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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Sosuke!


ALÉM DA LINHA VERMELHA
Viajando Através do Consciente Coletivo


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O céu parecia ter saído de uma pintura de Salvador Dali. Mesmo tendo pedalado por horas a fio, eu ainda conseguia apreciar aquilo tudo, apesar do extremo cansaço.

Resolvi parar um pouco e me sentar perto da placa de Proibido Estacionar. Na verdade, após notá-la, é que vi que ela estava num lugar que - creio eu - ninguém faria muita questão de estacionar. Era quase um deserto. Se não fosse pelas belas cores do pôr do sol, o lugar seria bem sinistro. Ainda bem que, com algumas pedaladas, eu logo estaria longe dali, antes que escurecesse por completo.

Encostei a bicicleta na placa e me sentei. Abri a mochila e retirei um sanduíche. Quando eu ia começar a comer, senti alguém me cutucando o ombro com alguma coisa. Olhei para trás e não pude acreditar no que via. Uma policial, com um uniforme similar a dos policiais americanos, de quepe e óculos escuros, estava na minha frente:

- Não sabe ler placas, garoto? O X cobrindo o E grandão quer dizer Proibido Estacionar!

Por um instante fiquei confuso - afinal ela estava falando em português - depois só consegui pensar em uma coisa: isso é uma pegadinha, olha o uniforme dela. Quando eu ia tentar dizer alguma coisa, ela piscou duas vezes e sumiu. Não, não foi piscar com os olhos. Ela inteira piscou duas vezes, como uma imagem de TV tentando se manter fixa, depois sumiu.

Naquele ponto eu já havia esquecido meu sanduíche que, com o susto, residia agora no chão. Pensei um pouco mais na situação e cheguei a conclusão de que devia ter sido uma alucinação. Eu demorei demais pra comer. E agora estava com mais fome. Mas, por incrível que pareça, sem vontade de comer, devido àquilo tudo girando na minha cabeça.

Olhei em volta, e pude sentir o ar esfriando, com a chegada do anoitecer. Sem querer mais entender o que se passava, resolvi pegar minha bicicleta e cair fora dali. Quando fiz isso, notei que, para onde eu pretendia ir, logo depois da placa de Proibido Estacionar, havia uma linha de trem. Podia jurar que aquilo não estava ali antes. Porém, eu não estava em condições de jurar nada.

Montei na bicicleta e já ia embora quando escutei o barulho e senti o chão tremer com a aproximação de um trem... quer dizer, uma locomotiva, ou seja lá como se chamam esses trens antigos. Ele passou bem ali, na minha frente, e pude ver que reluzia como novo. Pessoas dentro dele estavam vestidas como se estivessem num filme de época.

Depois que o trem passou, um cheiro bom ficou no ar, e a ferrovia simplesmente sumiu junto.

Eu só sabia que não estava em um sonho porque não lembro de ter sentido cheiro em sonho antes. Acho que não é possível. Também li em algum lugar que não é possível ler em sonhos, e o que estava diante de mim agora, fazia eu ter certeza de que não estava em um sonho mesmo, por mais que parecesse. Onde antes estavam os trilhos de trem, se estendia agora uma praia - que, para piorar, molhou meus pés com uma água gelada e bem real - e um barco navegava um pouco adiante, com um nome pintado ao lado, Heloísa.

Eu não sabia se era um barco antigo ou não. Não sou um grande conhecedor de náutica. Ele tinha velas e tudo mais e era de tamanho médio, acho eu. Algumas pessoas que estavam nele me viram na "praia" e acenaram. Acenei, aturdido, de volta. A água continuava a bater nas minhas pernas, mas eu não me importava mais. Era tudo surreal demais. Uma viagem de ácido... sem ácido. Eu não sabia se estava com medo ou fascinado. Talvez as duas coisas.

Sem que eu notasse, uma onda maior me atingiu, e só fui perceber o desastre quando era tarde demais. Quando parei de observar o barco indo embora foi que vi: a bicicleta havia sumido. Provavelmente levada pelas ondas. Mas, era impossível! Se aquilo tudo era algum tipo de visão...

Minhas pernas molhadas me contradiziam. Tirei minha mochila e corri para dentro d'água, na esperança de encontrar a bicicleta. Mas, ao fazer isso, senti a água escorrendo, indo embora, fugindo de mim, assim como o barco sumindo na noite e no tempo. Por mais estranho que possa parecer, minhas pernas continuaram molhadas e um pouco da minha roupa. E minha bicicleta perdida.

Eu jogara a mochila pra longe da água, pra poder correr em busca da bicicleta, e agora não a encontrava também. Eu estava ficando desolado e com um pouco de medo.

Procurei ao redor, mas não precisei ir muito longe. Um homem numa roupa de soldado romano, havia cravado uma lança na mochila e a carragava como um bicho morto. Quando me viu não expressou muita surpresa, como se já estivesse acostumado a coisas estranhas por toda sua vida.

