sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Análise

ANÁLISE PONTO ZERO PONTO UM


Início: Patente Requerida; Carimbo 12; Vigência 47 - Análise em progresso

Estou assitindo a um programa de TV quando de repente sou assolado por uma sensação estranha que não consigo me desvencilhar dela. Na TV há um homem andando por uma estrada deserta, vejo apenas suas costas se distanciando, nada mais. Não sei o objetivo daquilo, e assistir só me faz sentir mais e mais uma sensação ruim. O homem na tela anda num compasso tedioso, como senão tivesse realmente lugar algum aonde chegar. Não entendo que programa seria aquele, mas também não mudo de canal. Não sei o motivo, mas resolvo tocar a tela da televisão. Quando faço isso a imagem some e é substituída por um imagem minha colocando a mão sobre a televisão. Aquilo se repete infinitamente. Retiro a mão assustado, e a imagem do homem caminhando monotamente e sem destino reaparece. Aquilo tudo me incomoda profundamente mas, ainda assim, eu não desligo a TV.

O homem na tela entra numa estrada asfaltada e o som de seu sapato no asfalto vai se tornando cada vez mais alto e insuportável: toc toc toc toC tOC TOC TOC TOC. É como se estivesse dentro da minha cabeça. É como se fizesse parte de mim. Trinco os dentes e tapo os ouvidos tentando fazer o som dos passos no asfalto parar, mas eles não param. Estendo a mão e assim que desligo a TV... ... ...

Andamento: Patente Cedida; Carimbo 08; Vigência 34

Vejo a polícia chegar, mas nada posso fazer. Sou apenas uma criança ainda. Fico com mais medo ainda do que elas. A violência é grande. Machucam as mulheres, gritando com elas, dizendo que elas sabem sim eonde está escondido o dinheiro. De nada adianta elas dizerem que não sabem de que dinheiro elas estão falando. Eu corro para o campo, onde meu pai e os outros estão trabalhando, sem saber de nada do que se passa. Eu relato o que está acontecendo e, nas mesma hora, sem se importar com as consequências, meu pai reune os homens, todos eles maridos das mulheres que estão sendo agredidas, e partem para a casa da fazenda. Levam com eles foices, facões e todo tipo de coisa que usam para o trablho no campo, que agora transformam em arma.

Passam sorrateiros pela parte de trás da casa. Procuram se manter em silêncio, cochichando o que devem fazer um ao outro. Eu apenas observo. Porém, quando meu pai vê minha mãe levar um soco na cara, qualquer tentativa de plano vai por água abaixo. Meu pai corre, gritando de ódio e crava a foice que levava consigo, na cabeçado policial. Não viveu nem dois segundos, eu acho. Foi cravado de balas logo a seguir. Todos os homens saíram de onde estavam, uma horda de de homens do campo, contra uma horda de policiais. Eu apenas observo, tremendo. Gritos, tiros, choro, e quando tudo termina, nada mais resta. Ninguém mais vive. Nem homem, nem mulher, nem policial.

Eu resolvo não ficar ali, vou embora, para casa de alguém, qualquer um. Corro na direção do portão. Quando passo entre os cadáveres, um dos policiais caídos agarra meu braço. Ele é um negro, de olhos esbugalhados, seu pescoço jorra sangue. Ele apenas me diz: "Você não vai escapar disso tudo, garoto". Dou um puxão no meu braço e vou embora, para nunca mais voltar.

Andamento: Patente Liberada; Carimbo 03; Vigência 28

A porta do elevador se abre e estou dentro de uma fábrica enorme. Não sei o que se faz ali. Saio e ando por entre as máquinas enormes com seus pistões barulhentos e soltando vapor. Me adianto e tento achar as escadas, por onde desço até o andar de baixo. Não há nada nele, além de caixas e mais caixas de nada. Vazias. Porém, entre as caixas vazias eu ouço um choro, um choro de criança. saio percorrendo os labirintos de caixas, procurando entre os vãos, de onde vem o choro. É um choro baixo, mas eu consigo escutar e tento saber de que direção ele vem. percorro os vários corredores que as caixas vazias formam, mas nada encontro. O choro no entanto nunca pára. Aquilo começa a me irritar. A luz do local é bem bfraca e talve isso atrapalhe minha busca. A criança deve estar escondida, com medo de alguma coisa. Provavelmente não quer nem mesmo ser encontrada.

Estou quase desistindo quando vejo um garotinho encolhido entre dois blocos grandes de caixas vazias. Pergunto porque ele está ali sozinho e porque chora. O garoto não responde e mantém a cabeça entre os braços cruzados, chorando. Vou na direção dele, para tentar acalmá-lo e, quando chego perto, o garoto some no ar, bem na minha frente. No entanto, o choro não some. Agora parece não ter direção certa e, sim, parece ocupar todo o recinto. Como se o preenchesse. Aquilo começa a me enervar. resolvo ir embora dali o mais rápido possível e entro no elevador.

Saio na rua. Uma rua deserta e sem uma boa iluminação. Resolvo seguir em frente, mesmo não sabendo onde vou parar. Me sinto cansado, por isso ando devagar, num passo monótono. Quando chego a uma estrada de asfalto, meus passos ecoam alto, devido ao contato com ele. Um barulho insuportável, que vai aumentando: toc toc toc toC tOC TOC TOC TOC.

Logo reparo que não são só meus passos. Logo adiante um vulto, no meio da névoa, se forma. Vem andando em minha direção. Quando estou para enxergar com clareza quem é... eu acordo.

Término: Patentes Logadas; Carimbo Final; Vigência Concretizada - Diagnóstico = Trauma Psicossomático Intermitente



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