terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Coisas Que Fazem Falta

COISAS QUE FAZEM FALTA

Saudade dos velhos dias que agora estão distantes, e a cada dia mais se distanciam. Saudade de quando eu comia, com aquela minha colher torta, que nem mesmo acredito como é que ainda me lembro disso. Ou de quando eu ficava na casa de minha madrinha, num lugar distante de onde eu morava, mas que eu sentia como se fosse só meu, e de mais ninguém.

Saudade das fotos sempre em conjunto, onde todos nós nos perfilávamos ao lado de nossa mãe e lá ia mais uma foto nova para, no futuro, olharmos e ficarmos rindo de como éramos.

Sinto falta de quando todos íamos à cachoeira de Xerém, tão farofeiros quanto possível. Saudade do caminho que levava até lá, no qual escutávamos aquele barulho, entre as árvores, da cachoeira chegando cada vez mais perto. Ficávamos sempre no mesmo lugar. Eu "nadava" no raso, pois nunca aprendi a nadar de verdade. Sempre acabava batendo a cabeça em alguma pedra, pois pedra era o que não faltava ali.

Saudade de andar na Zona Sul do Rio de Janeiro, com 14, 15 anos, sem nunca pensar em morar lá. Apenas andar. Ver as praias, os cinemas, as poucas locadoras, que começavam a surgir. Entrar nas livrarias e ficar paquerando os livros, cada um mais bonito que o outro. E, às vezes, sem ter nem porquê, resolver assistir a um filme, só para saber como era um cinema de "verdade".

Saudade de quando disse à minha mãe, quando saí da escola, que iria apenas comprar um gibi e que ia direto pra casa, mas que, em vez disso, fui ver meu pai e, nossa, ela ficou brava, mas eu sabia que era porque ficara preocupada. Sim, comprei o gibi: Disney Especial - Os Cosmonautas.

Saudade dos meus 10 anos, em que "fugia" de casa para ir namorar Elisângela, que morava perto da escola, e que era longe de minha casa. E eu sempre arrastava minha irmã e meu irmão, como álibis. Certa vez meu irmão acabou sendo picado por um marimbondo por lá, e ele nunca esquece disso, e faz questão de me relembrar sempre que pode.

Saudade das formações de fila para entrar na sala de aula, onde sempre alguém mexia com as meninas, e de onde lembro de uma cena engraçada, quando uma menina chamada Valéria, chorando, porque um menino mexia com ela sem parar, disse: "Eu não aguento mais ser bonita!"

Saudade da sessão de cinema numa sala de aula, em que pagamos uma quantia, que não lembro mais quanto foi, excitados que estávamos por ter "cinema" na escola, apenas para, no final, vermos PICA-PAU, que víamos todo dia em casa.

Saudade de tantas coisas, que não se perdem, que não deixo se perderem, que seguro-as comigo porque fazem parte de quem eu sou. Coisas distantes e perto ao mesmo tempo que sempre me pego relembrando em algum momento. E a saudade é constante, assim como as lembranças.

domingo, 11 de dezembro de 2005

Memórias Quentinhas

MEMÓRIAS QUENTINHAS

Sentado naquele banco alto, debruçado sobre o balcão de vidro, olhando a rua, eu me recordo de que já são três anos trabalhando aqui nesta padaria. Hoje é meu último dia, mas eu ainda não sei disso.

Quando comecei aqui, aos 12 anos de idade, eu não pensei que fosse ficar tanto tempo. Mas o tempo foi passando, eu fui ficando, acabei por deixar a escola, sem nem mesmo terminar a oitava série, saindo no meio do ano. Não sinto muita vontade de voltar a estudar, de certa forma acho que usei o trabalho para me ver livre dos estudos. E minha mãe caiu nessa. Às vezes penso que eu tenho falta de surra. Liberdade demais de escolha para um garoto.

Quando vim trabalhar aqui, um lugar de pouquíssimo movimento, estava aqui a Denise, de 18 anos. Uma garota divertida demais, e bonita. Ela ia sair em breve e eu ia ficar no lugar dela. Uma única pessoa dava conta de tudo, é uma padaria pequena. O dono é o Seu Fausto. Um coroa branco, como se fosse um português, mas sem ser. Calvo e barrigudo, eu tenho essa relação empregado-patrão, em que o empregado detesta o patrão apenas pelo motivo dele ser patrão.

Voltando à Denise, ela lia alguns livros, entre eles Agatha Christie. Não sei por que, mas eu pedi a ela que me emprestasse algum desses livros, e ela disse que eram "difíceis demais" para eu entender. Aquilo foi quase ofensivo. Mas como era a Denise que dizia, não parecia tanto, ela só estava me subestimando.

Lembro que quando ela me disse o nome dela todo, eu inventei uma fórmula de gravar: eu dizia que era Denise técnico da seleção e marca de cigarro. Lembro que o técnico da seleção na época era algo Coutinho, mas a marca de cigarro, não lembro mais. E ela se foi, e ficou tudo mais chato.

Mas meu mundo girava em torno deste trabalho. Daqui eu ia (e ainda vou ao cinema), logo adiante, assim que saía. Daqui eu conheci a Ana Carla. E toda vez que venho para o trabalho eu passo na banca de jornal, que passei a conhecer por trabalhar aqui. Sempre acordo mais cedo que o necessário e vou até a banca pegar os lançamentos. Até mesmo fiado eu já compro, e quando chego já dizem "sim, tem coisa nova", ou então "xiii... cara, não chegou nadinha". Na verdade eu abro os pacotes lacrados. Acho que tudo isso tira a chatice deste trabalho monótono.

Todo dia a mesma coisa: acordar, andar uns 20 minutos a pé, seguindo a "rodovia" principal. Chegar, abrir a padaria e começar a rotina de varrer a frente, fazer o café, limpar a poeira das garrafas de pinga e correlatos, limpar balcão, carregar a lenha para o forno (nossa, isso é muito chato). Depois o Seu Fausto chega, e fica por aqui. Não conversamos, não temos nada em comum.

Seu Fausto tem sua rotina também: bebe sua cerveja preta totalmente sem gelo (nunca entendi aquilo), jogava porrinha com Seu Nelson e Seu Zé (veja o que é porrinha aqui, mas eles jogavam com moedas), e depois ele ia dormir. Dorme muito e eu passo a maior parte do tempo aqui sozinho, o que eu acho bem melhor.

