LOS CRONOCRÍMENES: CRIMES TEMPORAIS - 2007
Um dos Melhores Filmes Sobre Viagem no Tempo
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Não se deixe enganar pelo cartaz. Apesar do homem com uma "máscara" de bandagens, da mulher nua, e das mortes que ocorrem no filme, este não é mais um filme americano sobre um mascarado assassino sobrenatural. Na verdade, nem mesmo é um filme americano, é espanhol. E, também, não é terror. É ficção-científica. Sobre viagem no tempo.
Isso mesmo que você leu, um filme espanhol, de ficção-científica, sobre viagem no tempo. Você não está lendo errado. E digo mais, pode ser colocado junto A Máquina do Tempo (de George Pal) e a Trilogia De Volta Para o Futuro (de Robert Zemeckis), como um dos maiores e melhores filmes sobre o tema.
Tudo começa com um homem - que acaba de se mudar, com sua esposa, para uma casa de campo - seu binóculo e uma mulher que ele avista na floresta, tirando a roupa. Não, não temos cientistas malucos, jovens com skates, nem morlocks zilhões de anos no futuro. Apenas isso, um homem, seu binóculo, uma garota nua na floresta e um funcionário de um laboratório que resolveu fazer serão e ligar um protótipo de máquina do tempo, apenas para ver como era.
Em filmes desse tipo, sempre é ruim falar demais sobre ele e acabar estragando a surpresa. Fazia tempo que eu não assistia um filme em que a cada momento eu pensava "Nossa, como esse filme é BOM". O diretor e roteirista Nacho Vilagondo (que também interpreta o funcionário no laboratório) criou um filme tão poderoso e que ao mesmo tempo é simples, como um floco de neve, que vai se ficando mais intrincado quando observado mais de perto.
Para começar nosso "herói" não é nenhum galã norte-americano, mas um homem simples, de meia-idade que, com sua esposa, está arrumando sua nova casa. Para passar o tempo (que irônico, não?), arma-se de um binóculo e fica observando as redondezas, inclusive a floresta em frente, onde ele nota que há um certo movimento, alguma coisa acontecendo por lá, mesmo que muito indefinido. Não parece nada que perturbe sua paz... até que ele avista uma moça tirando a roupa.
Ao levantar de sua cadeira para ir, cautelosamente, ver o que se passa lá em cima, ele dá início a uma série de acontecimentos do qual poderão advir consequências cada vez mais graves.
Ao chegar no lugar onde estaria a moça, ele a encontra caída, aparentemente morta. Estupefacto, ele fica sem ação. Ele é apenas um homem comum, e nunca se viu em uma situação como essas. Por que uma moça estaria morta, nua, ali no meio da floresta. Enquanto examina a cena, agachado, e pensa nessas coisas, Hector (o nome de nosso herói) é atacado por alguém que enfia uma tesoura em seu braço. Um homem com bandagens cor de rosa recobrindo o seu rosto.
Fugindo de seu algoz, Hector adentra cada vez mais a floresta até que pula uma cerca e se refugia em um estranho lugar que não sabia existir por ali. Uma espécie de laboratório ou algo assim. É quando toca o Walkie-Talkie e uma voz pergunta-lhe quem ele é. Depois de tentar explicar, a pessoa do outro lado diz que ele estará mais seguro de seu perseguidor indo para o silo onde ele está.
Para escapar de ser morto, Hector obedece, e quando chega nessa área de segurança, um jovem está lá, sozinho. O rapaz diz para que Hector entre dentro de uma estranha máquina, a qual ele fechará, depois de entrar em seguida, e ali o assassino não os encontrará.
Sem entender por que tem que ser ali dentro, Hector não pensa duas vezes em entrar, ao vez o assassino tentando entrar no silo. O jovem fecha a máquina, mas não entra. Hector é enviado uma hora no passado. Agora as coisas só tendem a piorar.
O jovem o recebe uma hora mais cedo, saindo da máquina, e não sabe nada acerca de Hector, pois só vai conhecê-lo dali a uma hora. Hector, que não é nenhum cientista, não entende o que aconteceu, e muito menos porque ele, olhando com o binóculo em direção à sua casa, vê ele mesmo sentado de binóculos na mão.
O jovem parece tão perdido quanto ele, dizendo que não sabia que a máquina funcionava e que só estava ali porque decidiu vir no fim de semana, quando todos estão de folga. Eles agora precisam consertar a situação, ou o rapaz até mesmo perderá o emprego. Ele precisa manter Hector ali, até que o Hector de uma hora no futuro apareça e ele o envie de volta uma hora no passado. O jovem alerta a Hector para que não saia dali, pois qualquer mudança no curso dos acontecimentos dentro daquela uma hora, pode ser fatal.
Complicado, não? Mas viagem no tempo sempre é assim.
Tudo poderia até se resolver bem, mas Hector, sem entender o que está acontecendo, decide que precisa sair dali. O mesmo erro que cometeu ao sair de sua cadeira e ir à floresta. Quando percebe que ao fazer isso pode alterar alguma coisa e colocar sua vida em risco, Hector decide que ... não, eu já falei demais.
