terça-feira, 11 de abril de 2006

Primeiros Dias

PRIMEIROS DIAS


Meus primeiros dias de Internet foram muito sem sentido. Sem um objetivo claro, como por exemplo, colocar revistas em quadrinho na rede e compartilhá-las. Eu apenas pulava de uma coisa a outra, sem muita lógica.

Eu me connectei as primeiras vezes, quando ia à casa de meu irmão. Então, ficávamos eu, ele e minha cunhada, sacaneando os outros nas salas de bate-papo. Quando eu ficava sozinho no computador, eu fazia uma coisa muito emocionante: listava filmes que eu já havia assistido usando o site All Movie Guide. Eu realmente não sabia o que fazer com a Internet.

Quando tive minha própria conexão entrei nos tais "news groups", ou Grupos de Notícias do UOL. Acessava via Outlook, e recebia, não notícias, mas e-mails das pessoas que participavam de vários grupos. Eram dezenas, ou mesmo centenas de assuntos. Eu entrei no de humor. Logo percebi que o passatempo não era contar piadas, mas ficarem se ofendendo uns aos outros. Aliás, isso parecia ser a regra em todos os "news groups". Se vc era "novato" então, parecia haver uma frente unida pata fazer com que a pessoa desistisse e fosse embora. Ou seja, era algo bem infantil. Mal sabia eu que alguns anos depois eu voltaria aos "news groups", me fixaria ali, no de "Cinema", e ali seria lançada a semente que começaria o RA. As coisas acontecem de forma bem estranha.

Mas, antes disso, eu desisti dos "news groups" e ficava indo às salas de bate-papo da UOL (é, acho que eu era meio fã da UOL), mais exatamente nas de imagens GIFS. Ou seja eu ia pegar imagens bonitinhas e bater papo. Como eu sou "intriguento", eu acabava arrumando confusão. Pra começo de conversa eu sempre odiei qualquer tipo de panelinha, e havia uma óbvia panelinha em que um tal de "Bruxo Velho" e "Butterfly" eram os líderes. O Bruxo Velho, segundo diziam, até mesmo era paraplégico, mas eu não sabia se era verdade. Mas que aquilo me fazia quase ter pena do cara, fazia. Afinal o cara se achava o dono da sala de bate-papo e "protetor" das mulheres que ali entravam. Era meio ridículo. Assim sendo, não fiquei muito tempo por ali.

Eu realmente não sabia o que fazer com a Internet. Minha conexão não dava pra fazer muita coisa. Ou, pelo menos, eu não sabia. A próxima incursão foi ás listas de e-mail. Não sei em que sequência, mas eu entrei em uma de Ex-Testemunhas de Jeová e em uma de pessoas com Síndrome do Pânico. Na de Ex-Testemunhas de Jeová até que correu tudo bem. Calmo. Mas aquilo foi enjoando. Afinal eu havia deixado de ser Testemunha de Jeová, justamente porque estava de saco cheio de ouvir falar sobre... TESTEMUNHAS DE JEOVÁ! Então, não demorou muito, me afastei.

Já na de pessoas com Síndrome do Pânico... nossa! Ter Síndrome do Pânico parecia significar realmente que as pessoas eram loucas. Muito loucas! Para se ter uma idéia, com o tempo comecei a me comunicar com algumas das pessoas da lista por telefone. Certo, certo. Mulheres. Quem quer falar com macho? Eu dispenso. E uma delas, que estava numa crise conjugal, simplesmente me "convidou" para ir à casa dela em São Paulo, para que ficássemos juntos. Eu perguntei "e seu marido?!!". Ela disse: "Não tem problema, você finge que é meu amigo gay". Bom, ali eu vi que devia me mandar da lista, afinal, eu até podia ser louco também, mas passar por bicha não dava. E sabe-se lá o que poderia acontecer depois. Afinal eu só me fodo, como todo mundo que me lê aqui, sabe.

Então, como se pode ver, eu demorei muito para encontrar um rumo na Internet. Quando consegui banda larga, fiquei viciado em baixar MP3, depois videoclips. Mas nada daquilo me satisfazia. Até que eu coloquei uma página de gibi, no meu scanner que nunca era usado. O resto... bom, o resto vocês já sabem.


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