quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

10 Anos de Século XXI


DEZ ANOS DE SÉCULO XXI Ou "Cadê a Porra do Meu Carro Voador"?

Estamos terminando 2010, um ano futurístico. Porém, indo contra todas as previsões literárias e cinematográficas, eu ainda não tenho um carro voador, nem posso ser teletransportado para Fernando de Noronha, nem ao menos uma mísera arma de raio laser foi possível conseguir. Alguém pode argumentar que essas coisas já existem, mas não estou falando de protótipos nem de alguns poucos trilionários que possam ter essas coisas, nos porões de suas mansões. Falo de algo comum ao dia-a-dia, como em Metrópolis ou De Volta Para o Futuro 2.

Bom, o fato é que o futuro agora é presente e o mundo ainda gira no mesmo lugar. Tudo bem, temos coisas hoje em dia que ninguém imaginava para nosso século: Internet, para nos deixar totalmente sedentários e viciados; celulares, que mesmo que possam ter sido remotamente profetizados, ninguém imaginava que eles fariam quase tudo, às vezes servindo até mesmo para telefonar; temos iPods, iPads, iMeuSaco; não temos carros voadores, mas temos GPS que faz o carro conversar com você, e em breve, um modelo que discute a relação.

Temos cinema em 3D, que faz com que você pareça estar dentro do filme... hã... o quê?! Ah, desculpa, me disseram aqui que isso já existe desde a década de 50. Foi mal. Ok, mas temos TV 3D, isso é uma inovação. Tudo bem que eu com meu salário 2D eu nunca poderei comprar uma. Falando em TVs, quem poderia dizer que um dia teríamos TVs de plasma. Nem o mais louco dos Kubricks pensaria em algo assim. Para quem não pode comprar a de plasma, nosso mundo futuristico inventou a de LCD. Para quem não curte TV ainda temos o LSD, que existe há tempos.

A sociedade ainda é a mesma. Não mudou muita coisa. Os mesmos corruptos de sempre, sem nenhuma inovação tecnológica. Política só não é a profissão mais antiga do mundo porquê as prostitutas é que deram a luz aos que estão nela. No cotidiano não temos o Grande Irmão como previsto em 1984 de George Orwell, pelo menos não tão escancaradamente como no livro. Ainda nos deixam ter uma ilusão de liberdade. o Big Brother mais assustador é o da Rede Globo mesmo.

Neste nosso mundo do futuro, ainda não foi encontrada a cura para o câncer, pois os cientistas estão mais preocupados em colocar orelhas nas costas de ratos e fazer melancias sem caroço. Não há cura para doenças degenerativas como o Mal de Parkinson, no entanto o futuro nos trouxe o Viagra. Assim você pode ter uma ereção mesmo aos 80 anos, só que se for segurar o bilau, vai chacoalhar demais e ter uma ejaculação precoce. O futuro é gozado.

A maior inovação tecnológica do nosso século tem nome: pirataria. Se não temos carros voadores, ao menos temos música de graça, evitando assim comprar CDs a preços exorbitantes. Sim, é proibido baixar músicas, mas é totalmente legal vender mídias virgens e iPods para você armazená-las. Assim sendo, não podemos deixar a indústria de CDs e DVDs virgens e nem a Apple falir, por isso compramos tais acessórios a rodo. Também podemos ter de graça, filmes, revistas, livros e podemos ler as reportagens da Playboy, totalmente sem custo adicional. Quem precisa de armas de raio laser?

Outra grande inovação tecnológica que veio na esteira da internet é a pornografia. Certo, certo, pornografia existe desde que o primeiro homem das cavernas acertou a cabeça do pau na mulher das cavernas. Quer dizer, acertou o pau na cabeça da mulher... desculpem. Mas, a pornografia do futuro é democrática. Qualquer um pode acessá-la e não depende mais de meras revistas que o pai guarda escondidas sobre toneladas de roupas. Claro que há medidas de segurança, é só clicar em "Não Aceitar" e menores de idade não terão acesso. Essa ferramenta dá acesso a outra que, de tão tecnológica, nem mesmo é visível, chama-se o "Botão do Foda-se".

O futuro se modernizou e evoluiu em alguns campos. Os Estados Unidos tem um presidente negro pela primeira vez em sua história e o Brasil uma presidente mulher. Logo, logo teremos um presidente homossexual e dentro de alguns anos, quem sabe, um presidente totalmente digital, feito nas empresas de efeitos especiais do James Cameron (e em 3D). A tecnologia só não consegue mesmo nos trazer um presidente que cumpra promessas de campanha. A tecnologia não faz milagres impossíveis.

Já no meu futuro pessoal, eu ainda faço café com papel Mellita e uma cafeteira velha, usando pó de café Pimpinela. Ainda não tenho uma máquina que eu diga "me dá café" e apareça instantaneamente. Nem uma que faça hamburgueres ao toque de uma tecla, como em Os Jetsons. Enfim, nada que faça a comida e me traga, sem eu precisar sair do lugar. Até tem, se chama esposa, mas ela disse que hoje em dia, os deveres são iguais. O futuro pode ser decepcionante.

Enfim, estamos saindo de 2010, e não fomos atacados pela Skynet, mas temos o aquecimento global. O mundo não é um pesadelo pós-apocalíptico depois de uma Terceira Guerra Mundial, mas temos ameaças de gripe aviária, gripe suína, gripe animal-da-vez. O índice de analfabetismo ainda é grande e ninguém nasce sabendo ler, como um futuro futurístico decente deveria ser, mas temos políticos semi-analfabetos se elegendo, mesmo sendo palhaços e nos fazendo de.

O futuro nos trouxe emos, Eclipse, bandas coloridas de "rock", e músicas ruins. A juventude de hoje, se é o futuro de amanhã, ele é meio desolador. Carros voadores não virão nesse futuro, mas teremos cortes de cabelos que nos farão querer desintegrar os usuários com uma pistola de raios. Mas, nada que nos tire o bom humor, que não depende de tecnologia.

O futuro continua vindo a uma velocidade incrível, e 2011 já está quase aí. Não colonizamos outros planetas, nem viajamos no tempo. Mas, podemos continuar fazendo bons amigos por aqui mesmo, e colhendo lembranças que nos permitam viajar até elas quando quisermos. No mais, o futuro é agora e que todos os leitores do RA tenha um excelente 2011. Feliz Ano Novo a todos.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Histórias de Natal

HISTÓRIAS DE NATAL


Tenho poucas lembranças de Natal. Nunca tivemos grandes festas natalinas e, em sua maioria, eram reuniões informais, como é até hoje. Talvez o Natal mais natalino que já tive, tenha sido ano passado, onde tivemos presentes embaixo de árvore e tudo mais, na casa de minha mãe. Só que ainda prevalecia um certo clima de informalidade.

Também já fiz parte - mesmo que por um curto período - daquela parcela que procura ignorar o Natal, porque "é apenas uma festa para estimular o consumismo". Dane-se, consumimos o ano inteiro, sem nenhum objetivo específico. Então que consumamos com uma ilusão tola em mente. Hoje em dia apenas relaxo e compro.

Querendo ou não, o natal tem uma aura que se impôs, depois de tantos séculos. Com mais informação a cada dia, seja pela TV, internet, e até mesmo livros, muitos até mesmo já sabem que o 25 de Dezembro não tem nada a ver com o nascimento de Jesus... e estão se lixando pra isso. É o mesmo que questionar o que coelho tem a ver com ovos, durante a Páscoa.

Mesmo que a data gere esse tipo de gentileza meio formal, que se requer apenas por força de um hábito aprendido e quase que imposto, ainda assim, no meio do joio, ainda se acha trigo, e às vezes, desejamos Feliz Natal, de coração, a algumas pessoas. E, mesmo quando se é formal, se pode ser formal com sinceridade.

É uma época de reuniões, muitas vezes com pessoas que pouco se vê. Então, não é de todo um desperdício. A troca de presentes reforça algum tipo de interação. As crianças podem exercer seu direito de ser criança e acreditar em coisas que nós mesmos acreditamos um dia, mesmo que por pouco tempo.

O Natal é um pequeno livro de memórias. Algumas que se tornam permanentes.

Minha história com meu pai foi breve e eu não criei vínculos com ele, ou simplesmente perdi o pouco que criei. Mas, umas das grandes lembranças que tenho sobre ele, é de um Natal:

Já era noite, e estávamos no quintal onde ele tinha armado uma pequena fogueira. Não sabia o que ele pretendia fazendo fogo ali, aquela hora. Ele pegou uma placa fina de metal e fez vários furos. Espalhou alguma coisa, que ele me disse serem castanhas. Eu nunca tinha ouvido falar. Colocou sobre a fogueira e esperou até que elas virassem carvão. Pegou uma daquelas coisas totalmente pretas e bateu na calçada aquele pretume se esfarelou e revelou algo dentro, uma castanha menor, assada. Ele me deu para comer e tinha um gosto bom.

A noite estava fria, mas o calor da fogueira, meu pai ali comigo e o gosto bom daqueles troços, me faziam querer que aquilo não acabasse nunca. Acho que nunca acabou. Vez ou outra me pego relembrando aquela noite.

Alguns presentes não custam nada. Acho que Natal é isso.

FELIZ NATAL A TODOS OS LEITORES DO R.A.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Vertigem


QUATRO ANOS "SOFRENDO" DE VERTIGEM

Acesse o blog, clicando aqui

Quando eu li as HQs do Monstro do Pântano, escritas por Alan Moore, publicadas lá na longíngua Superamigos e Superpowers, da Editora Abril, eu não fazia idéia (e talvez nem eles) do que aquilo traria no futuro: um dos melhores selos de quadrinhos adultos de todos os tempos.

Quando a Vertigo chegou à maturidade, eu estava longe dos quadrinhos, por motivos idiotas. Porém, quando voltei, o selo proporcionava HQs do mais alto nível e títulos a dar com pau. Pra melhorar tudo, tal selo era da editora que eu mais gostava, DC Comics. Ou seja, era a fome com a vontade de comer.

Quando voltei a ler quadrinhos, era quase impossível acompanhar tudo que estava sendo lançado: Preacher, Invisíveis, Livros da Magia, Hellblazer. E olha, que tudo isso pela maldita Brainstore, que o fazia de modo porco. Imagina se tudo estivesse sendo lançado por aqui da forma correta. Eu enloquecia.

A história da Vertigo, em papel, aqui no Brasil, sempre foi conturbada. Atualmente está nas mãos da Panini, e existe uma revista mensal e muitos encadernados, como por exemplo o Sandman Ultimate Edition Porradation. Tudo muito lindo, se o seu bolso deixar.

