quarta-feira, 17 de maio de 2006

O Primeiro Sobrinho

O PRIMEIRO SOBRINHO


Meu sobrinho e afilhado, Caio Vinícius, ainda é o único neto que minha mãe tem e, por isso, natualmente é tão bajulado e querido. Ele tem seus 5 anos agora. Mas, mesmo quando estava apenas aprendendo a falar, já dava para perceber qual era a sua paixão: CARROS!

No início parecia apenas como todo garoto, aquele fascínio meio que natural por coisas de quatro rodas e barulhentas. Até que foi ficando mais evidente, de que não era como com as outras crianças. Sem nem mesmo falar direito ainda, ele inventava modos de dizer "caminhão", "fórmula 1" (quando queria dizer carros de corrida), "ônibus", ou simplesmente a cor dos carros.

Percebendo isso, todos se acostumaram a dar de presente a ele, claro, carros, carrinhos e mais carrões de todos os tamanhos, tipo e cor. Mas para ele não importava se era novo, se era mais sofisticado, ou até mesmo se se movia sozinho (aliás, acho que ele detesta que façam isso), o que importava era que fossem... CARROS. Podia ser sem rodas, podia ser o primeiro que ele ganhou há séculos atrás, ou mesmo um de plástico, ele os tratava como iguais. E assim o faz até hoje. Dava pra ver que era uma paixão sem limites.

Mas, nesse domingo útlimo, Dia das Mães, é que realmente me surpreendi. Eu fui à casa de minha mãe, claro, e logo depois chegaram minha irmã e ele. Como sempre ele chega meio arredio, pois a gente não se vê com constância, e ele fica tímido. Ele havia ganho um presente do pai, do qual não se separava: um álbum de figurinhas de...? CARROS! Perguntava, de vez em quando, à sua mãe porque alguns só tinha metade de algum carro. E ela tentava explicar que era por que ainda viria uma figurinha para completar.

A tarde logo passou e eu tinha de ir embora. Minha mãe resolveu acompanhar eu e minha mulher até o ponto de ônibus (sim, para infelicidade de meu sobrinho, eu não tenho carro) e ele pediu para ir junto conosco. Foi quando eu realmente me espantei.

Ele sempre procurou identificar os carros que via, mas sempre vi ele fazer isso meio genericamente: ônibus, fusca, kombi e etc. E ele tinha um hábito de conseguir ver carros onde ninguém mais conseguia, a não ser se parasse e olhasse com muuuuuita atenção. Mas isso já fazia parte dele, e a gente se divertia, mas não se espantava tanto. Isso até aquela tarde...

Íamos por uma rua menos movimentada, mas com alguns carros estacionados ao longo dela. Então,ele segurando minha mão, começou a apontar alguns e dizer a marca deles. Não estava mais sendo genérico. Ele dizia a marca de alguns, e como eu não entendo nada de carro, nem sabia se era mesmo e não parava para conferir. Mas a coisa ficou mais engraçada quando ele disse "aquele é um Palio", e eu pensei, "ah, um Palio é fácil de reconhecer, isso não é nada demais". Ele dizia, esse é um Gol, e eu não parava pra conferir, pois estava meio com pressa, ou a posição do carro não deixava. Até que...

Bom, até que ele disse: "Esse aí é um renô (renault)!". Eu olhei pra ele e quis cair na risada, pois achava que ele estava apenas chutando. Tá, aquilo era demais. Se eu não o conhecesse, eu diria que ele estava tirando sarro da minha cara. Fui até a traseira do carro e lá estava escrito: RENAULT!

Meu queixo caiu. Comecei a pensar se era eu que não conhecia nada mesmo de carro que até mesmo uma criança sabia mais do que eu, ou se, sei lá, eu estava de mãos dadas com um anão e não com meu sobrinho.

Comecei a pensar e não imaginava o pai dele ensinando as marcas de cada carro que via, pelo menos não tantas vezes a ponto de ele gravar, creio que era apenas uma questão da memória dele ser muito boa. Não sei. Mas fiquei embasbacado. Talvez não seja nada demais e eu seja apenas um tio/padrinho coruja.

Chegamos ao ponto de ônibus, entramos no primeiro que apareceu, dei adeus aos dois, ele e minha mãe. E, desde então, essa história não me saiu mais da cabeça. É o tipo de coisa que não vou me cansar de contar para os amigos. Ou até mesmo contar em meu blog, qualquer hora dessas!


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