terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Eu, Comunista

ESTAVA LÊNIN O MANIFESTO COMUNISTA
QUANDO ME DEU UM STÁLIN

Karl Marx a escrever O Capital, foto: arquivos History Channel

Minha trajetória começa em 1969, em 16 de maio. Uma data história. Histórica para mim, claro, já que foi o dia em que nasci e, sem nascer, nada disso teria acontecido.

Meu pai, um proletário do campo, cansado do capitalismo selvagem, já pensava em como poderia mudar tudo isso que estava aí, OK? Mas, o fato é que ele não sabia se valeria a pena se tornar comunista, mais... valia. 

Então, ele comprou o kit completo do comunista moderno: uma foice, um martelo, uma camisa do Che Guevara e uma brochura do Manifesto Comunista que foi onde eu aprendi a ler. Não demorou muito e eu já estragava a brincadeira toda vez que jogávamos Monopólio, chutando tudo acusando as outras crianças de direitistas. Logo ninguém me chamava mais para brincar. 

Na adolescência tentei deixar a barba crescer, para ficar parecida com a do Grande Lula, o Stálin do nordeste. Não deu muito certo, pois os três pelos não evoluíam. Nesta época eu já tentava fazer parte da CUT, mas vendedor de bala não era considerado operário. Nada disso me abalava. Eu sabia que o povo unido, jamais seria vencido. 

Também acabei por me tornar ateu, para fazer jus ao comunismo de raíz. Eu não apenas não acreditava em Deus, como ainda dizia isso para Ele. Deus só Lula, o molusco divino. 

Tentei entrar no Movimento Sem Terra, mas eu ficava enjoado com facilidade. Era um movimento constante e aquilo me fazia vomitar o tempo todo. Daí fui para o Movimento Sem Teto, mas só consegui me sair bem na parte do Sem Teto. Foram dias duros morando na rua. Ser comunista não parecia ser Gramsci coisa naquela época. Mas, eu não desistia. Eu tinha grandes planos. E tudo mudou em finais de 2002, quando meu plano mestre tomou forma. 

Inspirado pela HQ Entre a Foice e o Martelo (Red Son, de Mark Millar), eu entendi o que precisava fazer para tornar o mundo comunista, igual a mim. Levaria apenas 16 anos, mas o que eu tinha era paciência de sobra, e um scanner. 

Colocando quadrinhos digitalizados de forma bem comunista, na rede mundial de computadores, também conhecida como Web, eu só teria que cativar alguns milhões de nerds, para depois começar meu plano de dominação comunista. 

Não era fácil, pois eu precisava trabalhar muito com os quadrinhos dos malditos EUA, o capitalista-mor e precisava sempre me purificar a noite, rolando sobre páginas de O Capital embebidas com vodka. Eu acordava no dia seguinte bêbado e sujo de tinta preta. Era uma bagunça só. Mas, valia a pena pela destruição do capitalismo idiossincrático. 

Meu disfarce era perfeito, pois ninguém conseguia desconfiar que entre minhas críticas ao PT, no Facebook, se escondia um plano maquiavélico para levar a estrela vermelha para o topo da árvore de natal que era o mundo. Nem mesmo a queda de Dilmãe e LulaPai me fizeram fenecer. na verdade, só aumentou minha sanha comunista. Agora o objetivo era ainda mais premente. 

Depois de longos 16 anos adormecido, como um espião soviético numa cidade dos EUA, eu despertei e comecei a campanha de doutrinação conhecida como Scan Com Partido. Nada mais poderia me deter agora. Quem quisesse ler Turma da Mônica de graça teria que entrar para o Partido, jurar fidelidade e curtir minhas postagens com o coraçãozinho... vermelho. 

Enquanto escrevo essas palavras, vejo o marxismo cultural massacrando o olavismo cultural numa briga na lama, mais sensual do que se fossem Janaína Paschoal versus Manuella D'Ávila . 

Agora preciso ir e terminar de construir o corpo robótico para a cabeça de Karl Marx. Como diria nosso líder, Lula: TODO PODER PARA O POLVO!


Patrulha do Destino - Vol. 05

PATRULHA DO DESTINO - VOLUME 05 de 06
Digitalização e Tratamento: Out, The Sider Z/HORDA Inc.

PARA BAIXAR, CLIQUE MEGA ou MEDIAFIRE

As lisérgicas aventuras da patrulha do Destino continuam. O Sr. Ninguém, da Irmandade do Dadá resolve se candidatar a presidente e lança a campanha "Vote em Ninguém". Porém, nos bastidores do governo, uma nova ameaça está sendo ressuscitada para combater não apenas a Patrulha do Destino, mas a própria Irmandade do Dadá. 

No meio disso tudo, ficamos conhecendo uma nova equipe de super-heróis ligados à magia, e entre eles está o herói Hellblazer, cuja identidade secreta é ninguém menos que John Constantine. Eles detectam uma ameaça ao planeta e a Patrulha precisará combatê-la. Porém, um deles não é mais quem diz ser. Aventura de uma realidade alternativa. 

Enquanto isso, Crazy Jane está sumida e Cliff tenta descobrir seu paradeiro através de Danny, a Rua. Mas, Crazy Jane não quer ser encontrada. Ela está em uma busca para resolver seus traumas de infância, custe o que custar. 