Quando comecei com scans, obviamente Vertigo era uma das minhas preferidas. Eu tentava, com a ajuda de amigos, consertar o estrago feito em Hellblazer, lançava alguns Livros da Magia e até mesmo alguns Invisíveis. Mesmo tendo completado Preacher, ainda assim, era impossível acompanhar o ritmo... vertiginoso do selo. Principalmente porque nunca fui bom em montar equipes.

Quando eu parei com scans de vez (ao que parecia), eu mesmo fiquei sem fonte para scans do meu selo preferido. Via a maioria dos grupos fazer um título aqui e ali, de preferência o mais popular, e depois dar atenção ao feijão com arroz de sempre. Até que surgiu O blog, aquele que fez o inesperado, se especializou em HQs do selo Vertigo: o
Blog Vertigem.

E, o melhor de tudo, estava fora das picuinhas scanísticas que inundavam a internet. Com Von Dews encabeçando a turma, o grupo fazia aquilo que sabia de melhor, e o que eles faziam era, e é, bonito: traduziam e/ou escaneavam os títulos do selo, continuando a colocar em ordem os números que ainda faltavam em muitos títulos, e começando inúmeros outros.

Nesses 4 anos, fica dificil para mim, dizer a importância do blog. Faltam palavras. Afinal, o blog tinha uma linha a seguir, que era fazer HQs da Vertigo e HQs que fossem adultas em seu conteúdo, mesmo que não fossem Vertigo.


Cativado pelo grupo, cansei de "roubar-lhes" scans e colocar aqui, e até mesmo lendo muitos deles. A continuação de títulos como Hellblazer, Livros da Magia, Fábulas, foi essencial, e não estava pensando apenas em mim, mas nas pessoas que queriam continuar lendo-as e não tinham lugar para baixar, até eles chegarem.

Um traço do blog também, é incentivar a compra e a leitura das revistas no papel. Afinal, estamos vivendo um tempo melhor, editorialmente falando, para o selo, aqui no Brasil. E, se lançassem os encadernados de Preacher do ínicio, eu compraria com todo prazer! Não o blog, claro, mas a editora.

Fico imaginando quantas pessoas devem ter conhecido o selo através dos scans despejados incessantemente no blog Vertigem, capitaneado por Von Dews.

Não sou bom com as palavras, mas quero aqui agradecer tanto esforço e por tantos títulos e parabenizar pelos quatro anos do blog. Que o Vertigem tenha muitos anos a serem comemorados e que Moore e Gaiman os abençoem, amém!


domingo, 5 de dezembro de 2010

Jerusalem Jones e O Velho


O VELHO
Um Conto de Jerusalem Jones


O velho acabou com todos. Ele se entrincheirou em uma vala seca, e matou cada um dos que vieram atrás dele. O xerife e seus dois ajudantes e 4 voluntários. Eu vim atrás da recompensa, que só entendi porque era tão alta depois que já estávamos a caminho e me disseram o que ele fez. Comecei a rir, quando me contaram que ele havia chacinado uma família inteira, sem poupar nem mesmo duas crianças pequenas. Eu achei que fosse uma piada. Pensei que o auxiliar Bradley estava tentando gozar com a minha cara. Afinal a família era chefiada por ninguém menos que Sanford Couper, caçador de recompensas aposentado, que resolveu casar e construir família. Mas, não deixou de ser o mesmo Sanford por causa disso. Mas, o velho acabou com ele, e com todos o que ele amava. E olha que Sanford nunca amou ninguém. Quando o auxiliar Bradley não riu junto comigo, percebi que a coisa era séria, e fiquei sem jeito.

Quando estávamos quase o alcançando, o velho se entrincheirou e como se estivesse possuído, matou logo dois dos voluntários, Jonesy e Foley. Pulamos para rochas próximas e nos escondemos meio sem entender o que estava acontecendo. Mas, o que esperar de um sujeito que matou Sanford Couper.

Depois de alguns minutos de tiroteio incessante (que aliás, ninguém entendia como a munição do desgraçado não acabava) o xerife Joachim Rose - que detestava ser chamado pelo sobrenome e por isso nós chamávamos - resolveu tentar uma emboscada, indo por trás, com um dos auxiliares enquanto nós dávamos cobertura. Claro, não funcionou. Rose e o auxiliar Potts foram para o inferno. E, sem o xerife no comando, os quatro voluntários não quiseram obedecer as ordens do último auxiliar e tentaram fazer as coisas de seu jeito. Morreram antes de entender o que deu errado. Sobramos apenas eu e o auxiliar Johnson. O velho estava conseguindo me preocupar.

Não pude culpar Johnson quando resolveu que era hora de bater em retirada e foi, de fininho, até o seu cavalo. Tentando se manter fora da visão do velho. Foi quando aconteceu algo estranho. Quando Johnson já havia cavalgado alguns metros, caiu, como que fulminado por algum tipo de ataque do coração ou algo parecido. Tenho certeza que não ouvi nenhum tiro. E, mesmo assim, Johnson estava fora da mira do velho. Se não fosse dia claro, eu teria ficado arrepiado. Agora, eram apenas eu e o velho. E foi quando, depois de matar a todos em silêncio, ele começou a falar comigo, mesmo sem eu entender como diabos ele sabia quem eu era:

- Não vai correr para a mamãe também, Jones? Seria algo assim que o seu pai faria, numa situação dessas. Você é como ele? Faz muitos anos que não o vejo e a você, bom, devo confessar que é a primeira vez que ficamos tão... próximos assim. Ele nunca falou de mim pra você, de seu amado avô, Jericho Jones?

- Seja lá como sabe meu nome, só posso dizer que meu avô morreu bem antes de eu nascer. Se quer se divertir antes de morrer, não tem problema, eu tenho todo tempo do mundo - disse eu, num dos piores blefes da minha vida. O calor estava acabando comigo e eu estava quase desmaiando. Provavelmente não teria chance contra aquele velho dos infernos.

- Jericho Jones, não é irônico? Bom, quem sabe seu pai não me odiasse tanto assim. Mas, dizer que eu morri, certamente foi algo que me magoou. Tudo bem, eu não guardo rancores, Jerry. Seu pai não era dos nossos. Algumas maldições, assim como certas doenças, pulam uma geração. E eu sei que você é amaldiçoado. Já escutei muito sobre suas histórias, de como se mete com as coisas mais estranhas, inclusive irritanto até os demônios. Isso me faz sentir orgulho de que você seja um Jones. Por outro lado, me cria certos problemas.

A única coisa que eu podia pensar era que o velho, de alguma forma, sabia quem eu era, e estava se divertindo, antes de acabar com a minha raça. Ele falava tanta asneira, que eu simplesmente desliguei meu cérebro, enquanto tentava imaginar como matá-lo e receber a maldita recompensa, que agora parecia ser muito pouca. Eu só podia fingir que estava caindo na conversa dele e fazê-lo falar mais. Quanto mais ele falasse, mais tempo de vida eu tinha.

- Meu pai era um homem corajoso a seu modo, Jericho, ou seja lá quem diabos você for. No seu modo de ver, um homem só tem valor se viver como um assassino, matando pessoas sem nenhum propósito.

- Oh, Jerry! Nada é sem propósito nesta vida. Os Couper não morreram em vão. Tudo faz parte de um plano maior. Eu sabia que você estava na cidade, sabia que viria com os outros, atrás de mim. Eu sei como você pensa e age. Somos sangue do mesmo sangue, e é do seu que eu preciso, e devo dizer, não fui eu quem escolheu assim, foi o destino.

"Jerry, Jerry. Eu tenho 637 anos. Sim, pode rir. Seu pai foi meu último filho. E o único propósito dele nesta vida, foi trazer você ao mundo e escolher seu nome. Pra viver tanto tempo é preciso se fazer acordos perigosos. Não posso nem imaginar a quantidade de descendentes que eu tenho por aí, mas nenhum deles era mais esperado por mim, que você. E, de certo modo, foi difícil encontrá-lo em meio a tantos. Pra viver eternamente eu não queria vender minha alma. Afinal, o que eu sou depende de quem eu sou por dentro, depende de minha alma. Era um jogo muito astuto que o demônio estava propondo. Se eu vendesse minha alma, seria um casca vazia que viveria eternamente. Babando, numa cadeira, como um débil mental, para todo o sempre. Mas, uma alma que fosse mais ou menos minha, eu podia vender.

"O demônio gostou da proposta. E concordou. Mas, novamente, tive de me cercar por todos os lados. Eu sabia que podia viver eternamente... se alguém não me matasse. Coisas como, cortar minha cabeça fora e tudo mais. Eu soube de casos assim, me informei. Então, deixei o demônio com água na boca quando prometi ao demônio que seria um descendente meu, vindo da Cidade Santa. Sabe qual é a Cidade Santa, Jerry? Bom, tenho certeza que alguém já lhe disse isso. Jerusalem.

"O problema é que eu nunca estive lá. Mas, podia ser alguém com o nome da mesma. Outro problema era que eu não podia simplesmente dar esse nome a um filho. O demônio não é tão idiota assim. O destino seria meu fiador. E o destino nunca me deixou de calças na mão.

"Meu tempo estava se esgotando. Eu já estava quase me conformando com o fato de que não podemos ter tudo que queremos. Eu estava bem longe daqui, e tinha até mesmo me esquecido de seu pai, entre tantos filhos espalhados. Mas, o destino trabalha de forma organizada. Tinha de ser a semente da minha última semente a trazer minha salvação. E minha vida eterna. Graças a Deus, o demônio também tinha seus interesses pessoais nesta história, já que me parece que você andou mexendo com amigos dele. Se não fosse isso, creio que eu já estaria morto. Agora só precisamos esperar anoitecer, para que as condições certas tragam meu amigo até aqui para podermos acertar nossas contas. Na verdade este é o lugar exato onde fizemos o nosso acordo. Destino, Jerry. Dest..."

- Velho, nossa, você fala demais. Seja ou não meu avô, você ao menos sabe contar histórias pra criança dormir.

Surgi atrás do desgraçado, que simplesmente acreditou que um chapéu e um revólver atrás de algumas pedras não se mexem por tanto tempo. Cravei a faca, que trazia no cinto, em seu pescoço e, com ele se debatendo e atirando pra todos os lados, forcei o máximo que pude, até ele parar de se mexer. Resolvi não me arriscar, e com uma pedra grande, que usei como marreta, bati com firmeza na faca, fincada em seu pescoço, até arrancar a cabeça do desgraçado, seguindo as regras que ele mesmo me ditou. Precisaria dela para receber a recompensa, então estava sendo prático também.

