domingo, 2 de julho de 2006

O Homem Azul

O HOMEM AZUL COM MAL DE PARKINSON


Estou na sala de espera de uma agência de propaganda. Seria algo até normal, se não houvesse um pequeno problema, eu não lembro porque estou aqui. Não sei exatamente como vim parar aqui e não sei qual o objetivo de estar aqui. Tento me lembrar, mas não consigo. Fecho os olhos por um segundo e, quando os abro, estou num vagão do Metrô...


Não, não é nada disso. Não estou consguindo atinar com a história que tenho que escrever. Não está funcionando. Talvez seja por eu não estar bem, não sei. Minha cabeça parece que está sendo prensada. Ontem até mesmo vomitei, depois de séculos. Nem sabia mais como era horrível vomitar. Me senti mal desde logo cedo. Se fosse mais tarde, poderia ter culpado o jogo Brasil X França.


Estou na sala de espera de uma agência... de uma agência de propaganda. Ao meu lado esquerdo, um quadro enorme, de um dos trabalhos da agência. Parece ser sobre doação de órgãos. Me lembro de ter visto a mesma imagem circulando pela internet. Sinto uma estranha sensação de dèja vú, e me dou conta de que não sei porque estou aqui. Aliás, como vim parar aqui?


Droga! Minha sinusite me atrapalha até a pensar. A dor de cabeça é tão grande que dói o lado esquerdo do rosto. Meu estômago ainda revira e sinto o gosto azedo do vômito. Não sei o que posso ter comido que me fez mal. Fico aqui digitando, mas não consigo organizar as idéias. Só consigo pensar em dor de cabeça e jatos de vômito. Eu poderia tentar escrever sobre exorcismo, ou algo assim.


Estou num vagão do Metrô. Sei como vim parar aqui. Fugi da Agência de Propaganda, pois não saberia o que responder quando alguém viesse me perguntar o que eu estava fazendo ali. Porém, não lembro de ter visto ninguém na agência. Saí pela porta, tranquilamente. Entrei no elevador e saí para a rua, que estava com um sol abrasador. Não havia ninguém na recepção do prédio também.


Corro para o banheiro, sentindo ânsias de vômito. Meu peito dói com o esforço de tentar vomitar, sem conseguir. Me sinto péssimo. Depois de assistir a um jogo horrível como aquele, e de estar com esse mal-estar desde que acordei, piorando cada vez mais, é difícil escrever qualquer coisa que tenha coerência. Mas a opção de ficar deitado sem fazer nada, não me agrada. Assim, não vejo porque não tentar terminar o texto.


Estou na sala de espera... não, não, estou no vagão do Metrô. Estou indo para casa. Há um homem azul no vagão. Que estranho isso. Um homem azul. Ele parece ter Mal de Parkinson. Sua mão tremula, e ele a segura com a outra. Ele está sentado entre outras pessoas que parecem nem estar aí para o fato dele ser azul. Um azul-marinho. Ele está de cabeça baixa, como se estivesse cochilando. De vez em quando solta a mão que começa a tremular de novo. Então ele a segura.


Não acredito. Eu devia desistir desse texto. Escrever algo sobre o jogo Brasil X França. Mas todo mundo vai fazer isso. E, na verdade, não há muito o que escrever. O Brasil perdeu porque merecia perder, e só. Minha cabeça vai explodir de tanta dor. O lado direito do rosto começa a latejar com a dor. Acho que vou desistir dessa coisa de agência de propaganda, Metrô e homem azul com Mal de Parkinson.


"Não desista". Diacho! Levo um susto. Alguém falou atrás de mim, quando o vagão parou, e abriu as portas. Quando tento achar quem foi, lá fora uma garota de uns 18 anos está me dando adeus. Logo começamos a andar novamente. Ainda tento me esforçar para saber como fui parar na Agência, e o que eu devo ter ido fazer lá. Mas não consigo lembrar. O homem azul com Mal de Parkinson, se levanta e vem na minha direção. Estranhamente ele some em uma nuvem de fumaça, antes de chegar perto de mim. Fumaça azul, claro.


Esse vai ser um daqueles textos que não sei como terminar. Pode apostar. Também, que diabos eu queria inventando um texto sem nexo, com um homem azul com Mal de Parkinson? O que diabos significa isso? Eu tô cansado. Começo a cochilar, em frente ao PC.

Quando acordo e abro os olhos, estou sentado num vagão de Metrô... sou azul e tenho Mal de Parkinson.

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