sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

Um Conto Quase Real

UM CONTO QUASE REAL

Três dias sem meus remédios. Sem minhas drogas lícitas. Resolvi ir novamente ao hospital ver se já haviam chegado. Não é bom eu ficar sem remédio por tanto tempo. Não mesmo.

Saí pela Voluntários da Pátria e atravessei o sinal, lá na frente, perto do prédio da Vivo. Subo a passarela e desço, indo em direção ao túnel, que é meu atalho, principalmente em dias quentes como esse. Ainda bem queo túnel não é muito longo, pois o barulho aqui dentro é insupor.... PUTA MERDA... uma moto passa a toda velocidade, rente ao passadiço onde estou. O motoqueiro acertou meu braço com alguma coisa que eu não vi o que era. Sinto o braço queimar, na mesma hora! Não demora muito e o que eu achei que ia acontecer, acontece... A MOTO CAI!!! O motoqueiro segue rolando no chão algum tempo e pára, mas a moto não! Ela bate na mureta e gira para o meio da pista, um carro pequeno passa por cima dela a toda velocidade... e quase capota. Mas esse quase não adiantou muito... um caminhão vindo logo atrás o acerta. Começa um engavetamento e todo mundo tentando desviar daquilo tudo. O barulho é ensurdecedor. Eu que tava parado, resolvo que é bom começar a correr.

O motoqueiro escapou de tudo pulando para o passadiço onde estou. Está logo a frente caído. Todo mundo começa a buzinar e gritar ao mesmo tempo. Minha cabeça parece que vai explodir. O túnel nunca foi tão longo. Não vai dar pra parar e ajudar o motoqueiro, infelizmente. Eu estou quase tendo um troço. Os carros lá atrás se amontoaram. Ninguém mais consegue passar.

Corro e pulo o motoqueiro, e quando faço isso - não acredito - ele agarra meu pé! E eu caio, machucando o braço, que ainda arde. Ele me puxa pelo pé, não consigo me soltar. Tento chutar com o outro, mas não consigo acertá-lo. Ele leva a mão dentro da jaqueta e puxa... PUTA MERDA!.... uma ARMA! Eu entro em pânico e balanço a perna com tanta força que acabo me soltando. Corro como um desesperado... na verdade eu estou desesperado! Não olho para trás, mas não precisa, eu escuto o tiro, os carros param de buzinar e a gritaria cessa, eu sinto um empurrão nas costas, e caio. Sinto a camisa se molhar, se empapar. Mas não consigo sentir dor. Quando caí bati a testa em alguma pedra no chão. Estou fora do túnel. Não consigo respirar direito. Sinto pontadas quando tento respirar mais fundo.

Sem consciência de se devo ou não, eu me levanto. Um carro passa pelo túnel. Depois outro, e mais outro. Parece que estão conseguindo passar pelo engavetamento. Olho para trás na direção do motoqueiro caído, e não há mais ninguém lá. Nem engavetamento dentro do túnel, nem pessoas buzinando e gritando. Há apenas um trânsito fluindo normalmente.

Então eu entendo tudo: tive uma crise pânico... com alucinações. Nunca aconteceu desse jeito antes. Mas deve ter sido a falta dos remédios. Limpo minha roupa, que sujei na queda. O único sangue é o da testa, que machuquei ao cair. No mais, está tudo bem. Estou a poucos passos do hospital. Olho para trás uma última vez, quando.... o motoqueiro coloca a arma na minha testa e puxa o gatilho.... BLAMMM!!!! Tudo escuro... para sempre...

Acordo em casa...!

P.S.: Essa história é uma ficção. Minhas Crises de Pânico não acontecem assim, em estilo de filmes de ação. Foi mal, Fodaman! Esqueci de avisar.


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