quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Envelheço na Cidade


E CHEGAMOS A 7 ANOS DE RAPADURA AÇUCARADA
Em Todos Estes Anos Nesta Indústria Vital

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Minha mãe chega em casa carregada de compras que foi fazer com meu pai. Ela me olha de um jeito engraçado e puxa de dentro de uma das bolsas de compra... um gibi! Meu coração acelera como se estivesse ganhando uma bicicleta de presente no Natal. Eu pego a revista e vejo o título, Mestre do Kung Fu. Eu olho pra ela e para a revista e hoje eu tenho certeza do que eu pensei, mesmo que não lembre: "ela me entende, e eu a amo".

Sim, eu devo a minha paixão pelos quadrinhos à minha mãe. Portanto, esse blog se tornou o que se tornou por causa dela, da Dona Sebastiana (ou Tiana, como todos a chamam). Também devo a ela essa compulsão por compartilhar. Minha mãe dividia (e divide até hoje) tudo comigo. Se ela gostava, queria que eu gostasse também. E, se eu gostava, ela também gostava. Fosse música, filmes ou mesmo os gibis. Mesmo que ela não lesse, ela sabia que eu curtia tudo aquilo.


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Além da minha mãe, meus tios também me influenciaram. Minhas tias também traziam gibis pra mim e, um dos meus tios, Sálvio, era um verdadeiro Professor Pardal. Sempre inventando algo. Além disso, ele se metia até mesmo a fazer histórias em quadrinhos em seus cadernos de desenhos, tendo feito histórias do Ultraman que eu lia como se fossem gibis de verdade. Ainda mais, ele mexia com eletrônica e seria por meio dele que eu saberia da existência de algo chamado internet, ainda num futuro muito distante.

Eu mesmo não me interessava por nada que envolvesse eletrônica, e achava qualquer coisa que envolvesse construir alguma máquina, complicado e extremamente maçante. Quando ele começou a mexer com computadores eu achava aquilo interessante, mas não achava que fosse pra mim. Eram divertidos, mas complicados. Provavelmente eu nunca iria mexer em algo daquele tipo, pensava eu.


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O tempo se encarregaria de mostrar que eu estava errado. Que não apenas eu, mas o mundo todo mexeria com aquelas coisas, sendo expert ou não. Mas, que utilidade teria? As respostas seriam meio contundentes e durariam sete anos.

Meus primeiros contatos com a internet foram escassos e quando tive minha própria conexão, bom, era discada, num PC 486 com 300 MB de HD e nem lembro quanto de memória, mas devia ser muito pouca. Eu estava já há uns dois anos afastado do mundo da religião, então não tinha mais travas quanto a navegar na internet, principalmente sobre onde ir e com quem falar.


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Porém, a internet para mim ainda era um mundo estranho e sem muita utilidade. Não sabia muito o que fazer. Num salto de pelo menos mais dois anos, agora casado, eu continuava sem saber muito como utilizá-la.

Até que, certo dia, não lembro exatamente como, eu caí dentro de algo chamado uol.cinema, através do Outlook Express. A partir daí sim, a história do Rapadura Açucarada começava a tomar forma. Ele não existia ainda, mas ali, naquele lugar que na teoria, era pra ser discutido cinema e, no entanto, de cinema era o que menos se falava, ali foi onde a idéia do RA começou a nascer.


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Eu já contei essa história várias vezes, mas a verdade é que não me canso de contá-la. Depois de já estar há um bom tempo apenas conversando com o pessoal do uol.cinema (era praticamente o que faço no Twitter hoje em dia) algo diferente aconteceu:

Eu havia lido uma HQ do Deadpool publicada num mix da extinta Editora Pandora. A história era sobre o anti-herói voltando no tempo e indo parar em uma história antiga do Homem-Aranha, desenhada pelo John Romita. Aquilo me impessionou tanto que eu acabei comentando no uol.cinema (hoje Trollnet).

Então um dos que leram o que escrevi, o Fábio Negro, disse, "escaneia uma página e manda pra cá".


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Devo dizer aqui, que quando ele disse isso, não fazia idéia de como escanear algo, apesar de ter um scanner a pelo menos um ano e meio, que NUNCA fora usado.

Aquele pedido me remeteu diretamente a 6 meses antes, quando encontrei na internet o site Toca do Carcaju. Lá, maravilhado, encontrei para baixar (página por página), gibis que eu não lera e outros que queria reler, como Marvels e Batman: Cavaleiro das Trevas entre outros. Baixei tudo e li, e esperei por mais. Só que não veio. A Editora Abril exigiu que o site parasse com suas atividades.

Quando o Fábio Negro me pediu aquilo, seis meses depois, eu entendi que era exatamente o que o Carcaju fazia. Com muita dificuldade escaneei uma página da história do Deadpool e enviei. Aquilo foi como uma picada de aranha radioativa, uma explosão de bomba Gama, ou um isótopo radioativo em meus olhos que não me deixou cego, mas que me fez enxergar. EU PODIA FAZER O MESMO TAMBÉM!


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Vale lembrar, claro, que no meio de toda essa história da primeira página de scan feita por mim, o Rapadura Açucarada já existia há uns dois meses. E ele só estava na ativa esses dois meses, novamente por culpa do pessoal do uol.cinema que me apoiava visitando, mesmo o conteúdo sendo muito pouco ainda.

O blog fora criado em novembro de 2002 por pura brincadeira, e acho que se não fosse por eles, ele não teria resistido tanto tempo e e eu teria desistido. Cheguei mesmo a fazer dois blogs antes do RA, que não duraram muito e nem lembro mais do nome deles. Também fui chamado pelo louco do Martorelli pra ajudá-lo em um blog seu, mas não fiquei muito tempo.

