domingo, 8 de outubro de 2006

JJ em Olhe Lá no Céu!

JESUSALEM JONES - OLHE LÁ NO CÉU!





Jerusalem Jones gostava do deserto, um lugar solitário e esquisito, assim como ele mesmo. Entre uma cidade e outra, uma aventura e outra, ele dormia pelos desertos, à luz de uma fogueira, olhando as estrelas e pensando em sua estranha vida. Pois bem, estava Jerusalem Jones fazendo exatamente isso, quando ele notou que uma das estrelas começou a aumentar de tamanho de repente. Ele ficou ali, deitado, com as mãos atrás da cabeça, apoiado a uma pedra, olhando aquilo, paralisado. Era incrível, mas a estrela estava aumentando cada vez mais. Apenas quando já era tarde demais, ele percebeu que a estrela estava, na verdade, vindo em sua direção.

Jerusalem Jones "acordou" e saiu correndo em direção ao cavalo. Pulou na sela, esporou o bicho e tentou correr o máximo que podia. Mas era tarde. O que quer que fosse aquilo, atingiu o chão perto de Jones, e lançou ele e o cavalo metros a frente. Pedra e poeira caíram sobre ele. Tossindo, ele se levantou e viu que o cavalo estava mais ou menos bem, só parecia não querer levantar de onde estava, como se estivesse muito cansado de tudo aquilo que passava ao lado (quer dizer, embaixo) de Jerusalem Jones. Suspirou e deitou a cabeça.

Jones bateu a poeira da roupa e olhou na direção da cratera aberta pela tal "estrela". Pequenas chamas rodeavam o local e havia algo dentro dela. Ele se aproximou cauteloso e viu que era uma coisa ovalada. Parecia quase como uma bala de canhão, só que mais enfeitada. Sem saber o que pensar ou fazer sobre aquilo tudo, Jones já estava para pegar seu cavalo e ir embora, quando ouviu um chiado forte e a coisa começou a abrir uma portinhola na parte de cima. Depois de sair muita fumaça de dentro - uma fumaça estremamente fria - deu para ver que havia dentro... um bebê!

Um bebê? Jerusalem Jones olhou ao redor, como se esperasse que alguém aparecesse para explicar tudo aquilo, mas, é claro, isso não ia acontecer. O bebê parecia bastante saudável para quem acabara de sofrer uma queda daquela dimensão. Ele erguia os braços na direção de Jerusalem Jones e fazia aqueles barulhos engraçadinhos que bebês costumam fazer. Jones sentiu uma coisa estranha dentro de si, algo que nunca sentira antes, seus olhos começaram a marejar sem ele saber porque. Jones não sabia, mas ele estava sendo sensível. Pena que não duraria.

Quando já estava até pensando em um nome para o filho das estrelas, que adotaria como seu, recebeu uma espécie de raio vermelho bem no ombro, vindo dos olhos do garoto. Jones deu um grito tão alto, mas tão alto que o eco durou alguns segundo para dissipar pelo deserto. O moleque assou o seu ombro esquerdo. Queimou como o inferno.

O moleque soltou uma risadinha de bebê que soou extremamente diabólica. Logo em seguida, ele começou a... flutuar! O desgraçado estava voando! Quando Jones viu os olhos do bastardinho ficarem vermelhos de novo, sacou de sua arma, tentando não pensar que aquilo era uma criança mas, sim, uma cria do Capeta. Quando disparou, Jones achou que tinha errado, pois o trocinho nem se mexeu, apenas disparou outro feixe de calor que por pouco não acerta a cabeça de Jones. Atirou de novo, dessa vez descarregando as armas no filho da mãe. Então Jones percebeu, ele era à prova de balas. O moleque riu de novo, e aquilo fez a espinha de Jones congelar.

Ele começou a flutuar em direção a Jones, e ele só tinha uma coisa a fazer, correr e muito. Quando deus as costas para o bebê, sentiu um rajada forte de vento, em suas costas e foi derrubado. Ele sabia que tinha sido ele, nem precisa ver para saber. Levantou antes que ele pudesse chegar em cima dele, olhou na direção de umas pedras mais a frente, onde poderia se esconder, e ia correr na direção delas, quando sentiu um vento no pé da orelha e viu que o moleque já estava lá, antes dele. As coisas não iam bem.

O trocinho começou a voar na direção de Jones e colocou um punho esticado para a frente, enquanto voava. Os panos de bunda que o envolviam eram vermelhos e azuis e estavam enrolados nele, mas quando ele começou a voar nessa posição, parecia que o corninho tinha uma espécie de capa. Jones pensou em como tudo aquilo era ridículo. Foi quando recebeu um soco no queixo. Ah, o punho estendido era pra isso...

Jerusalem Jones rodopiou e caiu. Não desmaiou, mas quase. Mas pouco adiantava estar acordado. Provavelmente era o fim de tudo, para Jerusalem Jones. O garoto estava em cima do peito dele, olhando na direção de sua cabeça. Os olhos estavam de um verde vivo e parecia que ele vasculhava algo dentro de Jones. Ele deu aquela risadinha irritante, quando seus olhos voltaram ao normal. Mas não por muito tempo. Começaram a ficar vermelhos de novo. E mirava a cabeça de Jones. Ele ia fritar seu cérebro e nada podia ser feito quanto a isso. Ou quase nada. Jones viu o céu ficar pontilhado de luzinhas verdes e de repente uma chuva bizarra teve início. Eram pedras pontiagudas, verdes. Uma delas atravessou as costas do moleque.

O grito que que a criança deu foi macabro. A coisa começou a meio que a derreter, a pele se desfazendo. Em pouco tempo só restou o esqueleto, em cima de Jerusalem Jones. Que tirou de cima de si, com um pavor e um nojo inesquecíveis. A chuva foi rápida e Jones deu graças a Deus de não ter sido atingido por nenhuma das pedras, mesmo que algumas estivessem bem perto dele. Ele não sentia nada perto delas. Pelo jeito só afetava o bacurinho mesmo. Sabe-se lá porquê.

Olhando em direção ao troço de onde o moleque saíra, ele viu que uma das pedras maiores atingiu o objeto em cheio, enterrando-o. Melhor assim, ele não estava mais curioso e não queria mais saber de adotar ninguém que viesse do céu, nem que fosse Jesus Cristo.

Seu cavalo, na hora da chuva, não foi bobo e se escondeu. Jesusalem Jones foi na direção dele, quando algo pequeno deu uma pancada forte em sua cabeça. Ele olhou pro chão e viu um anel verde. Pegou e viu que tinha um desenho de algo que lembrava uma lamparina. Colocou em seu dedo e viu que cabia. Ficou vendo se acontecia algo e nada. Esperou mais um pouco e nada. Sem querer guardar lembranças, tirou e atirou para trás com um palavrão.

Sem que Jerusalem Jones visse uma luz verde havia formado um dedo médio apontando para cima.


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