segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Roland Bishop - Conclusão

A ESTRANHA MORTE DE ROLAND BISHOP
CONCLUSÃO


Anteriormente no Rapadura Açucarada:

Roland Bishop foi atropelado e morto enquanto apenas atravessa despreocupadamente em um sinal fechado. Depois de ser levado por estranhos paramédicos que injetaram algo que o ressuscitou, acabou em um laboratório maquiavélico onde o seu corpo (e de muitas outras pessoas) terminou de ser ressuscitado, sendo transformado em um zumbi. O fantasma de Bishop, no entanto, acompanhava de perto as desventuras de seu corpo, antes sem vida. Para piorar, viu seu corpo-zumbi ser encaminhado para um teletransportador, e sendo munido de um cinto com explosivos, sendo agora um zumbi-bomba. Ao ver seu corpo entrar no teletransportador, Bishop não pensou duas vezes e o seguiu, para saber para onde seria enviado. É aqui que nossa história continua.


Senti um empuxo estranho que parecia me dividir em bilhões de partículas. Eu e meu corpo zumbi estávamos sendo teletransportados e eu, em alguns instantes, saberia para onde.

Quando senti que eu era novamente recomposto, e abri os olhos, foi que eu percebi: eu havia aberto meus olhos!!! O meu eu-fantasma, no processo de teletransporte, fora reunido novamente ao meu corpo-zumbi. Mais ou menos como naquele filme a A Mosca, ou algo parecido. Eu sentia minnha vida plagiando um filme velho. Meio desconcertado ainda, me sentindo tonto, e com muitas dores de um corpo muito estragado, foi que comecei a ouvir as explosões à minha volta. Eu estava no meio de uma guerra. E o meu cinto começou a zumbir. Estava se preparando para explodir, e eu estava no meio de soldados, e acho que estava em algum lugar do Oriente Médio.

Tentei mostrar que me rendia, mas ele gritavam muito e apontavam as armas para mim. Eu precisava tirar o cinto, mas eles não pareciam entender isso. Eu gritava que tinha de tirar o cinto, eles gritavam mais alto. O cinto zumbia mais alto. Não tinha opção, meti a mão e arranquei o cinto ao mesmo tempo que levava uma saraivada de balas. Ainda consegui jogar o cinto longe e escutei a explosão, antes de apagar.

... ... Quando acordei, eu estava em um lixão. Estava por cima de outros cadáveres. Quando me pus de pé, caí e saí rolando até a base daquela montanha de lixo e cadáveres. O lugar devia feder muito mas, felizmente eu não conseguia sentir isso. Parecia que era uma das vantagens de morar agora em um corpo de zumbi. Uma das outras vantagens que eu conseguia divisar mais rapidamente era que eu não podia mais ser morto tão facilmente. E o que quer que tenham injetado em meu cérebro fez com que as feridas das balas cicatrizassem, apesar de os ferimentos do atropelamento ainda permanecerem.

Me sentei um pouco adiante, num velho banco de cimento,que ficava diante do lixão, e tentei entender toda a situação. Quando eu cheguei, apareci no meio de um pelotão do exército. Antes de ser fuzilado pude perceber que outro zumbis explodiam logo adiante, junto a outros agrupamentos militares. Obviamente os americanos haviam inventado um novo modo de atacar tropas do Oriente Médio, ou seja lá onde eu estivesse. Era uma guerra biológica inusitada.

Os soldados que me fuzilaram, achando que eu estava morto (e eu nem sei mais se estou ou não estou), me jogaram nesse depósito de lixo e mortos. E agora eu não faço a mínima idéia de como vou sair daqui, ou de como vou voltar para meu país. Sou agora um morto-vivo que não sabe se está mais morto ou mais vivo. Parecia que as coisas não poderiam piorar. Parecia.

Uma chuva pesada começou a cair.

Eu me sentia terrivelmente cansado, mas meu corpo agora parecia não mais se cansar, era um cansaço interno. Comecei a caminhar na chuva, sem saber para onde ir. Ao longe os sons da batalha chegavam até mim. Zumbis-bomba. Que idéia ridícula. Esses caras andaram vendo muito filme B. Isso deve ter saído da cabeça daquele presidente idiota.

Estava assim, perdido em devaneios, quando senti uma aproximação e, quando me dei conta, vi que eram alguns soldados americanos. Apontavam sua armas para mim. Logo entendi tudo. Eu devia estar com algum sinalizador em meu corpo, ou roupa (ou o que restou dela) e eles me localizaram. Todos os zumbis deviam ter pro caso de algo dar errado e o governo poder limpar a sujeira. Bom, os faxineiros chegaram.

