terça-feira, 25 de maio de 2004

Momentos Guardados

MOMENTOS GUARDADOS EM PAPEL CELOFANE




IMPELIDO

Como as folhas secas, do outono, jogadas ao ar
Que o vento carrega, fazendo-as dançar
Como o riacho que não pára, não pára e nem dorme
Suas águas atravessando distâncias enormes
Sou impelido

Assim, semelhante ao cometa que rasga o espaço
Viajando solitário, sua luz deixando um traço
Como o atleta que se lança para tentar a vitória
Desejando a cada impulso buscar a sua glória
Sou impelido

Como a semente plantanda tentando nascer
Procurando o sol, jurando ascender
Tal qual um falcão em busca da presa
Mergulhando no ar, em sua pungente beleza
Sou impelido

Como o trem que atravessa o mundo
Numa viagem que dura apenas poucos segundos
Idêntico ao sangue que me corre nas veias
Transformando em emoção alegrias alheias
Sou impelido

Como a paixão que faz perder o bom senso
Queimando os sentidos de modo intenso
Como o poema que insiste em aqui ser escrito
Com palavras resvalando, formando um grito
Sou... impelido.




DELAS

Pelas ruas, circula a beleza
Numa destreza de passos que não se acompanha
Centenas de centelhas
Espocando a cada distância caminhada
Lânguidos olhares, bocas desenhadas
Apressada beleza, ainda assim, destreza

Pelas ruas, o que se vê pode enganar
Mas elas estão lá
Misteriosas aos olhos passantes
Olhos que procuram reter
A feminina arte de ser

Pelas ruas, beleza exterior
Pelos recônditos de sentimentos
Beleza que não se vê
O passante vê, mas não sente
Sente, mas não sabe

Várias almas num balé de perfumes
A mulher, a menina, a criança que exala
Todas apenas uma
Sorrisos misteriosos
Vozes nem sempre ouvidas

Tente entender a diferença
Beleza insolente, carente, até mesmo cândida
Caminhando chama atenção por uma linguagem
Que não usa palavras
Muda

Muda a todo instante, e o passante emudece
Ante a beleza, se entrega e contorna
Reparando apenas o casulo da alma
Ela sabe e deixa a natureza oposta
De olhos vidrados, os desola

Ela é mais, mas não sabe
Ela é mais e descobre
Descobre e desaba
Pois o mundo vê beleza
Mas o mundo não é nobre

Múltiplos espíritos em formas diferentes
No balanço do corpo
Na medida do consciente
Enfeitam as ruas, saboreiam olhares
Ofuscam o mundo com desejo ardente.

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