Por passar tanto tempo sozinho, e cuidando de uma caixa registradora, digamos que a tentação é grande, e digamos que, em três anos eu comprei mais gibi que meu salário poderia permitir. Digamos que isso foi uma boa influência no meu gosto por HQs, apesar de ser de um modo um tanto quanto radical.

Os parceiros de porrinha de Seu Fausto eram Seu Nelson e Seu Zé, como já disse. Seu Nelson é um coroa que cuida de um ferro-velho enorme, que fica aqui em frente a padaria, e mora lá mesmo. Só toma uma cachaça feita de carquejo. Ou melhor ela vem COM carquejo dentro... seja lá o que seja isso, mas parece amarga só de olhar. Seu Nelson é uma ótima pessoa, simples, anda como um caipira, com um chapéu uma palha na boca. Seu Zé, um senhor escuro, fala com um trem desabalado, e não se importava se a gente está ouvindo ou não. Às vezes fala sozinho. Só toma a tal de catuaba.

O filho do Seu Fausto aparece sempre ao domingos, vindo da Zona Sul, onde mora. Domingo é o dia da feira que é bem aqui em frente corta todo essa rua e além. É o dia de maior movimento aqui, com gente tomando cerveja até dizer chega. O dia de algumas gorjetas legais, como a do Luís, um coroa boa gente, feirante com uma filha adulta, que nossa senhora!!! O filho do Seu Fausto tem uma mania de mandar comprar sempre três jornais: O Globo, O Dia e o Jornal do Brasil, e lê os três. Ele gosta de filmes e a gente conversa bastante. Lembro quando saiu o Retorno de Jedi e ele disse "daqui a três anos vem Guerras Clônicas". Tomara que sim, eu gosto de Guerras nas Estrelas.

Em três anos tem muita história, que quem sabe um dia eu escreva sobre elas. Não sei exatamente como, e se alguém iria ler, mas sei lá, talvez escreva para que eu mesmo leia e não esqueça. Seu Fausto chega, e começa a falar algo sobre limpeza mal feita e todo o peso desses três anos vem à tona, eu resolvo que acaba ali. Apenas me viro, e vou embora. Não falo nada.

ALGUNS ANOS DEPOIS:

Engraçado, Seu Fausto morreu. Ele esteve aqui em casa, anos depois de eu ter saído da padaria. E conversou comigo, ele era amigo de minha mãe, por isso me arranjou o emprego. Foi lá nos visitar. Era estranho vê-lo como pessoa e não patrão. Era diferente. A conversa era diferente. O sorriso era diferente. E hoje minha mãe diz que ele morreu. De certa forma eu me sinto triste com isso.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Surreal

SURREAL

Surreal, um tema surreal
Pássaros voando de cabeça para baixo
O sol verde, tão natural
A grama cozida dentro de um tacho
O boi remando rio abaixo

Surreal, um tema surreal
O sinal de parar, correndo pela rua
O carro berrando no Pantanal
Um bombeiro pegando fogo na grua
Enquanto sambava no Carnaval

Um pato pateta numa casa sem paredes
E Vinícius escrevendo alguma coisa e tal
Toquinho numa folha qualquer, azul ou verde
Requebrando sob a luz de Portugal

Um cadeado que trancou a ele mesmo
Dentro de uma caixa de cereal
Um coelho e Alice correndo a esmo
Pelas letras de um livro surreal

Surreal, um tema surreal
Elefantes rosados enxergando um bêbado com bolinhas
Uma sinfonia de Beethoven triunfal
Sendo cantada em rap por mocinhas
Que cantar mesmo, o fazem muito mal

Um nuvem em formato de paradoxo
Que faz chover pedras de sal
Caindo em cima de um judeu ortodoxo
Que canta salmos católicos de Natal
Surreal, o que pode ser surreal?


quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

O Fascínio Pelo Fogo

O FASCÍNIO PELO FOGO

O fascínio do fogo é grande nas crianças, ou pelo menos em mim, meu irmão e irmãs era. Morando num lugar quase rural, onde morei quase a vida toda, inventar brincadeiras com fogo era uma coisa corriqueira, fosse sozinho ou acompanhado. De qualquer modo, sempre era perigoso, a gente sabia disso, mas não dava a mínima, ou melhor, não dava a mínima até....

O que mais eu gostava - e todos junto comigo - era de ver plástico derreter sob ação implacável do fogo. Não consigo deduzir qual era o fascínio: ser era apenas ver algo ser destruído, se era poder "dominar" o fogo, quando se colocava o plástico em um galho, e aquilo virava uma tocha (igual nos filmes, olha!), ou se era apenas aquele barulhinho que o plástico fazia, quando pingava fumegante (Fuuup! Fuuup!)... e foi esse pingar fumegante o problema maior, e que marcou minha irmã caçula para sempre.

Como sempre estávamos lá, reunidos em volta de alguma fogueira improvisada de galhos, papel e... plástico, sempre o plástico. Então, algum de nós, não lembro quem - isso faz tempo demais e a confusão que se formou depois, fazem com que tudo se embaralhe - pegou um galho, colocou alguma coisa de plástico, talvez uma garrafa plástica e começou a derreter. Depois disso só gritos, choro e ranger de dentes.

Minha irmã caçula corria e chorava - na verdade era mais que choro - e segurava a mão direita, desesperada. Um pedaço de plástico derretido estava grudado nas costas da mão dela. Meu, aquilo devia estar doendo muito. Lembro que uma vez, mais ou menos na mesma época eu, fritando alguma coisa, deixei (nós ficávamos em casa sozinho demais, esse era o problema), respingar óleo fervendo nas costas da minha mão esquerda. Doeu muito, e ainda tenho uma cicatriz bem leve. Mas aquilo, aquilo era plástico derretido. Era quase a mesma coisa que lava!!! Depois disso, eu não lembro mais de nada. Não sei como ela foi socorrida, não sei quem foi que deixou cair aquilo na mão dela, se foi ela mesma, se fui eu ou outra pessoa. Só sei que toda vez que vejo aquela cicatriz horrível nas costas da mão dela - uma cicatriz carnuda, cor-de-rosa - eu tenho pena, e me lembro de tudo isso... ou pelo menos de quase tudo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Lugar de Descanso

LUGAR DE DESCANSO

O fim-de-semana foi legal. Lembrando agora, noto que não lembrei mesmo de scans. A cabeça tava cheia, lotada, de coisa(s) boa(s). Não que os scans não sejam coisas boas, mas um descanso deles foi legal sim. Se bem, que em alguma horas, eu não tive descanso não.