Na última história acontecimentos estrondodos que podem significar o fim da Patrulha do Destino. 




segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Lavagem Cerebral e a Política

E O CÃO VOLTOU AO SEU VÔMITO - A LAVAGEM 
CEREBRAL COMO ARMA POLÍTICA


A lavagem cerebral religiosa é bem conhecida. Eu mesmo me deixei levar por essa técnica por sete longos anos. Na política também não é novidade, mas, passa mais despercebida que a religiosa. No Brasil, vimos a união de lavagem cerebral política e religiosa funcionando juntas para levar ao poder um novo governo muito pautado pela hipocrisia da banda podre dos evangélicos.

Não vou entrar em detalhes sobre essas técnicas pois não sou a pessoa mais indicada para isso. Qualquer pesquisa no Google trará melhores resultados. Vou falar da minha experiência com esse tema, pois posso falar com autoridade apenas sobre coisas que aconteceram comigo. 

Após a ascensão do PT ao poder e sua rápida entrada no mundo da corrupção, as coisas começaram a tomar um rumo estranho, pois os apoiadores do partido, especialmente os militantes, pareciam simplesmente não perceber nada do que estava acontecendo. Era como se vivêssemos em dois mundos diferentes: um em que as denúncias de corrupção como o mensalão estivessem acontecendo a todo momento, e em outro mundo, nada disso acontecia e o governo continuava lindo. 

Até mesmo para alguém desinteressado em política como eu era, isso tudo começou a soar muito estranho. Tempos depois, quando comecei a acessar o Facebook, passei a conviver com pessoas que faziam parte deste segundo mundo, aquele em que o governo era lindo e maravilhoso. Acho que isso meio que me deu um clique e pensei, "mas, como assim?!". E, acabei por escrever isso na rede social. Foi o início de um tipo de aprendizado que dura até hoje, ou seja, aprender que as pessoas simplesmente não se importam com o país, elas se importam com personalidades, com certos políticos, elas fazem o que tecnicamente é chamado de Culto a Imagem. 

Quando eu comecei a perceber isso em toda sua glória, era Dilma quem já estava no governo, mas era como se Lula ainda estivesse como presidente - e muitos sabiam que era exatamente o que acontecia. Apesar do culto a imagem de Dilma ser muito forte - principalmente entre as mulheres, que agora se viam representadas - a imagem de Lula sempre se sobrepunha a dela. Dilma era a mãe, a Dilmãe, mas o Pai Supremo ainda era Lula. 

Alçado a este posto por ter feito políticas sociais que renderam algumas melhorias visíveis, Lula se deixou levar pelo poder, como já se diz no ditado. Não conseguia mais se ver separado dele. Não conseguia passar o bastão. Ainda hoje, com todos os acontecimentos, com tudo tenso sido mostrado, ainda temos esses verdadeiros fanáticos que o veem como O Maior Presidente da História do Brasil. O culto a personalidade aqui é a lavagem cerebral. Isso criou também o anti-petismo. E daí veio a próxima leva de lavagem cerebral usando exatamente este anti-petismo que veio muito bem a calhar. 

Mesmo no auge do meu anti-petismo, que persiste até hoje, mas que no atual momento político é irrelevante, eu conseguia perceber que alguma coisa estava acontecendo. Que um anti-petismo fanático estava em alta. Não fazia ideia ainda, de que isso seria usado de forma tão eficiente para que a direita, principalmente aquela extrema, entrasse no poder. 

E o fanatismo só crescia, a tal ponto que já perto das eleições, os eleitores de Bolsonaro já haviam sofrido - em sua grande maioria - uma lavagem cerebral perfeita. A ponto de fazer TUDO, MAS TUDO aquilo que condenavam nos odiados petistas: colocavam o nome de Bolsonaro como sobrenomes nos perfis de Facebook, como os lulistas; faziam dancinhas coreografadas ainda mais ridículas - com gestos de arminhas -, conseguindo superar em muito o que foi feito por petistas militantes. 

Também começaram a fazer algo que me irritava profundamente nos petistas: tentar conseguir desculpas esfarrapadas para os erros de corrupção do PT ou mesmo os erros governamentais menores, mas que ainda eram erros. Mas, no caso dos bolsominions - herdeiros diretos dos famigerados coxinhas - era ainda pior, pois ele procuravam de todas as formas, como se fossem todos uma grande horda de advogados, reinterpretar falas machistas, misóginas, racistas, xenofóbicas e outras que demonstravam um alto grau de desprezo pelos direitos mais básicos do ser humano. Fazendo eco aos mortadelas, o novos coxinhas faziam exatamente igual ou pior do que aqueles que tanto criticaram. Pois, na visão obtusa deles, estavam certos e os outros errados. 

Também aprenderam muitas técnicas de lavagem cerebral que passavam adiante. Eles aperfeiçoaram o fanatismo petista. Agora se tornavam professores, repetindo todo discurso que aprendiam via YouTubers de extrema-direita. Em vez de responderem a contra-argumentação tentavam desmerecer a pessoa, ou apenas ficavam repetindo frases de efeito, recitada milhares de vezes, que no fundo, não queriam dizer nada. 

Sem poder defender qualquer ação ou fala de seu candidato de forma coerente, pois eram indefensáveis,partiam para recitar seu ódio a um PT fora do poder há mais de dois anos. E é assim até os dias de hoje. A lavagem cerebral deixou no lugar apenas isso, o anti-petismo, pois argumento fora disso, não há. 