De tão cansado e com medo de ser morto por um velho decadente eu estava, que não registrei quase nada do que ele falou. Eu estava coberto de sangue e depois de enterrar seu corpo, me preparei para ir embora, avisar a quem quer fosse ser eleito o novo xerife, para vir buscar os homens mortos ali naquele deserto maldito.

Demorei mais do que deveria e acabou anoitecendo. O frio que fazia foi substituido por um vento morno e senti que era observado, mesmo que não pudesse ver por quem ou pelo que. Talvez fosse minha imaginação, talvez o cansaço junto com todo aquele sangue em cima de mim. O fato é que levantei o saco com a cabeça do velho e disse em voz alta, para o vento:

- O destino é uma via de mão dupla. - E fui embora daquele lugar maldito, assoviando uma canção que meu pai me ensinou.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Dr. Antônio Carlos Mayall


MÉDICOS E MÉDICOS
Dr. Antônio Carlos Mayall



Em todos os segmentos de profissionais sempre existem os ruins, os bons, os excelentes e os péssimos. Os péssimos se caracterizam apenas por um detalhe: parecem odiar profundamente o que fazem, como se alguém os tivesse arrastado para aquela profissão, apontado-lhes uma arma. Não duvido que alguns pais oprimam os filhos para que sigam certa carreira pela qual não sintam a mínima atração. No entanto, acho que, depois que se tornam adultos, a maioria está apta a escolher seu próprio caminho, ajudando a si mesmo e às pessoas que seriam mal atendidas por alguém que não gostasse da profissão que exerce. Porém, no mundo da medicina, parece que a maioria detesta o que faz. Doze anos de "pesquisas" forçadas, me fizeram chegar a essa conclusão. Mas, toda regra tem sua exceção. Mas, vamos por partes.

Por 12 anos eu estive numa condição complicada de ser diagnosticada. Uma Síndrome do Pânico se associou a uma eplepsia, parecendo, no entanto ser uma doença só. Isso, para um leigo, com certeza é difícil de diagnosticar, para um profissional da área de saúde não deveria ser, na teoria. Demorou 12 anos para que um médico entendesse o que eu tinha, sendo que tive de mentir de início (depois de entender que só assim eu teria uma chance de diagnóstico correto) suprimindo os sintomas de uma das duas condições, no caso, a eplepsia. Depois desse tempo todo é que tive a "brilhante" idéia. Antes, porém, vivi um inferno na mão de médicos incompetentes, indolentes, péssimos e outros adjetivos nada agradáveis.

Ser atendido como se nem estivesse ali presente, com o médico preocupado apenas em rabiscar a receita e me entregar, às vezes nem levantando a cabeça para ver quem estava na sua frente, me deixava cada vez mais cético quanto a qualquer tipo de médico. Quando tentei passar por um atendimento psicológico, a falta de interesse da médica, que não mantinha nem mesmo um prontuário, ou sei lá, um bloco de anotações para se lembrar na semana seguinte do que eu dissera antes, me fez simplesmente abandonar essa idéia para sempre.

Na verdade, esse foi apenas a gota d'água. Eu já havia tentado uma vez anterior, em que fui a uma psiquiatra recomendada por uma chefe minha, que o fez até de muita boa vontade, quando viu uma de minhas crises. Fui lá todo pimpão, me sentei e relatei tudo que acontecia comigo. Depois de me ouvir, ela parou, me olhou bem sério e disse (para minha total incredulidade): "Isso que você tem é apenas algo da sua cabeça, não existe". A tentativa posterior citada acima, só me fez enxergar que ninguém conseguiria me ajudar psicologicamente.

Mas, 12 anos depois de tentar ser honesto demais, fiz o que já disse, menti sobre minha condição, omitindo alguns sintomas e deixando apenas os que indicavam uma Síndrome de Pânico. Assim, consegui fazer com que parassem de me jogar para lá e para cá, para atendimentos cada vez piores. Fui aceito no Instituto de Psiquiatria da UFRJ, o
IPUB. Apesar do nome, o atendimento é mais medicamentoso. Minha segunda tentativa com a psicologia foi lá e, como falei, não deu certo. Porém, ao omitir a eplepsia, consegui que me administrassem um remédio que eu nunca havia tomado nos 12 anos anteriores, a imipramina. Ele foi conjugado ao remédio que eu já tomava pra epilepsia, a carbamazepina.

Depois de anos tendo crises sucessivas, principalmente durante as refeições, elas foram diminuindo até parar por completo. Eu conseguia comer sem ter uma convulsão. Peguei o telefone, uma tarde em que eu almoçava, e contei a minha nãe que eu estava ali, naquele momento, almoçando tranquilamente. Senti quando ela prendeu a respiração e começou a chorar. Tendo acompanhado e sofrido com a maior parte de minha condição, ela merecia saber o quanto antes de minha melhora.

Porém, penso se eu não tivesse entendido que teria de omitir uma parte do que eu sofria, se teria dado certo. Depois de alguns meses eu contei todo o restante do problema, detalhando os sintomas de eplepsia também. Relatando como a Síndrome do Pânico ativava a epilepsia, mesmo que ela pudesse ocorrer sozinha, em raras ocasiões. Maa, geralmente, a segunda era uma consequência da primeira. Obviamente, não havia mais como me transferir mais para outro lugar e estou em tratamento lá até hoje, já há 8 anos.

Não posso reclamar do tratamento, mesmo que no fundo ele pareça um tantor formal, sendo que a cada dois anos mudam os médicos, que estão, na verdade, fazendo uma espécie de estágio ali. Uns são melhores, outros piores. Mas, ao menos, dá resultado.

Tive experiências decepcionantes com médicos de outras áreas também, mas cabe aqui apenas mais uma, antes que eu relate a experiência que realmente vale a pena. Quando fraturei alguns dedos do pé esquerdo fui, logicamente, atrás de tratamento. Passei por nada menos que três profissionais nesta área, todos fazendo a coisa errada, até que um quarto, que consegui indo a uma clínica particular, a Ossotrauma,conseguiu dar jeito. Para se ter uma idéia, em um dos hospitais, engessaram minha perna até perto do joelho, me impossibilitando de andar corretamente... E DEIXARAM OS DEDOS FRATURADOS DE FORA!

Bom, esses dias (mais de um mês já) foi minha esposa, a Lia, quem se acidentou, só que muito pior do que apenas alguns dedos quebrados. Na escola onde ela dá aula, alguém derramou detergente em uma escada, sem iluminação (mesmo sendo de dia fica mal iluminado), sem corrimão e ela prestava atenção nas crianças, alunos seus, que ela levava para baixo. Escorregou violentamente e seu pé esquerdo virou num ângulo de uns 45 graus para o lado esquerdo.

Nada podia ser feito com gesso, precisaria sofrer uma cirurgia. Conseguimos que um ortopedista viesse aqui avaliar a situação e ele disse que sim, seria necessário uma cirurgia logo que fosse possível. Para isso, no entanto, exames preliminares precisariam ser feitos. Muitos exames. Entre eles o chamado "risco cirúrgico" que um médico precisaria dar, sendo que não seria ele. Ela teria de fazer exames de sangue, eletrocardiograma e mais algumas radiografias. E tudo teria de ser feito em casa, ela não tinha condiçoes de se locomover, pois mesmo se eu a colocasse numa cadeira de rodas, colocá-la e tirá-la em um táxi poderia acarretar pequenas batidas com o pé que estavam fora de questão, devido a dor.

Então, entrou em cena o Dr. Antônio Carlos Mayall, clínico geral e angiologista. Médico, por assim dizer da família. Mais conhecido por ela como "Dr. Carlinhos". O Dr. Mayall cuidou da avó da Lia - na verdade, sua mãe de criação - que morreu aos 105 anos de idade, algum tempo antes de eu me casar com ela. Lia sempre me contava sobre como ele a atendia bem, e sempre aqui, no apartamento. Até mesmo o atestado de óbito ele emitiu, sem cobrar nada por isso.

Lia sempre o elogiava e, estando casado há 10 anos com ela, eu já a havia acompanhado em algumas consultas a ele. Ela até mesmo pediu que eu me consultasse com ele, sobre minha condição e ele nos indicou um especialista que ele conhecia. Não continuamos o tratamento com ele, devido ao preço exorbitante, fora de nossas codições. Mas, ao menos o Dr. Mayall tentou.

Todo esse tempo, ele até mesmo veio aqui uma ou duas vezes, atender a ela ou à Tia Adhamyr (tia de criação de Lia, filha da avó dela que morreu aos 105 anos), que mora conosco. Mas, nada que fizesse meu ceticismo com médicos ser debelado. Pra mim, não era nada demais o que ele fazia. Até que aconteceu esse acidente com a Lia, e precisamos dele para os exames preliminares. Ele não faria todos, mas daria o laudo final e o risco cirúrgico. Foi então que o Dr. Mayall me surpreendeu.

Novas radiografia tiveram de ser feitas em casa. O sangue para exames vieram coletar. Mas, eu ainda não sabia como se faria o eletrocardiograma aqui. Até que chegou o Dr. Mayall e o vi examinando a Lia, e segurando um aparelho retangular que, quando percebi, estava fazendo o ECG. Além disso, fez os exames de praxe, os quais ele os faz metodicamente. É um exame completo. Quando os resultados das radiografias chegassem e os exames de sangue também, ele viria dar os laudos e o risco cirúrgico. O preço da consulta foi quase simbólico, principalmente se comparado ao preço que o ortopedista cobrou por atender em casa.

Então, assim que todos os exames e radiografias estavam aqui, o Dr. Mayall veio novamente, sempre no horário certo que ele combinava. Novamente examinou Lia totalmente, leus os exames de sangue e as radiografias e deu o risco cirúrgico. Apesar de não ser muito falante, o Dr. Mayall mostra em suas atitudes, como se preocupa com seu paciente. E isso ficaria provado mais tarde, de forma contundente.

Depois de escrever por mais ou menos uma meia hora, os laudos, e de ter aceitado o pequeno lanche que a Tia Adhamyr ofereceu, ele estava já indo embora. Porém, ao se falar em pagar sua nova consulta, nada conseguimos fazer para que ele aceitasse, querendo dizer que essa ainda era uma extensão da primeira visita. E ele não recebeu. Outro médico não teria feito isso. O Dr. Mayll fez uma nova consulta, quisesse ele admitir isso ou não.

Em todo o caos que se formou com o acidente de Lia. Todo o medo do que estava acontecendo do que estava por vir com a cirurgia e com os gastos que só aumentavam, em tudo isso, o único que nos deixava mais calmos, era o Dr. Mayall. Principalmente à Lia, que sempre o admirou, e se fazia bem a ela a mim o fazia.