Cheguei e fui procurando o bolo de laranja. Minha mãe disse que não é de laranja, é apenas jum bolo comum. Bom, se é comum é o bolo comum mais gostoso que já comi. Acho que é apenas saudade de comer bolo feito por mãe. Aí dá um gosto de laranja. Ou algo assim.

Depois de descansar um pouco, resolvi que ia ver a Santa Trindade. As minhas três amigas de infância, três irmãs que fazia tempo que eu não visitava. Fui até a casa da primeira, onde uma outra já estava por lá também. Quando bati na porta, perguntaram quem era, quando viram, elas duas e as crianças (uma menina de 5 e um menino de 4 anos) começaram a gritar meu nome. Eu demoro tanto a aparecer, que não sei se as crianças realmente lembram de mim, ou se apenas entram no embalo da alegria das mães deles.

Eu sou péssimo para chegar, e quando ia apenas apertar a mão de uma delas, esta me puxou e me deu um abraço. Como ela é mais forte que eu, quase quebrou minha coluna. Fiquei com elas, conversando um bom tempo, até que as crianças me pegaram de jeito. Eu com elas sou uma delas, criança também. E quando elas percebem isso.... se aproveitam. Acho que fui socado, dobrado ao meio, chacoalhado, me bateram com travesseiros, derrubaram brinquedos em cima de mim. Certo momento em que eu estava sentado no chão, a menina subiu nos meus ombros... e ficou em pé!!! Foi tão rápido que não pude evitar. Não sei como ela não caiu.

As duas são evangélicas, mas não são bitoladas comigo. Tanto que chegaram algumas "irmãs" da igreja para conversar com uma delas, e eu sentia os olhares delas me seguindo. Quando foram embora, a minha amiga disse que uma delas perguntou como ela deixava um homem na casa dela assim, sem a presença do marido em casa. Ela deu uma resposta simples: somos amigos de infância.

Depois de correr das crianças, de ter de carregá-las agarradas às minhas pernas, de implorar que me dessem descanso, fui até a casa da mãe da menina, que era logo do lado. Lá ela cismou em me mostrar como o cachorro dela "cantava" junto com o toque do celular dela. É... ele latia, uivava, grunhia, toda vez que se colocava o celular juinto ao ouvido dele... e se afastasse ele se aproximava.

Fui à casa da terceira delas, no dia seguinte. O marido dela, meu amigo também, estava lá e a filhinha deles de 8 anos. Fiquei um pouco por lá, falando com ele de Orkut, Rapadura Açucarada e etc. No geral foram dois ótimos dias. E ainda pude ficar na rede deitado, e comer mais do bolo de "laranja". Agora estou de volta... de volta aos scans.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Deslizando


DESLIZANDO

Restos de batalha, deslizam pelos montes
Fazendo a neve se manchar
Tristes espadas, corpos vazios
Cavalgam agora para o Hattorah

Ninguém se despede, ninguém dá adeus
Os cascos não fazem barulho no chão
A romaria é a mesma, a cantoria também
Não há orações, nem pedidos de perdão

Ao passar pela arcada, o Pazir os conduz
Não há pastos verdejantes, nem túneis de luz
O falcão anuncia a chegada de todos
E uma hárpia que pia, congela sua alma

Apaches, romanos, tupis e atlantes
Dos restos de batalha que dos montes deslizam
Mathina os deixa embevecidos de dor
Pois sua beleza os faz relembrar

Sim, relembrar que a batalha deviam ganhar

Um vulto trespassa a fila incessante
É Temorius que ali, já é habitante

E os restos de batalha pelos montes deslizam
Sem saber que o fim ainda é um começo
Todos dizem assim, mas não sabe o que falam
Pois dizer é tão simples, mas saber é tolice

Zautânia, a caravela, aporta bem perto
Já levou tantos restos que nem consegue contar
E tais restos é que contam, cada um uma história
Que Zautânia não faz questão de escutar

Fecham-se os olhos, abrem-se janelas
E no topo dos montes a batalha não finda
Desliza pelos restos, o destino final
É o que resta àquele que for inimigo ou rival

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Ilha e Mar

ILHA E MAR

Tiro tua roupa, peça por peça
Sentindo teu respirar
Nua, te quero nua, não me impeça
De todo teu corpo tocar

Deitado, vejo teus seios arfar
Toco um mamilo, de forma carinhosa
E começo a te beijar
Boca, lábios língua, toda sedosa

Sugo você, num beijo devasso
Sinto tua língua na minha
Vou te beijando sem cansaço
Sinto em você uma energia que não definha

Me delicio em teus rígidos seios
A boca tomando-os completamente
A língua tocando teus mamilos, em devaneios
Meus lábios sentindo tua firmeza enrijescente

Eu, já, muito rígido estou
Tocando teu corpo de forma indecente
Mas ainda sorver você, muito eu vou
Descendo abaixo, ao sul, onde é tão mais quente

Minha língua desliza por seu ventre abaixo
E chega em você, que suspira tremendo
Me perco em você, o seu centro eu acho
E começo a sorver, de você vou bebendo

Minha língua, meus dedos, tudo ao mesmo tempo
Penetram, encontram, onde te estremece
Então toco com a língua, para que a contento
Você sinta tal gozo, que a nós desvanece

Mas não paro, não cesso, pois te quero inteira
E assim minha língua em você continua
Deslizando e entrando, de toda maneira
Saboreando teu ser, que aqui está nua

Então logo nos damos e você vem comigo
Me segura, bem firme, com sua mão tão macia
Sente quanto estou teso, que falar não consigo
Tua mão me alisa, com toda tua magia

Quando me abocanhas, quase não acredito
Quente, úmida, tua boca, quase me enlouquece
Acaricias cada parte, com tuas mãos e repito
Tua boca, tão úmida, quente, me apetece

Nos queremos bem mais, e me quero em você
Assim, se posicionas, como a engatinhar
Então, seguro tua cintura, como pode bem ver
E com carinho penetro, e não quero parar

Você me envolve, me engole, me tens
Me deixando suado, te querendo bem mais
Te entrando, indo e vindo, te sentindo também
Sussurros, gemidos, que são notas musicais

Não paramos, não deixamos, só queremos chegar
Nesse ritmo que estamos, ávidos pela vida
E ao chegarmos ao clímax, sim, a gozar
Nos deitamos, cansados, energias caídas

Então te olho nos olhos, esses teus olhos profundos
Que me agarram e me fazem, de repente, pensar
Que te quero, quero mais que tudo no mundo
Pois eu sou tua ilha, e você é meu mar.

