quinta-feira, 24 de agosto de 2006

JJ e a Cidade Fantasma

JERUSALEM JONES: A CIDADE-FANTASMA


Há alguns anos atrás...

Fazia tempo que Jerusalem Jones não fazia aquele percurso, mas não tanto tempo a ponto de surgir uma cidade naquele lugar. Ele coçou a cabeça e tentou entender o que poderia ter acontecido. Seria uma miragem? O sol até que estava bem forte, mas ele se sentia muito bem, e não estava nem com sede. Mas uma cidade inteira. Se fosse uma pequena vila, tudo bem. Jerusalem Jones olhou em volta, e as montanhas pareciam se fechar sobre a cidadezinha recém-aparecida-do-nada.

Gantua sabia que não lhe restava mais nada. Depois que sua nave sofreu uma avaria no inter-espaço, a única coisa que pôde fazer foi se teleportar para o planeta mais próximo, sabendo que isso não seria, contudo, sua salvação. Mas era melhor do que explodir junto com a nave. A guerra para Gantua chegara ao fim ali. Viver mais um pouco, em um lugar totalmente estranho, seria apenas uma última aventura. Claro, se ela conseguisse respirar na nova atmosfera...

Jerusalem Jones entrou, ressabiado, na cidade. Olhava como as pessoas agiam normalmente. Alguns cumprimentavam-lhe, outros nem mesmo notavam sua presença. Era uma cidade normal, com pessoas normais. Jerusalem Jones desceu de seu cavalo e levou-o até onde o animal pudesse se refrescar, e Jones pensou em fazer o mesmo. O saloon ficava logo à sua frente. Ao entrar, aquele aspecto de normalidade que a cidade tinha o incomodou mais ainda. Tentando deixar essa sensação estranha de lado, pediu uma bebida.

Gantua se materializou acima do solo e sofreu uma queda feia, mas que não fez com que sofresse nada mais grave. O lugar onde caíra era deserto, árido. O calor seria sufocante, se Gantua não tivesse vindo de um planeta ainda pior. Sem grandes meios de locomoção, Gantua só podia esperar morrer dentro de alguns dias. Ou, quem sabe, talvez Gantua pudesse esperar um pouco mais, antes de morrer, e explorar o território onde caiu, quem sabe aprender, e levar consigo um pouco mais de conhecimento.

Jerusalem Jones tomou sua bebida com calma, enquanto olhava ao redor. As pessoas, parecia faltar algo a elas. Elas conversavam entre si, havia toda aquela aura de uma cidade comum, com pessoas de todos os tipos e, no entanto, faltava algo. De repente uma idéia louca passou pela cabeça de Jerusalem Jones. Sem pensar muito, para não desistir, Jerusalem Jones encheu os pulmões e soltou o palavrão mais cabeludo que conhecia tão alto que chegou a doer seus próprios ouvidos. Ninguém notou. Ninguém se abalou.

Gantua já estava há uns dias no planeta e em vez de morrer, se tornava mais forte. Aparentemente a atmosfera do lugar a ajudava. Isso era um imprevisto. Na verdade, Gantua até mesmo se acostumara àquele lugar deserto e árido, pois lembrava-lhe um pouco o lugar de onde veio. Uma coisa interessante é que ela não vinha sentindo fome. Parecia que a atmosfera lhe provia até mesmo uma certa fonte de nutrientes. Porém, Gantua tinha que fazer algo para matar o tempo, enquanto não encontrava uma solução para o que faria nesse planeta. Talvez devesse construir algo, quem sabe.

Jerusalem Jones entendeu então o que vinha incomodando-lhe, aquelas pessoas eram apenas cascas. Eram vazias. Sem almas. Aquele pensamento deu-lhe arrepios. Seria uma cidade-fantasma? Não, não era isso. O problema é que ele não sabia o que era. Ele resolveu que sairia dali o mais rápido possível, pois não estava muito a fim de descobrir. Talvez fosse tudo uma ilusão e ao deixá-la para trás, tudo acabasse. Quando saiu para a rua, percebeu que, quem quer que fosse o reponsável pela construção da cidade, soube que ele estava ali, e que ele não era um deles. Jerusalem Jones sacou de seu revólver e apontou para o pequeno grupo de pessoas que avançava para ele, lentamente, com aqueles olhos vazios.

