quarta-feira, 9 de agosto de 2006

JJ e A entrega Especial

JERUSALEM JONES - ENTREGA ESPECIAL



Jerusalem Jones recapitulava mentalmente como foi parar ali, conduzindo aquela carroça coberta, com um caixão dentro dela. Primeiro ele foi contatado por um velho esquisito que lhe ofereceu uma grana alta para que ele fizesse uma entrega. Quando escutou a quantia que o velho disse, Jerusalem se controlou para não deixar transparecer sua surpresa. Nem mesmo quis saber quem enganou àquele velho dizendo que ele fazia entregas. Quando recebeu metade da quantia combinada, Jerusalem pensou consigo mesmo que por tanto entregaria até o garfo do diabo no próprio Inferno.

O velho o levou até um grande galpão, onde havia uma carroça coberta e, dentro dela, um caixão. Jerusalem sabia que por tanto dinheiro, não podia ser algo simples. Transportar um morto até que não era algo tão ruim assim. O velho deu-lhe o nome da cidade e o nome da pessoa a quem ele devia entregar o caixão. Lá entregariam o restante do dinheiro a ele. Tudo parecia bem tranquilo. Tranquilo até demais. Mas, Jerusalem não estava em posição de recusar nada. Suas finanças andavam de mal a pior.

O velho deu-lhe uma última recomendação. Se fosse atacado por algum bandoleiro, grupo de bandidos, índios ou seja lá o que fosse que pusesse a entrega do caixão em perigo, Jerusalem deveria empurrar para baixo uma pequena alavanca que ficava no lado direito, na altura de onde estariam os pés do morto. Jerusalem perguntou de que adiantaria isso e o velho disse que selaria o caixão por dentro e ninguém conseguiria abri-lo para violar o cadáver em seu interior. Jerusalem pensou consigo mesmo que, quando alguém quer realmente algo, não há alavanca que o salve. Mas também se perguntou quem diabos poderia fazer questão deste cadáver.

Foi pensando em tudo isso que Jerusalem Jones estava prestes a obter sua resposta ao ver que cinco homens a cavalo vinha justamente em sua direção. Ele logo começou a pensar que as coisas nunca eram fáceis para ele, nunca. Os homens se aproximaram. Um deles puxou o revólver, apontou para Jerusalem Jones e disse:

- Só queremos o caixão, nada mais.

Jerusalem Jones fez que concordava, e começou a se virar para descer da carroça, já pensando em abaixar a tal alavanca. Porém, para sua surpresa, ele viu que, na verdade, existiam duas alavancas, e o velho desgraçado não mostrou isso. Para piorar ele não lembrava qual das duas era para abaixar.

- Vamos logo com isso. Saia daí que um dos homens vai assumir a carroça. Você pode refazer o caminho a pé mesmo. Não adianta tentar ir ao xerife, não somos conhecidos por essas bandas.

- Jerusalem desistiu de tentar lembrar e apertou qualquer uma das duas. Fez isso e pulou da carroça. Foi aí que um pandemônio teve início. A tampa do caixote pulou uns dois metros, como se tivesse sido cuspida. E, de dentro do caixão, um homem se levantou e passou a disparar com seus dois revólveres como se fossem duas pequenas metralhadoras. Jerusalem se jogou ao chão, para que não acabasse indo pro Inferno no meio daquele tiroteio. Mas os cinco não tiveram a mínima chance. Os revólveres do defunto eram do capeta. Os tambores giravam loucamente e as balas simplesmente não acabavam. Ele não apenas matou os cinco bandoleiros, mas fez uma verdadeira peneira de seus corpos. O som das balas saindo de suas armas era ensurdecedor. Quando, por fim, o homem viu que não restava mais ninguém vivo, travou as armas, olhou para Jerusalem e disse:

- Ameaça dirimida, parceiro!

O homem podia estar tudo, menos morto. Mas a sua voz era... era algo assust... não, não era bem assustadora, era irritante. Parecia o barulho de aço sendo arranhado. Jerusalem levantou devagar e bateu a poeira da roupa. Ao olhar o indíviduo mais de perto e com mais atenção, Jerusalem notou duas coisas. Primeiro, a pele do sujeito estava refletindo o sol e segundo... o fulano era Jesse James!!! E ele estava estendendo a mão para que Jerusalem Jones subisse na carroça.

- Qual o seu nome, parceiro? - Perguntou Jesse James naquela voz que fazia os dentes de Jerusalem Jones trincarem.
- Jerusalem Jones.
- Notável coincidência, não. Temos as mesmas iniciais replicadas. - De que diabos ele estava falando?
- É, sim... temos. - Jerusalém não conseguia tirar os olhos daquela pele estranha. Algo estava muito errado. Será que ele estava falando com um morto-vivo, ou coisa do tipo? Jerusalem atraía esse tipo de esquisitice.

- Minhas referências não estão completas, Senhor Jones. O senhor estava me levando para onde eu seria totalmente indexado. Porém, enquanto estava em estado suspenso dentro do recipiente, tive tempo de reformular alguns conceitos pré-indexados. - Jerusalem olhava-o hipnotizado. - Resolvi eu mesmo adquirir referências teóricas e práticas de acordo com o tempo-energia de que disponho que, pelos meus cálculos, devem ser uns 50 anos antes de eu ter de me preocupar com isso novamente. Ainda não desenvolvi todos os padrões de elementos sensitivos que propõe sentimentos, mas quero que saiba que, mesmo assim, estou agradecido pelo que fez. Um conselho, Senhor Jones, não vá a cidade onde pretendia fazer a entrega deste que vos fala, não vão gostar de ver que o senhor perdeu a mercadoria. Fim da transmissão.

- C-como assim mercadoria? E meu dinheiro...?

Sem mais nada dizer, Jesse James, ou o que quer que aquilo fosse, desceu da carroça e partiu em direção ao horizonte, sem cavalo, sem água, apenas andando. Aliás, um andar muito estranho, diga-se de passagem.

Jerusalem lembrou que ainda tinha metade do pagamento, e que já era uma boa grana. Não procurou entender muito bem o que aconteceu ali, apenas jogou o que restou do caixão fora e pôs a carroça em movimento. Heyá!!!

Ao longe um coiote uivou, mas como era de dia ainda isso não fez diferença...


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