quinta-feira, 15 de abril de 2004

Síndrome de pânico

SÍNDROME DE PÂNICO


Acordo. Deitado no chão frio. Mas ainda assim queria permanecer ali. Parece que tive um sono longo. Mas por que estou deitado no chão? Não consigo lembrar. Me viro de lado, pois quero dormir mais. Porém, agora que acordei, não consigo mais dormir e quero entender por que diabos eu estou deitado no chão. Mas não consigo lembrar. Só tenho sono. Resolvo levantar.

Pra completar estou perdido no tempo. É de noite, é só o que sei. Mas por que estou sozinho? Onde está minha mulher? Que hora será? Olho para o relógio mas não consigo ver as horas. Quer dizer, eu vejo, mas não consigo entender que hora é. Olho para a janela que dá para a Voluntários da Pátria. Está aberta.

Coço a cabeça, num gesto automático. Nessa hora percebo que tenho um galo na parte de trás da cabeça que ocupa quase toda a extensão da mesma. Um galo muito grande. Mas, estranhamente não sinto dor nenhuma. Vou até a janela e dou uma olhada na rua. Começo a lembrar do que aconteceu.

Eu estava no computador. Talvez conversado com alguém, talvez postando no RA. Estava sozinho em casa. Mas como vim parar no chão, dormindo...? Então tudo me vem a mente. Pânico. Um ataque de pânico, seguido por uma crise de eplepsia.

Como já há algum tempo não acontecia, não me preocupava em ficar sozinho. A Lia saiu.Estou no computador. Enquanto faço um post para o RA, converso com o pessoal do trollnet - cinema e, de repente... uma taquicardia forte. Minha cabeça entra num turbilhão de pensamentos desordenados, ao mesmo tempo em que minhas mãos e palmas dos pés suam. Desligo o computador atabalhoadamente.

Passo pela cozinha, vou para a sala. Mas dali... para onde ir? A quem pedir ajuda? Mesmo se eu pudesse falar não havia ninguém. Em pequenos segundos de pensamentos racionais, eu retiro os óculos e coloco em cima da estante. Mas a quem recorrer? Eu preciso me apegar em alguém... é sempre assim que faço. Mas desta vez estou sozinho. Totalmente sozinho.

Vou até a janela e abro, tentando... sei lá....respirar. Não está adiantando. Vou desmaiar... vou desmaiar... (que na verdade é entrar na crise de eplepsia). Meu cérebro entrou em pane. Os pensamentos vem sem eu "chamá-los". Coisas desconexas que atrapalham o raciocínio lógico e calmo. Um único pensamento atravessa isso tudo... eu vou morrer! Ou se não morrer, vou ficar assim, louco, para sempre.

Não posso chamar o porteiro, pois não vou conseguir falar ao interfone. Perdi a capacidade de fala já há um tempo, desde o início da crise. Não posso abrir a porta e simplesmente descer as escadas, porque vou cair, com certeza... antes que eu possa tomar uma decisão, o clímax chega... me volto novamente para a janela e começo a ir na direção dela. Antes que eu chegue até ela...

...acordo. Deitado no chão frio. Mas ainda assim queria permanecer ali. Parece que tive um sono longo.

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Esta foi minha última crise de pânico e eplepsia, há um ano e quatro meses, depois de 12 anos tendo crises como as descritas acima. Atualmente tenho apenas pequenas crises de ansiedade, que incomodam, mas não são tão melodramáticas. O aviso no título, para não ler, é por que a leitura pode causar incômodo no estado nervoso de algumas pessoas, sei lá.

Tudo escrito acima, da crise até eu acordar, levou de 3 a 5 minutos no máximo. Não dá pra precisar bem. O galo na cabeça foi em consequência da eplepsia. Ao começar a crise desta eu devo ter caído para trás e batido com a cabeça no chão com toda a força.

Amanhã eu posto os links. Antes eu tenho de consegui-los!

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