Por fim, chegou o dia da cirurgia e, apesar do hospital não ser dos melhores, mesmo o atendimento tendo sido particular (Casa de Portugal), tudo correu bem. Para ser ter uma idéia da qualidade do hospital, uma das enfermeiras se escondeu no banheiro no quarto de Lia para nada mais nada menos que fumar. E ainda pediu pra ela não dizer nada. Estupefata como estava e mais preocupada com sua cirurgia do que com qualquer coisa, ela nem registrou a coisa direito.

Bom, quando eu estava em casa, e Lia no hospital, com sua tia, o telefone tocou aqui. Era o Dr. Mayall. Vale dizer aqui que meu ceticismo com médicos, me fazia pensar que o Dr. Mayall achasse que já tinha cumprido seu dever neste caso e que tudo agora estava a cargo do ortopedista. Mas não.

Numa ligação dificil - além do fato de o Dr. Mayall não escutar muito bem - eu escutava ele perguntando, gritando, como se estivesse em meio a muitas pessoas, como estava a Lia, se tudo tinha ido bem na cirurgia. Aquilo em si, me pegou de surpresa, e eu, meio estupefato, disse que sim, que tudo tinha ido bem, foi quando ele disse algo que, confesso, me fez chorar.

- É que estou saindo de um congresso agora, depois eu ligo pra saber mais.

Eu estava sozinho em casa (com Lucy), e era noite já. Guardei o telefone e fiquei meio pensativo. Pensava, que médico lembraria, assim que saísse de um congresso, de um de seus muitos pacientes. Que méidoco lembraria que ela estaria fazendo cirurgia naquele dia e, que tiraria de seu tempo para telefonar e perguntar como tudo correra. Fiquei emocionado por um bom tempo.

Lia veio para casa e hoje faz um mês de sua cirurgia. Nesse meio tempo, o Dr. Mayall não cansa de nos surpreender. Pedimos a ele que indicasse um novo ortopedista de sua confiança, para continuar o tratamento e deixamos com ele as últimas radiografias (bem parecidas com as da figura no topo do post). Na verdade, ele veio aqui buscá-las, sendo que eu poderia ter levado ao consultório dele.

O mais interessante foi que ele apareceu às 7:00 da manhã, pois disse que passaria aqui, já que tinha alguns problemas para resolver em Botafogo. Disse que veria com algum dos ortopedista que conhecia se eles poderiam atendê-la em casa. Ele levaria e mostraria as radiografias e viria aqui dar a respostas ou segunda ou sexta. Ele apareceu 8 da noite no mesmo dia. Sua resposta foi que o médico que ele conseguiu, não atendia em casa, então ele mesmo se comprometeu a fazer a ponte entre Lia e o ortopedista. Creio que isso é quase um abuso da nossa parte, mas ele parece não ver assim.

Analisando estes últimos acontecimentos, comentei com a Lia que um profissional de verdade é aquele faz além do que se é exigido dele. Claro que não precisa ser como o Dr. Mayall, mas ao menos fazer o que se é exigido dele. Ter uma preocupação genuína com cada paciente e não pensar apenas em ser pago. Algumas profissões são verdadeiros sacerdócios, mas alguns parecem que são ateus por excelência.


domingo, 21 de novembro de 2010

8 Anos de RA


OITO ANOS DE MUITAS ERAS

Aqui estamos, completando mais um ano de blog. Como todo bom e antigo super-herói, o Rapadura Açucarada já passou por várias fezes, quer dizer, fases. Alguém até mesmo escreveu, em algum canto da internet, que ele parecia um pouco com o Incrível Hulk, com suas várias cores, representando suas várias mudanças. Também, quando os scans deixaram de ser publicados pela primeira vez, por aqui, foi cunhada a expressão Era de Ouro, para se referir àquela época. Tá, tá, não chegou a ser cunhada, afinal é uma expressão comum dos quadrinhos, mas se não foi cunhada, pelo menos sogra deve ter sido (piadas ruins, se nunca fez uma jogue a primeira página).

Enfim, o blog realmente pode ser dividido em várias dessas fases, como se faz com as épocas dos quadrinhos de super-heróis, sendo que cada Era, teve suas próprias características. Não foram poucas as aventuras, super-vilões, Crises nos Infinitos Servers, e sabe-se lá o que mais. Assim sendo, vamos viajar um pouco pelo passado, rumo às Eras da Rapadura:

A ERA DE OURO - Sim, a chamada Era de Ouro, a única das citadas aqui que é rapaduristicamente reconhecida, foi o começo e o auge do blog em quase todos os sentidos. Culpa dos scans de histórias em quadrinhos, claro. Se não fosse isso, o Rapadura teria sido apenas mais um dos milhares de blogs que nasciam e morriam mais rápido que personagem da Marvel. E não ressuscitavam.

Todo mundo já tá careca de saber como tudo começou e não vou detalhar pela milésima vez. O fato é que foi quando resolvi colocar os scans de gibis que o blog deslanchou e se tornou conhecido, principalmente entre os leitores ávidos da Nona Arte. Essa Era durou exatos oito meses, quando fui forçado a parar com a distribuição do material digitalizado. Tão atrelado estava o blog aos gibis escaneados que a conclusão natural era que tudo terminaria se os scans terminassem. Mas, não foi bem assim.

A ERA DE PRATA - Apegado ao blog como eu estava, não me importei muito com o fim dos scans e resolvi continuá-lo assim mesmo. Um fator importante para que eu continuasse foi que eu não o criei com a intenção inicial de ser um blog de scans. E como o nome do blog não tinha compromisso apenas com quadrinhos (na verdade, não tem compromisso com nada), eu decidi que ia continuar, fosse como fosse.

Mais uma vez usei a inspiração da própria internet, ou o copy/paste da vida e resolvi colocar links de tudo quanto era coisa. Vídeos (numa era que nem existia Youtube ainda), curiosidades, games, imagens engraçadas e... mulher pelada. Era engraçado ver como as pessoas vinham ao blog pelas "belas nuas" mesmo existindo sites e blogs mais especializados (e mais tarados) que o Rapadura, sendo o Dedada Digital o mais pervertido e famoso deles, na época.

A obsessão que eu tinha com os scans, transferi para a caça a links, o que tornava o blog responsável pela baixa produção em muitos locais de trabalho, numa época em que não existia o Twitter ainda para fazer isso.

A Era de Prata ainda foi "famosa" por eu ter começado a escrever poemas, que causavam a ira da maioria dos visitantes, que deviam pensar, diabos, eu quero ir lá ver mulher pelada e links interessantes, mas tenho medo de esbarrar com algum poema mela cueca do OutsiderZ (usava ainda este nick).

Também foi por essa época que comecei a escrever sobre meus tempos de infância, adolescência e começo da idade adulta, assim como me atrevi a escrever alguns contos, coisa que só havia feito uma única vez antes, em uma máquina de escrever que pesava 50 quilos.

Então, basicamente, a Era de Prata foi esse período sem scans, que lotei o blog de links, poemas, contos e mulher pelada, a maioria lesbicamente falando. E, nessa mesma época, como todo bom super-herói, o blog até mesmo morreu e ressuscitou. E, como todo bom super-herói, ressuscitou renovado. Daí, teve início...

A ERA DE BRONZE - Lembram do Universo Amálgama, quando DC e Marvel se fundiram em um único universo? Pois, bem, a Era de Ouro e a Era de Prata se fundiram em uma só para formar a Era de Bronze. Por quê? Pois bem, eu continuava fazendo tudo que fazia na Era de Prata, até que resolvi que estava na hora de voltar com eles, sim, os scans. E, de certa forma, voltaram até melhores do que antes.

Desapegado do mundo material, eu não tinha os mesmos pudores com os quadrinhos que comprava, principalmente encadernados. Se antes eu procurava scans de quadrinhos estrangeiros, para poder transcrever de algum gibi encadernado, o texto em português, dessa vez eu simplesmente desmantelava a revista página por página e a escaneava. Mais rápido e mais fácil.

Além de tudo, eu continuava com os meus textos, sendo que as poesias e os links foram aos poucos desaparecendo, ficando apenas as memórias e contos, nascendo, dessa continuidade, o personagem de faroeste Jerusalem Jones, que rendeu até mesmo um e-book.

Na Era de Bronze a colaboração com pessoas como Dani Loturco, Bob Cuspe Jr., Nikki Nixon, JP Volley, entre váaaaaarios outros, renderam scans e conjuntos de scans memoráveis como por exemplo, Akira completo, Preacher completo, Revista Animal completa, Revista Circo completa, Revista Aventura e Ficção completa, continuação de traduções como Hellblazer, Planetary, Livros da Magia, entre outras e muitos números escaneados de Chiclete com Banana, Piratas do Tietê e sabe-se lá o que mais.

A Era de Bronze terminou não por imposição de ninguém. Terminou simplesmente porque escanear dá muito trabalho e uma hora cansa, e acabei cansando e os scans foram sumindo. Mas, eu não me preocupava muito. O fato de vários blogs, sites e fóruns redistribuirem o conteúdo do Rapadura, junto com o que eles mesmos faziam, me deixava tranquilo quanto aos scans. Assim, pude pensar em outras coisas.

A ERA DO FARRA - Sim, o tempo dos scans no blog havia passado em definitivo. Mas, nada impedia que o blog desse origem a outra coisa, a um fórum por exemplo, onde os scans pudessem ser colocados e, quem sabe, até novos serem feitos. Assim, foi fundado o F.A.R.R.A., sigla remanescente da Guerra dos Scans, que na época significava Forças Armadas de Retaliação do Rapadura Açucarada (ou algo bem parecido). Quando retomei a sigla para o fórum, ela passou a significar Fórum de Agrupamento dos Revolucionários do Rapadura Açucarada. O blog começava uma nova era, mesmo que fosse meio que fora dele.

Essa época me fez experimentar (e gostar) de postar algo que eu nunca havia postado antes: filmes! E isso foi tomando conta de mim, e das pessoas do fórum e acabou se tornando algo tão grande que chamou a atenção demais. O FARRA foi o primeiro de muitos fóruns, blogs e sites de scans (e/ou filmes) a serem denunciados. Após 3 anos, e várias tentativas de continuar, o fórum foi obrigado a parar de postar scans e filmes. Ele continua, mesmo que seja como A.R.R.A.F. (Agrupamento dos Revolucionários Remanescentes do Fórum Farra) e é apenas para o pessoal que se acostumou à camaradagem do fórum poder continuar os bate-papos. O fim, de mais uma Era, o ínício de outra.