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Saudade Inconsquente

SAUDADE INCONSEQUENTE


Como um espoucar de luzes, sinto
Não minto
Nem jamais irei negar,
É ela, flashes que ecoam sem parar
Se é que um flash pode ecoar

É a saudade, retumbante como trovões
Saudade-clichê, saudade inconsequente
Culpa de tuas palavras referentes
Como um grito mudo em meus ouvidos

Me meto a poeta, metendo pés por mãos
Escrevendo loucuras enquanto estou são
Nem sei concatenar o que penso
Nem sei o que significa essa palavra por extenso

Talvez seja uma sequela, uma estrada de tijolos
Serão amarelos? Não sei
Só quero que me levem a teu colo
Pelo qual tenho profundo anelo

Deliro em minha sanidade
Disparidade de sentimentos
Revendo fatos inéditos
Em antigos documentos

Saudade inconsequente
Que não aceita mais que se protele
Então as palavras antes latentes
Se tornam poesia, uma carta
A espera que o destino a sele

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

03 Anos de Rapaura Açucarada

MÊS DE ANIVERSÁRIO DO RAPADURA


Dia 28 o Rapadura Açucarada completa três anos de existência. Nosso aniversário, mas não tem presente, porque moléstia a parte tem presente quase todo dia. Bom, para quem está chegando agora, ou quase agora, aqui vai um (novo) resumo de como o RA surgiu e seguiu em frente:

- 10 agosto de 2002: baixo MARVELS da Toca do Carcaju. Descubro o maravilhoso mundo dos scans. Mas nem passa pela minha cabeça fazer o mesmo.
- 28 de novembro: depois de abrir uns três blog e deletá-los, pois não "pegavam", eu crio o Rapadura Açucarada. Hospedado no Weblogger, como outro qualquer, mesmo conseguindo mil visitas em uma semana.
- 18 de dezembro de 2002: nada de anormal nesse dia.... acho que choveu, não lembro bem.
- 19 de dezembro de 2002: o blog segue com coisas triviais, sem muita pretensão e um template do próprio Weblogger, que fica fora do ar um dia sim e o outro também.
- 29 de dezembro de 2002: um amigo, num grupo de discussão sobre HQs, me pede que eu escaneie uma página da HQ da qual estou falando, era uma da Pandora que publicava Marvel a história, uma muito louca do Deadpool voltando no passado e encontrando o Homem-Aranha. O vírus da escanitite se apodera de mim. Idéias começam a surgir.
- 01 de janeiro de 2003: Saio do weblogger e vou para o Blogger. Roubo um template e o RA assume a sua cara que tem até hoje.
- 15 de janeiro de 2003: depois de caçar pelos sebos e achar na Gibimania, eu escaneio e coloco página por página no Kit.Net. Camelot 3000. Era apenas o começo.
- 21 de março de 2003: o RA já está estabelecido como blog de scans. Muitas pessoas começam a enviar suas contribuições em forma de scans.
- 29 de março de 2003: no mesmo grupo de discussão dou a idéia de se traduzir Planetary, pois eu escaneei os números que a Pandora lançou e queria poder continuar ler... mesmo que tivesse de fazer pra isso.
- 04 de Abril de 2003: Começamos a fazer The Authority também.
- 29 de abril de 2003: assim como foram contagiados pelos scans, alguns são contagiados também pelas traduções e fazem as suas, e enviam. O volume de scans é enorme: mais de... 2 GIGAS!!!!!! Já tendo sido apagado antes do Kit.Net., os scans são apagados novamente, e novamente.
- 30 de Maio o RA 2003: é outros blogs e sites de scans que passaram a existir são citados na extinta revista HERÓI.
- 28 de junho de 2003: ganha matéria de duas p´ginas no Segundo Caderno do Correio de Campinas.
- 01 de Setembro de 2003: mais e mais pessoas ajudam ao RA com seus scans.
- 08 de Outubro de 2003: somos obrigado a pagar um provedor para hopspedar as HQs
- 18 de Outubro de 2003: o provedor recebe um e-mail contendo uma ameaça velada de processo por parte de um editor. O provedor me pergunta o que fazer, eu digo que apague as HQs. O término da era dos scans no RA é citado e vários site em uma nota num caderno da Folha de São Paulo!
- 19 de Outubro de 2003: desisto dos scans, mas não do blog. Acho que precisava de umas férias mesmo. É quando o blog entra numa fase mutante e assim segue por um bom tempo. Cinema, mulheres gostosas, poemas, belas nuas, links, minhas memórias, qualquer coisa que o valha, e por incrivel que pareça, pouco são aqueles que deixam de visitá-lo.
- 01 de Junho de 2004: o tempo passa o tempo voa.... e nem mesmo estou mais pensando em colocar scans de novo... quando...
- 25 de Junho: ... eu termino o RA!!!! Faço um post piegas e me despeço... dizendo que vou ver o mundo, andar na praia, e outras baboseiras. 96 comentários que achei que nunca teria o recorde batido.... mal sabia eu.
- 05 Julho de 2004: depois de ver o mundo, andar na praia e tirar umas fotos, eu volto para o blog, como já era esperado. Ele continua sem scans, até que...
- 02 de Agosto de 2005: o obo Schmidt da Toca do Lobo, me fala do provedor de e-mail Walla, que dá um Giga de espaço. A sugestão: usar isso para colocar as HQs, quem sabe. Ou pelo menos foi isso que pensei que ele queria dizer.
- 03 de Agosto: a Era de Prata dos scans tem início e tem uma musa eterna: SataNika.
- 01 de Janeiro de 2005: novos e antigos colaboradores. Volta com força maior. Mesmo que os problemas paa baixar as HQs continuem, tenta-se o que se pode. Até o P2Mail (sssimmm, eu vou ter de admitir que foi o Kakô quem me deu a dica...arrrgh).
- 15 de fevereiro: O orkut torna-se um bom canal de comunicação com novos colaboradores.
- 21 de Maio de 2005: Tem Guerra, tem F.A.R.R.A., tem bomba caseira pra tudo quanto é lado... mas os scans não param.
- 03 de Agosto: já faz mais de um ano que o RA voltou com os scans, batendo o recorde da chamada Era de Ouro dos scans.
- 27 Outubro de 2005: o RA, com a ajuda do Grimm Jack e jpvolley, fecha a série PREACHER, marcando um momento único na história dos scans
- 05 de Novembro: o RA atinge o bizarro recorde de 367 comentários (a maioria inútil) em um único post.
- 11 de novembro de 2005: to aqui escrevendo este post que ninguém vai ler!!!!


