domingo, 10 de dezembro de 2006

JJ e o Encontro Insólito

JJ: ENCONTRO INSÓLITO NO DESERTO

Eu gosto do deserto, isso é um fato. Outro fato no entanto, é que é no deserto que me acontecem as coisas mais estranhas e inesperadas. Talvez no fundo eu goste de coisas estranhas e inesperadas. Sim, estou tocando nesse ponto porque esses dias aconteceu mais um desses estranhos casos que parecem me perseguir aqui pelo deserto. Talvez o mais estranho de todos.

Eu vinha de Start City e ia na direção de Ending City, atravessando o deserto, e não estava nada contente por ter perdido dinheiro no jogo. Estava chateado por mais de um motivo, já que o dinheiro não era meu e, sim, um pagamento que fui incumbido de fazer aos irmãos McNeill. Certo, eu achava que estava com sorte e resolvi usar o dinheiro do resgate do pequeno Bob Laughton, que havia sido sequestrado há 12 dias pelos tais irmãos. Convenci o pai do Bob de que eu poderia levar o dinheiro em segurança e resgatar o garoto. É incrível como as pessoas acreditam em qualquer um hoje em dia.

Certo, não me olhem desse jeito. Eu apenas sou fraco quando se trata de jogatina. Perdi toda a grana e ainda tive de empenhar minhas armas. O pobre Bob estava em maus lençóis. De certa forma eu tinha intenção de resgatá-lo sim, mas ficaria com o dinheiro, mandando os irmãos McNeill para o inferno. Como exatamente eu iria fazer isso, no caminho eu ia decidir.

Como nada disso saiu como planejado, fui atravessando o deserto indo para bem longe. Se o pai do Bob me pegasse, não haveria quem me salvasse. Bom, mas como eu ia dizendo, eu passava pelo deserto, nessa travessia que costumo fazer em tantos outros desertos e que já me renderam algumas aventuras bizarras, quando eu vi um caveleiro ao longe se aproximando rápido. Não pude deixar de notar que ele carregava alguém junto. Alguém pequeno. Quando ele ia passar por mim à toda velocidade, eu quase caí do cavalo de susto: O DESGRAÇADO ERA A MINHA CARA!!!

Acho que ele passou tão rápido que não me notou. Parecia com bastante pressa. Resolvi ir atrás e quando o alcancei, foi que ele se deu conta da semelhança que havia entre nós e parou. Ficamos meio que estupefactos por um tempo, até que um dos dois resolveu falar, eu, no caso:

- Somos irmãos que se perderam ou algo assim? Qual é seu nome?
- M-meu nome é Jerusalem Jones. E o seu?

Eu não podia acreditar, era algum tipo de brincadeira. O que estava acontecendo afinal?

- Quem é o garoto com você, posso saber?
- Cara, eu não sei o que está acontecendo aqui, até as nossas vozes são idênticas. O garoto se chama Bob Laughton, eu acabo de resgatá-lo e estou levando o garoto e o dinheiro de volta para o pai dele. Espero que os dois consigam reconstruir suas vidas depois desse pequeno constrangimento.

Minha cabeça estava doendo demais. Quando ele disse essas coisas é que notei que haviam algumas diferenças entre nós dois: ele parecia mais... mais... honesto. Já ia comentar sobre isso quando olhamos os dois para um outro cavaleiro que se aproximava e eu, não sei o motivo, sabia que era outro Jerusalem Jones. E não deu outra.

Ele se aproximou de nós dois, tinha um olhar insano, e estava com o mesmo garoto na garupa, só que um pequeno detalhe: o garoto estava morto, esfaqueado. O novo Jerusalem Jones estava coberto de sangue. Ele não parecia ver nenhum problema em estar diante de mais dois parecidos com ele, e disse:

- Reunião de família? Hehehehehe? Hein? Reunião, é... hehehehehe. Tenho que entregar essa encomenda ao velho Paul Laughton. Eu disse que resgatava o filho dele... hehehehehe... só não disse como o entregaria! Heheheheheeheh... vocês precisavam ver o que fiz aos irmãos McNeill. Pena que não consegui me controlar e deixar o garoto vivo.. heheheheeh.

- Porque diabos você matou o garoto? - Perguntou meu eu mais honesto.
- Porque o Demônio das Sete Chaves ocultas falou comigo enquanto eu cagava em Barrows City. Ele disse que se eu fizesse isso eu salvaria o mundo e ganharia a simpatia dele. Ah, e porque eu estava sem fazer nada.

O meu eu mais honesto ia retirar o revólver do coldre, quando um quarto cavalo vinha se aproximando e, claro, havia alguém sobre ele. Mas dessa vez parecia ser uma mulher. Respirei mais aliviado ao constatar isso. Mas isso durou pouco, pois quando a mulher se aproximou, estava vestida como uma pistoleira e... se parecia comigo também. Ver meu rosto emoldurado por cabelos compridos e com batom não foi nada animador. Eu me senti tonto. O meu eu psicopata perguntou:

- E aí, querida? Você também é da família? Qual seu nominho? - Disse ele babando.
- Meu nome é Jerusalena Jones, e o primeiro que rir do meu nome, leva chumbo.

Ela não tinha ninguém na garupa. Mas parecia ter participado de algum tipo de luta, pois parecia bem machucada. Por curiosidade, eu perguntei:

- Você estava tentando resgatar alguém?
- Roberta Laughton, filha de Paula Laughton. Cheguei tarde demais. Mas consegui dar cabo nos assassinos. Mas o que diabos significa isso tudo, porque todos somos tão parecidos e porque diabos esse maluco está com um garoto idêntico ao que está vivo na garupa ali do outro?

Foi quando ela disse isso que vi que o garoto que ainda estava vivo olhava para todos nós de boca aberta, como se estivesse vendo fantasmas, e eu nem podia culpá-lo. Eu estava querendo apenas continuar meu caminho e deixar aquelas cópias de mim mesmo, para trás. Quando dei sinal de que ia partir, meu eu insano sacou da arma para atirar em mim, quando meu eu honesto se meteu na frente e levou o balaço. A garota Jerusalena sacou da arma e atirou no doido, bem no peito, mas não escapou de levar um tiro bem na cabeça. Eu fiquei ali, em meio àquela carnificina. Todo mundo morto, menos eu e... o garoto.

Vi que os corpos tremeluziram e foram desaparecendo, mas o garoto ficou. Talvez por estar vivo, não sei. Me veio a idéia de que eu devia compensar o fato de ter perdido o dinheiro do Paul Laughton, e levar o filho dele de volta. Mesmo que não fosse exatamente o mesmo, afinal o original já deveria estar morto a essa altura.

- Vem, garoto. Vou te levar pra seu pai. - Ele subiu na garupa e partimos de volta para Start City.

Eu não sei o que aconteceu ali, nem faço muita questão de saber. Quando estava de volta para a cidade, um outro cavaleiro passou por mim, achei que ele parecia muito comigo, só que era negro. Eu estava com pressa e não queria mais pensar em cópias alteradas de mim mesmo. Apenas segui em frente.

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