Dois soldados brutamontes me agarraram e me jogaram na traseira de um jipe do exército, onde fiquei junto a outros soldados, que me olhavam como se eu fosse um extra-terrestre, ou coisa parecida. O jipe nos levou até uma base americana e pude perceber que eu seria reenviado de onde vim, de avião. Percebi que todos se espantavam quando me viam. Não sabia se pelo fato de eu estar com aquela aparência de zumbi, ou apenas por eu ser um zumbi que não explodiu de acordo com o planejado.

- Como foi que essa coisa sobreviveu?! - perguntou um cara com jeito de comandante, confirmando a segunda hipótese.
- Não sei, senhor. Nós o encontramos através do sinalizador, loge do campo de batalha. - disse um dos soldados que me carregava.
- Bom, coloque-o no avião e mande-o de volta. Aqueles idiotas que tiveram essa idéia imbecil devem querer seu lixo de volta.

Sem que percebesse, um cara vestido como se fosse um médico, injetou alguma coisa em meu braço e eu apaguei na hora. Claro, eu não achava que as coisas seriam tão fáceis assim.

Acordei totalmente grogue, dentro do avião. Acho que não era bem isso que tinham em mente, que eu acordasse aqui, mas sim, lá no laboratório dos cientistas malucos. Creio que os efeitos das drogas não são os mesmos em corpos "zumbificados". Acreditando que eu estava manso, nem mesmo me prenderam. Estou sozinho aqui na traseira do avião. Vejo alguns pára-quedas espalhados e, assim que penso como seria bom pular dali, o avião sofre um solavanco. Nossa! O que será que aconteceu? Sinto que estamos caindo.

Sem esperar mais nada, enfio desajeitadamente um pára-quedas e é quando, na mesma hora, a frente do avião termina de explodir e eu sou lançado fora do avião que, enquanto caio, vejo terminar de virar uma bola de fogo. A explosão quase me ensurdece. Estou caindo e não consigo abrir o pára-quedas. Pedaços do avião passam por mim, quase me atingindo. Não consigo achar o troço de puxar, para abrir o pára-quedas. Não consigo. Acho que me mesmo meu corpo de zumbi vai sobreviver à queda. Cadê... a... porra... da.. CORDINHA?!

Vou me esborrachar. Virar patê de zumbi. Vejo a terra se aproximar mais rápido que nunca. Vejo que vou cair numa região metropolitana, mas não faço idéia de onde seja. Vejo prédios, alguns descampados, eu vejo que vou morrer... novamente. Ainda tento encontrar a cordinha desesperadamente, quando finalmente encontro e puxo. O pára-quedas se abre me puxando para cima e começo a cair suavemente.

A pergunta é, onde está o localizador que implantaram em mim? Preciso tirá-lo, para que não me encontrem novamente. Pensando nisso, é que aterriso todo sem jeito em um parque, escapando assim de bater em algum prédio. O pára-quedas me cobre. Tiro-o de mim, e olho em volta. Não consigo mesmo identificar onde estou. Será outro país? É bem possível.

Quando largo o pára-quedas de lado, percebo uma pessoa correndo em direção ao parque onde estou. Depois mais uma, mais outras e, quando vejo, uma multidão está correndo, apavorada, sendo perseguida por uma outra multidão, sendo essa dos meus amigos zumbis. Sim, era uma cena típica dos filmes de George Romero. As pessoas gritavam em minha língua, e zumbis estavam atrás delas, uma multidão deles. Pelo jeito não demorou nada para que o "Projeto Zumbi" desse errado.

A multidão passava por mim, e muitos se apavoravam ao ver que eu também, era de certa forma, um zumbi, e corriam para longe. Logo a multidão de zumbis os alcançou e aquilo tudo não foi nada bonito de se ver. Uma carnificina a qual eu assistia meio indiferente. Os zumbis passavam por mim, sem se importar se eu estava ali. Um deles ainda parou e me cheirou, e viu que eu não era mais carne fresca.

Senti uma tristeza profunda ao constatar que eu não era nem humano, nem zumbi. No novo mundo que estava chegando, eu estaria totalmente sem um lugar. Provavelmente os humanos não me aceitariam, e eu não fazia muita questão de ser aceito pelos zumbis. Me senti meio desolado. Coloquei as mãos nos bolsos rasgados de minha calça, e me pus a caminhar. Comecei a assoviar a musiquinha que tocava no final do Incrível Hulk sempre que David Banner ia embora de algum lugar.

Um pensamento engraçado passou por minha cabeça: eu me sentia morto de cansado.


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