terça-feira, 4 de abril de 2006

Desconhecidamente Famoso

DESCONHECIDAMENTE FAMOSO


Ser reconhecido na rua é coisa de artista. Andar por Ipanema é quase como andar por uma vitrine de atores globais. Chega a ser comum. Mas ser parado ou reconhecido na rua, sem ser famoso, é que é estranho.

Estava eu andando no Leblon, subindo para Ipanema, quando do outro lado da rua, do meio de um agrupamento de adolescentes que esperavam para entrar para a escola, sai um moleque, atravessa a rua a toda velocidade, me pára e pergunta: "Você não é o cara da Terra Encantada?!". Eu fiquei sem saber o que dizer ou fazer de imediato. Mas explicando, não, ele não estava me confundindo com um gnomo ou coisa parecida. Certa vez estava com meu irmão, cunhada e a filha dela, no Parque Terra Encantada, que fica na Barra da Tijuca. Estávamos andando por lá e paramos pra ver um show de palhaços. Por azar meu, eu ria demasiadamente alto. Aliás, a minha risada é escandalosa e feia. Isso acabou sendo usado contra mim. Quando quiseram um "ajudante" para um número logo chamaram, "você aí, da risada esquisita". No meio de dezenas de pessoas a minha risada acabou me colocando numa fria. Sim, fria, pois apesar de, aqui eu ser assim, na verdade eu sou tímido e sem jeito quando colocado em situações em que tenho de me apresentar em público.

Pois bem, eles queriam que, no número, eu jogasse uma "torta" na cara de um dos partipantes. Tá, foi tudo bem. Tudo normal, apesar de eu estar querendo estar em outro lugar. Meu irmão até mesmo fotografou no exato momento em que eu "torteio" a cara do palhaço. Pronto! Saí com vida de mais essa.

Agora, semanas depois, talvez meses, não lembro bem, tá esse garoto aqui, todo feliz por ter me reconhecido de quando me viu lá no Parque Terra Encantada. Achei que ele fosse pedir um autógrafo! Ainda bem que ele não fez isso, mas pela cara dele achei que ele ia fazer. Disse que sim, que eera eu mesmo, ele ficou feliz e deu meia-volta. Muito esquisito. Poxa, engraçado que na foto, olhando bem, depois, tinha gente realmente famosa lá. No meio da multidão estava o Toquinho (aquele da música "numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo..." etc, etc...).

Depois disso já fui reconhecido por causa do Rapadura Açucarada, o que é bem mais normal, já que de vez em quando tem foto minha por aqui. Mesmo assim não deixou de ser meio engraçado. O melhor de todos foi quando eu estava no Botafogo Praia Shopping, numa das praças de alimentação, fazendo um lanche com meu irmão e minha cunhada (apesar de parecer, eu não ando tanto assim com eles dois, é apenas coincidência mesmo), e estava com aquele livro do Alex Ross, o Mythology. Enquanto conversava com eles dois, pelo canto do olho deu pra eu ver que algumas pessoas estavam meio que paradas, como se decidissem se iam falar comigo ou não.

Até que um dos caras disse: "Você é o Eudes? Do Rapadura Açucarada?". O que foi até mais estranho, pois eu pouco usava Eudes por aqui. Pouco mesmo. Me levantei e cumprimentei a todos, que deviam ser uns quatro caras que estavam indo ao cinema. Meu irmão e minha cunhada olhavam aquilo como se fosse a coisa mais estranha que já tivessem visto. O que realmente deveria ser. Como eles não sabem do alcance do blog, para eles era realmente esquisito.

Depois que todos se foram, fiquei pensando comigo mesmo se não me reconheceram mais por causa do livro (com aquele Super-Homem imenso na capa) do que por mim mesmo. Depois disso, só aconteceu mesmo quando eu estava em locais em que isso seria quase inevitável, como a Gibimania.

Um dia desses sigo o conselho de uma amiga, coloco uma estampa do RA numa camiseta e vou a alguma convenção de quadrinhos... levando uma caneta, é claro. Afinal, devem restar uns 2 dos meus 15 minutos.



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