domingo, 11 de julho de 2004

Visão

VISÃO


Na planície ouvi o chamado que tanto esperava,
Retardando minha caminhada, parei
Retirei de minha sacola uma pedra transparente
O sol que nela batia, tentava dizer algo

Na planície...

Na pedra, vi teu nome reluzir, nem percebi de pronto
Mas meus olhos puderam entrever na segunda vez
Era você

Na planície...

Vestido longo, branco com detalhes em vermelho
Lenço na cabeça, olhar de solidão
Ainda assim, sorrias
Como um pedaço do sol, como uma filha da lua
Na planície eu te avistava

Na planície...

Determinada, andavas pela planície, como se flutuasse
O balanço de teu andar, era algo de se apreciar
Algo hipnótico
E andavas sem nem mesmo o chão marcar

Sim, na planície

Teu seio, no decote do vestido, fazia um belo quadro
Como se tivesses saído de uma antiga pintura
E teus chinelos de amarrar, eram de um belo feitio
Combinando com tuas pulseiras de um colorido variado

Apenas você, estava na planície

Com tuas mãos começaste a fazer gestos de dança
Levando-as acima da cabeça,
E enfeitiçando com um olhar de fogo
A mim e a minha alma

Dançavas, na planície

Levavas a cabeça de um lado ao outro
Ao mesmo tempo que teus braços e mãos dançavam contigo
Remexias como se não houvesse ossos em tua cintura
E tua dança era o doce acompanhamento de um canto milenar

Canto que vinha da planície

Com tuas mãos acariciou meu rosto
Com tua boca, roubou-me um beijo do qual não fugi
Com tua dança, deixou-me extasiado
E se foi, fiquei ali, parado...

Na planície...

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