segunda-feira, 31 de julho de 2006

Luzes Que Se Apagam

LUZES QUE SE APAGAM


O mundo inteiro estranhou quando as luzes começaram a surgir nos céus. Não havia um lugar da Terra que não as avistassem. Apareciam e desapareciam em questão de segundos. Em certas áreas elas eram em maior quantidade. Nunca vinha no mesmo formato, e o mais estranho, não apareciam em filmagens e nem mesmo em fotografias. As pessoas estavam apreensivas, pois nenhum cientista de nenhum país conseguia explicar o que era aquilo. As teorias eram muitas, mas as respostas práticas eram nulas.

Então, no dia seguinte às aparições das luzes, começou o pior. Pessoas desparecidas, por todo o mundo. As notícias pipocavam. Algumas vezes famílias inteiras. Tudo era deixado para trás. Não era preciso ser gênio para ver que tudo tinha relação com as luzes no céu. Todos achavam que era o fim do mundo, e que a Humanidade finalmente estava condenada. Achavam que as luzes eram um aviso, e que as pessoas desaparedas, ou eram escolhidas e arrebatadas para algum lugar melhor, ou era o começo do desaparecimento de todos.

Tudo isso, porém , foi desmentido quando as TVs de todo o mundo começaram a transmitir a imagem de uma garota de uns 13 anos, que começou a explicar tudo sobre as tais luzes e o segredo das pessoas desaparecidas. Ela não movia os lábios, no entando, cada pessoa, em cada parte do mundo, a ouvia, dentro de suas cabeças, na sua própria língua. E ela dizia:

"Habitantes da Terra, não viemos fazer-lhes mal algum, ao contrário, viemos salvar seu mundo. O motivo é que perdemos o nosso, nas mesmas condições que vocês agora estão perdendo o seu: guerras, poluição, ganância, violência, e tudo mais que vocês possam imaginar. Por fim, nosso planeta não suportou tanta degradação e entrou em colapso. Os governos não mais tinham como nos salvar, e então os principais cientistas tomaram a frente e, como não havia chance de reverter o quadro de destruição iminente, procuraram encontrar um lugar onde pudéssemos recomeçar e não entramos em extinção.

Encontramos a Terra. Um planeta habitado, e o único em que podíamos sobreviver. As medidas de escape foram providenciadas e os que acreditaram em nossas terorias, de que somente viajando entre as dimensões chegaríamos aqui, aceitaram tentar. Foram poucos, já que nosso mundo, como aqui, abrigava bilhões como nós. Além disso, na viagem nem todos sobreviveram. Mas os que chegaram aqui já sabiam que perderíamos nossos corpos, no entanto nossa essência teria alguns segundos para encontrar um hospedeiro. Isso é temporário. Não havia outra forma.

O que temos em mente é usar o corpo dessas pessoas, ajudar a todos aqui, com a tecnologia que desenvolvemos nos nossos últimos dias de vida de nosso planeta e procurar salvar o de vocês. Depois de colocar seu planeta a salvo, usaremos tecnolgia de replicagem, que leva mais tempo e necessita mais cuidado, para replicarmos corpos para nós, os sobreviventes, e encontrarmos nosso lugar em seu mundo, com a permissão de seus governos e do povo comum, até que possamos colonizar algum dos planetas deste ou de outro sistema solar.

Enquanto essas notícias são absorvidas por vocês, estamos em uma base secreta, criada muitos anos antes, por alguns de nós que sacrificaram suas vidas para construí-la, desenvolvendo as medidas que farão de seu planeta um lugar melhor. Devido ao esforço em conjunto dos nossos melhores cientistasjá temos tecnologia suficiente para acabar com os combústiveis fósseis e substituí-lo por combustível não-poluente, produzir água doce em uma quantidade inimáginável, produzir vacinas contra todo tipo de vício maléfico à saúde e/ou doença incurável cohecida, acabar com as guerras, oferecendo aos governos as alternativas viáveis, e as devidas vantagens disso.

Usando os recursos deste planeta maravilhoso, ainda podemos desenvolver uma qualidade de vida melhor, até mesmo aumentando a expectativa da mesma, cada vez mais conforme nossas..."