Nunca uma hora fez tanta diferença na vida de uma pessoa como na de Hector. As respostas para porque a moça estava tirando a roupa, porque foi atacado por um assassino mascarado, tudo que ele não entendia, começa a se revelar.
Um filme conduzido de maneira simples, sem nenhum efeito especial (a própria máquina do tempo é bem simples e não carece de algum efeito grandioso, a não ser um líquido branco dentro dela, no qual Hector imerge). Sem explosões, sem fogo, sem raios, apenas o fechamento da máquina e a abertura dela, uma hora antes, com um Hector aturdido sem entender porque quando ele entrou na máquina estava escuro, e agora estava dia claro novamente, anoitecendo.
O filme é despretensioso, apoiando-se apenas num roteiro muito bem costruído e em uma montagem muito bem feita. Você se faz perguntas que são respondidas logo mais à frente e pensa "Oh, merda! Era isso então. Como não pensei nisso antes. Só podia ser".
Tom Cruise adquiriu os direitos para fazer uma refilmagem, o que certamente será um desastre, pois o que faz desse filme ser o que ele é, é o fato de ele ter sido feito como foi feito. Complicado eu sei, mas viagens no tempo são complicadas.
Ah, a chamada do filme também é uma das melhores coisas: MATAR É SÓ UMA QUESTÃO DE TEMPO.
JERUSALÉM JONES III - A CONTINUAÇÃO
Escrita por Carlos Relva
Ilustração by Carlos Relva
2508: logo me espatifarei no chão. É, realmente a minha vida foi bem curta. Mas, pelo menos, impedi os planos de Frautermaier. Primeiro não deixando que o maldito cientista implantasse o cérebro de Hitler em meu crânio, depois destruindo este pobre corpo símio comandado pela mente do ex-ditador nazista.
Será que, mesmo após esta queda, Frautermaier ainda conseguirá recuperar o cérebro de Hitler da carcaça do gorila? Será que ele tentará criar um quarto ou quinto Jerusalem Jones?
O solo se aproxima... na verdade eu me aproximo dele. Mas eu ainda posso acabar, de uma vez por todas, com os sonhos de Frautermaier de recriar o terrível império nazista?
Milhões de pensamentos em minha cabeça... tão pouco tempo...
Nunca vi Frautermaier pessoalmente. O desgraçado não pode mais viajar no tempo. Morreria. Viagens temporais exigem muito esforço. O velho não agüentaria outra viagem dessas.
Ele comandou todo o projeto, o laboratório, as clonagens, à distância. Do passado. Via "ligação psíquica atemporal", ou coisa parecida. O elo psíquico entre nós ainda continua...
Sim, o elo psíquico! Ai está a resposta!
Será que consigo contatar, através do elo, meu "eu original"? Será que consigo explicar a ele o que fazer? Tenho que tentar. E tenho que ser rápido. A morte está chegando...
1879: Faz alguns meses que entreguei a estranha encomenda ao dr. Frautermaier. E desde uns tempos para cá não consigo dormir direito. Tenho sonhos estranhos. Sonho com um cara parecido comigo, um irmão gêmeo, caindo de uma torre. Sonho também com um gorila gigante com o cérebro para fora!
Desde que comecei a ter esse sonho, sinto uma vontade incontrolável de reencontrar Frautermaier. Tenho uma estranha intuição de que ele possa resolver meus delírios noturnos.
- O que você está fazendo aqui? - diz o doutor, nada cordialmente, quando me vê.
Não digo nada, e me surpreendo em perceber que estou de arma em punho. Atiro em Frautermaier quase involuntariamente. Sinto como se estivesse sendo guiado por outras mãos.
Nunca havia matado uma pessoa desse jeito. Afinal, o velho não representava ameaça alguma para mim.
Agora o pobre coitado jaz no chão. Uma poça de sangue surge rapidamente ao redor de sua cabeça. A testa perfurada pela bala, o cheiro de pólvora, as lentes grossas dos óculos trincadas...
Vou embora aliviado. Não sei do quê, mas sinto que fiz meu trabalho.
Uma longa viagem me aguarda para casa, regada a feijão e café amargo. No caminho vou pensar nessa droga que fiz.
FIM
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Confesso que outros já tentaram escrever Jerusalém Jones e nunca me agradou o resultado final, já que o personagem é algo bem particular. Os que tentaram pareciam que não entendiam muito bem o que liam, ou como deveria ser conduzida uma história de JJ. Acho que tentavam imprimir um estilo próprio e acabavam descaracterizando a coisa toda. Ao abirir a caixa de comentários e ver que alguém tinha levado a sério o "termine a história você mesmo", no post anterior a esse, achei que seria novamente uma tentativa mal-sucedida. Devo confessar, então, que me enganei. Apesar de ter um estilo próprio, não retirou o estilo de JJ. Meus parabéns e muito obrigado, Carlos. Peguei um desenho seu emprestado, para ilustrar a história. :)
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