DA BAIXADA À BOTAFOGO: O LAR É TEU LUGAR
Eu Vim De Lá, Eu Vim de Lá Pequenininho
Todas as Fotos by Eu Mesmo Honorato
Um pequeno apartamento pega fogo em uma das ruas de Botafogo (não é um trocadilho). É noite, e mesmo com o perigo que um incêndio representa, as pessoas se aglomeram em frente ao prédio. Um caminhão dos bombeiros está lá, mas nada faz além de observar. Câmeras da Rede Globo filmam tudo. As pessoas apenas assistem passivas. Quase como se fosse uma novela.
É quando a Cristiane Torloni sai de dentro do prédio, com seus grandes peitos siliconados, gritando e chorando. Raios, É apenas uma novela!
A rua foi fechada e estão filmando cenas de incêndio para a novela do horário das sete, Beleza Pura. Acho que nunca vou me acostumar a isso por aqui.
Essas coisas comuns que no bairro onde cresci não havia. Apesar de não gostar da Zona Sul como um todo, eu gosto do bairro onde vim morar depois que casei. Me acostumei a ele, apesar da diferença gigantesca com o lugar de onde vim.
Onde morava, um "entreposto" na Baixada Fluminense, quando ia à banca de jornal mais próxima para comprar algum gibi, pegava um ônibus e, ao chegar lá, tinha que torcer para que uma das minhas revistas prediletas estivessem no pedido. Aqui, e em toda Zona Sul, se esbarram em bancas de jornais umas em cima das outras, sem contar as dos shoppings e livrarias que também vendem HQ, onde se esbarra com Lázaro Ramos e sua bela esposa Thaís Araújo.
Nos quiosques de livros o atendente pergunta a outro ator global se ele faria um filme pornô e o ator responde que "foder é uma coisa muito pessoal". Na locadora recebo dicas de filmes de Othon Bastos. Onde eu morava anteriormente o máximo de dica de filme que receberia seria do Stallone, e não, não falo do ator americano, mas de um cliente da única locadora do bairro que, por apenas alugar filmes do mesmo, ganhou o apelido. Estranhamente seu primeiro nome era Silvestre. Bizarro.
Cinema onde eu morava então, era um caso sério. O que ficava no mesmo bairro da tal banca de jornal, o Cine São Francisco, acabou fechando para virar Igreja Universal. Passaram tantos filmes pornôs ali que não sei como a igreja não desabou depois de pronta.
Sobraram os cinemas mais "próximos", em Duque de Caxias: Paz, que logo fechou para virar igreja e depois C&A, o Santa Rosa, onde as cadeiras eram de madeira, e o River, que devia ser o cinema mais bizarro no qual já pus os pés. Para cinemas de qualidade mesmo eu tinha de andar mais e vir aqui para Zona Sul onde moro agora.
Mas, diga-se de passagem, onde hoje é o cinema ArtPlex Unibanco, na Praia de Botafogo, já foi também um cinema muito assustador, sendo citado até mesmo pelo Mussum em um dos esquetes de Os Trapalhões, como sendo muito medonho. Hoje em dia é o cinema onde você pode ir e esbarrar com celebridades enquanto espera o filme começar.
Não ter clubes noturnos ou casas de shows onde eu morava não me fazia falta já que nunca fui de sair para lugares assim mesmo e, mesmo aqui em Botafogo são poucos em comparação com Copacabana ou Barra da Tijuca. Mas, um dos que tem fica justamente em FRENTE à minha janela e, quando começa a tocar seu famigerado jazz a qualquer hora do dia ou da noite, haja saco para aguentar. É o nefasto Cinematéque.
O lugar reúne o pessoal "cult" que vem escutar jazz e comer feijoada. Afinal, "bacana" não come feijoada regada a samba, mas a jazz. Bom, eu nem ligaria para o lugar se ele não fizesse questão de, algumas vezes, fazer seu som "maneiro" reverberar por toda Voluntários da Pátria. Depois de quebrar a Lei do Silêncio várias vezes, acho que reclamações dos moradores fizeram com que parassem ou baixassem aquele "dum, dum, dum, dum, dum" chato, lá pelas 22 horas.
O que faltava de postos de saúde e hospitais onde eu morava antes, aqui transborda, sendo que um deles é o que vou sempre para meu tratamento. Claro que os etabelecimentos de saúde pública deixam a gente querendo que nem mesmo existissem certas vezes, pois isso não muda.
Depois de muitos anos um bairro próximo de onde eu morava ganhou um posto grande de saúde e aqui ao lado, onde moro agora, também há um, chamado UPA (que posso dizer, deveria significar Unidade de Pronto Aborrecimento). Apesar de estarem em lugares diferentes, funcionários e médicos tem a mesma atitude de "se ganho pouco vou trabalhar mal", como se a culpa fosse dos pacientes.
Certa vez ao ter uma crise falta de ar, lá no posto do meu antigo bairro, o médico me disse: "como falta de ar, com tanto ar aqui pra se respirar!". Não sei se ele estava tentando ser engraçado ou apenas era incompetente mesmo.
Já no nosso querido UPA aqui, quando tive um início de Crise de Pânico, a atendente disse que, como ia levar duas horas até que eu TALVEZ fosse atendido, era melhor eu ir para casa e voltar depois. Ela ainda me diagnosticou e disse que na verdade eu estava bem. Isso porque ela era apenas atendente.
Pontos turísticos. O Pão de Açucar logo ali, o bondinho quase à mão, e o Cristo Redentor lá em cima do Corcovado bem a vista. Mora-se aqui praticamente em um cartão postal. Já no meu antigo bairro os únicos pontos turísticos era o morro sem nome que eu subia várias vezes para avistar todo o bairro e os arredores. Em dias de céu muito limpo e forçando bem a vista dava mesmo para ver o Cristo Redentor a quilomêtros de distância. Praticamente um vislumbre do futuro.
No mais são dois lugares diferentes com seus próprios defeitos e qualidades. Mesmo agora, o lugar onde eu morava não é mais o mesmo. Afinal já fazem quase 10 anos que saí de lá e muita coisa mudou. Minha mãe também acabou por se mudar de lá e eu não mais tive motivos nem tempo para lá retornar. As últimas vezes que lá estive, já parecia outro lugar e não mais o mesmo onde cresci. Ou talvez eu é quem tenha mudado, não sei.
No mais gosto de poder ir à pastelaria da chinesinha aqui ao lado, comer um joelho e/ou uma coxinha, enquanto a filhinha dela cisma de que eu tenho que fazer ela rir. Gosto de andar até o shopping sabendo que não vou comprar nada e apenas ficar olhando as HQs empilhadas na Livraria Siciliano.
Gosto de ir até a Casa e Vídeo para tentar achar algum DVD dificil de encontrar que me tenha escapado à vista. Ou, mesmo, uma vez na vida e outra na morte, andar na praia e ver a vida, de longe, tentando não ligar para o cheiro e aparência da Praia de Botafogo.
O lugar onde moramos pode nos influenciar e nos fazer ser quem somos, mas no fundo, nos adaptamos a qualquer lugar onde estejamos, se assim realmente quisermos. Não há lugar como o lar e nosso lar poder ser qualquer lugar onde queiramos estar. Enfim, deixa eu voltar para o incêndio, afinal a Cristiane Torloni ainda está correndo e, bom... ela está sem sutiã.
DECREPIT COMICS: BATFART
Scans em inglês
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Rolling Stones Covers 1983, aqui
SIMPSONS: ENTE ENTE ENTE
Sem Parar, Sem Parar, Sem Parar
O MELHOR DO RECRUTA ZERO
Scans by Grimm Jack
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