quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

O Fascínio Pelo Fogo

O FASCÍNIO PELO FOGO

O fascínio do fogo é grande nas crianças, ou pelo menos em mim, meu irmão e irmãs era. Morando num lugar quase rural, onde morei quase a vida toda, inventar brincadeiras com fogo era uma coisa corriqueira, fosse sozinho ou acompanhado. De qualquer modo, sempre era perigoso, a gente sabia disso, mas não dava a mínima, ou melhor, não dava a mínima até....

O que mais eu gostava - e todos junto comigo - era de ver plástico derreter sob ação implacável do fogo. Não consigo deduzir qual era o fascínio: ser era apenas ver algo ser destruído, se era poder "dominar" o fogo, quando se colocava o plástico em um galho, e aquilo virava uma tocha (igual nos filmes, olha!), ou se era apenas aquele barulhinho que o plástico fazia, quando pingava fumegante (Fuuup! Fuuup!)... e foi esse pingar fumegante o problema maior, e que marcou minha irmã caçula para sempre.

Como sempre estávamos lá, reunidos em volta de alguma fogueira improvisada de galhos, papel e... plástico, sempre o plástico. Então, algum de nós, não lembro quem - isso faz tempo demais e a confusão que se formou depois, fazem com que tudo se embaralhe - pegou um galho, colocou alguma coisa de plástico, talvez uma garrafa plástica e começou a derreter. Depois disso só gritos, choro e ranger de dentes.

Minha irmã caçula corria e chorava - na verdade era mais que choro - e segurava a mão direita, desesperada. Um pedaço de plástico derretido estava grudado nas costas da mão dela. Meu, aquilo devia estar doendo muito. Lembro que uma vez, mais ou menos na mesma época eu, fritando alguma coisa, deixei (nós ficávamos em casa sozinho demais, esse era o problema), respingar óleo fervendo nas costas da minha mão esquerda. Doeu muito, e ainda tenho uma cicatriz bem leve. Mas aquilo, aquilo era plástico derretido. Era quase a mesma coisa que lava!!! Depois disso, eu não lembro mais de nada. Não sei como ela foi socorrida, não sei quem foi que deixou cair aquilo na mão dela, se foi ela mesma, se fui eu ou outra pessoa. Só sei que toda vez que vejo aquela cicatriz horrível nas costas da mão dela - uma cicatriz carnuda, cor-de-rosa - eu tenho pena, e me lembro de tudo isso... ou pelo menos de quase tudo.

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