quarta-feira, 19 de maio de 2004

Enquanto Te Esperava

ENQUANTO TE ESPERAVA

Enquanto te esperava...

... eu sonhava.
Que a realidade deixava se ser
Minha prisioneira
Que meu sonho realizava
A realidade inteira

Pois eu passava a viajar
Através das brumas celestes
Para chegar à tua boca
Num beijo
E nesse encontro ficar
Depois de tanto ensejo
Somente a te beijar

Pensava nos teus nomes,
Nas formas que eu te dei
No sorriso que imaginei
Nas poesias que recitei
Sem regras, apenas sentimento
Poesias de sonhos
Poesias a todo tempo

Subi e te levei comigo
Para um beijo num abrigo
Abrigo da realidade
Que na sua insanidade
Não me deixa te tocar
E meu beijo completar

Assim, enquanto te espero
Me esmero em recitar
Palavras que vão ao teu encontro
Para fazê-la cantarolar
Nosso amor, que não tem ponto.

Ponto de partida sim,
Mas o de fim nunca terá
Passa pelo impossível
Até mesmo inadmissível
Que é o jeito de amar
Dos amantes agraciados
Com caminhos tão pontilhados
Por um destino que não tem fim.




Peguei uma mochila, um dia desses, e comecei a caminhar. Pra dizer a verdade não lembro o que havia na mochila, acho que dizer que "peguei uma mochila" foi somente para começar este texto. Ou pode ser que a mochila tenha algum significado místico, psicológico, ilógico e eu não saiba. Afinal, eu não sei nem o que vou escrever, só sei que eu sabia que começaria com "peguei uma mochila", para onde vou daqui com ela, vou saber agora.

Peguei uma mochila , um dia desses e comecei a caminhar. Não gosto de usar boné, mas coloquei, para que combinasse. Acho que mochilas e bonés combinam, creio eu. Mas também por causa do sol forte que fazia. Então resolvi pegar o caminho, a estrada. Ia andar sem rumo, como esse texto. Entrar em qualquer caminho e ver onde ia sair, onde ia terminar, ou começar, o que fosse, o quer que seja.

Talvez eu tivesse um destino em mente, mas não sei se eu chegaria lá. De repente sinto um déja vu (ou seja lá como se escreve isso), e tenho aquela sensação, por alguns segundos de que já escrevi esse texto antes, de que já estive nesse mesmo caminho. Passa rápido. Continuo caminhando. Entro numa estrada com árvores dos lados. O chão não está marcado, como se nunca ninguém tivesse transitado ali. Provavelmente não mesmo. Eu caminho sozinho.

Saio numa auto estrada. Não vou pedir carona, apesar da mochila estar bem pesada agora. Ando pela beirada da estrada. Alguém grita algo de um ônibus, eu olho para trás e ainda vejo uma cabeça para fora, é uma mulher. Ela sorri e acena. Não entendo nada. Continuo andando, chuto uma pedra, mas ela não se move. Droga! Estava presa ao chão. Por pouco não me machuco. Parece que vou demorar a chegar a algum lugar. Pego o fone de um walkman e coloco no ouvido. Resolvo nem pensar de onde ele apareceu. Não estava ali antes, mas tudo bem. A música que toca é em uma voz feminina. Ela canta e toca um violão. Conheço a música.

O sol começa a baixar e eu saio da auto-estrada. Chego a um lugar que faz uma descida suave e tem uma grama fina. Ao longe as montanhas começam a esconder o sol. Tiro a mochila giro o suficiente para que ganhe impulso e jogo o mais distante que posso. Mesmo pesada, ela vai bem longe. Eu começo a correr, pela grama. A mochila parou perto de uma cerca (eu não a vira ali quando arremessei a mochila). Perto da cerca, do outro lado, um velho está mexendo com a terra. Não vejo plantação alguma, mas ele continua lá, como um jardineiro, um agricultor, sei lá. Quando pego a mochila e começo a limpá-la e a coloco de volta nas costas, ele se vira, com um sorriso e diz apenas "eu já estive lá, o caminho não é tão difícil".

Não sei por que eu agradeço, afinal, não sei muito bem sobre o que ele está falando. Talvez por educação. Sigo o meu caminho, mas antes eu me volto para olhar o velho uma última vez, assim que olho para trás ele... ainda está lá, contente, acenando. Me lembrei da mulher do ônibus. Coloco o walkman e a mesma música ainda toca. Estranho, deve ser algum pedido especial, não sei.

Ainda ando muito tempo pela grama. Ainda estou decidindo para onde vou exatamente. Vai escurecer logo. Ao pensar nesse fato, eu pisco algumas vezes, perturbado, pois eu comecei a caminhar e nem mesmo parei para pensar onde iria descansar... só pensei em caminhar. Resolvo que é melhor parar por aqui... estou sem lugar para descansar, é melhor descansar antes de procurar... andar sem destino, escrever sem rumo, dá nisso... Paro e percebo que a mochila sumiu. Não sinto falta, não sei o que havia dentro dela. O walkman sumiu também. As palavras acabaram. Ao longe, escuto o som de um violão...!

Sigo naquela direção...


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