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domingo, 4 de outubro de 2009

Helô nos Pinheiros


O RIO DE JANEIRO É UMA AVENTURA

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Entrei no táxi correndo, fugindo de meus perseguidores. Olhei para os santos que o taxista trazia no painel do carro e pensei comigo mesmo, "preciso que me ajudem". O taxista perguntou pra onde eu queria ir e, aturdido, sem pensar, disse "Pão de Açucar". Acho que estava com fome.


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Pedi que ele corresse o mais rápido que pudesse. Disse que daria uma gorjeta de 5 reais, e ele fez uma cara estranha, que não entendi bem o que significava e, estranhamente, andou o mais devagar que podia até chegar ao meu destino. Desci, paguei e dei apenas 4 reais de gorjeta e disse a ele que assistisse mais filmes de ação. Ele fez uma cara de pastel e foi embora.


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Corri para o bondinho, paguei o ingresso e esbarei com uma miniatura do Pão de Açucar. Acabei por me perder admirando aquilo e esqueci que eles estavam chegando cada vez mais perto. Vinham do passado para impedir que eu fosse para o futuro salvar o filho de meu neto que ia nascer em breve e salvar o mundo da Google Incorportation Arms and Technologies.


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Não posso perder tempo, tenho que escapa... oh, lembrancinhas!


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Depois de encher a bolsa com alguns presentes para os parentes que vou encontrar no futuro, entrei no bondinho, olhei firmemente para o condutor e disse que se ele fosse o mais depressa possível, daria a ele 5 reais de gorjeta. Ele me olhou mais esquisito que o taxista e fechou a porta com um tranco.


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Assim, fugindo do passado, foi que acabei me dando conta de que nunca tinha ido ao Pão de Açucar, e também nunca vira o Rio de Janeiro tão assim de cima, sempre estando ali embaixo, vendo tudo tão de perto que a tal Cidade Maravilhosa parecia não existir. Mas ela estava ali o tempo todo.


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Há nove anos morando no coração do Rio de Janeiro, nunca fiz nenhum programa de turista e nunca me preocupei com isso. Mas, tudo tem sua primeira vez. Lá do alto, até mesmo andróides assassinos criados por Dom Pedro II pareciam coisas do passado. Hã.. e eram.


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Procurei me misturar às pessoas, mas quando tentei me misturar à esposa de um alemão, ele não gostou nadinha e me deu um safanão que me deixou todo misturado. A babel de idiomas que se levantava à minha volta fazia com que eu não soubesse o que estavam conversando. Poderiam ser agentes infiltrados e eu estava à mercê deles e... droga lá vem o alemão de novo.


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Depois de chegar à primeira fase do Pão de Açucar foi que me dei conta de que correr para ali não foi uma boa idéia. Não havia para onde fugir. Imagino quanto tempo demorariam para me encontrar. Mesmo depois de ter tirado o chip implantado na minha cabeça, acho que eles ainda tinham como saber onde eu estava. Ah, preciso comprar um boné. Esse circulo aberto, sangrando, no topo da minha cabeça está chamando atenção.


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Depois de comprado o boné, passei a me comportar como um turista comum. Não sei se era convincente o bastante, já que eu olhava em volta assustado a cada barulho esquisito que ouvia. Quase joguei uma menininha pela amurada que estourou um balão de gás próximo ao meu ouvido.


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Ainda posando de turista, notei que haviam telescópios que podiam ser usados pagando-se 1 real. Um homem cuidava do mesmo. Fui até ele e disse que daria-lhe 5 reais se ele pudesse fazer o telescópio ir o mais... eeeei, não me dê as costas enquanto estou falando. Eu sou um turista! T-U-R-I-T-S- ah, que se dane. Babaca.


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Usei o telescópio para localizar meus agressores do passado, mas a cidade era o esconderijo perfeito para eles. Afinal, onde mais pessoas vestidas com roupas do século 18 (eu não vou escrever em algarismo romano) poderiam passar despercebidas, e ainda mais sendo andróides assassinos. Apenas no Rio de Janeiro. Minha única esperança é que uma bala perdida os encontrasse.


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Quase enchi as calças quando o helicóptero apareceu de repente, com seu barulho ensurdecedor. Mas eram apenas turistas. Mas, naquele momento pensei que essa era minha chance de escapar. Se eu conseguisse entrar no helicóptero, poderia sair dali pra qualquer lugar distante escapando assim, para sempre. Se eu soubesse pilotar é claro. Próximo plano.