Alguns até mesmo começam a atacar Ciro Gomes, pois o político pode começar ser uma ameaça ao futuro do bolsonarismo, se Lula não conseguir se reerguer. Mas, se o governo for tão mal como tem demonstrado no primeiro mês e pouco da eleição, colocando corruptos e réus nos ministérios, ainda é capaz que, de dentro da cadeia, o lulismo volte para a honra e glória dos fanáticos militantes petistas que veem o mesmo como Deus. E assim, começará tudo de novo, neste eterno balé de mortadelas e coxinhas. 


DICAS PARA QUEM NÃO ESTÁ MAIS ATURANDO O BLOG:

1 - Não venha ao blog.
2 - Se vier, não leia os posts que você sabe que te causarão chilique dignos de Vera Verão. 
3 - Se quiser baixar os scans sem vir aqui, é só ir ao Onomatopéia Digital, pois os scans daqui, vão para lá, quando saem da página principal.
4 - Se não quiserem ir lá, também, não faz diferença para mim. 
5 - Aprenda a pensar por si mesmo, e não por pseudo-filósofos decrépitos que acreditam que  o sol gira em torno da terra e nem por grupos de Whatsap, que escrevem as fakenews que vc quer acreditar, e que espalham a lavagem cerebral nossa de cada dia.


A Era do Apocalipse

O APOCALIPSE ZUMBI CHEGOU E OS MORTOS-VIVOS DOMINAM


Uma ministra dos Direitos Humanos fundamentalista religiosa que acredita que a religião é que salvará o Brasil e não a política. Que acredita que lugar de mulher é em casa, cuidando dos filhos, mesmo que ela mesma não esteja lá, e sim na política.

Ministérios sendo negociados com o DEM, um dos partidos mais corruptos do Brasil e se dando a isso nome de nomeações técnicas, para que as promessas de campanha, de que não iria negociar cargos, seja mcobrada.

Ministro da Transição Onyx Lorenzoni, quando perguntado pelos repórteres sobre o recente escândalo do motorista de um milhão de dólares e sobre cheque para esposa de Bolsonaro, surta, começa a falar do PT, sem que o assunto nada tenha a ver com PT, pergunta quanto repórter recebeu naquele mês e depois sai da entrevista correndo.

Ministro da Justiça Moro não tem se pronunciado sobre o mesmo assunto e o presidente diz que qualquer problema com o fisco ele mesmo resolve, sendo que nada se começa sobre o 1,2 milhão que o motorista movimentou em um ano. 

reunião para discute como combater o comunismo é realizada por um dos filhos, mas nada se fala sobre o alardeado combate à corrupção dentro de suas trincheiras. O comunismo continua sendo usado como cortina de fumaça e as pessoas continuam querendo acreditar nisso, para evitar pensar que seu ídolo tenha pés de barro. 

Além de Onyx Lorenzoni ser um corrupto confesso, perdoado pelo Ministro da Justiça, outros tem acusações de corrupção. 

Enquanto isso, mesmo tendo sido derrotado nas eleições e há dois anos fora do governo, tendo seu líder preso e a presidente tendo sofrido impeachment, em vez de dar o esperado Golpe Comunista, o PT ainda é citado constantemente, como um mantra, quando se fala dos problemas crescentes de um governo que nem mesmo assumiu ainda. Tudo isso em apenas um mês e onze dias desde as eleições.  

Olavo de Carvalho e seus asseclas continuam mantendo o mesmo discurso, e os seguidores da seita olavista continuam acreditando, mesmo que, aos poucos, estejam perdendo membros. 

Quando confrontados diretamente com esses acusações ao mito e sua família, que não são de agora, os eleitores fiéis, começam a falar de Cuba, Venezuela e de como fomos salvos do kit gay e da mamadeira de piroca, esta sendo o ícone dessas eleições, e que a representa bem. Eles ficaram com a mamadeira e o povo, com a piroca. 

domingo, 9 de dezembro de 2018

NerdTeca: Superdeuses

SUPERDEUSES - GRANT MORRISON
Arquivo enviado por Muad'Dib/HORDA Books

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Alan Moore e Grant Morrison têm uma espécie de rixa alimentava pelos fãs. Os dois são gênios dos quadrinhos que transformaram este meio em algo muito além dos simples super-heróis cotidianos. No entanto, há uma diferença básica entre os dois: Morrison abraça os super-heróis sem medo e este livro é uma ode à paixão que Morrison sente pelos uniformizados com cuecas por cima da calça. Para ele, os heróis são superdeuses. 

O livro entrelaça a história dos super-heróis,dos quadrinhos com a do próprio Grant Morrison. E, não é assim com todos nós que lemos estes quadrinhos desde nossa tenra infância? Eles fazem parte de nossa própria história e não nos envergonhamos disso. 

Muitos deixam de ler quadrinhos de super-heróis porque se tornaram adultos, como se os quadrinhos também não tivessem crescido junto conosco, cada um com seu grau de amadurecimento. Morrison contribuiu e muito para que os quadrinhos de super-heróis deixassem de ser apenas "coisa de criança".