Não se sabe como, mas de repente o sinal foi perdido, e a programação voltou ao normal. As pessoas não entenderam, mas se aquilo era verdade tudo poderia vir a ser uma verdadeira utopia concretizada. Mas por que se perdera o sinal?

Os dias seguintes foram mais estranhos ainda. As notícias que se recebiam via jornais do mundo inteiro, era que os governos já estavam tomando providências para exterminar essa odioda tentativa de domínio da humanidade. Um conglomerado envolvendo quase todos os governos do mundo, mesmo aqueles que ninguém nunca imaginaria de se unir para uma causa em comum, estavam lá. Haviam rumores de que havia apoio da indústria petroleira, de fabricantes de armas e muitas outras empresas que perderiam se as medidas dos visitantes fossem levadas a cabo. Passavam para a população que aquilo tudo era um engodo daqueles a quem eles chamavam de "invasores".

Por mais que a opinião pública dissesse que confiava nos visitantes, a alta cúpula mundial resolveu, sem se preocupar com as repercussões, exterminar os "invasores". Ingênuos que eram, não se deram conta de que podiam ser encontrados rapidamente se todas as agências do mundo reunissem forças. Mas o pior estava por vir. A população queria saber como agiriam, já que as pessoas que eram hospedeiras deles, não tinham culpa do que estava acontecendo. Não pediram para estar naquela situação. Nenhuma agência deu uma reposta coerente a isso.

Diziam apenas que tratariam do assunto sem danos para os hospedeiros, mas não diziam como. Ao que se sabia o esconderijo já havia sido encontrado, e um ataque estava para ser deflagrado. Mas não se explicava mais nada à população. As Forças Mundiais sabiam que os invasores já tinha alguma tecnologia com eles, e talvez tivessem até mesmo alguma arma. Também deduziam que os invasores poderiam tomar os corpos dos soldados antes que esse tivessem chance de chegar à base. Calculavam que quase um milhão de pessoas haviam sido possuídas de várias partes do mundo, de acordo com relatórios de pessoas desaparecidas no dia seguinte às luzes.

A tragédia que se seguiu, não houve como abafar. Uma bomba atômica foi lançada sobre a base subterrânea dos "invasores", no deserto de Mojave. Atirar primeiro e perguntar depois, era o lema dos governos mundiais. O "plano maléfico" dos invasores virou poeira atômica, assim como as pessoas inocentes que eram seus hospedeiros. A população mundial se revoltou com tamanho absurdo.

Uma guerra entre populações de vários países e seus governos se seguiu a isso, devido ao que fizeram com pessoas inocentes, sendo que não houve nenhum sinal de agressão por parte dos visitantes. Ao contrário, ofereciam algo que nunca imaginaram que o mundo pudesse conseguir: uma vida pacífica. Mas tudo era em vão, o mal estava feito. Depois de muita revolta, as pessoas foram tentando voltar às suas vidas.

Os interesses imediatistas dos governos não viram com bons olhos essa "terrível" possibilidade, a de um mundo sem eles e suas fábricas de morte. Depois das mortes no deserto, e das mortes nas revoltas populares, o mundo apenas chorou por seus inocentes e seus governos disseram que tudo que foi feito, foi para a segurança de todos. Apareceram "provas" de um "plano maligno", mas ninguém deus atenção. As pessoas estavam cansadas de tantas mentiras.

Caisy desligou a TV exatamente quando começou mais uma dessas ladainhas. Caisy era uma garota comum, que viu a última das luzes estranhas no céu, quando naquela noite, onde tudo começou, olhando as estrelas, com seu cão, Donnie. Caisy agora dividia seu corpo e mente com o último dos visitantes. Apesar de não ser de seu planeta, ela sentia uma sensação de profunda tristeza, pois os sentimentos do ser que estava nela se misturavam aos seus, e ela se sentia mais solitária do que nunca se sentiu em toda sua vida.

Enxugando as lágrimas, Caisy foi flutuando para sua cama. Só queria dormir.


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