terça-feira, 1 de junho de 2004

Duelo

DUELO


A poeira é levada pelo vento quente,
Ao longe nada se vê além dos casebres mal acabados
Mas no meio da estrada que leva até eles
Em pé, olhando na minha direção, está meu algoz

Eu não tenho armas, eu não tenho nada
Eu tenho a roupa do corpo que de nada me protege
Ele tem armas de fogo
Suas botas se arrastam na poeira, ao longe

Eu não posso fugir, tenho de enfrentar
Só não tenho a mínima idéia de como será
Sinto sede, a garganta seca arranha
Meu suor escorre e sinto o gosto salgado

Ao longe, ele não se move, a fumaça de seu cigarro sim
Ele saca e dispara um unico tiro, e erra
Foi proposital, um aviso
Apenas para se divertir

Não consigo lembrar por que chegamos a essa situação
Morrer, eu não sabia que seria tão dramático
Sem chances, tão covardemente
Sem direito a defesa, morrer como um cão

Ouço o segundo tiro, e sinto-o logo em seguida
Minha roupa se mancha de vermelho
Na altura do peito
A cor parece tão significativa

Eu caio, de uma única vez
O estranho se aproxima, posiciona sua arma
Na direção da minha cabeça
Pergunto o seu nome

DESTINO, ele diz, e atira.
Nada acontece... ainda estou vivo.
O estranho ainda está lá e diz:
"Vá embora, seu lugar não é aqui"

E, cambaleando, eu sigo em frente
Tendo em mente que estou vivo
Apenas porque o Destino quis
E que o deixei para trás.

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