terça-feira, 1 de novembro de 2005

Estranha Coincidência

ESTRANHA COINCIDÊNCIA

Certas coincidências são de se deixar qualquer um de cabelos em pé. Quando eu fui pela primeira vez assistir à queima de fogos, fui junto com um casal de amigos, vizinhos de onde eu morava. Eu ainda morava bem distante de Copacabana e levamos um bom tempo pra chegar até lá, atravessando túneis a pé e tudo mais. Assistimos ao show, que era realmente tudo que diziam, pelo menos naquela época.

Terminado tudo começamos a caminhar pela praia, indo até o arpoador. Subimos numa elevação onde o pessoal nos ofereceu maconha, a qual eu declinei. Era uma noite legal, com aquele clima de ano novo. Começamos a voltar pelo Arpoador. Conversávamos sobre vários assuntos e eles iam mudando sem nenhum padrão. De repente, não lembro porque começamos a falar da Fernanda Montenegro. Meu amigo, que tem uma mania de saber de tudo e de todos, não deixou escapar aquela, e disse que já havia trabalhado na casa (ou apartamento, sei lá)... mas lembro bem dele ter dito algo como:

- AQUELA FILHA DA PUTA TEM UMA PISCINA ENORME!!!

O palavrão era só pra dar mais ênfase a história, e as letras maiúsculas, ao fato de que ele fala alto. Eu e a esposa dele ouvíamos por ouvir e continuávamos andando. Logo em seguida a ele ter dito isso, o cadarço do tênis da minha amiga desamarrou, e ela se sentou num banco ali, na praia do Arpoador, pra amarrar. Assim que ela sentou, passaram por nós Fernanda Montenegro e seu marido, que deviam estar pouquíssimos metros atrás de nós.

Ela e o marido passaram sem olhar para os lados ou para trás. Eu fiquei confuso por uns segundos. Apontei, mudo, mostrando aos dois quem eram. O meu amigo ficou estático, como se tivesse levado um soco, sei lá. Passado o espanto ficamos naquela de "Meu Deus! Nossa! Como Pode?".

Eu perguntei ao meu amigo se ele simplesmente não os tinha visto atrás de nós e começou a falar. Ele disse que não, e acredito, além de contar vantagem, ele é do tipo que não faria algo assim como fez sabendo que a pessoa estaria por perto. Mas ainda assim, era difícil de acreditar que estávamos ali, em pleno Arpoador na madrugada de ano novo e que ao dizer o nome da Fernanda Montenegro (ou fosse qualquer outro nome, até de uma pessoa que conhecêssemos e não fosse famosa, apenas nossa conhecida) ela simplesmente aparece em seguida. Sinistro.

Depois daquela fomos para casa, já tava na hora era de dormir.


segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Nelson Sargento

ENCONTRO COM NELSON SARGENTO

Estou sentado na lanchonete onde trabalho, e não há ninguém para atender. Quer dizer, quase ninguém. Um senhor de cor, deve ter lá seus 60 anos, está falando comigo, e eu não sei mesmo se estou ouvindo. Minha mente vagueia. Não sei se tenho muito em que pensar aos 15 anos de idade, ainda assim ela vagueia. Geralmente vai para a menina que trabalha no armarinho ao lado. Mas ela gosta do sobrinho da dona aqui do bar, que é até um cara legal pacas, que veio da Bahia, operar um tumor na cabeça.

O senhor continua falando e está visivelmente bêbado. Este é mais um dentre tantos tipos de bêbados, este é aquele que fica nostálgico. Mas já vi outros mais divertidos, como um que começou a xingar em "castelhano" e que, mesmo a dona sempre tão séria, não se conteve e caiu na gargalhada.

O homem não pára de falar, eu realmente não sei o que ele está dizendo. Quando me ligo à realidade começo ralmente a ouvi-lo,. ele está falando algo sobre ter sido famoso e gravado muitos discos. Eu o reparo nele por um instante, um senhor de cor, magro, alguns dentes faltando, ele tem uma espécie de gingado ao falar, mesmo estando bêbado. Seu rosto está marcado pela idade.

"Eu vou pegar meus discos pra você ver." Acho que ele se ofendeu, achando que eu duvidava. Eu não consigo perder essa mania de vaguear e olhar para as pessoas com a mente em outro lugar, isto lhes dá uma impressão errada do que estou pensando. Eu balbucio alguma coisa, tentando dizer que acredito nele, mas eu nem sei o que estou tentando dizer. Acho que acredito, afinal não é tão difícil gravar um disco, eu acho. Mesmo que pela aparência, ele não pareça ter tido em alguma época poder aquisitivo pra isso. mas elas enganam.

Ele simplesmente me diz que vai buscar os discos. Eu concordo, tudo bem, pode ir. Provavelmente vai cair na cama e dormir, como ele tá precisando. Volto a vaguear em meus pensamentos. Um dia monótono, a não ser pelo senhor dos discos que... nossa! Ele voltou mesmo!

Trouxe os discos sim. Uma meia dúzia deles. Não posso dizer que aquilo não me pegou de surpresa. Todos possuem sua foto e seu nome. Puxo pela memória, para ver se reconheço, mas aos 15 anos e só escutando música pop e/ou brega desde que nasci, fica difícil pra mim reconhecer o nome dele, que pelos discos é um sambista. Acho que agora entendo a ginga no modo de falar. Acho que ele gosta de me ver espantado.

A única coisa que me passa pela cabeça é: porque alguém que já foi famoso está morando aqui num bairro esquecido, que nem nome direito tem. Todos chamam de Vasco , mas na verdade é Parque Veneza. Não é por ser na Baixada Fluminense, é por ser em lugar nenhum... um lugar esquecido.

