quinta-feira, 27 de maio de 2004

Santo Graal

SANTO GRAAL


Deslizo pela neve mantendo os braços estendidos
O vento gelado pouco me incomoda
Estou em uma busca sagrada
Nada mais importa

Chego ao fim da descida e perco o equilíbrio, caindo
Não há mais neve, nem nada remotamente parecido
Apenas um caminho a ser seguido
Sem perguntas

Estou numa busca, e nem mesmo sei o que procuro
Uma nuvem parece indicar o caminho
apenas ela está lá
Esticada como um sinalizador

Eu caminho na direção, onde não há mais neve
Ou nada remotamente parecido
Não há mais frio
Caminho agora a passos largos

Não há caminho, não há direção
Apenas tenho de chegar
Pois a busca é sagrada
Não posso questionar

Do meio do nada onde eu estava
Saio diante de uma enorme rocha
Quase da minha altura
Ela não tem sinais aparentes

Não sei porque, resolvo tocá-la
Com a mão aberta, bem espalmada
Assim que retiro minha mão da pedra fria
Um trovão se ouve ao longe

Um sinal
O fim da busca? Não
De repente sou envolvido pela rocha
Estou dentro dela

Não vejo nada, a escuridão toma conta
Fecho os olhos, num movimento inconsciente
Percebo que não busco, sou buscado
A palavra... ela me encontrou.


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