Ele me apontou a lança com a mochila na ponta e fez um gesto para que eu a pegasse, e eu peguei. Ainda sem falar, apontou para o lugar onde a placa estava, e fez um sinal estranho com os dedos. Parecia um gesto de bifurcação. Por um instante a placa pareceu se transformar em outra coisa, uma espécie de estandarte romano, depois voltou a ser placa de novo.

Ele apontou para o chão e havia uma linha pintada em vermelho sobre a terra, quase imperceptível. Ele fez o sinal de bifurcação de novo e outro como quem diz, saia daí e vá embora. Pelo menos foi o que eu entendi. Ele parecia um mímico maluco. Parecia também já ter feito aquilo antes.

Eu estava tão fascinado com aquele cara de roupa de soldado romano, no meio da noite, ali, que me esquecia de fazer o que ele estava mandando. Mas, pude reparar que eu e ele estávamos em lados opostos da linha vermelha. Notei isso quando vi que ele decidiu ultrapassar a linha para o meu lado, colocando apenas um pé, me agarrando pela camisa e me puxando para fora (ou seria para dentro?) da linha vermelha.

Foi um puixão tão forte que caí do outro lado. Quando me levantei, não havia mais soldado, não estava mais noite. Era novamente o por do sol de quando cheguei ali. E... não havia mais placa de Proibido Estacionar. Apenas o céu alaranjado. A linha vermelha ainda estava lá, e pude ver que ela foi refeita algumas vezes.

Uma parte de mim queria ultrapassar novamente a linha e ver o que mais poderia acontecer. Mas, outra parte me dizia que talvez eu não encontrasse outro soldado tão "paciente". Também havia o fato de que minha bicicleta ficou no mar do barco Heloísa, seja lá onde era aquilo. Mas eu não podia voltar para buscá-la.

Joguei a mochila fora. Afinal de contas estava tudo inutlizado por um furo de uma lança nada pequena, inclusive a própria mochila. Muito tempo depois me arrependi disso, pois teria sido uma boa lembrança e pelo menos uma "prova" concreta para mostrar, se eu decidisse contar essa história.

Resolvi ir embora, a pé mesmo, até encontrar um lugar onde pudesse pegar um ônibus e continuar minha viagem, depois de sacar algum dinheiro. Olhei para trás e o céu ainda continuava parecendo uma pintura de Salvador Dali, agora sem a bendita placa de Proibido Estacionar.


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Fotos by Red Daughter, obrigado por elas!



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Nada Dura Para Sempre




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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

George Clooney Saltador!


GRIPE SUÍNA: UMA CONSPIRAÇÃO?
Não Sei, Mas o Vídeo Diz Que Sim





Não sou adepto de Teorias de Cosnpiração. Acredito tanto nelas quanto em OVNIS, Papai Noel ou que nossos políticos podem deixar de ser um bando de corruptos um dia. Mas, o vídeo acima me chamou a atenção, já que, mesmo antes dele, eu já notava essa espécie de Capanha do Terror que a mídia parece estar fazendo, querendo ou não, por causa da Gripe Suína.

Por mais que se esteja de saco cheio das mesmas notícias sobre o assunto, e mesmo que se evite os telejornais para não ter que ouvir mais falar as mesmas coisas, quando se está zapeando pelos canais, se esbarra com a última contagem de mortos, uma coisa muito bizarra. Deveriam colocar logo um contador na tela, 24 horas, que iria mudando a cada pessoa morta.

Li outro dia uma notícia em que dizia que a Gripe Suína está gerando outro tipo de problema de saúde: uma espécie de hipocondria temporária. Mas óbvio que algo assim aconteceria. As pessoas sendo bombardeadas todo santo dia por notícias sobre uma doença com ares de apocalíptica, e a mídia se deleitando nisso, já que a morte do Michael Jackson não é mais moda, só poderia acontecer mesmo. As pessoas começarem a pensar que estão doentes sem estar.

E, não duvido que todo essa "utilidade pública" da mídia possa estar gerando outros tipos de paranóia, como medo de estrangeiros, preconceito, talvez medo de lugares públicos e sabe-se lá mais o que.

Talvez o vídeo esteja exagerando na parte da Conspiração Farmacêutica, não sei, mas muita coisa que diz, tirando essa parte, é bem real e prática. Morrem pessoas todos os dias, aos milhares, no mundo todo, devido a várias doenças, muitas delas contagiosas, e qual delas é noticiada na TV? Nenhuma, pois não está na moda.

A verdade é, como disse o fim do vídeo, cuide de si mesmo, de sua família, mas não dê atenção à paranóia criada pela mídia. A doença existe, mas ela é mais uma entre milhares com as quais convivemos todos os dias, 24 horas.




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sábado, 1 de agosto de 2009

Close Again


CABO FRIO/ARRAIAL DO CABO/BÚZIOS
Andar Na Praia... quer dizer, Nas Praias...

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Andando na Praia... de Verdade


Bom, desta vez a ausência se deu a férias de verdade, indo a lugares reais, e experimentando o mundo lá fora, depois de tanto tempo. Em outras palavras, fui arrancado de casa. Uma semana (quase) longe de um computador. Quase, já que wireless, lan house, laptops e outras palavras semelhantes não nos deixam (nós, os viciados) permanecer longe da Internet por completo. Mas, eu bati um bom recorde.