A ERA SUPERSÔNICA - Com o fim do FARRA como o conhecíamos, muitos que se acostumaram (leia-se, viciaram) a postar conteúdo, resolveram eles mesmos começar seus próprios blogs e fazer as coisas do modo como gostam. Eu, do meu lado, passei a dividir a atenção do Rapadura Açucarada com o Twitter, Tumbrl, Papaias Celestiais, e nesses dias atuais, com minha esposa acidentada, por isso tudo parece um pouco abandonado. Mas é só impressão, vide este post aqui.

Não sei quantos anos mais o Rapadura Açucarada fará, mas gosto de saber que o trouxe até aqui, com tantos spin-offs, durante esses oito anos. Muita água passou embaixo da rede, muita gente veio e se foi e alguns ficaram. E boas lembranças ficam a cada ano que se passa.

Gosto de saber (egotrip) que muita gente se inspirou nesse blog para começar os seus, e alguns se tornaram muito maiores que o RA, o que é motivo de orgulho pra mim. O blog em si, passou por todas essas várias Eras e continua sendo quase o mesmo RA de quando começou, antes mesmo dos scans: sem compromisso com nada. Não é um blog de quadrinhos, não é um blog de cinema, não é um blog de cultura pop, é o blog Rapadura Açucarada.

Quem sabe ele ainda esteja aqui até o fim das Eras.

domingo, 17 de outubro de 2010

O Aliciador/Sangue e Gelo


O ALICIADOR

Há alguns dias atrás eu li o livro "Eu Mato" de Giorgio Falletti, que trata de um serial killer agindo no Principado de Mônaco. Com uma prosa muito bem delineada e personagens fortes e carismáticos, parecia ter tudo para ser um livro inesquecível. Sua aceitação parecia estar sendo muito boa e, não nego, esse foi um dos fatores que me fez adquiri-lo. Porém, nem tudo que reluz é ouro e nem tudo que balança cai.

Quando falei que estava lendo "Eu Mato", no Twitter, meu amigo (da onça) Sérgio Martorelli fez o favor de me contar quem era o assassino, tentando estragar assim a minha leitura, exatamente como ele fez há muitos anos atrás, quando estragou o final do filme Sexto Sentido, para pelo menos algumas dezenas de internautas. Porém, mesmo estando na metade do livro ainda, eu já havia deduzido quem era o assassino e, obviamente, que método ele estava usando para enganar todo mundo.

Apesar de bem escrito, isso fez com que eu perdesse o ânimo pelo livro de Faletti. Mas, pensei, vamos ver como termina isso. Quem sabe, ao menos o autor dê um epílogo magistral a sua obra e isso vá além de apenas se descobrir quem é o assassino. Novamente Martorelli me avisou que não era bem assim e que o livro perdia o rumo na segunda metade. Novamente, ele estava certo.

O fim de "Eu Mato", depois de tantas e tantas páginas de suspense, reviravoltas, mortes sofisticadas, é sem graça e até mesmo, pode se dizer, bobo. Como se o autor se perdesse, se cansasse, não sei. Personagens fortes e marcantes, como o agente do FBI que protagoniza a história, se perdem numa presepada de dar dó. Como se de repente, outro escritor tivesse assumido o livro. Mantendo o mesmo estilo de escrita, mas não sabendo o que fazer com aquilo tudo.

Já com o Aliciador, que terminei de a alguns minutos, a coisa é bem diferente. E eu não estava levando fé nele. Tanto que comprei "Eu Mato" em detrimento dele. Até mesmo comprei "Eu Mato" na livraria e O Aliciador em um sebo. No fim das contas, O Aliciador estraçalha "Eu Mato".

Coloco os dois aqui, nesse modo de comparação, por dois motivos: são livros sobre serial killers e os dois são escritos por italianos. O Aliciador é escrito por Donato Carrisi, que talvez tenha uma vantagem sobre Faletti, ele é formado em criminologia e ciência do comportamento. E isso transborda por todas as páginas de O Aliciador.

Li o livro quase de uma tacada só, de tão envolto na leitura que fiquei. O título e a sinopse são por si só instigantes. Tudo começa quando seis braços de meninas são encontrados em uma cova. Logo isso é ligado ao desaparecimento de 5 meninas, naquela região. O problema é que são seis braços. Uma das meninas não foi identificada e, talvez até mesmo, possa estar viva.

A partir daí Goran Gavila, criminologista, Mila Vasquez, especialista em encontrar pessoas desaparecidas e toda uma equipe de agentes especializados se vê envolvida no que parece ser um jogo de quebra-cabeças, sobre o qual eles não têm o mínimo controle. O assassino é quem dá as peças... quando quer. E as peças são os corpos de cada uma das meninas, que os levam a descobertas mais assustadoras ainda, como se fosse uma espécie de Código Da Vinci macabro, mal comparando, já que se nota que o escritor não tem intenção alguma de escrever no mesmo estilo de Dan Brown.

Diferente de Eu Mato, em que a história é quase uma linha reta, O Aliciador, por outro lado, é uma história com várias camadas. E, até a última página, o leitor vai se aprofundando em cada uma delas, mais ou menos como se afundasse em areia movediça. E o livro assusta, quase como uma história de terror. Mas, mesmo sendo um velho cliché, assusta por ser algo que poderia acontecer. Por que trata de "monstros" reais.

Cada corpo "encontrado" (em aspas, porque só são encontrados quando o assassino assim o quer) revela um novo terror subjacente ao principal, que o leitor nunca fica sabendo exatamente o que é, ou melhor dizendo, como ele é. O título do livro O Aliciador é uma boa pista e vai guiar o leitor através de todo esse mistério que é justamente descobrir como isso é possível.

O livro também é uma aula sobre o fenômeno serial killer. É quase como se fosse um livro sobre o assunto, embrulhado em uma história de ficção. Na orelha diz que a história é baseada em um fato real, mas creio que seja apenas uma alusão a algum caso mais ou menos parecido, sendo que todo o livro é apenas ficção.

Em dado momento você se pergunta o quão fácil você poderia ser aliciado. Será que sua personalidade seria tão fraca, quanto a de alguns personagens? O tema do livro não está nem um pouco longe da realidade, já que vemos todos os dias, à nossa própria volta, pessoas sendo aliciadas para o crime, para seguirem uma religião, para tirar a própria vida, para entrar no mundo das drogas, sempre por pessoas que tem um poder de persuasão razoável.

O livro faz você refletir se você seria apenas mais um que deixaria sua própria vontade, para fazer a vontade de outra pessoa. Bom, talvez seja isso que eu esteja tentando fazer ao sugerir que você vá ler o livro, assim sendo, quero me eximir de culpa, dizendo apenas que não estou aliciando ninguém. Você pode ler "Eu Mato" se quiser!

SANGUE E GELO


Depois de se ler Sangue e Gelo, fica difícil acreditar que Robert Masello é um roteirista de seriados que já colaborou com o péssimo Charmed, seriadinho chatíssimo, sobre três bruxas, interpretadas por atrizes que não são nada além de um rostinho bonito. Tudo bem que ele também contribuiu para séries divertidas como Sliders e Early Edition. Em seu currículo televisivo ainda consta o duvidoso seriado baseado em Poltergeist que nunca assisti e desconfio que isso seja uma vantagem.

Outro fato que pode gerar desconfiança quanto ao livro é por ser MAIS um sobre o tema vampiros, que chegam às livrarias quase todos os dias, desde que a "saga" Crepúsculo aportou na literarura. Porém, ao ler, tive que agradecer de certa forma à febre crepusculina, pois se foi devido a ela que Robert Masello resolveu escrever Sangue e Gelo, para aproveitar o "momento", devo dizer que é uma compensação e tanto ao sofrimento imposto pela "querida" Sthepanie Meyers.

Aí você lê a sinopse e pensa: mas, puta que pariu, esse também é sobre um romancezinho entre vampiros! Ok, não nego, é um romance com vampiros, só que, não é com adolescentizinhos e nem com vampiros que brilham. É um romance maduro em uma história de suspense e aventura.

Tudo começa quando, em 1856, o casal Eleanor Ames e Sinclair Copley são jogados ao mar de um navio, cuja a tripulação acha que eles carregam algum tipo de maldição que os lançou naquela tempestade e os tirou da rota, principalmente depois de descobrirem que o remédio que Copley estava dando para sua amada doente era muito... incomum.

O navio está tão fora da rota que parece estar quase perto da Antartida, mesmo sem saber. E é para a Antártida que o fotógrafo e eco-jornalista Michael Wilde está indo. Isso 150 anos depois do acontecido. Wilde está indo para a Estação Polar Point Adélie, para trabalhar em uma reportagem como tantas outras que já fez antes, com a diferença é que agora é em um dos lugares mais inóspitos do planeta. Wilde também está voltando a ativa depois de um grande trauma sofrido em sua vida particular , quem sabe, a viagem sirva para que ele consiga retomar o controle sobre seu destino. A vida dele e do casal acima, irão se encontrar inevitavelmente.

Sangue e Gelo não é um conto vampiresco comum, e muita gente pode ficar procurando as semelhanças entre os personagens do livro e os vampiros tradicionais, que não existem. A não ser pelo fato de terem sede de sangue depois que são mordidos, os personagens apresentam pouca semelhança com o que estamos acostumados a conhecer como vampiros. Parecem mais com pessoas muito doentes, a quem o sangue mantem saudáveis... e eternos.

E, talvez por esse motivo é que Eleanor e Sinclair consigam permanecer congelados por quase 150 anos e sobreviverem. Mas, calma, isso não é mostrado logo assim de cara. Robert Masello parece não ter pressa em contar suas histórias e se garante em não perder seu leitor e, pelo menos a mim, não perdeu.

Apesar de o encontro do casal com o mundo atual só acontecer lá pela metade do livro (ou mais), ainda assim, a leitura até aquele momento é gratificante. Masello divide a narrativa em dois tempos que são os acontecimentos com o casal, no século 19 - como se conheceram, como foram atigidos pela maldição - e os acontecimentos com Michael Wilde nos dias de hoje. Sua chamada para a Antártida, sua viagem, as pessoas que conhece e um pouco de seu passado também.

Eleanor Ames é uma enfermeira que trabalhava na equipe de Florence Nightingale, e Sinclair é um Tenente do 17o. Lanceiros que pode ser chamado a qualquer momento para lutar na Guerra da Criméia. Sinclair é um fanfarrão que vive do dinheiro do pai rico, aproveita a vida com os amigos também soldados, e pouca coisa o preocupa, até que se apaixona por Eleanor Ames, uma tímida enfermeira que não entende como aquele homem pode se interessar por alguém de sua classe.