Mesmo na Inglaterra, com seu Zenith, o super-herói roqueiro, ele já dava mostras dessa paixão. Quando a DC o cooptou para trabalhar com Homem-Animal, isso só elevou o nível das histórias. Quando Buddy Baker olha para nós das páginas de Homem-Animal e diz que pode nos ver, nossa mente explode e, por alguns segundos - ou mais - passamos a nos perguntar o que é real e que é fantasia. Nos perguntamos em que lado da página estamos. Buddy Baker pode nos ver e nós descobrimos esta nova visão dos quadrinhos junto com ele. Naquele átimo de segundos, também nos sentimos superdeuses.

P. S.: Uma pena que a capa da edição brasileira não faça jus à obra. 



Ditadura da Memória

DITADURA É DOCE, MAS NÃO É MOLE NÃO: 
A CURTA MEMÓRIA DO BRASILEIRO


"Por dois meses publicaram-se denúncias esparsas na imprensa, até que no dia 1o. de setembro o Correio da Manhã abriu em suas páginas uma das memoráveis campanhas da história da imprensa brasileira. Num editorial intitulado 'Tortura e insensibilidade', denunciava:

'Todos os dias, desde 1o. de abril, o público e as autoridades tomam conhecimento com detalhes cada vez mais precisos e em volume cada vez maior de atentatos contra o corpo e a mente de prisioneiros culpados e inocentes. No entanto, desde o dia 1o. de abril, o silêncio pesa por sobre esses crimes. Não há uma explicação, uma nota, um protesto oficial sobre as denúncias. Esse silêncio, e a própria frequência com que se toma conhecimento das torturas, provoca uma reação ainda mais sinistra: verifica-se a tendência para cair numa gradual insensibilidade, esgotando-se a capacidade de sentir horror e revolta'."

(As Ilusões Armadas- 1. Ditadura Envergonhada, de Elio Gaspari, pág. 145)

Há apenas alguns anos atrás, talvez antes de 2011 por aí, eu nunca ouvira alguém elogiar a ditadura militar do Brasil, iniciada em 1964, nem mesmo como piada. O assunto sempre foi tratado como o que ele era, algo a se envergonhar. 

De repente, a coisa começou a tomar outro rumo. Graças a declarações cada vez mais divulgadas de um certo deputado federal. Uma onda reacionária e saudosista começou a tomar conta do brasileiro. Começaram a ver a ditadura com outros olhos, graças ao ponto de vista de outra pessoa. Em suas cabeças, um no quadro se formava, uma utopia que durou de 1964 a 1985. 

Muitos desses defensores eram apenas jovens, nascidos ali durante os anos 1990 ou até mesmo já no novo século. Outros começaram a se "lembrar" das maravilhas daquela época. Ainda tinha o testemunho do pai, do avô, do tio ou de qualquer um, que não fosse a própria pessoa. O presente era o caos e o passado a ordem.

Uma onda reacionária tomou o país de assalto, como se estivesse adormecida por muito tempo e, de repente, começasse a levantar de seu túmulo. As pessoas mais improváveis se mostrava alguém insensível e preconceituosa, repetindo frases de efeito, como um toca discos arranhado. 

Então, vamos falar sobre lembranças dessa época. Minhas lembranças:

Para começar, eu fui criado na Baixada Fluminense, em um bairro que ficava entre Nova Iguaçu e Belford Roxo. Nascido em 1969, no Ceará, fui trazido para o Rio de Janeiro antes de completar seis meses de idade, e ali eu cresci. 

Minhas memórias dos anos 1970 são esparsas, mas, algumas coisas são simplesmente difíceis de se esquecer. Não, não, ninguém da minha família foi vítima direta da ditadura, mas, mesmo que muitos tentem se enganar hoje em dia, todos eram vítimas de uma forma ou de outra. 

 A HIPERINFLAÇÃO: 

As pessoas que passaram a defender a ditadura nos dias de hoje pouco citam isso. Outras não citam porque simplesmente nasceram durante o Plano real e não viveram os dias da hiperinflação. 

Para uma família de classe média baixa, bem baixa, como nós, a inflação era uma desgraça. Lembro perfeitamente de ir comprar alguma coisa hoje a um preço e amanhã estar mais caro. Muito mais caro. Quando meu pai foi embora, e minha mãe lutava para criar quatro filhos, isso se tornou mais incisivo em nossas vidas. 

O povo, apesar de reclamar, já estava adaptado àquela situação e tentava sobreviver. Não era algo que pudéssemos mudar. Eu, como criança, não sabia porque aquilo acontecia, só sabia que as coisas eram assim desde que nasci. Não lembro de  nenhuma época em que o tal "milagre financeiro" da ditadura tivesse sido benéfico para nós, os pobres. 

A situação era tal que, vendo minha mãe trabalhar fora e em casa eu, da altura dos meus 11 anos, disse a ela que queria trabalhar, também. E fui. Comecei em um armazém do bairro e não parei, trabalhando em vários outros lugares até atingir os 18 anos,em 1987, e começar a trabalhar de verdade, de carteira assinada. Não havia utopia econômica. 

A VIOLÊNCIA

O que mais levou as pessoas a pedirem o retorno da ditadura militar nos dias de hoje foi a violência. Alegavam que "naquele tempo andávamos na rua em segurança, pois não havia essa violência de hoje". Pois sim, havia. 

Nas décadas de 1970 e 1980 a Baixada Fluminense do Rio de Janeiro era lendária no quesito violência. O Rio de Janeiro sempre foi famoso por causa disso e, naquela época, isso se concentrava mais ainda no arredores de onde eu morava. 

