quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

JJ e o Homem Mascarado

JERUSALEM JONES E O HOMEM MASCARADO


Até agora não entendi porque diabos estou sendo perseguido por um mascarado, cavalgando um cavalo branco e por um índio que o acompanha. Só podem ser bandidos.

Tudo começou quando o Sr. MacTargget do Banco de Pennsilville resolveu me confiar uma tarefa meio que secreta: desvio de dinheiro. Sabendo do meu caráter, digamos, maléavel MacTargget sabia que podia confiar em mim, por uma pequena comissão. Nada que eu já não tivesse feito antes para ele. E nada que fosse realmente crime, no pleno sentido da palavra, já que MacTargget sabia o que estava fazendo. Ou pelo menos eu pensava que sabia. Então me pus a caminho, levando a grana comigo, para a cidade vizinha, para entregar ao outro sócio de MacTargget, que cuidava de toda essa parte. Tudo ia muito bem, até que esses dois se puseram em meu encalço, atirando, sem mais nem menos.

Enquanto isso...

No Banco de Pennsilville o Sr. MacTargget sabendo que está em maus lençóis, a ponto de ser descoberto pelos banqueiros para os quais trabalha, resolveu jogar a culpa em cima de alguém... esse alguém sendo Jerusalém Jones.

- Sim, isso mesmo Sr. Cavaleiro Solitário, ele acabou de sair com mais uma leva de dinheiro, o qual vem sistematicamente arrancando do banco. As autoridades locais nada conseguiram fazer para capturá-lo, assim sendo resolvi recorrer ao senhor e a seu amigo índio.

- Fique tranquilo, meu caro senhor, nós capturaremos o meliante.


E foi assim que..

Eles vão acabar me acertando. O jeito é revidar. Totalmente sem jeito eu saco a arma e dou dois tiros para trás, sem nem mesmo olhar, pois estou preocupado demais em conseguir manter distância deles. Depois que atiro, um silêncio toma conta de tudo, ficando apenas o galopar do meu pangaré. Será que...?

Quando olho para trás, vejo os dois estatelados no chão. Seus cavalos galopando sem rumo. Eu os acertei de primeira?! Como? Resolvo voltar lá só mesmo para ter certeza do que fiz. Quando chego perto, o índio está morto com um tiro no meio da testa, e o mascarado eu acertei no estômago, não vai viver muito tempo.

- Se deu mal, né? Achou que ia levar a grana fácil. Tudo bem, eu não sou nenhum rei do gatilho, mas parece que a sorte está do meu lado às vezes. Quem são vocês, afinal?
- C-c-cavaleiro s-solitário... e esse é... era o meu parceiro...
- Hmmm... mas peraí, se ele era seu parceiro, como você poderia se auto-intitular Cavaleiro Solitário? No máximo poderia ser o Cavaleiro do Parceiro Indígena.
- T-tonto!
- Ok, você que tem o apelido estranho, e eu que sou tonto?
- N-não, imbecil! O... cof... cof... nome dele... era Tonto!! Cof... Cof! Tivemos... muitas aventuras juntos!
- Aventuras... sei. Sabe, em alguns Estados mais radicais isso dá até pena de morte.
- S-S-SEU LADRÃOZINHO ESTÚPIDO! DO QUE ...COF... COF... DIABOS VOCÊ ESTÁ FALANDO?
- Peraí!!! Peraêeeee.... ladrãozinho é a mãe. Quem de nós dois usa máscara aqui? Eu estou de cara limpa e fazendo um trabalho honesto...bem, na verdade, quase honesto, mas dá no mesmo. E você, você sim tava me perseguindo pra me roubar.
- E-e-eu sou um Ranger, s-seu a-animal... cof...cof...! Um Ranger Solitá...
- Mas e o ín...
- T-tá, tá, tá... e-esquece a p-porra do índio, merda! J-já ouviu... cof...cof... cof... f-falar em licença p-poética alguma vez, s-seu desgra...çado!
- Não sei porque tá irritado. Me perseguir atirando, sem se identificar, não é uma atitude muito digna de um Ranger.
- Cof... Cof... o gerente... do... banco de... P-Pennsilville... disse...cof... q...que... você...o... cof cof...roubava.
- Ohhh, isso, entendi! É... quer que eu limpe esse sangue da sua boca, cara? É o mínimo que posso fazer.
- Sim, obrigado. E-eu... eu me exal...tei. Ac-acabei fumando um pouco das e-ervas que Tonto s-sempre t-trás consigo e... assim... elas af-afetaram m-minhas d-decisões.
- Cê tá falando de cannabis?
- E-ERVAS M-M-MEDICINAIS, DROGA! T-t-totalmente legalizad.... cof...cof...

E dizendo isso, o Cavaleiro Solitário que andava acompanhado, deu seu último suspiro. Gostei da máscara e dos revólveres. Peguei-os para mim, podem se úteis. Quando abro o tambor, de um deles, vejo que as balas são de prata. É, o cara pode ser azarado, e meio esquisito, mas tinha um certo estilo. Merece até ser enterrado decentemente... mas não por mim, infelizmente. Estou com pressa.

Merda! Meu cavalo sumiu. Por perto só vejo o cavalo branco do mascarado. Reparo nas esporas um nome gravado, Silver. Deve ser o nome do bicho. Assovio para ele, que nem olha pra mim, então o chamo:

- AÍ... ÔOOOOOOO... SILVEEEEER!!!! - E ele vem.

FIM



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