quinta-feira, 27 de julho de 2006

Boxleitner

AS ESTRANHAS AVENTURAS DE BOXLEITNER


Boxleitner não gostava nem um pouco de sua vidinha monótona. Seu trabalho era tão insípido. Arquivista. Ele odiava ser arquivista. Mas era a única coisa em que conseguiu trabalhar. Talvez porque combinasse com o tédio que era sua vida. Boxleitner nunca se casou e as namoradas que teve eram tão monótonas quanto sua vida. Ele lembra de cada uma delas, e de cada defeito que fazia com que ele sentisse vontade de esganá-las, ou mesmo de se matar. Morando sozinho, não tinha nem mesmo um animal de estimação. Na verdade, ele chegou a ter um gato, mas ele fugiu, depois de dois dias. Provavelmente por causa do tédio que era a vida e tudo mais à volta de Boxleitner.

A vida de Boxleitner sendo como era, fazia com que ele não se surpreendesse com nada e, foi com essa visão da vida, que ele se deparou, enquanto dirigia em uma estrada deserta e mal iluminada, com as típicas luzes piscantes, objeto estranho não-identificado, e tudo mais a que estamos acostumados, mas que nunca em nossas vidas temos a chance de presenciar durante um contato imediato do terceiro grau. Tudo bem, passado sabe-se lá quanto tempo, Boxleitner também não lembrava mais do que havia presenciado e seguia normalmente, sem saber que havia sido abduzido e passado por algumas experiências bem estranhas, e que iriam mudar um pouco sua vidinha.

Para entendermos melhor os acontecimentos a seguir, temos de conhecer Adrielle, a vizinha de Boxleitner, que só sabe da existência do mesmo porque este faz questão de olhar para seus peitos toda vez que ela tem o desprazer de encontrá-lo. Tudo bem, nada demais. Todos olham para seus peitos. O problema com Boxleitner é que ele era asqueroso. Ela tinha certeza que já o vira babando. E quando ela dava as costas para ele, ela sentia seus olhos pregados em sua bunda. Adrielle adorava atenção masculina, mas detestava a atenção que lhe era oferecida por Boxleitner. Foi pensando nisso tudo que ela percebeu que o objeto de seu asco chegava em seu carro, justamente quando ela também estava chegando do trabalho.

Boxleitner manobrou para entrar em sua garagem que abriu via controle remoto. Viu que sua vizinha gostosa estava fazendo o mesmo. Que peitos! Mesmo àquela distância Boxleitner conseguia apre... hmm... de repente começou a se sentir estranho. Ele estava sentindo uma sensação esquisita desde que passou por aquela estrada deserta e mal ilumidada. Os olhos de Adrielle cruzaram com os seus, e ele sentiu que, de alguma forma... oooh, droga!

Boxleitner conseguiu ver seu carro entrando na garagem de forma desastrada, batendo lá no fundo. Ele não estava entendendo nada. Até que se viu no espelho retrovisor do carro em que estava: Boxleitner estava no corpo de Adrielle. Ele não pôde conter um grito estranho que saiu das cordas vocais da mulher mais gostosa que ele já vira em sua vida, e em quem agora ele habitava, como se fosse uma espécie de demônio possuidor de corpos. Ele sentiu em seu grito de mulher uma estranha excitação , como se já estivesse analisando todas as possibilidades.

Boxleitner não parava de tremer. Ou melhor, o corpo de Adrielle não parava de tremer. Ele saiu do carro e foi correndo até o dele. Deduziu que se ele estava no corpo dela, ela devia estar... não, não estava. Viu seu corpo inerte sobre o volante do carro. Onde estaria Adrielle então? Não importava. A mente de Boxleitner comandava aquele corpo, e sem nem mesmo querer saber se ele tinha como sair dali quando quisesse, Boxleitner subiu para seu próprio quarto e já sabia tudo o que queria fazer para aproveitar essa chance única na vida. Depois ele poderia até morrer, que morreria feliz.

Boxleitner/Adrielle acendeu a luz de seu quarto. Foi ao pequeno banheiro e se olhou no espelho. Os cabelos loiros abaixo dos ombros, os olhos de um castanho claro. Boxleitner sentia seu coração bater e seus (novos) peitos balançarem. Ou era apenas impressão? Fez o que sabia que jamais poderia fazer se aquilo tudo não estivesse acontecendo, segurou as duas tetas com força, por cima do vestido e as acariciou. Quando ia abaixar alça do vestido, notou que seu espelho seria pequeno demais para tudo que tinha em mente. Por um estranho sexto sentido, ele soube que na casa da dona do corpo teria, sim, um espelho bem maior. Correu para lá.