Ainda assim, eu nunca fui assaltado, nem nunca sofri violência de espécie alguma. Isso deveria me fazer acreditar que ela não existia, como os reacionários dizem hoje em dia. Se não aconteceu comigo, não aconteceu com ninguém? 

Mesmo muito pequeno, algo que me lembro bem, e que me fazia ter muito medo eram os tais grupos de extermínio. Um dos mais famosos, que o nome nunca me saiu da cabeça, era um chamado Mão Branca. Quando as mães queriam fazer medo às crianças elas apenas diziam, "o Mão Branca vai te pegar".

Esses grupos contribuíam para a escalada de violência que dura até hoje. Alguns alegariam que eles só matavam bandidos. Mas, assim como a tortura, o extermínio é um ato fora da Lei, mesmo das leis da ditadura militar. Tortura e extermínio eram e são crimes. Sem contar que eram os juízes, júri e executores. Mas, há outro problema ainda mais grave, nunca morriam só os bandidos, mas testemunhas ou pessoas que simplesmente eram apontadas por alguém, sem prova alguma de crime. Na verdade, ninguém se sentia seguro em andar a noite. 

A CORRUPÇÃO:

A melhor falácia de todas é que "naquele tempo não havia corrupção". Isso é querer se iludir para tentar acreditar em algo que não viveu ou que a memória deletou, porque isso é conveniente agora. 

Eu era muito criança, e não entendi o conceito de corrupção. Também não tínhamos internet e eu não lia jornais, apenas gibis. Mas, tínhamos a TV e, por menos que eles noticiassem, alguma coisa sempre aparecia. E, se eu, uma criança lembro de uma parte disso, era porque a coisa era muito maior. 

O corrupto que eu mais ouvia ser citado era Delfim Neto. Eu devia escutar sobre outros, mas minha memória meio que gravou apenas ele. Provavelmente devido àquela figura meio exótica, parecendo um ogro de óculos fundo de garrafa. Para mais casos de corrupção da época, clique aqui

CONCLUSÃO: 

O fato é que, com toda dificuldade, violência e corrupção da época, minha infância foi feliz, pois eu vivia em uma área e situação social que nada tinha a ver com a luta contra a ditadura. Meus pais eram pessoas simples, tinha sua luta para nos criar. Porém, isso não exime a ditadura de seus crimes, já que outras pessoas estava sofrendo, muitas delas inocentemente. 

Uns poucos anos atrás, ainda no governo Dilma, eu estava na fila do supermercado e puxava assunto com uma senhora e um senhor. Falávamos sobre política e reclamávamos da situação e do governo. Em certo momento eu disse o quanto o governo era opressor, me referindo ao sentido econômico, mas a senhora se lembrou do passado e disse:

- É, mas pelo menos agora, a gente pode reclamar. 

Claro, ela se referia ao clima que as muitas delações criava, já que até seu próprio vizinho poderia, do nada, cismar que você era comunista, e deletá-lo, apenas pelo fato de você criticar o governo. Que estes tempo não voltem. Nunca Mais. 

sábado, 8 de dezembro de 2018

Shakespeare - Gianni De Luca

SHAKESPEARE EM QUADRINHOS: HAMLET, ROMEU E 
JULIETA, A TEMPESTADE - GIANNI DE LUCA
Digitalização by Out, The Sider Z/HORDA Inc.

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Esta HQ tem 40 anos e ela faz parte da história da minha vida. Quando a conheci ela já tinha pelo menos 10 anos. E foi da seguinte maneira:

Eu era adolescente e gostava de andar pelas ruas de Duque de Caxias  - bem longe de onde eu morava -, geralmente para comprar gibis. Duque de Caxias era o lugar mais "próximo" onde eu poderia encontrar dezenas de bancas de jornais, bem diferente de onde eu morava, onde só havia uma. Além disso, lá havia muitos sebos.  

Mas, não foi em nenhum deles que esta HQ estava. Eu caminhava pelas ruas, quando vi um homem vendendo livros e alguns gibis espalhados no chão. Parei, fiquei olhando e notei esta HQ. Quando folheei tive certeza que levaria. 

Confesso que, na época, meus interesses em quadrinhos não eram exatamente Shakespeare. Super-heróis eram a ordem do dia, todos os dias. Mas, aquela HQ era diferente. O artista, Gianni De Luca, transformara a experiência de ler quadrinhos em outra coisa. 


A maior parte das narrativas das três peças de Shakespeare - A Tempestade é a que menos tem essa estética - era desenhada de uma forma fantástica, como se os personagem caminhassem literalmente pelas páginas. Já seria um recurso incrível se usado em uma ou duas páginas, mas De Luca usa e abusa do método e transforma a HQ no palco de um teatro onde somos os expectadores. 

Ao mesmo tempo é como uma animação, onde acompanhamos com os olhos - claro, com o pé é que não seria - a ação "ao vivo". Uma técnica que me deixou ali, parado, no meio de Duque de Caxias, me sentindo pequeno diante de tamanha genialidade e paciência. Levei comigo na mesma hora e li e reli muitas vezes. 

Com o tempo eu devo ter me desfeito em alguma troca. Tinha a incrível mania - e tenho até hoje, como bem sabem - de não me apegar a coisas que eu devia guardar para sempre. 


O tempo passou e passou até chegarmos aos dias de scans e sempre me dizia como seria legal ter aquela HQ tão foda para fazer em scans. Encontrei algumas vezes na internet para vender, mas a preços exorbitantes. 

