segunda-feira, 17 de julho de 2006

Sondando

SONDANDO ABAIXO DA SUPERFÍCIE


Bascombe, que era da guarda real, recebera a notícia de que sua esposa estava morta. Fora atacada em plena luz do dia na Rue des Marchands. O assassino fugiu em meio à multidão que nada fez para tentar capturá-lo ou mesmo para ajudar Jeanette. Morreu por perda de sangue. Bascombe não sabia como ia dar a notícia a Jean-Luc e Marise. Mas sabia de uma coisa, o assassino já estava morto, só não sabia disso ainda.


A tribo dos Atekaê estava em desvantagem nesta guerra, que durava anos, com os Semuânes. Mas, quem sabe, a situação estivesse prestes a mudar, pois um dos atekaê, o bravo Katamã, encontrara o Ídolo Marcanti, do qual dizia-se que seu possuidor poderia ganhar qualquer guerra em que estivesse. Katamã entrara naquela caverna apenas para tomar fôlego, pois era o único sobrevivente do seu grupo de ataque. Mal pôde acreditar quando pôs os olhos sobre o lendário ídolo. Quando estendeu a mão para tocá-lo, sentiu seu corpo ser consumido por chamas e uma dor inominável. Katamã nunca foi encontrado. Sua tribo perdeu a guerra.


A Rua do Orvalho amanheceu em polvorosa com a chegada de um caminhão na porta da casa de Dona Betina. O boato que todos ouviam era que ela havia comprado uma TV. O povo todo estava de olho no caminhão, quando de dentro saiu aquele aparelho que parecia um enorme rádio, mas com uma tela de vidro. Alguns não se conteram, e foram oferecer para "ajudar" os homens da entrega. Eles queriam apenas que alguém chamasse a Dona Betina, pois haviam tentado, e não obtiveram resposta. Um menino disse que ia tentar pelos fundos e, depois de uns poucos minutos, apareceu o moleque correndo e gritando, dizendo que Dona Betina estava morta. Daí aconteceu algo que ninguém entendeu, por alguns segundos, a TV ligou sozinha. Os homens quase a largaram de susto. E o povo ficou pensando se aquilo funcionava daquele jeito mesmo. Josué, vizinho de Dona Betina, não conseguiu dormir pensando nas imagens que vira naqueles poucos segundos.


Gatchenko, o cão da família, estava inquieto já havia um tempo, desde que seus donos saíram. Ele andava de um lado para o outro, olhando para o horizonte, como se procurasse algo, com uma certeza instintiva de que algo estava para acontecer. Estar preso ali, atrás dos portões parecia estar sendo mais angustiante do que nunca. Ele queria sair, ir atrás do que quer que fosse, encontrar e, se possível, estraçalhar. Gatchenko sabia que a segurança de seus donos dependia disso. Ele chegou mesmo a se enfiar pelo meio das grandes, passando a cabeça e tentando passar o corpo e, naquele momento, amaldiçoava ser um cão que comia tanto. Quando ia retirar a cabeça da grade escutou um silvo agudo e Gatchenko ganiu, antes de morrer.


A espaçonave vagava pelo espaço com seu tripulantes mortos há vários meses. A base de operações não via sentido em uma missão de resgate da nave, pois sairia mais caro do que a mesma. As causas da tragédia eles só podiam especular. Então, procuraram esquecer isso, depois de avisarem as famílias, e pagarem as devidas indenizações, é claro. Mas o que não sabiam, é que a nave rumava sem destino, apenas deixando o acaso guiá-la, para um planeta onde seus habitantes eram seres malévolos, mais ou menos como se fossem a verdadeira essência do mal. Só não podiam fazer mal a ninguém porque não tinham corpos nem meios de se locomoverem dali. Mas isso iria mudar, pelo menos para quatro desses habitantes de Katernal, assim que a nave entrasse em sua atmosfera.


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