sábado, 21 de janeiro de 2006

Odisséia Eletrônica

ODISSÉIA ELETRÔNICA


Eu nunca fui muito fã de tecnologia. Quer dizer, de ter que lidar com ela. Assim, computadores não me enchiam os olhos pois eu sabia que eram como carros, se dessem defeito, eu teria de saber alguma coisa mínima que fosse, nem que fosse trocar um pneu... do carro, não do computador. Assim sendo eu apenas gostava de ver as empreitadas de meu tio quando ele se metia com algum tipo novo de computador, mas me mantinha longe de tentar lidar com eles. Me irritavam.

Certa vez até cheguei a pedir emprestado um, que era apenas um teclado que podia se ligar à TV e, escrevendo alguns códigos, fazer alguma coisa boba, como números aleatórios para a Loto. Coisa besta! Se eu tentava copiar um código maior, sempre errava alguma coisa e nunca funcionava. Ou seja, eu nunca fui nenhum amante da eletrônica e da computação.

Quando a Internet apareceu pra valer, eu estava muito aquém dela. Meu tio falava sobre e-mails, arrobas e etc, e u não fazia a menor idéia do que ele estivese falando. Ele mesmo não tinha Internet e, devia estar falando de quando acessava no trabalho, ou algo assim. Mas ele continuava com seus computadores. Acho que ele teve todas as versões, menos o ENIAC.

Acabou que meu IRMÃO obteve acesso a Internet, em casa (dele e da esposa dele), antes mesmo do meu tio. Assim foi meu primeiro contato. Usando um McIntosh. Eu não fazia nada demais. Só ficava de bobeira. Por ser uma novidade, acabava ficando muito tempo, mas sem muito o que realmente saber o que ver. Talvez por não ser meu mesmo, aquilo era meio entediante. Internet minha mesmo talvez eu nunca viesse a ter tão cedo, se não fossem os acontecimentos seguintes.

Meu irmão tinha um 486 encostado, e deu ele pra mim. Acabou que ele apenas ficou encostado lé em casa, também. Afinal, o máximo que eu podia fazer era digitar algum texto no Word. Eu não tinha paciêcia para os joguinhos. Na verdade eu não gostava de computadores pelo mesmo motivo que não gostava de videogames, sempre que se ia fazer alguma coisa, eram vários comandos que se tinha de aprender. Assim, ele ficou paradão lá, na casa de minha mãe, onde eu morava. Até que...

O irmão de um amigo meu comprara um modem, mas estava esperando a instalação do telefone, que naqueles dias demorava mais um pouco, ou talvez fosse apenas a localização... o cu do Rio de Janeiro. Bom, ele soube que eu estava com um PC em casa e que lá tinha linha telefônica e ele queria testar o modem. Assim ele foi lá em casa, e instalamos a bagaça. Assinamos o UOL para teste gratuito e, assim, eu estava com INTERNET EM CASA. Era outra coisa não estar na casa de meu irmão.

Ficamos navegando sem destino, por horas, até que ele disse que ia embora. Sem pestanejar, perguntei se ele podia deixar o modem comigo até que a linha telefônica dele chegasse. Ele consentiu na hora. E eu estava oficialmente no mundo virtual. Mais livre. Assim foram horas e horas em salas de chat do UOL, até enjoar, grupos de notícias, lista de e-mail sobre Síndrome do Pânico, Ex-Testemunhas de Jeová e etc. Cheguei até mesmo a ir a um churrasco, na Gávea, promovido pelo pessoal de Síndrome do Pânico, onde 98% eram mulheres. Eu tinha jeito para o mundo virtual. Pelo menos parecia ter.

As contas de telefone vinham altas, é claro. Mas eu estava mais do que viciado. O barulhinho da conexão era minha cachaça. Instalei ICQ, e pude conversar com muita gente, muita gente mesmo. Mesmo depois que o rapaz levou o modem dele, eu logo dei um jeito e comprei um ,para poder continuar navegando. Eu já havia sido infectado, não havia mais volta. Mas as mudanças prometiam ser mais radicais.A Internet prometia afetar minha vida mais do que eu esperava.

Eu tinha uma mania de, quando não tinha ninguém pra conversar no ICQ, fazer busca por apelidos e conversar com alguns daqueles que estivessem on line. Num sábado, em meados de 2000, eu digitei "lindinha"... cliquei em uma que estava on line e... bom... a gente se encontrou três dias depois, assistimos a um filme chamado SANTITOS no cinema Estação Botafogo (não me pergunte sobre o que é o filme, não sei até hoje) e eu me casei com ela, Eliane Honorato, dentro de 6 meses. Isso em menos de um ano usando a Internet.

Uma coisa puxou a outra e eu acabei aqui, com um blog mais ou menos conhecido, escaneando HQs e escrevendo abobrinhas. Tudo isso detestando tecnologia. Imagine se eu gostasse!



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