sexta-feira, 4 de junho de 2004

Olhar ao Longe

OLHAR AO LONGE


Ela fita a distância num olhar mudo, ela fita o mundo
Impossível distinguir o que somente ela vê
Num olhar de um azul do mar profundo
Olhando pelas janelas de sua alma
Focaliza algo num ponto qualquer
Ela vê algo oriundo
Do seu espírito mulher

Os cabelos esvoaçando ao vento, nos seus olhos
São como a dança de algo perdido no tempo
Roubando o cenário, não deixando espólio
Ela gesticula fazendo um desenho no ar
Um círculo num gesto de magia
Aponta algo que não sei onde está
Ela sorri da minha mente tardia

Olho na direção de seus olhos incrustados
Vejo a linha fina do horizonte quente
Uma ilusão de ótica, o que vejo mudado
É algo que parece meio inconsequente
Um óasis talvez, uma cidade quem sabe
Tento decifrar o que ela me revela
Parece que saber, no entanto, não me cabe

Quando retorno meu olhar para seu rosto pacífico
Noto que ela não está apontando distância nenhuma
Que não há nenhum ponto específico
Sem fôlego, entendo encabulado
Todo o ritual de seu olhar incidental
Ela olha, então, para onde estou, ao seu lado
E seus olhos revelam o segredo final

Nenhum comentário:

Business

category2