segunda-feira, 21 de julho de 2008

Audrey Spitzhein


O LONGO DESPERTAR DE AUDREY SPITZHEIN
Um Conto Sobre as Peripécias de um Estranho
A Equipe O avançava pelas ruas da cidade em seu furgão equipado com tecnologia ultra-secreta de rastreamento. Era tudo uma questão de tempo. Afinal, tudo SEMPRE é uma questão de tempo na vida, pensava o Sgt. Roskowitz...

***

Audrey acordou como sempre fez todos dos dias de sua vida. Porém, esta manhã tudo parecia estranhamente diferente, distorcido, estranho. Audrey Spitzhein levantou-se, foi até o espelho e notou que sua barba estava por fazer. A barba sempre o fazia lembrar de como seu nome de mulher não combinava em nada com ele. Tentou lembrar porque lhe deram esse nome e não conseguiu. Aliás, não estava conseguindo se lembrar de sua infância. De absolutamente nada sobre ela.

O mais estranho é que ele não estava se sentindo mal com isso. Parecia simplesmente que se libertara de algo que vinha carregando e que não era seu. Suas memórias estavam voltando e não eram exatamente sobre sua vida como Audrey Spitzhein. Quem sabe eram suas memórias de uma vida passada. Logo ele, Audrey, um ateu convicto, sendo invadido por memórias de uma vida passada.

Ainda se olhava no espelho enquanto sua mente se enchia de imagens de grandes construções piramidais em um lugar repleto de uma areia quente e vasta. Por um instante Audrey se pegou sorrindo, pensando que ele poderia ter sido Cleópatra. Afinal, todo mundo que tinha experiências com vidas passadas sempre era Cleópatra, nunca eram aquele escravo que a ficava abanando com uma folha de bananeira ou algo parecido.

Audrey lavou o rosto tentando se livrar daquelas lembranças que talvez fossem apenas resquícios de um sonho mal acabado. Precisava fazer a barba, tomar banho, se arrumar e ir trabalhar, ainda que não se lembrasse onde é que trabalhava.

Levou a lâmina até o rosto e, quando uma lembrança apareceu em sua mente como um flash, sua mão sofreu um espasmo causando-lhe um corte. Não doeu. Não sangrou. Mas sentiu que sua pele descolou, e ficou solta como um pedaço de plástico pendendo, pedindo para ser puxado.

Audrey segurou o pedaço de pele cuidadosamente e virou o lado do rosto em que se encontrava aquele ferimento, para o espelho. Ficou ali olhando e analisando por um bom tempo, como se já esperasse ver o que viu. Tentou recolocar a pele de volta no lugar, mas sentiu que isso não seria mais possível.

Se afastou da pia, sentou-se no vaso sanitário e começou a tentar arrumar as memórias que estavam aparecendo em sua mente. No meio de imagens desconexas ele pôde "ouvir" uma voz do passado dizer:

"Seu nome será Audrey Spitzhein, e você ficará no setor T1, com a força-tarefa 207, composta de 4.800 indíviduos, incluindo você. A missão dea força-tarefa 207 é recolher informação e transmiti-la. Nada mais.

Sr., Audrey, para os terráqueos, é nome de fêmea.

Não nos contradiga, Sr. Z45rsTsR. Nossa missão vem sendo planejada há séculos. Acha que não sabemos sobre nomes de machos e fêmeas?"


Audrey estava confuso. Mas a pele solta e o que havia por trás dela, não deixava muita margem para ele pensar que ainda estivesse dormindo. Passou o dedo sobre a pele por trás da pele e a sentiu áspera, dura, fria. Mas, se ele não era humano, por que não se lembrava disso?

"Para que nossa missão seja um sucesso, cada indíviduo terá que passar por um período de adaptação em que será implantado as memórias de um ser humano e ele esquecerá temporariamente quem é na realidade. Viverá como um deles. Quando sua memória for reativada em 3 semanas, sua missão começa de verdade. Com tudo que as forças-tarefa nos informarem, invadiremos o planeta em cerca de um mês terrestre, sabendo exatamente como e onde atacar."

Então, era isso, se passaram as três semanas?

Audrey notou seu relógio de pulso. Entendeu então o que signifcavam os números abaixo, que só ele conseguia - por ser quem era - decodificar. Marcava o tempo para o incio da sua missão. Marcava... três anos e meio! Sentiu sua boca se tornar ácida. Um enjôo. Ele estava como humano a três anos e meio?

O banheiro tinha uma pequena janela que dava para a rua. Ele morava no terceiro andar de um prédio. Abriu a janela e olhou para a rua. Era uma manhã calma, mas muito movimentada. Prédios e mais prédios sendo reconstruídos. Alguns ainda em pedaços, sem chance de serem salvos. De onde estava podia ver uma praça onde havia um tipo de monumento, era uma espécie de estátua de um soldado segurando o corpo morto de um... oh, Grande Serpente Eterna!

Audrey vomitou, vomitou e pôde reparar que ele não era mesmo humano, quando fez isso. Pôde perceber pelo monumento e pela recosntrução daquela parte da cidade, que nada foi como seus superiores previram. Chegou mesmo a ver destroços de uma nave sendo usada como parque de diversões pelas crianças.

Mas, porque os três anos e meio?

"Chamando base 1. Chamando Base 1. Meu aparelho de camuflagem apresentou defeito durante o teleporte. Não está acionando. Não está acionando. Está apresentando curto-circ... curt...tzzzz.... Audrey Spitzhein, sou Audrey Spitzhein."

Oh, foi isso.

Quando Audrey entendeu o que aconteceu com ele, o banheiro foi invadido pelo que parecia ser um destacamento do exército terráqueo, e o capturaram.

- Sargento, conseguimos. É ele mesmo. Um dos que foram deixados para trás, como os outros. O de número 134 nos Estados Unidos.

- Mais algum sinal de outro sirgoriano no apartamento?

- Não, Senhor. Ele está sozinho, como todos os outros. Não são muito sociáveis. Só não entendi porquê demoramos tanto para encontrar esse.

- Não importa, Caldwell. Nossos cientistas do exército vão saber encontrar essas e outras respostas dele. Vamos embora e chamem a Turma de Limpeza. Vamos.

... ... ...

- Audrey? Você ainda está no banheiro, querido? Eu fui ao closet procurar nosso álbum de casamento para ver as fotos que vamos mostrar ao nosso bebê quando ele nascer. Tudo bem que não dá nem pra saber o sexo ainda, mesmo a gente tendo tentado e a ultra nao ter mostrado grande coisa... Audrey...? Audrey, cadê você....?

- Audrey...?


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