terça-feira, 22 de junho de 2004

Dead Man's Party

DEAD MAN'S PARTY





Ele saiu do trabalho e foi com um amigo dar um passeio por Madureira. Sempre ia até lá, fosse para comprar LPs, fosse para ir aos cinemas onde chegou até mesmo a assistir De Volta Para o Futuro 2 por lá. Passeava pelo recém construído shopping, e pelas lojas do bairro. Fazia uma verdadeira jornada, geralmente sozinho, depois que saía do trabalho. Mas neste dia, foi com um amigo. Talvez ele nunca tivesse feito o que fez se não fosse o tal amigo. Na verdade, apenas um conhecido de infância, do bairro onde ele morava.

Talvez fosse o fato de ter 18 anos, talvez fosse o fato de que nunca desafiara o perigo, talvez tenha sido apenas o amigo que o tenha instigado, ou quem sabe ainda, ele gostasse muito do Oingo Boingo. Vai saber. Sabe-se apenas que ele entrou numa dessas lojas de departamentos e foi até a seção de música. Comprou um LP qualquer que foi colocado num saco plástico. Daí ele viu que seu grupo predileto, Oingo Boingo, lançara um álbum duplo. O dinheiro não dava. Talvez até desse, mas ele já metera na cabeça que ia levar o álbum duplo... sem pagar. Só precisava de um incentivo.

Cláudio, o tal amigo, começou a fazer seu papel de instigador, quando ele apenas falou-lhe da idéia meio idiota que tivera. Não precisou que Cláudio falasse muita coisa. Ele já estava decidido. Ia levar, só não sabia como... ainda. Mas a idéia foi logo amadurecendo. Era só abrir o saco plástico que envolvia o LP comprado e arrastar o outro LP para dentro do mesmo. Não havia câmeras, nem alarmes naquela época. Pelo menos, não que ele soubesse.

E lá foi ele, fazendo exatamente como planejara. Abriu o saco plástico e arrastou o álbum duplo para dentro. Ele só fazia aquilo porquê para valer a pena estar quase tendo uma síncope, tinha de ser um álbum duplo e do... OINGO BOINGO!!! Senão nem mesmo cogitaria. E, também, pela aventura. Sua vida tão pacata e tediosa ganhava um pouco mais de emoção. Claro que estas emoções poderiam aumentar muito mais, se ele fosse pêgo. E era nisso que ele pensava e ao mesmo tempo procurava não pensar.

Seu amigo estava tranquilo, não era ele que teria de passar pelos seguranças com o pacote. Sua garganta parecia que ia fechar, seu coração pulava tanto que a camisa parecia estar se mexendo ao ritmo do mesmo. Tudo parecia mais lento, mais demorado. A saída parecia mais longe. Quando, enfim saiu para a luz do sol, não respirou aliviado ainda. Foram em silêncio até a próxima curva que os deixaria longe da loja. Ao deixarem a loja para trás, começara rir nervosamente. Acabou. Simples assim? É. Mas ele pensava, "nunca mais, nunca mais eu vou conseguir fazer isso de novo!".

Moral da história: Ladrão que rouba ladrão, pode ter um ataque do coração!

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