembranças conjuntas, uma levando a outra. Uma das histórias mais antigas que lembro, desenhada por Curt Swan, era uma em que se explicava como apenas um óculos impedia que se descobrisse a identidade secreta do Super. Uma explicação tão nonsense quanto qualquer coisa publicada na era pré-Crise.


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Já no caso do Batman o que parecia ser o oficial era Jim Aparo, até que Neal Adams também veio trazendo seu estilo inconfundível. Os dois foram marcantes. Aparo, importante que era para o Homem-Morcego, ainda desenhou uma das histórias mais inesquecíveis (para o bem ou para o mal): A Morte de Robin. Já Neal Adams é co-criador de Ra's Al Ghul, que se tornaria um dos piores inimigos que Batman já teve. Com o tempo, outros desenhistas seriam tão marcantes (para mim) quanto esses dois.


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Um desses seria Frank Miller, mas eu o conheceria ainda em história do Homem-Aranha e na sua subida ao "poder" através das histórias do Demolidor. Salvando a revista do Homem Sem Medo, criando uma nova personagem, Elektra; recontando a origem do herói cego e, com a ajuda de David Mazzuchelli, levando o mesmo ao poço e ao triunfo com A Queda de Murdock. Isso sem contar reinventar Batman no passado (em sua origem em Batman Ano Um) e no futuro (Batman: Cavaleiro das Trevas). Mais tarde, já adulto eu redescobriria o roteirista e ilustrador em sua criação mais popular, Sin City.


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Enquanto eu crescia, minhas leituras fizeram eu conhecer novos artistas. Brian Bolland me deixou estufefato com a minissérie Camelot 3000 e também com a revolucionária Graphic Novel, escrita por Alan Moore, A Piada Mortal. George Perez fazia uma das melhores fases dos Novos Titãs, junto com Marv Wolfman que terminaria em Crise nas Infinitas Terras. E, na reformulação, o mestre Perez dava vida a uma nova Mulher Maravilha como nunca vista antes. Nas páginas de O Homem de Aço, John Byrne mostrava que já ter feito X-Men, Quarteto Fantástico, Namor, e Hulk, sempre revolucionando, lhe dava todo crédito para reiniciar o maior super-herói de todos os tempos.


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O tempo avança entre tantos e tantos artistas. Vou atravessando um mar de nomes, Gil Kane, Carmine Infantino, John Buscema, Sal Buscema, Ron Lim, John Romita, John Romita, Jr., Bill Sienkwiecz, Barry Windor-Smith, Mike Zeck, Gerry Conway, e tantos outros que fica difícil até lembrar. Passo por alguns anos sem ler quadrinhos e caio em cima de algo chamado O Reino do Amanhã, com uma arte que nunca tinha visto antes. Mas, obviamente eu não tinha lido Marvels ainda. Alex Ross parecia representar os novos ilustradores que eu viria a conhecer dali pra diante. E não seriam poucos.


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O tempo avança mais um pouco e me descubro lendo uma nova HQ, escrita por Warren Ellis chamada Planetary. Tanto o texto quanto a arte me cativaram logo de início. John Cassaday estava começando ali e, como se via em seus desenhos, era uma promessa de sucesso. Tanto que viria logo a desenhar Capitão América, os X-Men, e até uma nova versão do Cavaleiro Solitário (Lone Ranger). Era um mundo novo de novos ilustradores e pintura digital, onde os desenhos saltavam das páginas, como figuras com vida própria. Claro que nem tudo eram flores, Rob Liefeld representava tudo que havia de ruim na arte de desenhar... sem arte. Porém, mais e melhores artistas surgiam, muitos deles brasileiros, como Mike Deodato, Ivan Reis, Marcelo Campos, Joe Bennett, entre tantos outros.


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E, para terminar, por mais estranho (e vergonhoso) que pareça, o mestre dos mestres eu só conheci no "final". Digo conhecer no sentido estrito da palavra. Will Eisner era um nome que fazia parte do consciente coletivo de quem lia quadrinhos. Mas, eu li pouquíssimo. Se li alguma vez Spirit, foi o suficiente para saber que ele usava chapéu e máscara. A "super-heroização" que tive durante infância e adolescência me impediram de conhecer mais sobre esse gênio que tem um prêmio com seu nome. Mas, como se diz, nunca é tarde para aprender. E, devo aos scans o fato de ter mergulhado de cabeça no mundo dos quadrinhos de Eisner. Li quase tudo dele, inclusive seus livros técnicos.

