segunda-feira, 24 de setembro de 2007

JJ Correndo no Deserto


JERUSALEM JONES - CORRENDO NO DESERTO
Mais Uma Aventura Desmedida Deste Pistoleiro



"Estou correndo pelo deserto, coberto de trapos, como se fosse um selvagem. O vento parece me levar para lugar algum. Corro pelas planícies, me sentindo como um animal que está caçando. Não há nada mais por perto, apenas eu mesmo correndo, ouvindo tambores de guerra batendo forte em algum lugar. Mas logo me dou conta de que não são tambores, e sim meu coração que parece querer explodir em minhas têmporas. Uma canção primitiva dentro de mim."

Annie recebeu uma quantia razoável para fazer o que tinha de fazer: seduzir e envenenar Jerusalem Jones. Parecia algo simples: colocar o veneno em sua bebida, depois de um rápido momento de "amor". E, Annie pensava, "graças a Deus que esse paspalho era realmente rápido, pois este não parecia conhecer a palavra 'preliminares'. Talvez para ele não tivesse sido inventada ainda".

Annie pegou o pequeno frasco que lhe deram, e despejou na garrafa que o grande "amante" trouxe para o quarto. Ele havia oferecido a bebida a ela, mas ela não se atreveu a beber daquilo. Se o cheiro era terrível, imagine o gosto.

Isso tudo foi enquanto ele foi ao banheiro e voltou. E, ele bebeu direto da garrafa. E caiu. Annie saiu de fininho.

"Eu pulei continuava a correr, percrustando cada espaço que o deserto ensolarado me permitia enxergar. Eu precisava me alimentar, e teria de ser algo fresco. Porém, nada além de árvores ressequidas e arbustos tristes parecia habitar aquele lugar. Então, eu apenas corria. Meus pés descalços sentiam cada grão de areia, como se os conhecesse de longa data, a todos eles. Um rugido parecia querer sair de dentro de minha garganta, tão gutural quanto um leão dentro de um poço profundo."

Jerusalem Jones foi abordado por Annie de repente. A moça - que era moça apenas como força de expressão - começou com uma conversa estranha, chamando Jerusalem de "um homem muito interessante", que ele logo deduzia ser uma maneira de dizer "você é feio, mas tem pouco homem nessa cidade". J.J. não estava querendo se questionar o porquê daquela garota extremamente bonita e que deveria cobrar caro em outras ocasiões estar, obviamente, tentando seduzi-lo e... de graça!

Alguma coisa não cheirava bem - além do próprio J.J. - mas ele não estava em posição de rejeitar tal presente, mesmo que fosse de grego. Então, arrumou logo um quarto, pegou sua garrafa - que conseguira a tanto custo - e partiu para atravessar uma noite inteira de "amor". A expressão "dormir com ela", não faria parte de seu dicionário hoje.

"Pulei troncos caídos e avistei um animal adiante. Pude divisar que era um búfalo e isso me fez correr mais rápido. O animal pareceu sentir meu cheiro, e se assustou. Solitário, como eu, ele começou a correr o maus rápido que podia. Mas eu corria mais, minhas pernas se flexionando como se tivessem molas bem calibradas. Minha boca se encheu d'água quando eu senti o medo do animal vindo pelo ar. Eu estava quase o alcançando".

J.J. chegou na cidade e foi diretamente ao local que o trouxera de longe até ali. Depois de conseguir o dinheiro necessário para comprar o que queria, finalmente ele chegou na pequena e escondida venda de O'Hare. Betsy O'Hare era uma mulher mais velha do que aparentava, mas que ninguém sabia sua idade ao certo. Jones não viera aqui para saber isso.

Depois que J.J. fez um "pequeno" favor para O'Hare, ela disse que, agora sim, poderia vender para ele a bebida que todos só conheciam por lenda e que ninguém acreditava realmente que existisse. Ninguém se metia com O'Hare o suficiente para descobrir. E, quando um jovem bastardo tentou conseguir os segredos de O'Hare através de seu coração - e logo em seguida o estraçalhou - , O'Hare recorreu à Jerusalem para consertar o que ela mesma quase estragou. Mas, ainda assim, ela precisava de dinheiro, pois o que ela tinha, não era barato, nem fácil de conseguir.

"Pulei sobre o búfalo e rasguei sua carne como se fosse um bife suculento e macio. Um frenesi se apossou de mim, e eu não parei até que tivesse saciado a minha fome. Toda ela. Eu tão selvagem agora, quanto o animal que estava em minha boca. Minha satisfação era tal que eu quase tive um orgasmo. Depois de matar minha fome, corri até um lago, para saciar minha sede."
Annie foi abordada por uma mulher que ela nunca viu nos arredores. Ela levou um bom tempo conversando com Annie e convencendo-a lhe prestar um pequeno serviço. Annie entendeu que a mulher conhecia sua reputação, para pedir-lhe algo assim.

Além do dinheiro oferecido, a mulher contou sua história triste, talvez para criar alguma empatia. Disse que tudo aquilo era por amor, e que ela devia apenas colocar aquele veneno na bebida de um tal Jerusalem Jones, que matou o amor de sua vida, enviado por Betsy O'Hare.

"Por que, então não matar Betsy O'Hare?" A mulher estremeceu e disse que ela devia fazer apenas o que ela pedia. Ninguém se metia com Betsy O'Hare. Ela explicou que o veneno era de ação rápida e que ela não teria nenhum problema. Seria um trabalho limpo. Não havia como errar. Misturado em qualquer bebida comum, o veneno seria fatal.

"Quando terminei de saciar minha sede naquele lago límpido, uma estranha fome voltou a se abater sobre mim. E avistei outro búfalo ao longe... e eu corri, corri como o vento, sentindo o cheiro de seu medo em minhas narinas."

Jerusalem Jones acordou no dia seguinte, em um beco. Sua roupa estava em trapos. E ele, coberto de sangue. Sua cabeça doía como se ele estivesse com duas ressacas ao mesmo tempo. Na verdade, três. Sua garrafa, que custou tão caro e foi tão difícil de conseguir - O'Hare disse que não haveria uma segunda, por dinheiro algum - estava perdida. Ele sabia disso.

J.J. correu até a pensão, se escondendo aqui e ali, e conseguiu chegar lá, sem ser visto. Sim, a garrafa estava vazia, caída ao chão. Depois de tomar um banho e pegar umas roupas, decidiu que estava na hora de ir embora.

Quando estava quase saindo da cidade, ouviu um grupo de pessoas conversando sobre duas mulheres encontradas no deserto, totalmente esquartejadas. J.J. sentiu vontade de vomitar. Sentia seu estômago embrulhando. Sua cabeça girava e ele quase caía do cavalo.

Conseguiu se manter na cela e quando já estava fora da cidade, ainda olhou para trás, e viu Betsy O'Hare apontando para ele, e fazendo um sinal de "não", e depois apontando para si mesma e balançando a cabeça sinalizando "sim".

Jones conseguiu lembrar, então, que o sangue era seu. Vomitou-o, teve espasmos - que deve tê-lo feito rasgar sua roupa - mas sobreviveu ao que quer que tenham colocado em sua garrafa. E, graças ao que tinha na garrafa, com certeza.

Pois é, ninguém se metia com Betsy O'Hare. Nem com quem ela considerasse seu amigo, por um mínimo que fosse.

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