Boxleitner pegou a chave na bolsa que ficara no carro, entrou e achou o quarto bem facilmente, como se morasse ali a vida inteira. Estava trêmulo ainda, pela excitação do que pretendia fazer. Quando entrou, viu o enorme espellho que Adrielle tinha em frente à sua cama e logo deduziu todas as utilidades dele. Boxleitner jogou aqueles sapatos de salto alto longe e se perguntou como alguém poderia usar aquilo nos pés. Se posicionou diante do espelho e começou a fazer o strip tease mais desajeitado do planeta.

Não precisou ir muito longe. Debaixo do vestido, Adrielle não usava nem sutiã, nem mesmo calcinha. Putinha, foi o pensamento que perspassou a mente de Boxleitner. Mas deixou isso de lado, para começar a fazer aquilo que sempre quis: tocar Adrielle por todo seu corpo. Tocava os mamilos, descia a mão entre as pernas e sentia os pêlos bem definidos num corte excêntrico, que Adrielle fazia. Quando tocou dentro de Adrielle, Boxleitner sentiu uma vertigem, quase caiu e sentiu algo que já sentira antes, só que de um modo muito diferente. Ele tinha acabado de gozar, como mulher. Suas pernas tremiam.

Seus desejos masculinos estavam muito fortes, dentro de um corpo feminino. Boxleitner sentiu a tontura novamente, sem nem mesmo se tocar. Era o tal orgasmo múltiplo de que tanto elas falavam. Boxleitner estava começando a pensar se queria sair dali de dentro algum dia.

Aos tropeços, deitou o corpo nu de Adrielle na cama mais gostosa que já deitara. Ele sentia que toda sua vida vazia estava sendo recompensada de alguma maneira, agora. Era muito mais que sexo consigo mesmo. Ele conseguia gozar como se estivesse possuindo-a de alguma forma. Então, ele decidiu ir fundo, literalmente falando. Deitou, viu que uma das unhas de Adrielle era bem mais curta e Boxleitner se pôs a fazer sexo com aquela mulher que ele só tinha em pensamentos promíscuos. Ele perdeu as contas de quantas vezes gozou. Tantos e tanto orgasmos que ele se sentia como um drogado que queria mais e mais. Chegava quase a ter alucinações. Boxleitner deve ter experimentado mais posições que a própria Adrielle nem mesmo deve ter jamais pensado. Foi quando ele ouviu passos se aproximando. Lembrou, então, que na pressa, não fechara a porta. Se desesperou, mas era tarde.

Ele entrou. Boxleitner não acreditou quando viu a si mesmo entrando quarto adentro. Quer dizer, seu corpo. Viu que seu rosto havia chorado muito, e tremia, quando falou:

- S-seu... tarado... doente... maníaco. Como você fez isso? O que está fazendo com meu corpo? - sim, era Adrielle. Aparentemente seu corpo perdera os sentidos, mas Adrielle estava nele sim.
- Me devolva... - Adrielle/Boxleitner se afastou e foi até uma gaveta e pegou uma arma pequena, dessas de mulher. Boxleitner, no corpo de Adrielle, nu, ficou em pânico.
-E-eu... eu não sei como se desfaz isso, mulher! EU NAO SEI!
- Eu... eu vou atirar...
- Sua louca, vai atirar em seu próprio corpo? - Era terrivelmente estranho ouvir ver seu próprio rosto, e ouvir sua própria voz ameaçando-o de morte. Também era visível que a mente dentro de seu corpo estava descontrolada. Não soube lidar tão bem quando ele com tudo aquilo.
- Eu vou ati... - e BAM! Adrielle disparou. Boxleitner encolheu seu corpo feminino, mas não sentiu dor alguma. Quando abriu os olhos, viu Adrielle caída, morta. O revólver havia explodido e a bala abrira um buraco em sua cabeça.

Boxleitner ficou parado alguns minutos tentando entender a situação, tentando avaliar o que devia fazer. Bom, em primeiro lugar "ela" era inocente, o corpo morto no chão havia cometido invasão de domicílio. Boxleitner levou seu corpo esguio até o telefone e ligou para a polícia. Estava conseguindo se acalmar. Pegou um cigarro da putinha e acendeu. Foi até a janela, abriu-a e olhou para a rua. Viu que a vizinhança parecia não ter se dado conta do barulho. Então um carro passava na hora. Boxleitner achou que fosse um astro conhecido de cinema. De repente, o cara olhou na sua direção, e o corpo de Adrielle desabou.

Boxleitner estava agora na estrada. Olhou-se no espelho retrovisor, ajeitou seu novo cabelo, e ficou pensando, enquanto dirigia, o que aquele jovem astro de cinema ia pensar quando acordasse no corpo de uma mulher. Bom, provavelmente ele já fez algum filme com essa temática. Acho que ele vai ficar bem, pensou Boxleitner... e acelerou.



Nenhum comentário:

Business

category2