E não apenas Eisner eu (re)edescobri, mas tudo o mais que os quadrinhos tem a oferecer em matéria de grandes artistas do traço, e não só de um único país, mas daqui, de lá, de acolá e de mais acolá um pouco. Afinal, a vida é como o traço de um artista, nós podemos melhorá-la e redescobri-la todo santo dia.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Preview? Aqui está!


O ESTRANHO RITUAL DE COMPRAR QUADRINHOS

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Não estou em uma feira de quadrinhos, estou dentro de uma feira hortifruttigranjeira. Aquelas do "mulher bonita não paga, mas também não leva". Mas, estou procurando quadrinhos. A feira é gigantesca e eu não sei onde encontrar a pessoa que vende os quadrinhos que eu quero. Tenho apenas uma ligeira idéia de onde ele possa estar, então eu procuro. Entre frutas, legumes e verduras, eu adentro mais e mais a feira, olhando em cada canto, em cada beco.


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Estranhamente, tenho a sensação de já ter feito aquilo muitas e muitas vezes. Uma espécie de conhecimento prévio do que vai acontecer já se apossa de mim. Encontro um homem com uma banca de madeira, como qualquer outra da feira que, no lugar de frutas ou legumes, está repleta de gibis. É como se um caminhão tivesse despejado uma tonelada de revistas usadas ali. Elas estão em pilhas e mais pilhas desarrumadas. Sinto o coração bater mais forte. Sinto o cheiro de papel mofado. Eu nem mesmo sei o que procuro exatamente, mas sei que meu lugar é ali. Então, acordo.


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É um sonho recorrente que tenho. A coisa da feira se explica porque o primeiro sebo de quadrinhos que conheci, era localizado em uma feira dessas mesmo. Um casal vendia gibis usados e por algum tempo comprei e e vendi com eles. No sonho sempre quero algo que não tenho, especial, difícil de encontrar. A sensação no sonho, ao encontrar, é tão boa quanto na vida real. Algumas vezes sonho comprando HQs novas também. Depois ainda me perguntou se sou nerd o bastante.


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Acho que isso também responde a questão de se os scans substituem o papel. Nunca sonhei baixando um scan e acho que se sonhasse, não seria nada emocionante. Quase tão bom quanto ler uma HQ, é comprá-la. Tudo bem, claro que se você ganha alguma, principalmente uma de grande pe$o, isso é bom. Afinal, de graça até injeção na testa. Mas, são sentimentos diferentes, ganhar e comprar.


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E olha que eu nem sou um bom colecionador. Mas, ainda assim, é algo que faço desde que me conheço por gente, comprar gibis. Quando era criança, pedia à minha mãe ou ao meu pai os 1 cruzeiros da época, para comprar os Pato Donalds que eram finos como um fio de cabelo, e eu os lia em 10 minutos. Ainda assim a sensação de comprar algo que seria meu, era demais. Porém, quando meu pai foi embora, eu não podia mais ficar pentelhando minha mãe por gibi, então resolvi arranjar meu próprio dinheiro e fui trabalhar, aos 11 anos de idade, em um armazém perto de casa. Eu acabei mais servindo de mascote que de atendente. Os mais velhos gostavam de me chamar de... Clark Kent. Era o preço a ser pago por trabalhar para comprar gibis.


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Eu tentava dar uma de homem da casa e ajudar minha mãe, mas a verdade é que a maior parte do que eu ganhava ia para os gibis. Minha mãe não se importava, ela gostava de ter um filho nerd, mesmo que ela não soubesse (nem eu) o que era tal coisa. O tempo passou e quando minha mãe nos conseguiu um padrasto, era tarde demais. Eu já estava viciado em trabalhar pra comprar gibis. E, às vezes, meu padrasto comprava também... para ele. Minha mãe estava bem arrumada.


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Dos 12 aos 15 trabalhei num mesmo lugar, uma padaria onde trabalhavam apenas eu como atendente e o dono. Para melhorar a coisa, ela já ficava perto de duas bancas de jornais. Em uma delas eu consegui até mesmo comprar fiados por muito tempo. Antes de ir para o trabalho, que era bem cedo, passava nessa banca, entrava dentro da Kombi que trazia a mercadoria, puxava o monte de revistas amarradas, desamarrava e procurava o que que queria. Os jornaleiros já nem se apercebiam mais de mim. Só na hora de pagar.