Cheguei a rever scans da obre em matérias sobre o autor e a vontade de ter no blog aumentou. Mas eram apenas partes, não ela completa. Até mesmo citei o quanto a queria aqui, em um post sobre sebos

O tempo passava e eu nunca a esquecia. Até mesmo vi um artigo em outra língua que relacionava uma cena que Frank Miller desenhou em Elektra Vive com a técnica de De Luca, mas não sei se Miller foi influenciado pelo autor italiano. A cena pode ser vista abaixo e mostra bem a genialidade de Miller, usando a mesma técnica.


Por fim, eu deixei o assunto de lado, até que, inspirado pela coleção de Shakespeare em Quadrinhos enviada pela Garota Sem Nome, eu acabei resolvendo tentar mais uma vez e procurei, desta vez no Estante Virtual, e encontrei por um preço razoável e, depois de um tempo, a HQ chegou. 

Nem mesmo me lembra de que era capa dura. Apesar de bem antiga, o estado, para uma HQ de 40 anos, estava razoável. Hoje em dia, quando me deparo com algo assim, que minha memória afetiva preza tanto, não consigo pensar em guardar em uma redoma de vidro para admirar. Só sei pensar em compartilhar. Nada mais. Por isso, aqui está ela. 

Acredito que ela possa até mesmo servir de estudo e inspiração para muitos que trabalham com quadrinhos, que estão aprendendo ou aqueles que já são profissionais. O método não é exclusivo de Gianni De Luca, mas, é até agora, aquele que vi usá-lo com tanta desenvoltura e em tantas páginas. 

Infelizmente a arte não está tão perfeita como deveria. E, acho que nem é por conta da idade do material, mas da impressão da época. Esta reimpressa, com a arte restaurada, seria um tesouro inestimável. 

As páginas duplas tiveram que ser feitas por mim mesmo, assim, nem sempre estarão perfeitas. Na verdade, é um pouco frustrante digitalizar e restaurar essas páginas, pois sinto que não estou a altura da obra. Mas, fica aqui a minha tentativa. Espero que gostem. 



Nossos Deuses

NOSSOS DEUSES SÃO SUPER-HERÓIS
Digitalização e Tratamento: Out, The Sider Z/HORDA Inc.

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Os super-heróis são os novos deuses. Homens e mulheres superpoderoso que, diferente dos antigos deuses, habitam entre nós. Alguns desses antigos deuses até mesmo desceram até nós e se tornaram super-heróis, como o Poderoso Thor. 

O livro acima se ocupa de traçar uma linha entre o esoterismo e os super-heróis e como isso influenciou a criação de muitos deles. Os super-heróis não negam essa influenciam e deixam claro que vieram para 

Christopher Knowles vai da cabala até Aleister Crowley para demonstrar como foram construídos os super-heróis. Influências que os tornaram ícones, mas que deixam claro que o ser humano sempre terá um pé na fantasia. 

Assim como os antigos deuses, os super-heróis exigem devoção, para isso tem milhares de fãs que idolatram suas imagens, sejam no papel, seja no cinema ou nos milhões de produtos que levam suas divinas caras.

Nossos Deuses São Super-Heróis é um livro divertido que traz ilustrações de Joseph Michael Linsner pontuados os capítulos e fazendo referências a muitos deles. 

Boa leitura e amém. 






quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Fugir

FUGIR: O RELATO DE UM REFÉM - GUY DELISLE
Tradução e Letras: A Man Without a Name/HORDA Inc.

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E ele está de volta: Guy Delisle! Desta vez em uma HQ que ele levou apenas 18 anos para terminar. Sim, ela começou a ser feita dois anos antes de o RA sequer existir. 

Fugir é a história de Christophe Andrés, que estava trabalhando como voluntários pelos Médicos Sem Fronteiras em Inguchétia, no Cáucaso, quando, no meio da noite, foi sequestrado. 

Diferente de todas as outras HQs postadas aqui,do autor, que costumam ser sempre obras autobiográficas, Fugir é a história de outra pessoa, a qual Delisle teve acesso e transformou em quadrinhos. 

Depois que é raptado, Christophe passa a ser colocado em um quarto onde tem pouca noção do que está acontecendo. Angustiado, tenta imaginar o que pode estar acontecendo paara que seja salvo. Mas, os dias vão passando e nada parece acontecer de fato. 

Apesar de não serem violentos, ainda assim os raptores não deixam muito espaço para que Christophe sequer pense em fugir e, assim, os dias se transformam em semanas, que se transformam em meses. 

Uma leitura tranquila de uma situação realmente periclitante. Delisle nos leva através da história desse homem, ao qual passamos praticamente a conviver junto nesta prisão que costuma mudar de lugar, sempre parecendo que o momento da liberdade irá acontecer, mas sempre frustrando as expectativas. 

Junto com ele, você irá se ver tentando fugir. 




Eram os Nazistas Canhotos?

NAZISMO DE ESQUERDA: PORQUE 
FILHO FEIO NÃO TEM PAI



De fato, a coisa era perigosa. Em 1920, era impossível, em muitas regiões da Alemanha, aventurar-se alguém a dirigir um apelo às massas populares para uma assembléia nacionalista e convidá-las publicamente para uma visita. Os que participavam dessas reuniões quebravam-se as cabeças mutuamente. As chamadas grandes reuniões coletivas burguesas eram debandadas por uma dúzia de comunistas, como aconteceria com lebres em face de cães.

