sábado, 26 de agosto de 2006

Como nascem as Histórias?

COMO NASCEM AS HISTÓRIAS?


Como nascem as histórias? Não faço a mínima idéia, mas sei que a minha terminou quando Jane morreu. Saí do trailer com ela nos braços e a coloquei embaixo de uma árvore, enquanto eu cavava um lugar onde ela pudesse descansar. Dei um último beijo de adeus, coloquei-a dentro daquele túmulo mal acabado, onde eu esperava, ela pudesse dormir para sempre. Quando joguei a primeira pá de terra, seu corpo balançou com o baque. Foi como se Jane voltasse à vida por menos de um segundo.

Tudo terminado, depositei uma flor e entrei no nosso trailer. Nosso lar. Me sentia estranhamente calmo. Dei partida e me pus na direção da estrada, afinal Jane não iria querer que eu ficasse vivendo em função do passado. Jane viveria em mim enquanto eu vivesse e nossos momentos felizes seriam guardados com todo carinho em meu coração. Não só o que vivi com ela, mas com todas elas, todas as que morreram aqui , comigo neste trailer. Agora, porém, eu tinha de seguir em frente e conseguir um novo amor. Espero que essa dure mais tempo...

Quando vou entrar na auto-estrada um caminhão me acerta a toda velocidade. Meu trailer é destroçado e eu fico preso entre as ferragens agonizando, sem a menor chance de obter ajuda, visto que poucos carros passam aqui. Vou levar horas até morrer. Deus! Como dói... eu não imaginava que doesse tanto. Um carro, um carro está se aproximando...

Um trailer totalmente esmagado à beira da estrada. Será que há alguém dentro dele? Passo devagar para ver se há alguém ferido dentro dele, quando escuto uma voz sussurrar em meu ouvido, "não pare, continue seu caminho, não é assunto seu". Sinto um calafrio percorrer o meu corpo e decido não parar. Acelero e continuo meu caminho. Que coisa mais assustadora. Juro que escutei uma voz feminina sussurrando em meu ouvido.

Acho que não estou bem. Deve ser o estresse de ter de viajar até à casa de mamãe para saber o que aconteceu para ela me ligor tão desesperada, dizendo para que eu fosse até lá o mais depressa possível. Será algum problema com o Joey?

Já estou quase chegando. Melhor eu telefonar para saber se ela continua em casa. Quando pego o celular e termino de discar, uma desgraça acontece. Não, não! Eu atropelei alguém, não pode ser! Saio do carro e vejo um senhor estatelado no chão. Acho... acho que ele está morto. O que vou fazer, Meu Deus.O que vou fazer? Tá começando a juntar pessoas. Me abaixo, sinto o pulso dele e... não há. Não há pulso. Está morto.

O telefone tocou duas vezes e parou. Será que era o Mark telefonando? Esses desgraçados obrigaram minha mãe a chamar o Mark, e agora a amarraram e a mim, nessas cadeiras. Mamãe está deseperada, pois não sabe o que eles tanto querem. Disseram apenas que é um assunto do interesse dele e que quando ele chegar nos soltam. Tenho a nítida impressão de que eles não vão fazer isso. Esses idiotas parecem ser da máfia, ou algo assim. Mas o que Mark poderia ter feito para ter problemas com a máfia? Se eu pudesse ao menos acalmar minha mãe, mas amordaçado desse jeito não posso fazer nada. Quando eu me mexo, me sentindo descortável, um dos trogloditas me dá um tapa.

Idiotinha. Fica se mexendo toda hora. Esse irmão dele que não chega logo. E papai também está demorando. Estamos aqui há horas e nem ao menos sabemos direito o que vai acontecer. Papai tem negócios pendentes com esse tal de Mark e eu não faço a mínima idéia do que seja. É melhor eu telefonar para o pai e perguntar se ele já está vindo. Quando pego meu telefone a campainha toca. Digo para a velha e o moleque ficarem quietos senão já sabem. Vou até a porta e é apenas o Dermott. Está nervoso e eu não sei porque.

Grito para que ele fale logo o que está acontecendo e ele diz, gaguejando muito, que papai está morto. Acabou de ser atropelado. A polícia levou o cara que atropelou. Eu... eu fico sem saber o que fazer. Digo à Dermott para ir embora. Me sento à mesa dos Dempsey, que olham para mim de olhos esbugalhados. Acho melhor dar a notícia à mamãe. Ligo para ela.

O telefone toca e quando eu atendo é a voz de Sid. Fungando muito (ele sempre faz isso quando segura o choro) ele me diz que seu pai morreu. Recebo a notícia friamente. Acho engraçado um homem como Thomas morrer atropelado. Um acidente, nada mais que um acidente. Chega a ser irônico. Ele estava indo resolver esse problema na casa dos parentes desse tal de Mark.

Depois que nossa filha fugiu de casa, dizendo que iria se encontrar com Mark Dempsey, para viver com ele, Thomas ficou possesso. Quando viu que as ameaças da filha não eram apenas apenas um blefe, e que ela não amanheceu em casa, ele mandou seus capangas obrigar a mãe do rapaz a chamá-lo aqui e fazê-lo dizer onde estaria nossa filha.

O problema é que descobri o telefone desse tal Mark Dempsey e contei nossa situação, e ele disse que ela não estava com ele. Acreditei nele. Não teria porque mentir. Nem sabia o que estava acontecendo. Melhor telefonar para Sid e mandar que ele deixe a família de Mark em paz. Sem seu pai para controlá-lo, Sid vai me obedecer.

Thomas já foi tarde. As coisas que ele fez à nossa filha... E agora ela está desaparecida. Me deito, para descanasar, mas não consigo deixar de pensar em Jane. Onde está você, Jane querida?

Ouço um sussurro, como se fosse a voz de Jane, em meu ouvido, parece dizer que ela está bem agora, e eu durmo.


Nenhum comentário:

Business

category2