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Aliás, a feira onde conheci o casal do sebo, ficava na rua da padaria. Talvez esse começo é que tenha formado meu jeito de comprar HQs. Parar, ficar um bom tempo de uma revista para outra, mesmo já sabendo qual vou levar, voltando de novo, folheando, se bobear, cheirando, sem ver o tempo passar. Vendo se está boa, como se escolhesse algo em um mercado ou feira. Estranhamente não gosto de sentar para ler nas livrarias, como é possível hoje em dia. Ou levo pra ler no conforto do lar, ou deixo lá, no lugar dela.


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Voltando ao passado novamente, a única coisa que incomodava minha mãe com relação aos gibis era... espaço. Começava a não ter mais e nossa casa não era grande. Eu passara de um pequeno armário cor de gema de ovo para um enorme, branco, que ocupava boa parte da sala. Me apossei e só faltei cravar uma bandeira. Mas, a coisa estava ficando feia, e assim como aprendera a comprar, eu começava a ter que aprender a vender. Levei, num carrinho de mão (afinal era longe), três caixas enormes cheias de HQs e vendi tudo de uma vez justamente ao casal de quem eu comprara muitas. Com o dinheiro comprei outra coisa que todo moleque adora (não, Playboys não): uma bicicleta, coisa que até então eu não tivera.


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Depois de me desfazer de mais de 500 revistas, parecia que eu trabalhava com ações, não que colecionava gibis. Comprava e vendia constantemente, nunca parando com uma grande quantidade. Conheci outros vendedores de rua, e com alguns deles acabei comprando outros gibis, como Tex, Zagor, dos quais eu nem mesmo gostava. Conheci sebos de rua tão grandes como os dos meus sonhos, onde comprava entre outras coisas, Mad e Pancada. Com o tempo descobri os sebos de livros e de discos de vinil aos quais passei a frequentar, mas não com a mesma frequência que os de gibis. Eu tinha me tornado um comprador/vendedor dos bons.


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Com o tempo fui diminundo, diminuindo, até que me tornei Testemunha de Jeová e isso me fez parar de ler gibis por completo, durante boa parte da década de 90. Não comprava, não vendia, não lia, nem passava perto. Mas isso é uma outra história. Quando comecei o Rapadura Açucarada eu já tinha voltado a ler e comprar timidamente, e colocar scans no blog fez com que eu voltasse a ler, comprar e até mesmo vender freneticamente. Sendo que acabei por conhecer a Gibimania, onde comprei muita coisa boa e onde deixei muita coisa boa nas mãos do Marquinhos.


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O único problema dessa nova fase dos quadrinhos na minha vida era que os gibis não ficavam inteiros. No início eu até tentei escaneá-los sem estragar, mas para alguns não havia jeito. Então, adotei o mesmo processo para todos. Até que parei de escanear. Devido ao tempo, fórum, Twitter, resquício de vida offline, eu acabei comprando mais do que podia escanear. Até posso escanear alguma coisa, mas apenas coisa antigas. Afinal, voltei a ter apreço pelas HQs como tinha antes e elas estão ficando inteiras.

De vez em quando vou aos sebos aqui por perto, seja os de livros, ou apenas de HQs. De tempos em tempos vou à Gibimania e saio de lá carregado com algum desconto generoso do Marquinho. Voltei a comprar gibis no mesmo ritual de antes. Só não digo que estou viciado totalmente porque não consigo comprar mensais, graças a tantas sagas sem fim, e tantas histórias ruins em tantos mixes. Não há vício que suporte comprar tanto lixo. Assim compro ou encadernados, ou republicações.

O fato é que o ritual de comprar gibi é algo que só talvez quem compre livros possa entender. Não é a mesma coisa, mas é ligeiramente parecido.

Bom, agora preciso ir dormir e comprar mais umas HQs que estou precisando, e que só no mundo dos sonhos recorrentes posso encontrar. Talvez eu esteja tentando encontrar Sandman nos meus sonhos. Entendeu?



FECHANDO COM TROCADILHO INFAME

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