Os comunistas não davam importância a esses clubes burgueses inofensivos, que não ofereciam o menor perigo, e que eles conheciam melhor do que a seus próprios adeptos. Estavam, porém, resolvidos a liquidar, por todos os meios ao seu alcance, um movimento novo que lhes parecia perigoso. E o meio mais eficiente, em tais casos, sempre foi o terror, o emprego da força.

Mais do que qualquer outro grupo, os marxistas, ludibriadores da nação, deveriam odiar um movimento cujo escopo declarado era conquistar as massas que até então tinham estado a serviço dos partidos marxistas dos judeus internacionais. Só o titulo "Partido dos Trabalhadores Alemães" já era capaz de irritá-los. Assim não era difícil prever que, na primeira oportunidade favorável, surgiria uma definição de atitudes em relação aos agitadores marxistas ainda ébrios com a vitória

O longo trecho acima é do livro Minha Luta, de Adolf Hitler, que pode ser baixado AQUI.  A parte mais interessante está no terceiro parágrafo, onde ele diz que só o nome Partido dos Trabalhadores Alemães os irritava. Isso porque era uma maneira que Hitler via de conseguir adesão de pessoas ligadas ao comunismo - o que apenas se preocupavam com a causa trabalhista - e, ao mesmo, tempo, irritá-los. 

Esta não é a única menção, são mais de 100, que podem ser encontradas no eBook usando-se o Ctrl +F. Muitas vezes, Hitler relaciona marxismo e judeus, deixando claro que eram duas coisas que odiava. Mas, por quê o nazismo precisa ser de esquerda para algumas pessoas? 

Com a ascensão da extrema-direita, tendo presidentes eleitos em vários países, incluindo EUA e Brasil, relacioná-la ao nazismo acabou se tornando lugar comum. Não exatamente por serem nazistas, por fazerem certas referências ao mesmo, quando mostram atitudes racistas, xenófobas e misóginas, entre outras. Sem contar que temos os neo-nazistas, que são uma mancha para a direita. 

Ninguém com mínimo de bom-senso chegaria para um neo-nazista e diria que ele é de esquerda, pois poderia ser gravemente ferido no processo, pelo simples fato de que eles não são. Você nunca viu neo-nazistas em manifestações gritando Lula Livre ou, tampouco, fazendo vigília em frente a penitenciária onde ele está preso, como esquerdistas costumam fazer. 

Em geral, as pessoas gostam de puxar a sardinha para o seu lado. Mas, no caso do nazismo, as pessoas querem a sardinha o mais longe possível. O revisionismo de má-fé, sem base alguma na História, não é novo. Sempre se usa justamente para esse intento, que é afastar monstruosidades do passado da área onde a pessoa atua. Ou mesmo para vender livros, pois servem também como teorias de conspiração

O que o nazismo tem em comum com o governo comunista da Rússia da mesma época é o totalitarismo, algo que independe de ideologia política para existir. Tanto Stálin quando Hitler eram dois lados da mesma moeda, falando em forma de cliché. O totalitarismo é esta moeda. 

Atualmente, nem nos EUA, nem no Brasil temos governos totalitários, e assim se espera que continue. Mas, algumas atitudes e falas se mostram bem próximas disso, e isso acaba nos remetendo àquele período totalitário. Tentar empurrar nazismo para outra direção, não vai mudar o que aconteceu e quem realmente o fez. 

Ninguém quer ser comparado a nazistas, pois eram extremamente racistas. Assim, sendo em vez de tentar distorcer os fatos, apenas se pergunte: "Eu sou racista, xenófobo, homofóbico ou misógino? Não. Bom, então não tenho nada a ver com nazismo". Afinal, não é ser de direita ou ser de esquerda o problema. O problema é ser preconceituoso. Ou mesmo agir de má fé. 

Afinal, tanto Hitler, como Stálin pautavam seus governos por atitudes de má fé. Apelando para a mentira, traições, usando o povo para obterem apoio e depois indo contra ele. Assim, tentar mudar a História para proveito próprio, é agir como um deles. 

Centenas - talvez milhares - de livros deixam claro qual era a ideologia política do nazismo, ou seja, a extrema-direita. Mesmo o livro escritor pelo próprio ditador prova isso de forma irrefutável, afinal, não é um professor de história comunista, esquerdopata dizendo, é o próprio. Hitler considerava comunistas e judeus como iguais, como merecedores de seus desprezo

Não é a posição ideológica que faz uma pessoa o que ela é, mas sua atitude para com outro ser humano. E não de maneira hipócrita, como algo pró-forma ou apenas para parecer uma pessoa "do bem". Isso os líderes totalitários também sabem fazer. 

Antes de tentar mudar a História para seu próprio proveito, mude a si mesmo, para proveito de todos. 


quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Noturno

NOTURNO - SALVADOR SANZ
Arquivo enviado por A Girl Without a Name/HORDA Inc.

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Lúcio e Lúcia. Duas pessoas conectadas por uma maldição. Estranhos que se viram enredados em algo que não conseguiam entender, e nem sabiam se haveria algo para se entender. 

Depois que participam de um show de mágica, de um tal Cempé, Lúcia e Lúcio passam a sofrer estranhas transformações noturnas. Lúcia chega mesmo a fazer com que um completo estranho presencie uma de suas transformações e vê-la sumindo na noite. Uma criatura alada. 

