domingo, 18 de junho de 2006

Dr. Imperius

DR. IMPERIUS

Era mais uma daquelas batalhas apocalípticas e eu já estava lutando a horas com o Dr. Imperius. Metade da cidade já estava destruída e, mesmo assim, nem eu, nem ele dávamos sinais de que a luta estava perto de acabar. Ele usava todas as suas máquinas criadas com seu gênio criminoso. Sim, um verdadeiro gênio que poderia salvar a humanidade milhares de vezes, se usasse sua genialidade para o bem. Enquanto que eu passei no vestibular a muito custo. Superpoderes não vêem, necessariamente, acompanhados de uma grande inteligência. Aliás, eu estava indo mal na faculdade de Jornalismo, e não era por causa de minha vida de super-herói.

Perdido nesses pensamentos, me distraí da luta, deixando que o Dr. Imperius abrisse um rasgo considerável em meu peito. Ele estava vestindo uma armadura em que uma das garras era feita de um material raríssimo, que atravessava minha invulnerabilidade, apesar de não tirar meus poderes, nem essas coisas que se costuma ver em quadrinhos. Provavelmente o Dr. Imperius - que na verdade se chamava Astolfo, fazendo eu preferir chamá-lo Imperius mesmo - acabara com sua fortuna novamente, na compra desse material raro. O problema é que ele sempre conseguia se reeguer financeiramente. O mais estranho é que não eram com negócios escusos, mas honestos. O seu prazer era mesmo tentar me destruir, talvez apenas para mostrar que podia. Ou quem sabe esse desgraçado precisasse de mim, para preencher sua vida vazia. O problema era que pessoas se machucavam nessa brincadeira.

Eu não estava conseguindo me concentrar na luta. Recebi várias descargas de uma arma que ele chamava de Buraco Negro. Eu não sei do que ela era feita - já disse que essa coisa de super-heróis ser gênio é só nos quadrinhos - mas ela estava começando a abrir um buraco no espaço-tempo a minha volta e aquilo cismava em me sugar. Se o que diziam sobre buracos negros era verdade, seria realmente o meu fim se eu não arrebentasse aquele troço.

Foi quando a arma parou de disparar sozinha e o tal buraco se fechou. Ouvi ele gritar algo sobre uma maldita bateria de terílio 9, que teria comprado de alguém não muito honesto, mas não eram bem essas palavras que ele estava usando agora. E, ao que parecia, sua armadura era alimentada pela mesma bateria, pois começou a pipocar, sacudir, engasgar, parecendo um automóvel velho. Porém, antes que a bateria pifasse de vez, ele consegui disparar uma rajada do tal Buraco Negro. Mas se eu ia a algum lugar, ele ia junto. Agarrei o seu pulso - ou melhor, o pulso de sua armadura - e, quando fui sugado, levei-o junto.

Senti um empuxo no meu estômago, como se ele tivesse sido sugado por um aspirador de pó e depois senti ele ser atirado para a frente, como se batesse em uma parede de concreto. Dr. Imperius nã estava melhor que eu. Ele vomitara dentro do capacete de sua armadura. Estávamos flutuando no espaço em um ponto que não conhecíamos. Pelo menos EU não conhecia. Eu podia ficar sem ar por algumas horas. Mas e o Imperius?

Ele apertou algum botão no peito de sua armadura e o vômito foi aspirado de seu capacete. Não era algo bonito de ser ver. Vômito flutuando pelo espaço. Aquilo parecia ter tirado sua vontade de lutar. Ele me jogou alguma coisa e me apontou a boca. Era um aparelho para colocar sobre a boca. Não era um respirador, pois ele sabia eu que não precisava, pelo menos não por enquanto, de ar. Era um comunicador. Ele queria conversar:

- Hehehehe! Estamos mortos. Eu sei que você pode ficar horas sem respirar. Mas você não vai conseguir achar nenhum planeta com atmosfera respirável antes dessas horas acabarem. Eu não tinha planejado vir junto quando construí o Buraco Negro, mas... merdas acontecem... heheheheeh! Minha bateria acabou, não tem como me levar de volta.

- Então temos tempo apenas para eu saber de você o porque disso tudo, Astolfo!

- DR. IMPERIUS!!! DR. IMPERIUS!!!! ODEIO QUANDO VOCÊ FAZ ISSO, SEU DESGRAÇADO!

- Hehhehehe! Eu sei...