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Entrei de gaiato no navio


Apesar do tempo não estar lá essas coisas durante toda essa semana, ele deu uma trégua um dia ou dois, nos quais eu e minha patroa acabamos por decidir fazer algo que, pelo menos eu, nunca fiz: passeio de barco. Como o azar me persegue, a coisa já começou com um aviso de que não era bem o meu dia. Demorou quase uma hora para que os "marinheiros" resolvessem zarpar, esperando um grupo de argentinos que se atrasaram.

Eu tinha uma certeza absoluta que iria enjoar, mas ao menos isso, não aconteceu, apesar de meu estômago sentir um certo desconforto passageiro. Ele foi um herói, ainda mais com o que o aguardava mais a frente assim que fomos para alto-mar.


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Coceira na palma da mão...


Eu fiquei mais tempo na proa do barco (na frente do barco, se é proa eu não tenho certeza). E tudo estava indo muito bem, até que o mar começou a ficar agitado de repente. Eu olhava os coletes salva-vidas e me questionava se não seria apropriado colocar um treco daqueles. Mas minha timidez era maior que meu medo. E olha que meu medo crescia cada vez mais, junto com cada balançada que o barco dava.


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"Atenção: Eudes perdido em alto-mar"


Minhas pernas tremiam mais que vara verde. Apesar de todos no barco tentarem aparentar calma, a maioria estava tensa. Pior era ter que aguentar o guia dos argentinos gritando a cada momento "QUE MARAVIJA!", num espanhol terrível. Alguém comentou que parecia uma montanha russa, e eu disse, contanto que o barco não dê um looping, está tudo bem.


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Barco de pesca e resgate


Os marujos do barco corriam de um lado para o outro, mas tentando manter um ar de "está tudo sob controle e tudo isso que vocês estão vendo e sentindo é perfeitamente normal". Quando a proa do barco levantou, atingido por uma onda mais forte, minhas pernas viraram manteiga. Me controlava pra não agarrar um colete salva-vidas, pensando como seria inútil tentar fazê-lo depois que o barco virasse. Eu afundaria feito uma pedra. Morto pela timidez.


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Monumento ao turista desconhecido, em Búzios


Quando passamos por um lugar onde ficava uma estátua de Nossa Senhora, pensei que era um sinal para começar a fazer nossas preces. O pessoal do barco continuava a narrar os pontos turísticos como se nada estivesse acontecendo, e apontaram para uma gruta, onde costumavam levar os turistas, mas um deles disse: "mas hoje não vai dar pra ir lá pois podemos ser jogados contra as pedras e arrebentar o barco". Nossaaaaaa... que dedução incrível!!!! Já que não podíamos ir lá, um deles ficava relatando que aquelas manchas brancas nas pedras eram cocô de gaivota. Eu realmente não podia morrer sem essa informação vital.


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Ventos fortes viram a casa


Eu só pedia, em pensamento, que a praia chegasse logo, mas isso parecia nunca acontecer. O barco balançava e balançava, e o medo era tanto, que eu me esquecia de ficar enjoado. Uma senhora, de Minas Gerais, foi até a borda e colocou para fora todos os pães de queijo que tinha comido nas últimas horas. Uma outra (também mineira) estava deitada, passando mal. Como ela conseguia ficar deitada, sem cair de onde estava, era um mistério pra mim.


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Como uma onda no mar...


Quando eu já estava quase deixando a timidez de lado e ia começar a gritar, turistas e crianças primeiro, e agarrar um colete, o mar se acalmou quando começamos a nos aproximar de uma praia e tudo ficou zen. Eu conseguia ver novamente o lado positivo da vida e desfiz todas as promessas que fiz caso sobrevivesse. Uma tartaruga passou próximo ao barco e eu entendi o significado da vida: 42.


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Mar calmo novamente, e praia branca


O restante do passeio foi tranquilo, sem surpresa alguma. Não consegui ver mais tartarugas e os golfinhos que disseram habitar por ali, devia estar de férias, pois não deram as caras, nem os bicos. Uma menininha de uns 4 anos, filha de um casal de mineiros que estava no barco, se apegou a mim, e a mãe dela disse que ela não é de gostar muito das pessoas que não conhece. Bom, eu só aceitei os MM's que ela me deu. Passamos por outros lugares, mas, depois de tanta emoção, nada mais parecia ter graça.


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"E obrigado pelos peixes"


Os dias se alternavam com sol fraco e chuvas finas e vento cortante. Nada que estragasse totalmente, e sempre havia wireless para entrar na internet enquanto a chuva caía lá fora. Subimos ao Pontal do Atalaia e pude ver exatamente onde estive no dia anterior, dentro do barco chacoalhante, com direito a pôr-do-sol e tudo.


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Cartão postal instantâneo


No mais, mesmo com o tempo não ajudando muito, foi bem divertido e pude tirar algumas fotos que gostei muito, além das que coloquei no texto acima. Abaixo, mais um pouco das mais de 200 fotos que fiz, sendo que essas foram tiradas na Praia Grande, em Arraial do Cabo, em uma manhã nublada:


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