terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Amigos e Loucos

AMIGOS E LOUCOS

Ainda hoje me pergunto se tudo aquilo aconteceu realmente:

A verdade era que eu e Robson éramos apaixonados por Delma. E, também, eu e Robson éramos os melhores amigos um do outro... e de Delma. Acho que nos conformávamos que ela não queria nada conosco. Comigo eu até poderia entender o porquê, mas o Robson, coitado, até que tinha alguma chance. Mesmo assim Delma cismava em ser apenas a nossa melhor amiga. Talvez flertar com os dois, juntos ou separados, fosse mais divertido.

Eu e Robson, éramos como irmãos. A afinidade que nunca tive com meu irmão de verdade, eu tinha com Robson. Talvez isso aconteça muito por aí. E, é óbvio, um sabia que o outro estava apaixonado por Delma. Talvez para tentar minimizar o fato de que nunca teríamos Delma, eu e ele ficávamos a falar de seus defeitos, de seus erros e etc. Este é o ponto nesta história.

O tempo foi passando e a família de Robson resolveu se mudar para Volta Redonda. Eu não fiquei nem um pouco achando, com isso, que teria mais chances com Delma. Ela era osso duro de roer. Bom, Robson e sua família estando mais distante, comecei a escrever cartas para ele. Não, não existia e-mail ainda!

Então, em uma das cartas, Robson, que não era muito de gostar de escrever, sugeriu que em vez de carta, ele enviasse uma fita cassete. Eu concordei, claro. Então, passado alguns dias, chegou a tal fita. Peguei na caixa do correio e, em vez de subir e escutá-la, eu ainda fui andar. Péssima idéia. No meio do caminho encontrei Delma, encontrei Delma no meio do caminho. Quando ela viu a fita, tomou da minha mão. E quando viu escrito Robson, quase pulou no meu pescoço. E disse que queria porque queria, escutar a fita na casa dela.

Um dos problemas com Delma era que dificilmente ela aceitava um não. Eu não sabia qual o teor da fita, mas mesmo assim, meio receoso, acabei tendo que concordar. Delma era maior que eu.

As coisas pareciam que só estavam tendendo a piorar. Chegamos à casa de Delma, e estava na hora do almoço. A família de Delma, enorme, já estava à mesa. Me convidaram para almoçar, e eu acabei aceitando. Para piorar, Delma queria escutar a fita ali mesmo, na sala, com todos presentes. Afinal todos também conheciam e gostavam do Robson. Eu estava com um mau pressetimento.

Delma colocou a fita e veio sentar-se ao meu lado na mesa. Robson começou a falar, na fita. Depois de algumas amenidades, aconteceu o que eu tanto temia: ele desandou a falar de Delma. Começou aos poucos e foi indo para os tons de críticas e fofocas. Todos na mesa ficaram em silêncio. Pai, mãe, irmãs e irmãos. Eu bloqueei tudo. Eu não lembro mais o que foi dito na fita. Nem uma palavra. Só sei que foram ditas coisas ruins. Nada desvastador, mas ruins.

Eu me levantei (sem ter comido nada), peguei a fita do aparelho, e saí. Eu fui pra casa, e no meio do caminho atirei a fita em um buraco qualquer.

Poucos dias depois me encontrei com Delma, e a família dela. Não parecia ter acontecido nada. Estavam normal comigo. E tudo me levava a pensar se o que foi dito não fez diferença para ela e eles, pois já seria normal. Ou se eu apenas maximizei o problema, pois tenho essa mania. No final ficou tudo bem.

Tempos depois fui à Volta Redonda e contei o acontecido ao Robson que, depois do susto inicial, quase se mijou de rir do meu aperto. Só disse a ele uma coisa: fitas cassete nunca mais.


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