NUNCA ME INTERESSEI TANTO POR FILOSOFIA
Atenção: não é scan e nem será digitalizado
Estou na Livraria Saraiva, no Botafogo Praia Shopping, olhando a mesma estante de quadrinhos que sempre olho quando vou lá. As HQs são diversas, mas já antigas para mim. Ficam sempre ali, apertadas umas contra as outras sem muita arrumação. Ou, se teve alguma arrumação um dia, esta já se foi, com tantos e tantos nerds mexendo e remexendo atrás de algum novo lançamento.
Não que não haja lançamentos, claro que há, mas são escassos. Assim sendo, se você vai lá todo fim de semana, já sabe o que tem por ali de cor. Então, enfio minha mão aleatoriamente e puxo uma edição que penso ser um livro de RPG (eles deixam HQs e livros de RPGs misturados, numa falta de organização que só se vê naquela seção). Logo percebo que não pode ser de RPG, já que na capa 4 personagens estranhos, ao estilo cartoon, sorriem para você.
Olho para a parte superior e vejo o título: Epicuro, O Sábio. Olho para a parte inferior e vejo os autores. Quando me deparo com o segundo nome, já decidi - em minha mente - que vou comprar a edição sem nem mesmo saber do que se trata ainda. O nome é Sam Kieth. O primeiro nome - William Messner Loebs - também não me é estranho, mas confesso que na hora não lembro de nada sobre o mesmo.
Eu ia comprar a HQ sustentado apenas na confiança que tinha no talento de Sam Kieth, esperando que o resto fosse bônus. O artista foi co-criador de Sandman, junto com Neil Gaiman. Só isso seria suficiente para validar a obra. Mas, ele ainda criou The Maxx, personagem que não é muito conhecido por aqui, mas que os fãs de quadrinhos sabem bem quem é. Já emprestou seu traço a heróis e anti-heróis como Batman, Lobo, Wolverine e outros.
Folheio o livro e logo percebo que minha decisão quase incosciente de comprá-la estava certa. A arte de Kieth transborda pelas páginas. E, se estou parecendo um nerd babão falando assim, é porquê foi exatamente assim que fiquei na hora. Viro o livro e leio a sinopse, entendendo que é algo sobre filosofia, gregos, e etc. Mas, a parte que mais me chama a atenção, é uma citação: "Lembra dos filmes de Bill e Ted? As aventuras do trio (Epicuro, Platão e Alexandre) de Messner-Loebs e Kieth são mais inteligentes e engraçadas".
E, falando agora do que se trata o gibi, Epicuro é um filósofo que quer ter sua própria escola de filosofia, mas que está tendo dificuldades para isso, seja por esbarrar com Sócrates, que monopoliza a filosofia na área, seja por ter de toma contar de um Alexandre que ainda não é O Grande, mas - como um filme da Sessão da Tarde - apronta altas confusões.
Seu único amigo de verdade é o também filósofo Platão que, apesar de grande amigo, é um fervoroso "fã" de Sócrates, e quer porque quer agradá-lo de toda maneira, assim como todos os outros filósofos da área. Porém, Sócrates só trata como ser humano a Aristóteles, seu aluno.
No entanto, Epicuro tem problemas mais sérios com que se preocupar: os deuses. Hades, Hera, Zeus, Apolo e Dionísio. Por toda as 168 páginas, Epicuro tem que livrar os outros e a si mesmo da ira de tais deuses, com suas paixões, ciúmes e luxúrias. Isso tudo sem deixar de continuar lutando para ser um ilustre filósofo.
Devo confessar que nunca antes me diverti tanto com Filosofia. O texto de William Messner-Loebs (roteirista de quadrinhos tradicionais de super-heróis) é bem humorado e inteligente. A linguagem dos personagens "traduzida" para o nosso modo de falar comum, incluindo gírias como "playbozinho", entre outras, faz a coisa toda ficar mais surreal.
O mais incrível de tudo é a HQ não ser um lançamento, mas já estar no mercado há dois anos, tendo sido editada pela Conrad, com capa dura e papel couché, com direito a extras e tudo mais. Um tesouro que faz por merecer seu preço salgadinho de 54,00. Não sei se é fácil de encontrar por aí, mas qualquer coisa, é só ir à loja da Conrad (jabá sem cobrá, dá pra aguentá?).
Talvez eu seja apenas desinformado e todo mundo conheça Epicuro, o Sábio. Mas, sei que realmente fazia tempo que eu não lia algo tão divertido, com uma arte tão arrojada e fazia tempo também que eu não usava a palavra "arrojada" em uma frase.
Li em dois tempos e resolvi fazer este post para que quem não conhece, saiba da existência de tal publicação. Ou da não existência, se formos nos pautar por alguns filósofos, é claro.
SHE-RA COMO VOCÊ NUNCA VIU ANTES
Direto do Twitter, via @Blaffert, por @celosantos

















































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