Lúcia e Lúcio nunca mais se viram depois do show, mas ficaram conectados graças àquela participação no que era para ser considerado apenas um truque, mas não foi. Os dois agora compartilhavam uma maldição. 

Tudo parecia girar em torno do mago Cempé, que parecia planejar alguma coisa muito maior. Lúcio precisava encontrar Lúcia, para tentar entender tudo que estava acontecendo com ele. Mas, Lúcia tinha suas próprias perguntas. 

Qual o motivo daquelas transformações? Por que eles não conseguiam lembrar nada do que fizeram quando eram aves? Qual o objetivo de Cempé?

Salvador Sans nos levam por essa viagem noturna e mística, sobre grandes aves e sobre pessoas perdidas em si mesmas que precisam se encontrar, mesmo que precisem ir muito longe para isso. 




Conspire, Inspire

TEORIAS DE CONSPIRAÇÃO:  QUANDO A IMAGINAÇÃO 
GANHA ASAS, MAS VOA EM DIREÇÃO AO SOL

Antes que alguém venha encher o saco argumentando que ele
não disse isso, aí vai o trecho do documentário A Paisagem 
Mental de Alan Moore, que é até bem melhor explicado

Uma das melhores explicações sobre porque é tão difícil argumentar com alguém adepto das Teorias de Conspiração foi a seguinte:

"É impossível refutar uma Teoria de Conspiração. A partir do momento que você argumenta contra ela, você, automaticamente, faz parte da conspiração". 

Ou seja, você se torna um "deles". E quem são eles? Ora, aqueles que conspiram para que nada daquilo seja descoberto. Você se torna um agente da desinformação que insiste em desacreditar os fantásticos estudiosos de assuntos que os governos do mundo não querem que sejam descobertos, seja sobre a espaçonave caída em Roswell ou o "fato" de que o Holocausto não aconteceu. 

Formular, acreditar e espalhar teorias de conspiração é algo que vai fundo na psiquê do ser humano. As pessoas que mergulham nisso a ponto de chegar a um certo fanatismo, querem, nada mais, nada menos, que se sentir especiais. Afinal de contas, elas possuem segredos que apenas um pequeno grupo seleto de pessoas no mundo sabem. 


Vou dar uma viajada aqui por minha conta e risco: muitas dessas pessoas são nerds - como eu sou, também - e vivem muito no mundo da imaginação, com filmes, livros, gibis. Somos muito propensos a sonhar em ser um super-herói, ou de alguma outra forma, fantasiar sobre como seria interessante viver num mundo mais instigante. Fora dessa vida comum que levamos.

O que acho - e isso é uma opinião minha - é que acreditar em teorias da conspiração, que essas coisas são reais, e que apenas você - e um seleto grupo - sabem disso, é como fazer com que a imaginação se torne realidade. Você é praticamente um herói, pois guarda segredos inomináveis. 

O problema das teorias da conspiração é que existem aquelas inofensivas e outras nem tanto. 

Tomemos por exemplo, a muito difundida teoria de que o homem não pousou na Lua. É praticamente inofensiva. O máximo de estrago que ela pode provocar é incentivar uma espécie de emburrecimento com relação à História que pode se difundir para outros acontecimentos. 


Já teorias de conspiração como dizer que as vacinas matam ou provocam autismo ou que o Holocausto nunca aconteceu são mais prejudiciais. A primeira traz um prejuízo mais direto, fazendo com que pessoas morram por não tomar a vacina e podendo trazer doenças erradicadas de volta. 

Quanto a "o Holocausto nunca aconteceu", é um claro desrespeito a quem viveu aquela situação e sobreviveu e, também, um desrespeito à memória dos milhões de mortos. Assistindo um documentário sobre uma sobrevivente não apenas do Holocausto, mas sobre uma senhora que sobreviveu ao próprio Dr. Menghele, que disse que certa vez estava em um restaurante e esse tipo de teoria estava sendo discutida na mesa ao lado, e que ela foi obrigada a se levantar, indignada e contar a sua versão dos fatos. 

Essas teorias são, em sua totalidade, tão passíveis de comprovação quanto aparições de discos voadores, abduções alienígenas e outras lendas. Muitas delas devem ter sido formuladas apenas por má fé mesmo, para vender livros. Como o ser humano, desde que aprendeu a se comunicar, gosta de histórias mirabolantes e fantasiosas, essas teorias encontraram um campo fértil. Afinal, elas não são apenas fantasias, elas são "reais", o que torna tudo mais excitante. 


Tome-se por exemplo a discussão de que o homem nunca pisou na lua. Durante a Corrida Espacial, a União Soviética perdeu para os EUA a primeira alunissagem. Vivendo uma Guerra Fria, quem teria interesse maior em desacreditar os EUA do que a Rússia? Porém, o governo russo nunca tentou nada parecido. Mas, o nerd vivendo no porão da casa da mãe, jogando Atari, esse sim, sabe mais do que os espiões russos.

Em resumo, esse artigo é baseado apenas em meu senso crítico, já que não sou estudioso das teorias de conspiração, e já que eu mesmo faço parte das conspirações. Tudo tendo sido dito, termino com uma frase de um sábio dos tempos modernos:

"Busquem conhecimento" - E.T. Bilú

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