terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A Era do Rádio


A ERA DO RÁDIO EM MINHA VIDA
Uma Época Vivida Quase Toda em AM


Sentem-se crianças, para "escutar" a história de um tempo em que não havia televisores (para alguns) e nem Internet... para ninguém! Não, não precisa soltar um grito de horror, você já está crescidinho demais para isso. Mas, é a verdade, e isso nem mesmo faz tanto tempo assim. Não foi após a extinção dos dinossauros, nem depois da queda do Império Romano. Foi há pouco tempo, bem antes de você nascer, o que faz parecer que é muito tempo.

Minhas lembranças do rádio são muito confusas e se entremeiam muitas vezes com a falta de uma TV em casa. Porém, acho que isso nem sempre foi verdade. Creio que eu escutava rádio mesmo tendo uma TV na sala. A mania de escutar certos programas de rádio eu sei que aprendi com meu pai. Claro que transmissões de futebol não eram comigo. Afinal, o que diabos aqueles locutores estavam falando?! Os jogadores nem se moviam tão rápido quando a língua daquele pessoal.

Não, isso não era para mim. Nunca gostei de futebol (com excessão da Copa do Mundo, como a de 1978, por exemplo). O que herdei de meu pai foi o programa A Turma da Maré Mansa. Era uma espécie de A Praça É Nossa no rádio, só que engraçada. O nome vinha do patrocinador oficial do programa, a loja de roupas (onde, aliás, meu pai sempre comprava suas roupas em várias prestações) A Impecável Maré Mansa.

Mesmo assistindo aos Trapalhões - que na época eram engraçados, e não esse arremedo de humor chamado Turma do Didi - eu ainda me fascinava pelo humor ágil do programa de rádio. Devido ao tempo decorrido e à minha péssima memória, é difícil relembrar os quadros, mas sei que em sua maioria, eram todos bem engraçados. Um que me lembro bem, era chamado "De Barroso a Burroso", onde um ator representava um personagem muito burro. Muitos dos atores, eram os mesmo que atuavam - ou viriam a atuar - em programas de humor da TV.

Por incrível que seja, quando fiquei adulto, ainda andei comprando umas roupas na tal loja que dava nome ao programa. Era como se isso fizesse parte de algum ciclo estranho que começou com meu pai.

Outro ícone do rádio que fez parte da minha vida - e da de muita gente, com certeza - foi a Rádio Relógio. Queria acertar o relógio corretamente e escutar curiosidades? Era só levar o dial até a Rádio Relógio e escutar algo como "14 horas... 28 minutos... zero segundo... tu... tu... tu... você sabia que... o Orangotango da Malásia é originário da África?" Ou algo assim.

Os sessenta segundos até o próximo minuto a ser dito, eram preenchidos por essas curiosidades, como uma distração para que a pessoa não ficasse de saco cheio enquanto esperava saber a hora exata. Vou te dizer, aprendi muita coisa ali, que infelizmente, esqueci todas.

Mas, claro que no rádio, assim como em tudo na vida, as coisas não eram flores, e tínhamos - e temos até hoje - a famigerada Hora do Brasil todo dia às 19:00, quando toca aquele hino e o rádio fica(va) uma hora sem poder ser ouvido, pois só vinha besteirada política e notícias chatas. Mas, nada que não fosse curado às 21:00 hrs, quando começava A Turma da Maré Mansa.

Mesmo o rádio estando acessível via Internet, eu não escuto, como gostava de escutar quando criança. É interessante ver como a tecnologia não consegue exterminar com algumas coisas, como alguns pensam que vai acontecer sempre que esta surge. Minha mãe ainda ouve, religiosamente, ao meio-dia à Patrulha da Cidade, um programa onde as notícias (geralmente sobre crime e violência) são encenadas de forma hilária. E, em lugares remotos, onde a TV ainda é um luxo e a Internet é um mito, as pessoas ainda dependem do rádio para se distrair e saber das notícias.

Ainda falando sobre a Internet, é engraçado ver como os podcasts são como programas de rádios feitos por amadores e pessoas que entendem um pouco de edição de som. É a tecnologia reciclando velhas idéias em novos formatos. E assim tudo acaba se transformando e retornando. Só os dinossauros não retornam.

Bom, crianças, esta foi mais uma história do Vovô Eudes e a Fantástica Fábrica de Delíros da Memória. Até a próxima e se escanear não beba, e se beber tome um Engov.

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