quarta-feira, 10 de maio de 2006

Barulho de Chuva

O BARULHO DA CHUVA


Havia o barulho bom das gotas de chuva naquele telhado de alumínio. Balançando na rede, bem devagarinho, eu fechei meus olhos. E sonhei...

Havia um parque de onde se ouviam as risadas das crianças e a música que se sobrepunha alegre. Uma cascata de felicidade que meus ouvidos captavam. Era noite, luzes em volta. Era um sonho de que não me lembro.

Comprei um ingresso e, mesmo sozinho, entrei ali, na roda gigante. Aquele frio no estômago, aquela sensação de liberdade, de imensidão. Tudo ao mesmo tempo, tudo a seu tempo. As pessoas se "apequenando" cada vez mais, a música e as risadas se distanciando. A chuva fina recomeçou, vinha bem sei de onde. De um sonho que não me lembro. Senti as gotas tão finas, tão frias, fechei os olhos. E sonhei....

Era uma praia, imensa e branca. Sim, areias brancas. Poucas pessoas ali, meio a toas. Uma brisa suave, um sol mais ainda. Algumas na água, algumas na areia. E eu a andar, andar pela beirada, beirada da praia. Pensei em nadar. Atravessar as ondas, e ir além-mar. Pois foi o que fiz. Braçadas constantes, sem nem me cansar. A água era um mundo onde eu habitava. Mas então, a chuva fina veio, nem bem sei de onde. Era um sonho de que eu não lembro.

Então mergulhei, e as gotas lá em cima, eu não vi mais. E dentro do mar, fechei os meus olhos. E sonhei...

Estava num porto, esperava um navio. Não sei em que ano, não sei em que tempo. Só queria que a embarcação chegasse, para nela partir. O porto fervilhava, gente por todos os lados, indo e vindo, voltando e partindo. Não havia tristeza e lágrimas, só de alegria. Parecia um sonho de que não me lembro. Ao longe eu vi meu navio chegando, singrando o mar, se aproximando. Parecia tão perto, como se pudesse tocar, mas ainda estava distante, e eu querendo zarpar. Foi então que a chuva começou a cair. Abri então meu guarda-chuva e logo o som dos pingos batendo nele, me distraiu. Fechei, então, os olhos. E sonhei...

Mergulhava em direção ao solo. Estava em queda-livre, com o vento violento quase arrancando meu rosto. Mesmo assim, me sentia calmo, sabendo onde ia e como ia terminar, por um instante pensei, ela já já vai chegar. E não deu outra, começou a chover. A chuva que sempre parecia um sonho de que não me lembro. Ela caía junto comigo, eu acompanhando os pingos muito rentes a mim. Parecia uma corrida para o solo refrescar. Meu pára-quedas se abriu, muito antes do tempo, e o barulho da chuva, sobre ele, me fez os olhos fechar. E eu sonhei...

"...Vastos dias a contento
Perdura a vida qual firmamento
Empoeirando os móveis da sala
A eternidade nestes resvala..."

Era eu um poeta, de pouca sabedoria, tentando concatenar versos que nem eu mesmo conhecia. Parecia um sonho de que não lembro mais. Era algo sobre chuvas, barulhos, parques, praias, portos e saltos. Não havia como pôr tudo isso no papel. Então eu apenas fechei os olhos, me precipitei em gotas de chuva e...sonhei!


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