E acabei não conseguindo lembrar quem ele era. Afinal de samba eu nunca entendi nada mesmo. Não me lembro como, anos depois eu consegui ligar o nome a pessoa e saber quem era NELSON SARGENTO.


Eu saí do bar, e não ia muito ao bairro que ele morou. Mas acho que devo ter visto na TV, em algum lugar, alguma citação sobre ele, e até mesmo sobre ele estar fazendo algum tipo de show, de apresentação, e até mesmo gravando CDs, e ter pensado, nossa, é aquele coroa! Nelson Sargento. E eu imaginava aquilo meio surreal. Ele bêbado, falando de seu passado de glória e me mostrando seus discos, e eu envolto em meus próprios problemas. No fundo saber que ele estava de volta, me fazia bem, sei lá exatamente por que. Acho que ele inspirava simpatia, com aquele seu jeito gingado de falar.

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

A Rua Cintra

A RUA CINTRA


Descobri a Rua Cintra lá pelos meus 12, 13 anos de idade. Era uma rua que começava no início da entrada do bairro e dava uma volta enorme, desembocando na rua onde eu morava. Comecei a frequentar esta rua por causa de Ana Carla, de quem até já falei neste blog. Branquinha, cabelos negros e sardas. Certa vez a acompanhei quando saía de seu colégio, o Matter Dolorosa, e fui conversando até chegar à rua onde ela morava. Era o começo de uma longa estadia naquela rua chamada Cintra.

Acho que nunca conheci tantas pessoas de uma só vez, nem na rua onde eu morava. Eu vivia por lá, primeiramente por causa da Ana Carla, mas depois pelos amigos e amigas que fui fazendo. Além de Ana Carla, a única que lembro por nome, era uma morena chamada Maria das Neves, que era chamada apenas de Neve. Isso era um problema naquela época, pois passava na TV o comercial do papel higiênico Neve e no mesmo alguém gritava pelo mordomo Alfredo, para que este levasse o dito papel higiênico, assim sendo, os moleques não podiam ver a Neve que não davam trégua, logo gritavam: "ALFREDOOOO". Criança pode ser cruel às vezes.

Ainda cheguei a formar um "clube secreto" na garegem da casa de uns amigos. Onde ficávamos injetando líquidos em insetos vivos, e achando que éramos cientistas. Pensado bem aquilo era repugnante. Só perdia em crueldade para quando arrancávamos as asas das moscas e as colocávamos sobre uma chapa quente.

Na mesma casa onde essa garagem ficava, aconteceu uma festa em que me vi em uma enrascada. Lá estava eu sentado no muro, sozinho (sempre tive mania de ficar solitário em festas), quando se aproximam duas garotas que moram no bairro, na rua seguinte. A menos feia fala comigo sem rodeios, sem pestanejar "quer namorar comigo"? Eu olho para a irmã dela, que naquele momento parecia uma espécie de leão-de-chácara, que estava pronta para tomar alguma atitude se eu dissesse não. Assim sendo, como eu não tinha o mínimo tesão na menina, eu apenas saí tipo, putz, tenho que ir alí, tão me chamando urgente. Essas coisas nunca aconteciam com as garotas por quem eu babava.

Uma outra vez, uma amigo cismou que queria um desenho numa camisa e cismou também que eu devia fazer. Mas como meu irmão sabia, eu pedi a ele que desenhasse o Cíclope na camisa, depois escrevesse "X-MARCOS", o nome do dito cujo. Aliás, todo mundo sabe, na época se falava "Xis Men", então era "Xis Marcos". Aliás foi nessa mesma época, que meu irmão começava a desenhar em tudo, que ele pintou o Lion dos Thundercats na parede de casa. Pensando bem, minha mãe deixava a gente fazer tudo que queria.

Uma coisa que acabava comigo naquela rua é que toda casa que eu fazia amizade, sempre tinha uma garota linda, no mínimo uma. Mas como sempre todas me viam apenas como amigo. Enquanto isso as coisas com a Ana Carla não andavam, na verdade eu nem sei como eu insistia. O pai dela era uma fera. O cara era tão sinistro que eu nunca o via. Eu nunca entrava na casa dela, mas eu sabia que ele estava lá dentro, no escuro. Enquanto a mãe dela era legal demais, o pai parecia o demônio nas trevas. Mesmo assim eu não desistia. Aquelas sardas acabavam comigo.

Enquanto isso eu subia mais a rua. Já tinha amizade em um boteco, com o filho do dono. Sim, ele tinha duas irmãs lindas. Assim como com todos da rua, eu partilhava com eles meus gostos, assim levava meus LPs para escutar lá, gibis para emprestar e, pasmem, até um livro, um chumaço na verdade, de literatura de cordel, que não sei porque, nunca mais me devolveram.

E como tudo na vida muda, a Rua Cintra foi ficando cada vez mais para trás, fazendo parte de um outro tempo, de uma outra época. Fui me distanciando, guardando na memória os beijos de Ana Carla, os quais sempre havia uma vizinho para assistir. Talvez tenha sido quando ela rompeu comigo que eu parei de ir até aquela rua, não sei, não lembro. Mas acho que foi justo, ela foi o começo, ela foi o fim. Eu me distanciei, passei a viver apenas na rua onde eu morava. O tempo foi passando. Assim, até hoje, quando vou até meu antigo bairro, passo ao lado da Rua Cintra, dou uma olhada, ainda sem asfalto, como naqueles tempos, e viajo por uns segundos por tudo isso aqui que escrevi.



segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Titãs

EU NÃO SOU UM BOM LUGAR


Acordei cedo para fazer um bico ajudando na parte de som, na gravação do clip Eu Não Sou Um Bom Lugar, dos Titãs. Subo a "pequena elevação" que vai dar na casa do tal sonoplasta, técnico de som, ou seja lá como se chama alguém que trabalhe na filmagem de um videoclip. Quando chego lá, me deparo com um cara que parece tudo, menos alguém que trabalhe com algo tão... interessante. Tudo bem, acho que as aparências enganam. Quando vejo o veículo que levará o material de som, chego a conclusão que as aparências não enganam: uma Kombi ou pelo menos o que sobrou dela. Quando ele abre a garagem para pegar a aparelhagem, me sinto como se estivesse em Brazil - O Filme de Terry Gilliam. Não, isso não é um elogio.