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Olhei para os barcos na Praia de Botafogo, mas isso era impossível. Fugir de barco seria lento demais. A única coisa que eu queria mesmo saber era, qual daqueles era o Lady Laura do Roberto Carlos. Ao me perguntar isso, lembrei da música e a desgraçada não saiu mais da minha cabeça: "Me leve pra casa Lady Laura..."


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"... me conte uma histó..." saaai da minha cabeça, diabo! Fui para o outro lado do mirante, tentando ver se algum deles já estariam ali, mas tudo parecia normal e tranquilo. As pessoas tiravam as habituais fotos e eu mesmo estava chateado por não ter uma câmera fotógráfica. Se uma daquelas coisas chegar aqui ao menos posso perguntar se têem uma câmera na bunda ou algo assim.


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Por um momento resolvi tentar recapitular e me lembrar como fui parar em toda aquela confusão. Olhando ao longe, minha mente vagueou para o passado, jogou para a esquerda, ultrapassou o Fiat 147, acelerou e foi embora e eu não consegui mais alcançar. Tudo continuava um mistério. Só lembro dos andróides monarquistas arrebentando a porta do meu apartamento e eu fugindo pelos fundos.


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Para garantir distância, peguei o segundo bondinho e fui para a segunda etapa do passeio. Mais alto, mais seguro, ou não. Só sei que sentia-me no topo do mundo. Uma sensação agradável que tomava conta de mim cada vez mais. Ou eram apenas o 4 calmantes que tomei de uma só vez quando vi que estava sendo perseguido.


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Eu estava com medo. Medo do que poderia acontecer se eu fosse capturado. Tudo que eu perderia. As minhas anotações. As verdades que eram contadas nelas e que fariam a diferença no mundo quando fossem publicadas e toda a verdade viesse à tona. Só faltava escolher um título. Acho que "1000 Receitas Imperdíveis de Dobradinha" estava bom.


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Mas, nada disso tinha importância agora. Eu precisava me distanciar cada vez mais deles. Tinha que entender o passado para reinventar o futuro e, também, tinha de aprender com quantos paus se faz uma canoa para o caso de eu virar um náufrago ou coisa parecida, mas estou divagando.


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Estou enrolando eu sei. Cada minuto que passa meu destino está mais e mais incerto. As máquinas que me perseguem querem fazer suco de mim, como no Master Juice Walita, ou pior. Subo mais para cima, pois para baixo não tem como, me escondo nos recônditos do Pão de Açucar. E olha que eu nem sei o que são recônditos.


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Mas, acho que ainda há esperança. Se o neto do meu filho, no futuro, voltar para o passado e impedir que Dom Pedro II nasça, acho que as coisas podem acabar bem. Ou pelo menos não podem ficar pior do que estão. Não sei. Minha máquina do tempo não está comigo, por isso não posso escapar com ela. Ela é ativada com rabanetes e eu preciso ir ao Horti-frutti antes.


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Perdido em pensamentos acabo nao percebendo que eles já me acharam. Mas, se não percebi, como sei que estava perdido em pensamentos e eles me acharam? Cara, essa história só não está pior porquê não tem aqueles mutantes da novela da Record. Mas tá faltando pouco pra isso.


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Sou capturado. Não tenho como escapar, três deles me seguram e suas mãos de aço não deixam eu me movimentar. De repente consigo soltar um dos braços e meto a mão no bolso para pegar minha pistola laser Beta Caroteno. Porém, quando puxo, só vem um pedaço de Ana Maria amassado que esqueci de comer.


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Aceito a derrota calmamente e eles me enfiam com cuidado dentro do bondinho, me jogando de cara contra o vidro, e gritando coisas como, "trabalho desgraçado que você deu", "ter mordido meu saco, seu filho da puta", "você vai pagar por me chamar de vaca peituda que dá leite condensado", e coisas assim, que não sei de onde tiraram.


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Descemos o Pão de Açucar, olho os prédios uma última vez, sabendo que não tem mais volta. Serei levado para o passado e serei analisado com um alienígena ou uma Playboy recém-chegada às bancas. Entramos em sua nave, que parece uma ambulância comum e idiota e logo estamos de volta onde me aprisionaram da outra vez, o castelo fortificado chamado Phillipe Pinel. Olho em seus olhos, antes de me jogarem num do quartos e digo, eu vou escapar novamente, mesmo que eu enlouqueça tentando. Quem aí quer 5 reais pra me trazer um café o mais rápido possível?


FOTOS "TRANSFORMADAS" EM MAQUETE
Efeitos em Algumas Fotos Minhas by Red Daughter

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