Michael Wilde está tentando seguir adiante com sua vida e ao ir para a Antartida conhece um cientista e uma médica, que vão para o mesmo lugar, Point Adélie, a estação polar. Ao chegar lá, cada um procura desempenhar suas funções, mas uma amizade já nasceu entre eles, e se tornam inseparáveis naquele lugar.

Quando Wilde vai fazer algumas fotos submarinas encontra algo no fundo do mar que nunca imaginou ver: uma mulher presa em um grande bloco de gelo. A partir dessa descoberta e das ações que serão tomadas devido a ela, a estação polar sofrerá alguns problemas inesperados e inacreditáveis. Afinal, ao voltarem a vida, Sinclair e Eleanor ainda carregam consigo uma maldição secular.

Porém, não esperem um massacre ao estilo Freddy Krueger ou Jason. O que mais notei nesse livro foi uma certa calma ao tratar do tema vampirismo. Apesar de algumas "cenas" serem assustadoras, não é esse o objetivo do livro, é mais um efeito colateral. Isso, no entanto, não o torna menos empolgante.

O choque de acordar 150 anos depois, em um lugar totalmente diferente da Inglaterra, faz com que o leitor queira saber como isso afetará aquele casal. Eleanor é a mais afetada, pois sua personalidade tímida e meiga ainda é a mesma, apesar da sede maldita que carrega dentro de si. E essa sua personalidade será essencial para o desenrolar da história quando os dois mundos se encontrarem.

Robert Masello fez uma pesquisa tão acurada sobre o tempo em que viveram Eleanor e Sinclar, que é como se fôssemos transportados para o hospital de Florence Nightingale, para os prostíbulos da velha Inglaterra e para a Guerra da Criméia. Isso sem mencionar as atividades em uma estação polar e suas pesquisas.

Parabéns ao escritor e espero que ele "congele" para sempre sua participação em seriados como Charmed, que são, na verdade, uma fria.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O Mapa do Tempo


O TEMPO, UMA ILUSÃO PERSISTENTE

Conheci H. G. Wells quando assisti ao filme A Máquina do Tempo, do diretor George Pal. Isso foi na minha infância. Há muito tempo atrás. Mas, ao perceber naquela história o mesmo tom sonhador que impregnava minhas fantasias, me tornei fã incondicional do Sr. Wells (e por conseguinte do diretor George Pal, mas essa é outra história).

Com o tempo veria que Wells era realmente a síntese de tudo com que eu sonhava. Ou de tudo que todos os sonhadores sonhavam. Ele não só nos levava através do tempo, como também para lugares exóticos com criaturas metade homem, metade animal; tornava a invisibilidade possível, e até mesmo a invasão da Terra por alienígenas vindos diretamente de Marte. Isso muito antes do cinema dar forma e cor - à exaustão - a esses delírios.

Mesmo que suas histórias tivessem um tom melancólico e até mesmo trágico, na maioria das vezes, ainda assim, só o fato dele trazer à luz tais irrealidades, por si só, já trazia um júbilo aos seus leitores, quem sabe até contra a sua vontade, já que seus livros talvez quisessem ser parábolas para problemas mais sérios que afetavam a Inglaterra e o mundo.

Voltando ao filme - que foi adaptado do livro de H. G. Wells, A Máquina do Tempo - posso dizer, com certeza que ele moldou meu modo de ver a ficção-científica e me fez, até mesmo, querer emular isso em pequenos textos que escrevo aqui, de vez em quando. Vê-se que a influência foi grande, mesmo que ela tenha sido ampliada depois, por ler tantas revistas em quadrinhos e assistido tantos filmes com o mesmo tema, com destaque para a trilogia De Volta Para o Futuro. Mas, tudo começou ali, com H. G. Wells.

Wells até mesmo foi protagonista de um filme em que Malcolm McDowall o interpretava e o escritor viajava no tempo para enfrentar nada menos que Jack, O Estripador, que fugira de seu século para o ano de 1979. O filme se chama Um Século em 43 Minutos.

O legado de Wells era tão provocativo que nem o próprio autor escapava a ele.

E, por incrível que pareça, tudo isso é para falar sobre o livro O Mapa do Tempo, onde temos novamente H. G. Wells e Jack, O Estripador. Isso, por si só, poderia ser desanimador, e poderíamos pensar: ora, mais do mesmo. Mas, não é bem assim. O escritor Félix J. Palma consegue criar um livro tão original que já é um dos meus escritores preferidos desde já. Afinal, não é todo escritor que consegue me fazer chorar escrevendo ficção-científica.

Sim, eu me emocionei com suas páginas finais, onde o escritor faz um exercício de imaginação tão contundente e sincero, tão pueril e ao mesmo tempo crível, dentro dos limites da fantasia, que eu fui às lágrimas. E sou sincero ao dizer isso. Naquele momento quis poder estar diante do escritor e dizer, obrigado por realmente nos dar esse presente em forma de livro.

Mas, só vai entender isso, ao ler o livro, quem realmente gosta deste tipo de leitura. Fantasiosa, sem limites, imaginativa e não muito apegada ao racionalismo. Eu falo dos sonhadores, que não se importam que seus sonhos pareçam ignóbeis, na maioria das vezes. E, claro, quem gostar de ficção científica nos moldes de Wells e Júlio Verne.

Devo confessar, sobre o livro, que ele foi me conquistando aos poucos. Depois que o adquiri, quase que por acaso, comecei a ler por ter gostado bastante da sinopse, que por si só, não diz tudo sobre o mesmo. Não diz por exemplo, que o livro é dividido em três partes, cada uma delas sendo uma história. Cada história, apesar de ter um fim em si mesma, está interligada à próxima.

Dois elementos interligam as histórias: H. G. Wells e uma empresa chamada Viagens Temporais Murray. O primeiro é uma pessoa real, claro, o conhecido escritor. O segundo é, obviamente, uma ficção. Mas, "existe" no mesmo ano em que H. G. Wells publicou seu livro A Máquina do Tempo. Aliás, a empresa se populariza devido ao sucesso do livro de Wells, que fica bastante contrariado com isso, mas os motivos, só lendo o livro para saber.

Podemos assim notar que se trata de um livro de ficção (-científica) que tem como um dos personagens H. G. Wells. Este porém, não é exatamente o protagonista do livro, mesmo que na terceira e última história, ele seja o personagem-chave.

Cabe aqui dizer que não posso me detalhar muito sobre o livro e suas histórias, pois ele tem muitas surpresas e reviravoltas. Algumas de cair o queixo e outras de você se pegar sorrindo sozinho, enquanto lê. Outra coisa que cabe dizer é que o livro, por estranho que pareça, vai agradar a homens e mulheres, pois o autor sabe misturar como ninguém, romance, aventura e até mesmo ação. Seu estilo de escrita é quase poético, e as mulheres vão gostar da heroína da segunda história e, quem sabe, se identificar.

Mas, deixemos de lero-lero. A primeira história é sobre um rapaz, Andrew Harrington, um filhinho de papai, que sempre viveu na aristocracia, que se apaixona por uma das prostitutas que serão assassinadas por Jack, O Estripador. O autor usa como personagem, uma das prostitutas reais que foram assassinadas pelo famoso serial killer. Transtornado com o acontecimento, Andrew passa por 8 anos de pura depressão, até que decide se matar. É aí que se inicia o livro, com ele fazendo os preparativos para tirar a própria vida. Porém, é impedido pelo amigo e primo, Charles Winslow. Seu primo diz que tem a solução para seu problema, e mostra-lhe o folheto que anuncia a Viagens Temporais Murray. Ele promete levá-lo até lá e assim, Andrew poderá voltar oito anos no passado e salvar sua amada. H. G. Wells será persuadido a ajudar os dois com tais planos que podem alterar seriamente o fluxo temporal.

Como eu disse, o livro foi me conquistando aos poucos e essa primeira história me pareceu um tanto quanto enfadonha, pra dizer a verdade. O autor gosta de se alongar em descrições e no passado dos personagens, o que acaba sendo essencial para entendermos as motivações de cada um. Mesmo não estando muito animado, eu sabia que havia algo ali, e não abandonei a leitura um momento sequer. A segunda história me mostrou que eu estava certo.

Na primeira história ficamos sabendo de toda o passado do fundador da empresa, Gilliam F. Murray e de como ele conseguiu a proesa de viajar no tempo e de ter uma empresa que promove excursões temporais. A segunda história é sobre uma dessas excursões e de como a heroína, Claire Haggerty conhecerá o amor de sua vida... no ano 2000.

Vivendo em 1895, Claire sente-se uma pessoa deslocada, como se não fizesse parte daquela época. Suas idéias são avançadas e sua personalidade empolgante. Ela não se conforma com as convenções inglesas de seu tempo e não consegue se imaginar casada com um dos muitos almofadinhas a quem é apresentada. Junto com sua amiga, Lucy, ela embarca em uma das excursões da Viagens Temporais Murray, onde os passageiros poderão ver, em primeira mão, a guerra dos humanos contra os autômatos (não se usa a palavra robôs, que só seria usada pela primeira vez em 1921).

Claire, no entanto, não tem intenção de voltar para sua época. Ela quer, tanto ajudar na vitória contra os autômatos, quanto conhecer o bravo líder dos humanos conhecido como Capitão Derek Shackleton, cujo espírito corajoso a conquista e ela acaba se apaixonando. Porém, ela acaba tendo que voltar, a contragosto, para sua vida pacata na velha Inglaterra. Até que reencontra o homem do futuro por quem se apaixonou, que viajou ao passado para encontrá-la. E, para ajudá-lo naquela época, Shackleton contará com a ajuda inusitada de H. G. Wells, que vê a Viagens Temporais Murray atravessar seu caminho novamente.

Na terceira história, Wells deixa de ser um coadjuvante, ajudando outros personagens, para se tornar o protagonista, o herói, no sentido mais estrito da palavra. Numa bela homenagem, Palma transforma o escritor num vibrante personagem de ficção-científica que teria empolgado, quem sabe, até o próprio escritor.

Quando alguém vem do futuro e começa a assassinar pessoas na época de Wells, o dono das Viagens Temporais Murray vê seu negócio sendo ameaçado pela polícia. Então, Gilliam F. Murray pede ajuda a Wells para encontrar o assassino viajante do tempo. Porém, sem saber, Wells é um dos alvos do assassino. Assim como ele, também os escritores Bram Stoker e Henry James, autor de A Volta do Parafuso. O motivo? O viajante do tempo quer roubar seus livros antes que sejam publicados e tomar para si a autoria.

