quinta-feira, 20 de maio de 2004

Em Suas Mãos

"EM SUAS MÃOS"




Entre um pensamento e outro ela passou. Nem notei, pensei eu. Na verdade o seu cheiro ficara. Ela continuou andando, cabelos negros, esvoaçantes. Espírito esvoaçante. Por um instante, ela olhou para trás. Algo vôou e ela se voltou. Foi um laço, um pedaço de pano, não sei. Ela ia agarrar, mas eu a estava observando. E ela deixou o laço (ou pedaço de pano ir embora). Por um tempo eu pensei que ela estava olhando para trás de mim. Mas não era. Numa questão de segundos, percebi tudo. Mas era tarde...

Estávamos agora próximos um do outro. Perguntei o seu nome, ela respondeu. Meu coração batia forte, descompassado. Ela segurou minha mão, e todo meu corpo esquentou. As pontas dos dedos das mãos ficaram dormentes por uns segundos. Não estávamos mais na rua. Era um quarto. Com desenhos fortes e singulares na parede. Pareciam arte abstrata, mas não muito colorida. E eu os entendia.

Ela ainda segurando a minhã mão se virou em minha direção. Seus seios encostando em meu peito. Seios a mostra num decote farto, que ela não parecia se importar de eu estar fitando. Ela falou algo, em uma outra língua, de um outro tempo. Além das pinturas nas paredes, e uma janela que dava para uma praia, lá fora, não havia mais nada no quarto, além dela e eu.

De um movimento brusco eu fui beijá-la, mas ela já vinha me beijar. Nossos lábios se juntaram, e nossas línguas pareciam ferozes dançarinas. Nós segurávamos nossas mãos, como se fossemos quebrá-las. Era um beijo ofegante, que não queria ter fim. Revolvíamos nossos rostos de um lado para o outro, em um beijo infinito. Nossos corpos tremiam. Não estava frio, mesmo sendo noite.

Fui descendo com meu beijo e beijei-lhe entre os seios. Ela acariciava meus cabelos e suas mãos eram tão macias, dificil de achar com o que comparar. Ao mesmo tempo ela me guiava, para onde eu deveria ir. Beijar seu seio, já desnudo, com o vestido, semi-caído. Seios arfavam, subiam e desciam num ritmo insconstante. Ela falou meu nome, foi o que eu entendi. E eu já não apenas beijava os seus seios, mas estava totalmente inebriado neles. Num movimento que não senti, que não percebi, eu estava com ela no chão. Minha língua desenhava círculos em volta de cada seio, e parava bem no meio, onde minha boca ficava e não parava de sugar, num beijo mais íntimo, mais insano.

Eu já estava explodindo, mas sua selvageria, que era calculada, me fazia ter paciência, e enfrentar cada etapa. Ela me puxa para sua boca e me sorve mais um beijo. Mesmo no beijo, pareço escutar suas palavras num dialeto susurrado. Deslizo pelo seu corpo e beijo sua barriga, depois de terminar de desabotoar o vestido. Ela agora está ali, apenas se guardando por um tecido fino, branco e rendado. Como se não soubesse se tinha sua permissão, olhei para seus olhos. Ela não disse nada. Nem precisava. Retirei do meu caminho, o tecido que faltava.

E, como amante embevecido, a beijei. Beijei e ela falava, em seu idioma nativo. Pois meu beijo obsceno, para ela era sagrado. O beijo a contorcia, de prazer, e loucura. Um beijo profundo, que buscava encontrar o seu segredo e fazê-la me contar. E num grito abafado, com suas mãos repuxando meus cabelos, senti que o beijo chegara e fora inteiramente aceito.

Ela disse, e agora eu entendi, encontre a minha alma. E eu, ali, percebi que já há muito, eu estava sem minhas roupas, me deitei sobre ela, com carinho, sem muita pressa, sua suavidade me acalmava e eu sabia que não precisava ficar afobado. Eu então a senti ao meu redor. Era luxúria, era sonho, realidade. Em movimentos aos quais ela ainda me guiava, em sua arte milernar, eu e ela nos conjugávamos. Os movimentos eram perfeitos, mesmo que, para alguém de fora, parecêssemos tresloucados. Eu a sentia em mim, ela me sentia em si. Eu a beijava, ela me beijava. O chão, o quarto, a praia que lá fora rugia, tudo parecia agora uma pintura, como aquelas das paredes. E nós no meio de tudo nos movíamos.

O tempo se perdeu, não sei quantas vezes a vi entrar em delírio, até que ela recitou um mantra ou algo parecido. Como se me liberasse, me deixasse completar , aquele ritual de amor puro e sensual. Então num momento eu não estava mais em mim. Fechei os olhos e meu êxtase, me tranportou para dentro dela. Naqueles segundos, que pareciam uma eternidade, eu pude ver a sua alma. Etraena, Etraena. Esse era o seu nome. Etraena. Regozijado abri meus olhos, e descobri algo, que nunca havia experimentado.

Mas ao abrir meus olhos, um pano os cobria. Fui retirar, e lá estava eu na rua, novamente, segurando o que era um lenço. E ela veio, e estendeu a bela mão. Era o lenço, com seu cheiro que ela pedia. Eu notei em seu olhar, que ela sabia de tudo. Eu devolvi-lhe seu lenço. Ela sorriu, aquele sorriso que compartilhei, abriu seus lábios sedosos e me agradeceu. Eu não entendi e perguntei o que ela havia dito. Ela repetiu:

- Etraená! Etraená!

E ela se foi e eu sorri... Etraená!

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