Gantua tinha mais ou menos uma idéia do que poderia fazer. Mas não estava certa se seria algo de bom gosto, já que sabia muito pouco sobre o planeta. Estava para tentar algo usando o mínimo que sabia, quando ouviu um estampido, e mais um, e mais um. Gantua correu, subiu em uma elevação e viu que adiante de onde estava, existia um povoado. Gantua porém conseguiu definir alguns padrões que conseguiram assustá-la. Ela não era a única de outro mundo a estar ali, seus inimigos, sabe-se lá porque, chegaram primeiro. Gantua correu.

Jerusalem Jones estava atirando para todos os lados e correndo. As pessoas caíam e se transformavam em pó. Ele saltou sobre um cavalo que estava em seu caminho e disparou na direção da cidade, quando percebeu que o cavalo começou a levá-lo em outra direção. E, por mais burro que pudesse ser, deduziu que se as pessoas eram esquisitas, os animais também deviam ser. O animal empinou e derrubou-o. Ia pisoteá-lo se ele não sai de lado. Jerusalem Jones levantou-se e já estava tomando seu rumo novamente, quando foi agarrado por um dos habitantes da cidade. Segurou-o com uma força imensa, quase quebrando seu braço. O homem segurou a cabeça de Jones e ia começar a torcê-la quando de repente caiu e virou pó.

Gantua não sabia o que eles poderiam estar tentando montando um símile do que ela deduzia ser um povoado do planeta, mas tinha que ir lá saber do que se tratava. Morrer pelas mãos deles era o menor dos problemas. Chegou ao povoado em poucos minutos, correndo em velocidade beta. Quando entrou no povoado viu que os habitantes eram apenas cópias-térmicas. Era uma tática dos inimigos que ela bem conhecia. Fizeram uma cópia-térmica de seu filho, antes de o matarem. Onde estava eles estão? Gantua percebeu agitação de um lado da cidade, correu e viu que uma cópia-térmica tentava matar um habitante do planeta e a impediu.

Jerusalem Jones teve um choque ao ver o que o salvou. Era tão aterrador que a única coisa que ele pensou foi em atirar, mas ele não podia, afinal a coisa o salvara. Mas o que diabos era aquilo? Um troço com uma cauda enorme, uma língua que parecia querer agarrá-lo. A única coisa que Jerusalem Jones reconhecia era algo parecido com peitos de mulher. Ele estava hipnotizado olhando aquilo.

Gantua esqueceu que sua aparência devia ser horrenda para aquele habitante, assim como ele era bem feio para ela. Gantua deu meia-volta antes que as coisas piorassem. O habitante estava estático olhando para ela, com aquela espécie de arma na mão apontada para ela. Gantua não sabia como os inimigos construiram aquele povoado e porque, e pior, não sabia como ia desativar tudo aquilo.

Jerusalem Jones viu aquela coisa se afastar e resolveu que também iria tomar o seu rumo, antes que mais alguém da cidade-fantasma tentasse matá-lo. Foi quando notou que havia algo entre o pó que sobrou do troço que tentou matá-lo. Abaixou e pegou aquela coisa esquisita. Estava apitando ou algo assim.

Gantua viu o que o habitante pegou e entendeu tudo. Aquilo tudo não foi o inimigo quem fez, e sim as cópias-térmicas. De algum modo uma unidade replicadora caíra no planeta e replicara tudo o que captou em kilômetros. Aquilo na mão do habitante era a unidade replicadora, que estava naquela cópia que devia ser a cópia-térmica-matriz. E ia se auto-destruir. Gantua correu e agarrou a unidade replicadora do habitante. Apontou para frente, sinalizando que ele saísse dalí. Gantua ia ficar e ter certeza de que a unidade não iria se auto-replicar antes de se destruir.

Jerusalem Jones entendeu o que a coisa quis dizer e correu o mais rápido que pôde. Quando estava quase a uma boa distância, sentiu a explosão lançá-lo para a frente. Ficou um bom tempo caído, até que levantou e olhou para trás, e da cidade não restara nada, nem escombros. Nem mesmo da criatura que o salvou por duas vezes. Um sentimento de gratidão estranho o invadiu. Era esquisito sentir-se grato a algo que ele sentiu tanta repulsa. Jerusalem Jones viu seu cavalo correndo adiante, mais assustado que ele, então correu para alcançá-lo. Era hora de ir para casa.

Gantua agora estava em casa.


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