Entramos na Kombi e me pergunto onde está o resto dela. O cara parece mais ou menos aquele faxineiro dos filmes do Harry Potter, Filch, Finch, sei lá. As filmagens são no centro do Rio. No caminho encontramos uns caras filmando um comercial de algum carro novo. Quando a Kombi pára, alguém da filmagem se aproxima e conversa com o "patrão". Realmente o cara é conhecido nessa área de filmagens, por mais incrível que pareça.

Chegamos no "set" de filmagens, um pátio de um complexo de prédios que, aparentemente estão abandonados. Armamos a aparelhagem. Todos os técnicos parecem estar lá. Não consigo definir quem é o diretor. Parece que vai demorar bastante a começar a filmar. Todo mundo conversa, passa o tempo. É nessa hopra que chego a conclusão que meu "amigo" é totalmente pirado. Eu simplesmente não consigo acreditar em certas coisas que ele fala com o pessoal. Certa hora, em que estamos numa roda com algumas pessoas, ele solta essa: "Hoje tá tudo ao contrário. Os filhos são caretas e os pais avançados. Se meus filhos quisessem, eu arranjava da boa pra eles." O pessoal em volta fica em silêncio, naquele estilo peido no elevador. Ninguém sabe o que dizer, porque todo mundo sabe que ele tá falando sério. Há uma debandada discreta.

Começam a armar um trilho circular. Outro pessoal traz um ventilador enorme que fica bem atrás do som. Depois de tudo armado chega o Tony Belotto, que fica em cima de uma plataforma no centro do trilho circular. O chefe entra em ação. A máquina de vento também. Playback e ventania. O pessoal começa a jogar papel picado, jornal, copos plásticos, tudo no vento que segue na direção do Belotto, que dubla a música e "toca" uma guitarra. CORTA!!! Acabou o lixo e a música não acabou. Inacreditavelmente não se encontra o que jogar no cara cantando. A solução? Ir até a banca e comprar jornal para rasgar e jogar. Isso vai demorar. Bem que a Malu Mader podia aparecer.


Depois de muito tempo, conseguem terminar a "cena do lixo". Chegou a hora do almoço. Agora descobri pra que serve esse caminhão enorme parado aí na frente: comida. O Belotto não fica pro almoço. O Paulo Miklos e Charles Gavin já chegaram para suas cenas e almoçam por ali mesmo, nas mesas armadas. Depois da digestão, começa a odisséia para montar a cena com Charles Gavin na bateria. A "cena da chuva".

Canos e mais canos. Caminhão-pipa. Vai começar... eu acho. Playback... "chuva". Bateria. Saiu errado. Isso vai demorar. Depois de algumas tomadas... tudo bem, depois de muitas tomadas, eu simplesmente não suporto mais escutar a música. Já sei de cor, de trás para frente, pulando as vogais, sei até em aramaico. O Gavin está tremendo de frio. Provavelmente xingando a décima geração de quem teve aquela idéia. Sorte dele que hoje não está frio. Mais uma tomada... o prato da bateria cai. Arrumar prato. Secar bateria. Parece que eles dão mais importância a bateria do que ao Gavin. Enquanto isso ao meu lado, o chefe diz que é um feiticeiro, e que vai enganar a morte. Penso se ele tá com alguma "da boa" na cabeça. Depois de bastante tempo a "cena da chuva" termina. Fico sabendo que outras cenas serão filmadas em um outro prédio. Vejo o pessoal fazendo a tampa de um bueiro falsa, para esta outra filmagem. Mas aqui ainda falta uma cena, com o Paulo Miklos agora, é a "cena da teia".

Parece que mesmo começando a escurecer não vão parar. Arrumam um local com um monte de entulho e o Miklos senta, se encostando na parede. Aí é que começa o sofrimento dele. Ele tem que ficar imóvel, só podendo mover a boca para poder dublar o playback. Isso até o pessoal dos efeitos especiais o cobrirem com algo parecido com uma teia. O problema é que isso tem que ser gradativo. Ele canta um pouco, e a teia vai aumentando, até formar quase um casulo em volta dele, e nesse tempo todo ele não pode se mover. Realmente, o cara é profissional. Playback... canta... pára... "teia"... playback... canta... pára... "teia". Isso vai demorar. Tô com pena do cara.

As esposas e filhos dos outros integrantes estão por perto desde a "cena da chuva". As crianças tiram fotos. Por fim, a filmagem termina por aqui. A equipe vai para o interior de outro prédio, mas lá não somos necessários. O chefe "feiticeiro" levanta acampamento e nós vamos embora. Foi tudo bem legal. Sempre gostei dos Titãs, mas não pedi autógrafo de ninguém, acho isso muito mico. Pelo menos vou ter algo pra escrever no blog quando faltar assunto.



domingo, 31 de julho de 2005

Era Uma Vez no Oeste

ERA UMA VEZ NO OESTE


Além dos gibis e da TV uma coisa que fez parte de minha infância e adolescência foram os cinemas da Baixada Fluminense. Diferente dos cinemas da "cidade grande", eles tinham seu próprio sistema peculiar de funcionamento. Sempre colocavam dois filmes em exibição, podia-se entrar a qualquer momento do filme, não se precisava esperar a sessão terminar. Se você aguentasse podia ficar e assistir quantas vezes quisesse. Mas claro que depois de dois filmes na cabeça, ninguém mais queria saber de ficar na sala.

Cine São Francisco - localizado no bairro Lote XV, foi o melhor cinema da minha infância por um motivo especial: deixava menores de idade entrarem para assistir aos filmes de sacanagem que nem na Sala Especial poderíamos ver. Naquela época eu devia ter uns 13 anos e já entrava para ver pérolas como Promiscuidade - Os Pivetes de Kátia, que deixa a cena polêmica da Xuxa no chinelo. O próprio dono do cinema era quem ficava na bilheteria e não barrava praticamente ninguém. Só lembro bem de uma vez em que o filme era de sexo explícito e ele não deixou uma garota entrar que fez um escândalo enorme na porta do cinema. Lá eu também assistia a filmes de terror que me tiravam até o sono ou me faziam morrer de rir, como por exemplo, Barracuda, uma espécie de Tubarão dos pobres. Hoje em dia o cinema não existe mais, é uma Igreja Universal dos infernos. O cinema nunca teve condições de exibir lançamentos da época, para assisti-los eu tinha de pegar um ônibus e ir ao...