- Tá certo. Você quer saber o motivo de meu ódio. Tudo bem. Estamos naquela cena clássica em que o vilão revela seus motivos e blá blá blá. Tudo bem. Como você não vai sair vivo dessa mesmo, não vai poder contar pra ninguém o que vou te dizer. Isso vai morrer aqui, literalmente falando. Pois bem, eu te odeio por causa da minha esposa.

- Como assim, sua esposa? Nem sabia que você era casado! O que tenho a ver com ela?

- Eu estou contando, tem como esperar eu chegar lá? Porque a pressa? Vai a algum lugar? Eu e minha esposa éramos o casal perfeito. Nem parecíamos casados há mais de 20 anos. Parecíamos amantes. Nossa vida era perfeita. Mas no sexo era onde nós nos dávamos melhor ainda. Todas as nossas fantasias realizávamos sem medo ou pudor. Todas, se é que você me entende. Tudo ia maravilhosamente bem em minha vida. Eu era milionário e tinha a esposa perfeita.

Até o dia que você apareceu, sabe-se lá vindo de onde. Tudo começou com um pedido que achei inocente da parte dela: ela queria que eu me fantasiasse de você. Estávamos acostumados a brincar com nossas fantasias, coisas comuns como ela de enfermeira, eu de policial e coisas assim. Eu tentei ver aquilo de forma prática e tentei - eu juro que tentei - levar na boa. Consegui quem me fizessem um uniforme idêntico, tão ridículo quanto o seu.

- Ei, pera lá...

- Cale a boca! Estou falando! Então eu consegui o tal uniforme. Tudo em nome da felicidade de nosso casamento. Na noite da estréia do uniforme, ela estava mais sensual que nunca. Cada poro de sua pele exalava sexo. Eu até mesmo esqueci que estava vestindo aquela roupa vergonhosa. Preferia estar vestido de Bozo. Mas tudo bem.

Avancei em direção a ela, nua e linda, e a abracei. Começamos bem, mas eu tinha de tirar aquela coisa, para poder consumar o ato. E quando tentei isso, a capa esroscou no pescoço dela. Não sei como aquilo aconteceu, mas eu caí da cama e só escutei um estalo. A capa havia não só a estrangulado, mas quebrado-lhe o pescoço.

Eu gritei com todas as minhas forças. Tentava ressuscitá-la, mas eu sabia que não era mais possível. E só uma pessoa era culpada disso: VOCÊ!!!

- M-mas que diabos eu fiz? A culpa não foi minha!

- Claro que foi! Se você não tivesse aparecido. Se a mídia não tivesse inundado a cidade e o mundo com suas "façanhas", ela não teria adquirido esse fascínio por você e por seu uniforme brega!

O fato foi que, com minha influência, consegui me livrar de qualquer problema com relação à morte dela. Até mesmo apaguei da minha vida que fui casado, mas dentro de mim, ardia a vingança. Eu tinha de vingar minha amada. Por isso me tornei o Dr. Imperius, e ia destruir você. Como finalmente eu consegui. Não faço questão de viver. Minha missão foi cumprida.

De repente, num clarão súbito, desaparecemos do lugar onde estávamos e reaparecemos onde estávamos lutando antes. O mesmo efeito devastador no estômago se fez sentir.

- Não. Não acredito. O efeito da arma Buraco negro era... era... TEMPORÁRIOOOOO! NÃAAAOOOO!!! - gritava Imperius, e desmaiou.

Agora era só levá-lo preso. Mas sabia que assim que ele escapasse, como sempre fazia, ia começar tudo de novo. Eu tinha que pensar em algo, já que eu sabia coisas que não sabia antes. Tirei todo seu equipamento, deixando-o só de sunga, para não correr nenhum risco. Ele começava acordar. Olhei para meu cinto e tive uma idéia:

-Hãaa.... m-mãe... quero meu Nescau... hã... FILHO DA PUTA! PORQUE ESTOU DE SUNGA???

- Seguinte, Imperius: mesmo sem saber se eu sobreviveria, eu gravei nossa conversa em vídeo - apontei para meu cinto!

- Seu canalha, mentiroso de uma figa, você não tem tecnolog...

- Certo. Você vai pra cadeia e vai cumprir sua pena, seja ela qual for. Mas se quiser fugir e pagar pra ver, uma boa edição de vídeo pode mostrar que você gostava de se fantasiar de Bozo na hora de fazer sexo. Como ficamos?

- ... .... ... AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHH!! MALDITOOOOOOOO!

E foi assim que pude ir pra casa, descansar, feliz de ter esse cinto com essa fivela estravagante. Presente de mamãe.



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