segunda-feira, 31 de maio de 2004

Memória Recente

MEMÓRIA RECENTE

A criança sorri pelos campos nos quais corre
Pula obstáculos e continua correndo
O mundo é tão imenso, inimaginável
Assim, mesmo nas lágrimas a criança sorri.

Cabelos negros, olhos de um profundo perscrutar
Seu sorriso se desfaz para pensar algo distante
O futuro
E pára sob uma árvore, e senta debaixo dela

O futuro distante agora tão próximo,
Mas apenas em pensamentos,
A criança dorme
E sonha com a realidade

O pai que se vai, ela não entende
A mãe que fica , como uma vencedora
Irmãos dos quais ela toma conta
Mesmo que eles não saibam disso

A criança debaixo da árvore, sonhando
Sonhando com a realidade, se remexe
Ela passa a crescer frenéticamente
Ela muda, o mundo muda, sua vida muda

No sonho ela pára diante de um pequeno arbusto
Retira de dentro uma pequena fruta
Fruta num arbusto?
O cheiro é bom, ela abocanha.

Seu mundo... muda.
Já não é mais criança, agora é adulto
E aprendeu muito da vida
Viveu muita coisa, mas se dá conta, de repente
Mesmo adulto, ainda é criança

Não sabe onde está a linha reta
Não sabe andar pelas estradas sem tropeçar
Tropeça e levanta, mas tem medo
O medo se dissipa num sorriso

Sorrisos que bailam
Como o do gato de Alice
Mas não assim maliciosos
A criança adulta atravessa outro mundo

Se vê andando sem rumo, mesmo com rumo certo
Não sente tristeza
O sonho sob a árvore continua
E ela quer sonhar, saber

Se vê diante de uma nuvem incerta
Ela quer descrevê-la e não consegue
E mais adiante, ele percebe
É o seu futuro

Mas futuro que não se sabe
Ela não consegue moldar a neblina
Tenta e não consegue, tenta e erra
A neblina foge de qualquer tentativa

A criança acorda, com os pingos de sol
E percebe em sua ingenuidade
Que no futuro sonhado
No futuro aguardado

Ela terá de lutar , contra algo terrível
Lutará e será vencida, várias e várias vezes
A criança pequena, em sua lucidez
Percebe que a luta será algo cansativa

Um monstro terrível que a rondará até lá
Uma competição de apenas um que participa
Ela mesma, ela sabe
Lutar contra si mesma, contra a terrível apatia.

Mas ela vê coisas boas, lembra o que sonhou
Lembra de escrever, e de saber disso tudo
E lembra o que terá de fazer
A criança diz: seja forte... eu vou ser.

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