O fato é que o nome Rapadura Açucarada também pareceu dar sorte. Depois de ver blogs com nomes como "Passeata Solitária", eu entendi que blog tinha que ter nome esquisito. E, depois de um tempo pensando inventei "Rapadura Açucarada".


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Então aconteceu isso, a junção dos dois fatos: a criação do blog e, dois meses mais tarde, uma página de gibi escaneada. Essa mistura deu origem ao que viria a seguir, centenas de quadrinhos escaneados.

A evolução se deu rápido. Eu não sabia compactar então postava página por página no site Kit.Net, até que me ensinaram a compactar com o WinRar. Aprendi a limpar os scans um pouco. Colocava-os no blog. As pessoas que baixavam começaram a enviar elas mesmas os seus scans e tudo começou a acontecer rápido demais. Muito mesmo.

O blog aparecia em revistas e jornais, devido ao boom dos scans. Isso chamou atenção e, claro, tive que parar de digitalizar quadrinhos já em outubro de 2003, devido a pressão dos editores, sendo que um deles até mesmo falou comigo por MSN. A conversa foi amigável, mas eu não me sentia bem fazendo o que fazia. A dificuldade em encontrar servidores para alocar os gibis sepultou a idéia, pelo menos para mim. Assim eu pensava.


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Apesar de não colocar mais scans, eu não queria mais me livrar do blog. Era tarde demais para mim. Então, mesmo sabendo que as visitas iriam cair, já que a maioria ia ao blog apenas para baixar scans, eu resolvi continuar. Comecei a colocar links, como já havia visto em outros blogs, mulher pelada, idem. Também me arrisquei a escrever algumas memórias, e comecei a gostar daquilo. O que me deixou feliz, era que muitos continuaram visitando o blog. Não importava mais se não tinham os scans. Alguns experimentaram a Rapadura e gostaram independente de se colocava algo de graça ou não.

Mas, os scans não pararam. Outras pessoas continuavam com o trabalho. Como em qualquer compartilhamento na internet, se você corta uma cabeça, nascem duas. E nasceram muitas, até hoje. Mesmo alguns tendo intenções estranhas, o que importa é que os scans não parariam mais, com ou sem Rapadura.

Empolgado com isso, acabei voltando às atividades de digitalização em agosto de 2005, escaneando nada menos que o Volume 2 de A Liga Extraordinária. E novamente contribui com mais uma leva de scans. E, novamente, colaboradores apareceram. Para se ter uma idéia, foram feitos, através do blog, as séries Akira e Preacher, completas e continou-se com Hellblazer, Planetary, Livros da Magia. Ainda outras foram apenas iniciadas como The Walking Dead e Y - The Last Man. Muita coisa que ainda estava longe de aportar por essas bandas.


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Só que as coisas não eram mais como no começo, o blog agora era um híbrido da Era de Ouro dos Scans com a fase em que eu apenas escrevia e colocava links. Eram os scans, os links, mulher pelada, as memórias, e para terror de alguns, poesia. E tudo seguia bem, já que o blog na verdade não nasceu para ser de scans, isso foi um verdadeiro acidente ao melhor estilo das origens dos heróis dos quadrinhos.


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O blog seguia ano após ano e, obviamente, isso causava um certo desgaste às vezes, até que eu mesmo achei que devia parar, e não mais escrever, nem fazer mais nada aqui. Acreditava tanto que não queria mais, que escrevi um extenso texto dando os motivos e dizendo que ia "andar na praia". Bom, não andei na praia e não consegui ficar longe nem uma semana. Logo estava de volta produzindo mais rapadurices e vivendo altas aventuras neste blog que apronta muitas confusões.


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Tendo tomado gosto por escrever, novamente, por acidente, criei o personagem de faroeste Jerusalem Jones, a quem eu e os leitores se afeiçoaram, devido ao seu estilo bizarro de aventuras, misturando velho oeste e terror.

Os scans continuavam mas, problemas com servidores para download, novamente tornavam a idéia de parar com a digitalização uma realidade. Até que eu achei uma solução que nunca pensei que fosse possível para mim: um fórum.


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Já havia tentado um fórum para o blog antes. Como não era eu quem cuidava do mesmo, pois não sabia mexer nas estruturas, acabou não dando certo. Mas, insistindo e, com uma certa ajuda, eu acabei por inaugurar um fórum onde pudesse colocar os scans e os usuários ajudassem neste trabalho. O nome veio de uma sigla do tempo das Guerras Scanônicas: F.A.R.R.A. (algo como Forças Armadas e Revolucionárias do Rapadura Açucarada, que se tornou Fórum de Agrupamento dos Revolucionários da Rapadura Açucarada).

O fórum deu mais certo do que eu esperava e cresceu. Tanto que cuidar dele, me tirou da atividade frenética de escanear. O que na verdade foi bom, já que agora meus gibis sobrevivem inteiros (pelo menos quando não é época de aniversário do RA).

O fato é que gosto do meu blog, gosto de escrever, gosto de tê-lo no ar, mesmo que as vezes, eu não o atualize tanto quanto deveria. Mas se ele está aqui, sei que sempre posso voltar e atualizá-lo assim que der vontade. Ele é maior do que eu, e quem sabe, se bobear, eu é que sou uma criação do Rapadura Açucarada.


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PRESENTE DE ANIVERSÁRIO: GÊNESIS

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