segunda-feira, 30 de janeiro de 2006

A Pedra

A PEDRA

Sentado sobre a pedra, eu olhava a praia lá embaixo, com suas ondas que, daqui de cima, pareciam tão silenciosas. O cheiro do mar ainda me alcançava e me fazia sentir saudades, mas não sei exatamente por quê, já que nunca vivi assim, tão perto do mar. Algumas pessoas insistiam em estar na praia naquela manhã, mesmo tendo chovido bastante na noite anterior e agora estar um pouco frio.

Daqui de cima a praia parecia um grande lago infinito. Um cão brincava com algumas crianças, e latia tão alto que o eco de seu latido ainda me alcançava, mesmo eu estando tão longe. Daqui tudo parecia terrivelmente mais simples e mais distante, como se eu estivesse fora do mundo. Sendo apenas um observador. Ao longe um navio se distanciava, indo embora sabe-se lá para onde. Um velho navio. Parecia seguir tão preguiçosamente seu caminho, que de repente me espreguicei. Minhas juntas estalando.

Me debrucei sobre a amurada, sentindo um sono, que as ondas lá embaixo, compassadas, pareciam aumentar. Poucas pessoas arriscavam um mergulho, e imagino como a água devia estar fria. Se apenas o vento já estava frio, imagine a água lá embaixo. No entanto, uma mulher se atirou nas águas e, nadando através das ondas, parecia estar competindo contra si mesma. Batia as pernas e os braços e seguia adiante. Fiquei ali, hipnotizado, observando-a se distanciar da praia, nadando, com seu maiô vermelho. Por um instante achei que ela se virou e acenou na minha direção. Quando percebi que eu nem estava piscando mais, automaticamente pisquei... e ela sumiu. Devia ser efeito do sono restante da noite anterior, e da saudade. Um vento frio cortante surgiu do nada e se foi.

Encostei na parede de pedra e passei a olhar o céu. Tão azul que doía nos olhos. Respirei fundo e expirei o ar bem devagar. Parecia que ficar ali para sempre seria um boa idéia. Mas eu precisava voltar. Descer para minha vida, novamente. Comecei a descer as escadas de pedra, saindo daquele mundo de brisa e cheiro de mar. Descia sem pressa de chegar lá embaixo. Numa curva vi a sombra de uma pessoa subindo, e me encostei na parede para dar passagem. Era uma mulher de maiô vermelho. Passou e acenou para mim.

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