segunda-feira, 26 de julho de 2004

Um Conto Para Se Esquecer

UM CONTO PARA SE ESQUECER

Passei a noite escrevendo um conto, acabei por pegar no sono e não consegui terminá-lo. No dia seguinte ao acordar, me dei conta que o computador ficara ligado e eu nem mesmo havia salvo nada do que escrevera. Pior ainda eu não lembrava nada do que escrevera. Corri para o computador, que estava com o monitor apagado, e liguei o mesmo, para sentir o horror tomar conta de mim: não havia nada na tela. Quando digo nada é nada mesmo. A tela acendeu e só havia um grande espaço em branco ocupando a tela.

Minha confusão aumentava. Não só o que eu escrevera estava perdido, mas também tudo mais que havia no computador, pelo menos enquanto eu não conseguisse resolver aquilo. Toquei no mouse, nada acontecia. Não sabia se era um problema intermitente. Se eu reiniciasse o computador, toda e qualquer chance (se é que havia alguma) de recuperar o que escrevi, estaria perdida.

Fiquei ali, parado, olhando para aquela tela hipnoticamente branca, como a minha mente estava em relação ao conto que eu escrevera poucas horas antes. Um grande cansaço se abateu sobre mim. Eu torcia para que eu estivesse sonhando. Mas sabia que não era. Eu ainda sabia diferenciar sonho e realidade.

A tela piscou. Ou não? Teria sido apenas eu? Acho que pisquei e achei ter visto a tela voltar por menos de um segundo. Parecia que eu avistara, naquele átmo de tempo, o editor de texto, totalmente preenchido com minhas palavras. Parecia que eu até mesmo vira parte do título do conto: "...ESMO".

Mas não, era apenas minha imaginação funcionando para me dar alguma esperança. A tela agora estava me incomodando. Uma decisão se fazia urgente. Eu devia desligar e voltar a dormir. Esquecer tudo aquilo, não adiantava mais. Depois que dormisse mais eu tentaria resolver o problema do computador, que naquele momento era o menor dos meus problemas. Eu precisava do conto. Para hoje.

Não precisei tomar decisão alguma. Com um som de um clique vi a tela do computador piscar, ficar mais branca (se isso era possível) e desligar-se, como quando se desliga normalmente. Agora se fora mesmo, não havia mais o que pensar, a não ser o fato inquietante de eu não me lembrar de nada do que havia escrito. Agora eu estava preocupado apenas com esse meu problema de memória. Fui deitar. Genial, também estava sem sono.

Fitando o teto, parecia que eu continuava vendo a tela em branco do computador. E eu realmente imaginara ter visto uma parte do título: "...ESMO"? De repente senti um torpor no corpo, o cansaço aumentara, mas também um certo alívio. Parece que eu começacava a aceitar o inevitável. Talvez eu não devesse lembrar o que escrevi, devia ser algo tremendamente ruim. senti os olhos pesarem de sono. Comecei a dormir e meu último pensamento foi que talvez fosse UM CONTO PARA SE ESQUECER MESMO.







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