terça-feira, 29 de dezembro de 2009

JJ: Ano Novo


FINALMENTE 1870 CHEGOU, JERUSALEM JONES


"Detesto Ano Novo", pensou consigo mesmo o velho Jerusalem Jones. "Todo fim de ano é a mesma coisa". J. J. não se sentia nem um pouco feliz com a chegada de um novo ano. Pensava apenas em encher a cara de tal forma que só acordasse no dia seguinte, em 1870.

O ano que terminava não foi nada agradável para Jones. Foi mordido por uma morta-viva, e só não morreu porque passou por uma humilhante seção de cura indígena. Por outro lado, agora não sabia mais o que era, com aquela cicatriz no pescoço e...

- Capitão, interferência. Canal ponto .9 bloqueado. Vamos ter de interromper a viagem até a pré-história para buscar mais da matéria compacta existente apenas no período cretáceo e teremos de fazer um pouso de emergência. Mas, um problema maior se faz presente, a Intercorder, ao passar pelo setor T-800 do setor V do quadrante Vendetta, entrou em uma guerra intergaláctica fora de nossa jurisdição espaço-temporal, arrastando uma de suas naves. Cadetes San e Holo, preparem a nave para um pouso forçado na Terra, no território e época do Velho Oeste. Vamos ter de cavalgar se quisermos ficar vivos.
Desde que virou sabe-se lá o que, J. J. se tornara um verdadeiro imã de coisas estranhas. E, até mesmo, passou a entender que isso já fazia parte de sua vida. Ele só não tinha percebido ainda. Parecia que tudo para Jones agora acontecia como nos livretos que lia em suas horas de folga. Daí que ele nem mesmo estranhou quando aquelas duas coisas caíram do céu, a alguma distância. A noite virou dia.

- Alferes Lucas, fomos atingidos por essa maldita nave que não consigo identificar se vem da Tríade Rebelde. Fomos arrastados por seu raio trator sem a menor cerimônia até este mísero planeta desconhecido, onde eu, Dark Saber, fincarei minha bandeira, depois de explodir com esses desgraçados que nos trouxeram até aqui.
J.J. se escondeu entre as pedras e viu que das duas coisas saíram um grupo de pessoas, cada uma parecendo ter um líder. Uma batalha esquisita se seguiu, com luzes brilhantes e coloridas cortando a noite e fazendo os olhos de Jerusalem Jones doer. O barulho era tão alto que ele se perguntava se a cidade mais próxima não escutaria. Estava no deserto, tentando passar o maldito Ano Novo sossegado, mas era pedir demais.

- Tenente Schock, tem alguma informação de quem é esse cara todo de preto que está com essa espada flamejante? (quem usa espada em um guerra interplanetária?) Ele tá acabando com nosso contingente. Temos uma missão de paz, indo onde pessoa alguma jamais esteve antes. Protejam-se!

Um dos fachos de luz chegou até J. J. e explodiu metade da pedra onde ele estava escondido. A briga estava muito feia e ele só queria sair dali, mas tinha medo que um movimento em falso seu o denunciasse e ele acabasse como a pedra onde estava antes. Foi para outra pedra que ainda estava inteira e continuou observando. Esse Ano Novo prometia começar bem.

- Aquele, com aquela camisa azul ridícula parece ser o Capitão deles. Consegui que o poder da Vontade me dissesse quem ele é. Seu nome é Quirch. Jake B. Quirch. Ele pode ser um Vedy perdido que escapou durante as Guerras Copiantes. Matem-no. Matem a todos. Não posso perder tempo aqui. Tenho que voltar e matar meu filho que é o líder da Tríade Rebelde, Jack Heavenrunner. Porque diabos eu estou narrando essas coisas enquanto estamos batalhando, eu não sei.
J.J. sabia que não ia conseguir ficar fora do problema por muito tempo. Era sempre assim. Talvez tivesse que ser assim, morrer na virada do ano. Começar 1870 como um cadáver e entrar para a História como... Ah, a quem ele queria enganar. Ninguém saberia quem foi Jerusalem Jones.

- Alferes Roddenberry, estamos sendo massacrados. Precisamos de ajuda. Tente contatar a Confederação Intergaláctica dos Planetas Unidos e os Não-Tão Unidos, para que enviem reforços. Sei que daqui o sinal pode não chegar a fonte. O espaço-tempo pode interferir e talvez morramos aqui, nada heroicamente. Esse cara de preto é assustador. Ele me lembra meu pai.

Jerusalem Jones viu que os dois lados estavam se matando, mas o do cara de camisa azul estava perdendo e o cara de preto, com uma espécie de balde preto na cabeça é que estava em vantagem. Aquela espada flamejante dele fazia um estrago. Fora que ele levantava a mão e voavam uns três ou quatro pelo ar. Foi vendo que o cara parecia do mal e o outro do bem que Jerusalem Jones pensou com cuidado na situação. Arrumou suas armas no coldre, chamou seu cavalo, pulou na sela e... foi na direção oposta, cavalgando para um Novo Ano. 1870, aí vou eu. Que se dane se é novo ou velho, só quero saber de me dar bem.

- Não sobrou quase ninguém vivo, Capitão Quirch. Espero que se entregue pacificamente para que eu possa quebrar seu pescoço com o poder da Vontade.

- Saber, é seu nome, não é? Dark Saber... cof... cof... Eu... eu acessei informações sobre você e, devido as muitas viagens no tempo que fiz, descobri uma coisa inesperada sobre ... cof... cof... sobre nós dois. Eu sou... eu sou.. eu sou seu pai, Saber.

- NÃAAAOOOOOOOOOOOO!!!

- Tá, eu não sou seu pai, só estava te distraindo para que desse tempo do dispositivo de auto-destruição ser ativado. Vamos morrer juntinhos.


BUMMMMMMMMMMMMM

Jerusalem Jones olhou para trás e só viu duas bolas de fogo se erguerem no meio do deserto numa explosão que chegou a lançar seu calor até onde ele estava. Era meia-noite e aquilo parecia anunciar a chegada do novo ano.

Jones só queria chegar em uma estalagem e descansar como não fazia há muito, muito tempo, em alguma cidade bem distante.



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