Cine Santa Rosa - um "complexo" de três cinemas que juntando não dava um. Ao se entrar, se já estivesse escuro e você quisesse se sentar com segurança, tinha de tatear o assento (de madeira) para ver se ele existia e assim evitar levar um belo tombo. O som era algo simplesmente horrível. Assistir a um desenho animado que, claro, só vinha dublado, era um terror. Abafado, horrível. Não se entendia o que se falava. Acho que o que eu mais gostava naquele cinema era como eles colocavam vários cartazes ao longo da galeria que atravassava de uma rua a outra de Duque de Caxias. Sempre que eu ia por lá, mesmo que não fosse ver algum filme, eu entrava na galeria e ficava olhando os cartazes. O cinema existe ate hoje, mas não mudou em nada.


Cine Paz - este fica apenas a alguns passos do Cine Santa Rosa. Ele poderia ser considerado, quando comparado aos outros, o nosso cinema 5 estrelas. Pelo menos os assentos não eram de madeira. O som era pouca coisa melhor. Talvez a lembrança mais forte que eu tenha dele é de ir assistir Gremlins e entrar no final do filme. Aquilo me deu uma raiva. Lembro também de entrar numa fila quilométrica para assistir nada menos que Os Trapalhões e o Rei do Futebol e ver um dos piores filmes dos Trapalhões até então. Depois de anos servindo a comunidade O Cine Paz também acabou e virou uma Universal, Mas hoje em dia é uma loja da C&A.

Cine River - este cinema metia medo. Pequeno, escondido. No entanto, a vontade assistir filmes não me impedia de ir aonde quer que fosse. A "especialidade" da casa eram filmes de Kung Fu. Assistia filmes tenebrosos de um Jackie Chan que eu nem fazia idéia de quem era na época. Outra lembrança "macabra" é de ter pago para assistir a um "filme" só de pegadinhas americanas, num tempo em que nem o Sílvio Santos pensava em fazer isso ainda. Não sei se ele ainda funciona hoje em dia.

Claro que a vontade de assistir filmes não me limitava apenas a Duque de Caxias e, mesmo moleque ainda, eu acabava por ir mais longe, mesmo sozinho. Eu só ia ao cinema sozinho. Certa vez comecei a andar por Copacabana e resolvi entrar em um do cinemas e assistir Um Dia a Casa Cai, com Tom Hanks. Era engraçado ver que aqueles cinemas só exibiam UM filme! Quando E.T. - O Extraterrestre teve um segundo lançamento, creio que em 1985, também foi na Zona Sul do RJ que eu tive de ir assistir, pois os cinemas mais próximos não exibiam.

Hoje em dia, morando aqui na Zona Sul do RJ, já me acostumei aos cinemas de luxo, mas sempre fica a nostalgia dos cinemas "poeira". Neles aprendi a gostar de cinema... mesmo que eu não conseguisse ouvir bem o que era dito no filme.




sexta-feira, 8 de abril de 2005

Existe Algo

EXISTE ALGO

Existe algo em você, que teima estar em mim
Algo que me permeia,
Que como uma fogueira incendeia
Algo que começou e não tem fim

Esse algo é como cachoeira da alma
Como noite de estrelas brilhantes
Num céu claro, lua de amantes
Permeando a estrada calma

Não procuro muito entender, apenas sentir
Pois o que de você que em mim está
Não é preciso dizer, contar, explicar
Pois perderia as palavras ao ver você sorrir

É algo milenar, talvez mais antigo que o tempo
Mas que você trouxe consigo
Neste teu carinho de amor amigo
Para dentro do meu sentimento

É algo impresso nas suas palavras gentis
Que me deixa sentindo saudade
De quando você, na sua bondade
Me ama, me beija e me faz feliz

quarta-feira, 6 de abril de 2005

Meu Oriente

MEU ORIENTE


Meu caminho é você, onde me encontro
As vezes perdido
Onde procuro seu beijo partido
No horizonte que não se vê

Meu caminho é você, onde descalço ando
Sentindo a terra na estrada
Onde a chuva deixou molhada
Um pedaço do meu viver

Meu caminho é você, onde vivo a caminhar
Sob o céu que me observa
Como teu olhar que me leva
A teu caminho conhecer

Meu caminho é você, onde me leva seu amor
Onde estou sempre presente
Caminhando ao Oriente
Chegando para te ver

segunda-feira, 21 de março de 2005

Apenas

APENAS

Fizeram-se nuvens de seus suspiros
Chuvas de tuas pequenas lágrimas
Nem tanto o dia, nem tanto a noite
Apenas o estar com você

Fizeram-se músicas de seus sussurros
Estradas de seus passos
Nem tanto o esperar, nem tanto o saber
Apenas estar com você

Fizeram-se primaveras de seu sorriso
Poesias de seus gestos
Nem tanto o lembrar, nem tanto esquecer
Apenas estar com você

domingo, 20 de março de 2005

Pedras no Rio

PEDRAS NO RIO

De mãos dadas, entramos no rio, a água gelada
Mas sentia o calor de tua mão
E a correnteza de teu sorriso me levava
Sentia sob meus pés as pedras do rio
E sobre elas andávamos

Catamos algumas até chegar ao outro lado
E sentados à margem, ao rio lançávamos
Cada vez mais longe as pedras voavam
Sempre juntas caíam, sempre juntas ficavam

Ao tatear por mais uma nossas mãos se encontraram
E das pedras do rio, enfim esquecemos
E o barulho da águas, nós não mais ouvimos
E nossos lábios se deram, o beijo esperado!

quinta-feira, 17 de março de 2005

Tuas

TUAS

Tuas pequenas palavras carinhosas me fazem sorrir
Teus gestos de carinho, me fazem te amar... mais
Teu meio sorriso, sobre o qual já escrevi
É um momento congelado, que sempre me dá paz

Tuas meninices de mulher, me fazem querer
Que estejas mais perto, que você nunca se vá
Que o tempo inexorável, que ninguém pode deter
Passe mais devagar

Teus momentos de tristeza, me fazem tentar
Te alegrar de alguma forma, que as vezes nem sei
Então me perco em minhas palavras, e passo a te amar
Tão forte, como sempre te amei

Eudes direto do Cybercafé!

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