terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Coisas Que Fazem Falta

COISAS QUE FAZEM FALTA

Saudade dos velhos dias que agora estão distantes, e a cada dia mais se distanciam. Saudade de quando eu comia, com aquela minha colher torta, que nem mesmo acredito como é que ainda me lembro disso. Ou de quando eu ficava na casa de minha madrinha, num lugar distante de onde eu morava, mas que eu sentia como se fosse só meu, e de mais ninguém.

Saudade das fotos sempre em conjunto, onde todos nós nos perfilávamos ao lado de nossa mãe e lá ia mais uma foto nova para, no futuro, olharmos e ficarmos rindo de como éramos.

Sinto falta de quando todos íamos à cachoeira de Xerém, tão farofeiros quanto possível. Saudade do caminho que levava até lá, no qual escutávamos aquele barulho, entre as árvores, da cachoeira chegando cada vez mais perto. Ficávamos sempre no mesmo lugar. Eu "nadava" no raso, pois nunca aprendi a nadar de verdade. Sempre acabava batendo a cabeça em alguma pedra, pois pedra era o que não faltava ali.

Saudade de andar na Zona Sul do Rio de Janeiro, com 14, 15 anos, sem nunca pensar em morar lá. Apenas andar. Ver as praias, os cinemas, as poucas locadoras, que começavam a surgir. Entrar nas livrarias e ficar paquerando os livros, cada um mais bonito que o outro. E, às vezes, sem ter nem porquê, resolver assistir a um filme, só para saber como era um cinema de "verdade".

Saudade de quando disse à minha mãe, quando saí da escola, que iria apenas comprar um gibi e que ia direto pra casa, mas que, em vez disso, fui ver meu pai e, nossa, ela ficou brava, mas eu sabia que era porque ficara preocupada. Sim, comprei o gibi: Disney Especial - Os Cosmonautas.

Saudade dos meus 10 anos, em que "fugia" de casa para ir namorar Elisângela, que morava perto da escola, e que era longe de minha casa. E eu sempre arrastava minha irmã e meu irmão, como álibis. Certa vez meu irmão acabou sendo picado por um marimbondo por lá, e ele nunca esquece disso, e faz questão de me relembrar sempre que pode.

Saudade das formações de fila para entrar na sala de aula, onde sempre alguém mexia com as meninas, e de onde lembro de uma cena engraçada, quando uma menina chamada Valéria, chorando, porque um menino mexia com ela sem parar, disse: "Eu não aguento mais ser bonita!"

Saudade da sessão de cinema numa sala de aula, em que pagamos uma quantia, que não lembro mais quanto foi, excitados que estávamos por ter "cinema" na escola, apenas para, no final, vermos PICA-PAU, que víamos todo dia em casa.

Saudade de tantas coisas, que não se perdem, que não deixo se perderem, que seguro-as comigo porque fazem parte de quem eu sou. Coisas distantes e perto ao mesmo tempo que sempre me pego relembrando em algum momento. E a saudade é constante, assim como as lembranças.

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