domingo, 25 de março de 2007

JJ e o Monstro de Ferro

JERUSALEM JONES E O MONSTRO DE FERRO

O monstro de ferro amassou a delegacia de Village Old Town City. e apenas o xerife Wild Gruppy escapou, sendo que Billy Boas Maneiras estava atrás das grades, portanto... adeus, Billy. Mas o monstro queria mesmo era a mim. Soltando vapor por todos os lados, o bicho de mais de 20 metros gritava:

- "JONESYYYY!!!"

Tudo bem, a culpa foi minha. Tudo começou com uma piada inocente feita a um oriental, no Armazém do Grabbie. Ele estava lá, comprando todo tipo de parafuso e metal que o Grabbie possuía, quando eu, depois de ter tomado umas no Salloon do Arnold Backinsale (que agora não existe mais, vá com Deus), puxei conversa:

- E aí, china, pra quê tanto parafuso e placas de metal?

- Eu não sou chinês, Mr. "Jerusarem Jonesy", sou japonês.

-Uau, tô ficando famoso, já me conhecem até na China...ops, Japão.

- Não. Apenas já me alertaram contra a sua pessoa, Mr. "Jonesy".

- Tá certo. Só queria fazer uma pergunta. Algo que sempre comentam acerca dos homens orientais.

- Diga logo, tenho pressa. Não tenho o dia todo livre como certas pessoas.

- Isso foi injusto. Mas tudo bem. Me diga, é verdade o que dizem sobre o "negócio" do japonês ser muito, mas muito pequeno?

- Negócio, que negócio? Eu não sou comerciante, Mr. "Jonesy".

- Hmmm.. com "negócio", eu quero dizer braúlio, bilau, pinto, estrovenga, ou numa linguagem mais coloquial, pênis!

Nessa hora eu vi o japa ficar vermelho como um tomate, ou mais até. Pensei que ele fosse explodir. Ele pareceu estar paralisado, mas logo vi que não, quando ele meteu a mão no bolso e puxou a arma mais minúscula que eu já tinha visto em toda minha vida, e apontou para minha cabeça. Provavelmente disparava grãos de arroz:

- Mr. "Jonesy", no meu país existe um velho ditado que diz: "Não é o tamanho que importa, e sim o modo como se usa". - E dito isso, ele disparou.

Plec, plec, plec...

A arma do japa engasgou, e em seguida explodiu em sua mão. Claro, eu não pude manter minha boca fechada, vendo essa ironia do destino:

- É, eu acho que os boatos sobre as coisas miúdas "made in japan" são verdadeiras!

- Mr. "Jonesy", a honra é algo muito importante em meu país. Esteja amanhã ao meio-dia em frente ao "Saroon" de Mr. Arnold "Backinsare" para um duelo até a morte.

- Não vou faltar. Venha com uma arma maior. Mr...

- Kyosama Tenchigui! - E foi embora levando seus parafusos e placas de metal.

E ele veio, ao meio-dia. Ele chegou de trem. Um trem que estacionou bem em frente ao Saloon, deixando toda a cidade em polvorosa. Claro, afinal, ali não havia trilhos e a estação ficava do outro lado da cidade. Ele ainda possuía mais dois vagões, ou algo semelhante a isso. Eu não estava entendendo porque o japa estava ali num trem. Bom, eu não estava entendendo até ele dar um sorriso maroto de dentro da cabine e puxar uma alavanca.

Se a coisa já estava esquisita, ficou pior ainda. O trem começou a se transformar em outra coisa. Com muito ruído e muita fumaça - pois ele parecia funcionar a vapor, como os outros trens comuns - ele começou a ficar de pé! Se transformou em uma espécie de monstro de ferro.

As maioria das pessoas corriam com medo e gritando, mas muitas ainda permaneciam para saber no que aquilo ia dar. O saloon do pobre Arnold foi o primeiro a ser destruído. A coisa não conseguia andar direito e ao tentar vir em minha direção, esmagava tudo que estava à sua frente, ou dos lados.

O bicho era tão grande que eu entendi mais ou menos a ironia da coisa toda. O japonês estava tentando me esmagar como um inseto. Pra ficar mais excitante, o troço soltava fogo, como um dragão. Aquilo devia estar consumindo carvão de uma forma absurda.

O barulho das engrenagens que o faziam andar era ensurdecedor. Eu tentava ficar o mais longe possível, mas correr só piorava as coisas, pois aquela máquina estava destruindo toda a cidade tentando me capturar.

Eu ficava me perguntando como essa história ia terminar. Bem que isso poderia ser apenas um sonho e eu acordar, mas acho que isso já havia sido usado demais. Eu precisava me livrar daquilo de alguma forma. Não havia outra saída.

Eu consegui montar em um cavalo qualquer e disparar na direção da saída da cidade e ir a toda para o deserto. Imaginei que como aquilo era bem pesado, não conseguiria andar tão rápido. Olhei para trás e suspirei aliviado, pois a máquina estava saindo da cidade, vindo na minhha direção. Provavelmente o deserto ia acabar com o japonês e suas reservas de carvão. Até lá eu já estaria long... hã... como? Como pode ser? O monstro VOA?! Todo aquele peso? Como pode?

Não podia acreditar, mas agora aquilo ia me alcançar em questão de minutos.

Quando o bicho aterrisou, o barulho fez com que meu cavalo se assustasse e me derrubasse. O monstro de ferro levantou um pé enorme e já ia me esmagar, quando eu vi o brilho de uma espécie de estrela bem sobre ele, descendo. Um clarão mais forte me cegou completamente, e eu não consegui ver o que estava acontecendo. Corri como pude para longe do que parecia ser uma batalha entre o monstro de ferro e alguma outra coisa que parecia só saber gritar "HUÁC".

Me escondi em uma pedras, ainda cego. Quando todo aquele barulho de luta ensurdecedor parou, eu só escutei o som de ferro sendo amassado e depois um último "HUÁC", e senti que algo foi embora.

Me encostei na pedra e esperei um bom tempo, até que minha cegueira provocada pelo clarão foi embora. Consegui enxergar e olhei para onde tudo aconteceu. Só havia uma gigantesca bola de ferro retorcido e o corpo do japonês totalmente nu, jogado para o outro lado.

Fui até lá para ver se o idiota ainda estava vivo. Pude constatar que ele estava respirando apesar de estar muito mal.

- O que aconteceu, japa?

- De novo... aquele maldito... Ultr.... cof... - e desmaiou.

Dei um chute no lado do desgraçado, isso porque eu não sou de guardar rancor. Coloquei-o sobre o cavalo para entregar ao Xerife. E... hmmm... que tem demais? Conferi os documentos do japonês e... é, realmente os boatos, pelo menos no caso dele, são bem verdadeiros. Minúsculamente verdadeiros.


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