segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

No More, Mr. Nice Guy

NO MORE MR. NICE GUY


"Eu só gosto de você como amigo, Eudes!". Era Delma quem falava. Eu sentado ali, naquele sofá, em frente a ela, escutando aquilo, viajei numa espiral descendente ao passado, caindo, como naquela cena de Um Corpo Que Cai, entre vários outras respostas iguais, que recebi no passado... e não foram poucas: "Eu gosto de você como amigo!". Provavelmente isso vai estar escrito na minha lápide: "Aqui jaz Eudes Honorato, que não podia passar de um amigo."

O problema, evidentemente, estava em mim. Tímido demais para jogar qualquer conversa que denotasse o que eu sentia de verdade, eu acabava por travar uma amizade com a menina, sendo legal o bastante para que ela me quisesse sempre por perto. E, geralmente, elas queriam. Isso sempre se voltava contra mim mais tarde. Como agora, alí, com Delma diante de mim.

Inacreditavelmente ela estava namorando o Aurélio, e a única maneira de fazer ela voltar a si da merda que estava fazendo era dizer o que realmente eu sentia. Mas de pouco adiantou. Claro que eu sabia porque ela estava namorando ele. Eu só não conseguia acreditar que isso fosse possível, afinal ela desprezava o cara, e sempre deixou isso claro, quando conversava comigo.

Aurélio era um tipo repugnante que se esforçava para "conquistar" amigos. Fazia de tudo que estivesse ao seu alcance, monetariamente falando, para manter as pessoas por perto. Já Delma era expontânea demais, de uma natureza incontrolável. Mas o impossível acabou acontecendo. Ela estava namorando com ele, por ele ser "um bom partido". E aquilo me fazia refletir que ser um "cara legal" só me trazia este tipo de problema. Me perguntava se não era melhor ser desprezível como o Aurélio.

Ser legal deveria ser algo bom, mas acabava sendo um entrave nas minhas relações. As garotas acabavam me vendo como se eu fosse uma delas. Se eu fosse viado isso seria normal. Viados é que andam cercados de mulheres, sem querer comer nenhuma, mas, provavelmente de olho nos namorados de algumas delas. Não era a toa que alguns caras acabavam achando que eu jogava no outro time, simplesmente porque eu estava sempre no meio delas... quero dizer no meio delas, mas não literalmente falando.

Sentado ali, olhando para uma Delma sem graça, diferente da que conhecia, eu pensava nisso tudo. Pensava que eu devia mudar, que até não precisava ser desprezível, mas que eu devia parar com isso de ser o "amiguinho", afinal aquilo não me levava a lugar algum. No final das contas eu estava sempre sozinho mesmo. As companhias eram temporárias e sem, digamos, nenhum dos acompanhamentos.

Me levantei, e fui embora. Delma disse um "tchau" meio sumido. No fundo ela sabia que havia se vendido. E eu decidira que não ia mais me machucar. Pelo menos eu achava que não ia mais...



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