sexta-feira, 10 de março de 2006

Superstições

SUPERSTIÇÕES


Quando moleque, nos cinemas poeiras que eu ia, passava um desenho animado de curta-metragem, nacional, que falava sobre superstições. Era bem engraçado, pelo menos na época. Era uma voz em off, creio que com sotaque caipira, que enumerava algumas superstições. Por exemplo, em certo momento a voz dizia: "Se um homem e uma mulher passarem embaixo de um arco-íris, o homem vira mulher e a mulher vira homem. Isso é... superstição!" Daí, do nada, vinha voando um negão vestido de super-herói e a voz gritava:

- EU FALEI SUPERSTIÇÃO E NÃO SUPER-TIÇÃO!!!

Eu nunca esqueci o desenho. Afinal falava de algo com que eu convivia no dia-a-dia e que minha mãe sabia cultivar bem em cada um dos filhos, fazendo que nós seguíssemos à risca cada uma delas, afinal a maioria delas envolvia morte. Algumas das que mais me lembro são:

- Não deixar os chinelos virados. A mãe do dono do chinelo morreria. Hoje em dia não sei mais se ando desvirando chinelo porque não gosto de bagunça, ou se é um medo irracional de algo que foi cultivado desde a infância.

- Se alguém passar por cima de você, você não vai mais crescer. Isso era um problema, pois sempre estávamos deitados pelo chão vendo TV, e sempre alguém queria passar. Se passasse por cima tinha de "despassar". Ou "despassava" ou saía porrada.

- Não se podia deitar e colocar os braços apoiando a cabeça. Adivinha o que aconteceria? Sim... morria. Era bom ter sempre um travesseiro ou almofada por perto.

- Abrir guarda-chuva dentro de casa. Alguém morreria.

- Não era bom abrir uma tesoura usando as duas mãos. Isso era mortal. Se não morria na hora, pelo menos um tapão da orelha levava.

- Não se podia chamar relâmpago de "raio", pois atraía o mesmo.

- Se um garfo caísse, era porque estava para chegar um homem.

Essas e muitas outras que encheriam um livro. Hoje em dia eu sou mais cético com as coisas, então... hmmm... droga... tem um chinelo virado ali. Daqui a pouco eu volto.


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