Wells se vê no centro de uma conspiração temporal e é jogado no futuro vislumbrando um tempo muito além de quando estaria vivo. Em suas mãos estará o destino não apenas seu e dos dois escritores, mas até mesmo do próprio tempo! Quer mais responsabilidade heróica do que isso?

Vale aqui um pequeno spoiler, que não creio afetar a leitura, pois é apenas um peça solta, que só fará sentido ao ler todo o livro. Palma faz uma bela homenagem - e devo dizer que foi aqui que chorei de emoção, eu confesso - ao colocar H. G. Wells dentro de um cinema assistindo ao filme baseado em seu livro, A Máquina do Tempo. Isso feito de uma forma tão fenomenal, tão criativa, que foi isso o que mais me emocionou.

O autor homenageou o escritor H. G. Wells, o livro A Máquina do Tempo, o diretor George Pal e homenageou todo aquele que um dia leu o livro e viu o filme, e sentiu aquela enlevação que transporta cada um de nós, não através do tempo e do espaço, mas através da realidade.

O Mapa do Tempo é, com certeza, um dos meus 10 livros favoritos de todos os tempos... com trocadilho e tudo.



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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Minha Vida, Uma FC


MINHA VIDA, UMA FICÇÃO-CIENTÍFICA

Era um dia daqueles em que nada estava dando certo. Meu trabalho, vigiando as várias realidades alternativas, estava parado devido a uma pane em todo o sistema. Eu estava bloqueado. Nem um único portal se abria, e todo o setor se empenhava em tentar colocar o Controle Vital em funcionamento. Minha tela estava branca. A previsão era de que ainda se passariam horas - ou, se contar o local onde estou, anos - até que tudo voltasse ao normal. Então, abri uma nova tela, e resolvi escrever um pouco. Isso me acalmaria e passaria o tempo, relativamente falando.

Porém, o bloqueio do Controle Vital parecia ter me afetado também e eu não sabia sobre o que escrever. Abri algumas telas de Retro-pesquisa, mas de nada adiantou. Então, resolvi escrever sobre minha vida. Pelo menos até que tudo voltasse ao normal. Só para passar o tempo, relativa... ah, você sabe, aqui não podemos nos referir ao tempo como vocês aí. Bom...

... eu nasci em um mundo árido, seco, em que o sol castigava cada centímetro do chão. Não que eu me lembre, eu descobri pelos arquivos neurais, quando estava mais crescido. Fui o primeiro de quatro filhos, e numa confusão de registros meu pai me deu um nome e minha mãe me deu um codinome.

Assim que eu completei seis ciclo-meses de idade, meus pais tiveram de abandonar meu mundo natal. Não, não. Ele não explodiu, nem nada. Meu pai apenas precisava encontrar um lugar melhor para ganhar o sustento, já que onde estávamos não oferecia muitas opções. Novamente, isso criou uma certa confusão em meus dados. Agora, eu estava codificado como tendo nascido no novo planeta ao qual chegamos. Assim sendo, acabei com duas datas e locais de nascimento. Tanta tecnologia e mesmo assim a burocracia ainda era impenetrável.

Lembro que cheguei ao novo planeta sob uma chuva torrencial. Aquilo era um verdadeiro paradoxo, vindo de onde eu vinha. Mas, como era apenas um organismo em desenvolvimento ainda - mais conhecido como bebê - eu não pude registrar tal idiossincrasia. Mas, estranhamente, lembro da chuva. Nada que tentássemos nos protegeu dela.

Em nosso novo planeta o tempo parecia passar mais rápido. Minha mãe logo deu a luz a meus irmãos: mais duas meninas e um menino. E éramos agora uma família interespacial de 6 indivíduos. Isso também significava mais trabalho para meu pai. No entanto, eu mesmo desconhecia qual era seu trabalho, do qual ele não falava muito. Mesmo assim, eu não entenderia. Não ainda.

Logo me acostumei ao modo como o tempo passava no novo planeta que, apesar de ter tanto sol quanto nosso antigo lar, não era todos os ciclo-dias do ano. E, a cada ano que se passava, eu me sentia mais consciente de tudo à minha volta. Muitas vezes, essa consciência acabava me metendo em sérios problemas.

Minha relação com o tempo parecia que sempre voltava à minha mente. Alguns anos pareciam ciclos maiores que os outros, isso se aplicando com toda força aos meus 8 anos de idade. Sempre me pegava pensando como se fosse um adulto, ou imaginando o futuro, mesmo sem ter idéia de como ele seria. Não tínhamos essa tecnologia, ainda. Se tivéssemos, talvez o que veio a seguir pudesse ser evitado, ou não.

Meu pai foi desintegrado. Só fomos notificados desse fato, não de como ou onde aconteceu. Claro, foi no trabalho e isso era só o que saberíamos. Minha mãe agora era uma jovem senhora, com a tarefa de cuidar de quadro unidades carbono ou, em outras palavras, de quatro pirralhos.

Ela se saía bem, mas eu não me conformava com que ela trabalhasse sozinha. Quando estava com 11 anos, em um ciclo-solar completo, disse a ela que iria trabalhar, e ela riu pensando que era brincadeira ou algo assim. Mas, perto havia um depósito de alimentos ainda em estado natural, onde acabei conseguindo uma colocação. Apesar de ser um garoto entre adultos, eu procurava trabalhar, ou pelo menos fazer a minha parte, como se fosse um deles, e ganhei o respeito de todos. E a amizade.

Claro que o que eu ganhava não ajudava tanto assim, mas me bastava aquela espécie de ilusão holográfica de que eu ajudava em algo. Ao mesmo tempo, também podia comprar, sem aporrinhar minha mãe, algumas das aventuras em hologravuras de super-seres, às quais me afeiçoei mesmo antes de aprender a decodificar algarismos. Aquilo me influenciaria por toda a vida.

Os ciclos foram passando e meus estudos avançados se mostraram não tão avançados assim, e eu tive de interrompê-los, para dar mais atenção ao trabalho, agora já como um adolescente. Só voltaria aos mesmos muitos ciclos mais tarde.

Quando, já adulto, estava em uma unidade de fabricação alimentícia, adquiri uma espécie de disruptura temporal, que me tirava do espaço-tempo por vários minutos. Era um mal complicado de se diagnosticar e isso me fez levar nada menos que 12 anos-ciclos para que, enfim, aquilo parasse de me interromper. Porém, quem sabe, isso deve ter influenciado minha vida no que passei a fazer mais tarde: criar universos alternativos. Certo, não é tão sério assim, mas é quase isso.

A tecnologia avançou e eu cresci junto com ela. Nem sempre nos damos bem, como amantes inconstantes, mas ela me dá o que preciso para continuar esse trabalho. Não é algo grandioso, nem me deixou rico, porém sinto como se fizesse parte de algo, mesmo que não seja uma galáxia muito distante. Eu gosto da minha, próxima mesmo.

A função no Controle Vital, com os portais e tudo mais, é como um desafio a cada investida, a cada painel que se abre e ...

Um alarme avisa que estamos em funcionamento. Foi mais rápido do que eu pensava. Um novo portal se abre e meu trabalho tem início. Recebo um aviso de realidade alternativa em andamento, e uma mensagem chega à tela: "minha vida, uma ficção-científica"... certo. Aperto "Enviar" e temos um novo início. Ou fim.



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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A História de Lucy


A HISTÓRIA DE LUCY

Eu nunca tive cachorro, propriamente dito. Sempre foi minha mãe quem teve. Cachorro e gato. Se eles se iam, logo apareciam outros pra substituir, mesmo que cada um tivesse seu lugar em nossas memórias, até os dias de hoje. O caso mais marcante com certeza foi o de Murdock, que já relatei aqui.

Já se ia bem uns 10 anos que eu não sabia o que era ter um bicho de estimação por perto quando Lia (minha esposa) cismou que queria ter um. E quando ela cisma...`

Vasculhou a internet à procura de um maltês ou poodle toy, já que para ficar em apartamento seria bom que fosse pequeno. Ou apenas porque ela queria que fosse sempre como um filhote. Não sei.

Eu já estava surtando com suas constantes procuras que eram sempre frustradas ou pelo preço exorbitante ou pela impossibilidade causada pela distância onde se encontrava algum com um preço razoável. Nas pet shops próximas, os preços eram obscenos.

Tudo ia muito bem, com ela falando constantemente que queria um cachorro, queria um cachorro, queria um cachorro e... queria um cachorro, quando fomos ao Botafogo Praia Shopping, como sempre fazíamos e, assim que saímos pela porta que dava na direção da praia, uma moça estava vendendo alguns filhotes. Nós mesmos já havíamos passado por ali justamente procurando alguém que estivesse vendendo, como acontecia algumas vezes, porém sem sucesso. Neste dia não estávamos procurando.

A moça tinha vários filhotes, aparentemente de raça, em uma caixa de papelão. Era noite, estava um pouco frio. A maioria deles estava acordada, acesos. Lucy dormia encolhida bem no canto da caixa. Foi amor à primeira vista.

Perguntamos a raça e a moça disse que era poodle toy. Acho que Lia teria dado 1.000 reais se tivesse, mas não era tudo isso. A moça disse o preço e não tínhamos o dinheiro, que só serviria ao vivo e a cores, claro. O caixa eletrônico mais perto ficava a algumas quadras. Bom, tive de correr. E eu não estou acostumado a correr. Mas fui mesmo assim.

Cheguei, colocando os bofes pra fora, no caixa eletrônico, saquei e voltei de táxi, claro. Não queria ter uma síncope. Levamos Lucy pra casa, que ganhou seu nome no caminho. Lembrei da Lucy Van Pelt, de Peanuts. Mal sabia eu como ela faria jus a homenagem.

As semanas foram passando e começamos a perceber que Lucy não era toy e provavelmente nem mesmo poodle. Pelo menos não pura. Mas isso não importava mais. Parece que, como casal, estamos fadados a sermos enganados constantemente. Quem, depois de se apegar, vai querer trocar uma criatura que dá tanta alegria.

Alegria e mordidas. Conforme crescia, mais peralta ia ficando. Me mordia (e morde) achando que é brincadeira, mesmo que arranque meu sangue. Qualquer visita que chega ela faz festa como se fosse ter um ataque do coração. Parece que cada pessoa, pra ela, é única e especial, e ela age de acordo. Ainda bem que ela não morde quem não conhece, só a mim, a Lia, e a tia da minha esposa, com quem ela já tem intimidade.

Depois de todas as vacinas ela pôde começar a passear de coleira, na rua. Isso foi um novidade não só pra ela, mas pra nós também. Ela não passeia como os outros cães. Ela quer cheirar cada canto, como geralmente os cães fazem, só que é CADA CANTO mesmo. Às vezes por causa da urina de outros cães, às vezes porque sente qualquer outro cheiro.

E, assim como faz com as pessoas que chegam ao apartamento, na rua ela quer fazer festa com cada pedestre, como se todos gostassem disso. Num bairro movimentado como o nosso, isso cria situações engraçadas e/ou embaraçosas.

Algumas vezes eu simplesmente não consigo segurar o riso, mesmo quando a pessoa passa reto sem dar atenção. Lucy se põe sobre as duas patas e começa a pular na direção da pessoa. Isso porque eu a seguro, para que ela não vá onde não a querem. Então ela fica em pé devido à coleira e começa a pular como uma maluquinha e eu desato a rir.

Ainda bem que algumas pessoas gostam e ficam encantados com a festa que ela faz, pulando em cima delas, depois de um lado pro outro, como se estivesse preparando o bote. Ela fica feliz quando alguém corresponde e isso carrega a pilha Duracell eterna que ela tem dentro de si.

Se saímos por 5 minutos e voltamos, Lucy faz festa como se tivéssemos ficado fora por uma semana. Ela sabe fazer você se sentir querido.

Indisplinada, mordedora (dos donos), bagunceira, destruidora, dá atenção aos brinquedos apenas por alguns minutos, depois volta para nos morder. Às vezes é preciso deixar ela de castigo (como está neste momento), para que não morda e puxe as tomadas pela casa. Nessas horas ela simplesmente se conforma e deita.

Já tentamos todas as dicas para discipliná-la, mas nada funciona. Mas não importa. Ela leva um nome ao qual faz jus, deve ser isso.

Em certos momento do dia, Lucy dá a loucura da disparada, como se tivesse acumulado muita energia e precisasse gastar tudo de uma vez só. Ela começa a correr pelo apartamento como uma louca. Vai até a cozinha, depois pra sala, daí pro quarto, tudo em questão de segundos. Se eu entro na brincadeira, a coisa fica mais rápida. Numa dessas eu a filmei e fiz o vídeo acima.

Postei no Youtube, sem som, pois minha voz é horrível. Depois de postado, fiquei assistindo e me deu um clique. Tinha uma música, um tema, que eu poderia tentar colocar ali, que combinava perfeitamente. O Tema do Cavaleiro Solitário. The Lone Ranger, o seriado, aqui conhecido como Zorro.

Não sei nada de edição de vídeos, então, com o pouco que sei, apenas peguei o vídeo e juntei com a música, cortando o vídeo no tamanho da música. Agora toda vez que vejo caio na gargalhada ao ver como algumas partes caíram perfeitamente, como se eu tivesse planejado isso. Um exemplo é quando o locutor fala "The Looone Ranger" a primeira vez e ela pára, e olha pros lados, como se o escutasse. Eu racho de rir.

Nesse exato momento ela está dormindo, depois de aprontar, tentando puxar as tomadas da TV. Nem parece o diabinho em pessoa.

Bons sonhos caninos.





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terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Gárgula


A GÁRGULA - ANDREW DAVIDSON


Marianne Engel. Leio a pelo menos 30 anos, e nunca me apaixonei por personagem nenhum de livros ou quadrinhos. No máximo uma admiração por algo tão cativante e carismático, se tanto. Nunca me apaixonei por algo que não existe, até ler A Gárgula e conhecer Marianne Engel. É uma personagem tão poderosa, tão "real", tão bem construída, que você deseja que ela exista. E talvez exista, de alguma forma.

Eu estava no quiosque de livros usados quando me deparei com a capa de belas costas com asas tatuadas. Estava em ótimas condições e o preço era 12 reais. Mas só me decidi a levar mesmo quando li a curta sinopse na contra-capa:

"Um homem coberto de chagas e cicatrizes adquiridas num trágico acidente de carro. Uma mulher misteriosa garante estar viva desde a Idade Média. Um romance arrebatador sobre a queda ao inferno e a busca de redenção".
A parte que me chamou a atenção foi a que fala sobre a mulher que garante estar viva desde a Idade Média. Um livro com essa prenissa não poderia ser ruim.

Confesso que comecei a leitura e não estava muito entusiasmado. O livro passa vários capítulos tratando sobre o passado do homem queimado. O motivo disso é por ser ele o narrador e protagonista da história. No entanto, seu nome nunca é citado, o livro inteiro.

A narrativa começa com seu acidente, onde ele cai de uma ribanceira com o carro, e este se incendeia, queimando-o terrivelmente. No hospital ele relembra sua vida desde que nasceu. Órfão, criado por tios drogados, vivia enfurnado nas bibliotecas. Com o tempo torna-se ator pornô, viciado em drogas. Quando está no auge da carreira, tendo inclusive sua própria produtora de filmes pornôs, sofre este acidente e é abandonado por todos seus antigos amigos. Sua vida agora é um dia de cada vez, tentando minimizar as cicatrizes das terríveis queimaduras, que tiraram tanto sua beleza, como seu ânimo de viver. Ele pensa em sair dali apenas para, assim que possível, dar cabo da própria vida.

É quando entra em cena, vinda da ala psiquiátrica, Marianne Engel. Ela é uma paciente. Ela se aproxima e age como se os dois já se conhecessem há muito tempo. Na verdade, há 700 anos. Marianne diz que foi difícil encontrá-lo e que, quando consegue, ele está queimado novamente, pela terceira vez.

Sem ter para onde ir, nem nada melhor para fazer, o protagonista aceita as visitas daquela estranha mulher que fala com tanta convicção - talvez a convicção que só os loucos tenham - sobre o fato dos dois se conhecerem e de que são amantes. Sem nunca ter se apaixonado por ninguém, fazendo sexo apenas por profissão ou por diversão, ele sabe que não pode ser verdade que ele a tenha amado.

Quando os médicos tentam afastá-la, ele diz que ela pode continuar vindo, e a cada vez que vem, Marianne conta sobre quem ela é, e como os dois se conheceram na Idade Média. Fala de sua vida, de quando foi abandonada à porta de um convento, onde foi criada e se tornou freira lá. Tendo facilidade para aprender qualquer língua, com o tempo se tornou tradutora. Ela diz ter feito a primeira tradução de O Inferno de Dante.

Marianne intercala a história dela, com outras histórias tocantes sobre amantes que têm trágicos destinos, mas que mostram o quanto o amor supera tudo. O protagonista não sabe o quanto disso é da sua imaginação e o quanto disso é real. Ela trata os personagens como seus amigos e conhecidos. Pessoas com as quais ela travou conhecimento.

Algumas coincidências perturbadoras começam a deixar nosso cético protagonista cada vez mais atraído por Marianne, suas histórias e sua vida. Além de tudo isso, Marianne é a única pessoa que garante que o ama, independente da aparência grotesca que ele tem agora, pois como ela mesma diz, não foi sua aparência que a atraiu e, mesmo assim, você também estava queimado quando se conheceram a primeira vez.

Além de Marianne e os personagens das histórias que ela conta, o autor ainda recheou a trama com personagens cativantes ao redor do protagonista, como por exemplo, o psiquiatra que tenta ajudá-lo a lidar com sua nova condição, a fisioterapeuta japonesa, a médica da Ala de Queimados. Tantas histórias que simplesmente parece impossível que o livro tenha apenas quase 500 páginas.

Mas, depois que Marianne Engel entra na história é como se tudo passasse a girar em torno dela. E creio que gira, afinal ela conta suas histórias - da sua vida e de seus "amigos"- com tanto fervor e detalhes que o leitor se vê envolvido na mesma dúvida do protagonista: será ela uma louca muito criativa ou alguém que viveu tais fantásticas histórias. E o leitor se pega também, assim como o protagonista, não fazendo muita questão de saber, pois já ama Marianne Engel.

Apesar de falar sobre amor eterno, almas gêmeas e etc, o livro é tudo menos piegas. O ceticismo e o anti-romantismo do protagonista parece representar o homem, com suas idéias de praticidade e do que pode ou não ser real. Marianne parece representar a mulher, este ser romântico por natureza e dada a devaneios. É quase um embate entre duas forças. A descrença e a fé. O desespero e o amor.

É uma história de redenção, como diz a sinopse, mas, com o avanço da leitura, você começa a se perguntar quem estará redimindo quem.

Os detalhes sobre vítimas de queimadura, sobre a vida na Idade Média, sobre vikings e sobre o Inferno de Dante, torna quase impossível acreditar que seja o primeiro livro do autor. Sem contar o enredo tão coeso e cativante. Minha única crítica vai para o passado do protagonista que parece ser um pouco forçado e até mesmo coisa de amador. Não é muito crível. Mas isso se perde em meio ao todo e à personalidade de Marianne Engel.

No fim das contas, quando você terminar a leitura, talvez sinta que, assim como todas as histórias de Marianne Engel, a sua história, lendo o livro, também faça parte delas agora.

sábado, 31 de julho de 2010

JJ e os Dez Anos na Rede


JERUSALEM JONES E O DEZ ANOS DE REDE

Depois de andar por mais de 10 anos nestas terras áridas, entro na caverna, escura, com sons de água gotejando em um eco fantasmagórico. Me pego refletindo que o som não faz nenhum sentido, já que estamos num deserto, e não sinto presença de água em canto algum. Apenas aquele som que está onde não deveria.

A claridade termina, pois já estou bem fundo na caverna. Sinto agora um certo frio, mesmo o calor estando a uns 45 graus lá fora. O frio parece vir das paredes e as paredes parecem se fechar, afunilando a caverna. Mas, continuo andando, pois sei que ali é o único lugar em que ele pode estar. Por isso, continuo, mais tateando que enxergando. Sentindo o caminho, tocando a parede áspera da caverna, agora totalmente imersa na escuridão. Quando penso que é melhor voltar, desistir, uma tênue luz bruxuleante aparece mais a frente. Me guio por ela, sabendo o que vou encontrar. A luz vem de uma fogueira e alguém está sentado perto dela. Alguém chamado Jerusalem Jones.

Quando Jones me vê, acena para que eu me aproxime e me sente à beira de sua fogueira, percebendo o frio que estou passando. Logo vejo que ele está por ali há um bom tempo, e pelo que vejo em volta, ele parece ter feito do fundo da caverna uma espécie de lar, na medida do possível. Quando me sendo, ele pigarreia, como se não usasse a fala há muito tempo, e numa voz meio rouca pergunta:

- Então, como diabos você me encontrou?

- Bom, é uma história longa. - digo eu.

- Eu tenho cara de quem tem algum compromisso?

- Bom, tudo começou há dez anos e alguns meses atrás. Não saberia precisar. Começou quando descobri algo chamado "internet".

A primeira vez que ouvi falar da tal internet deve ter sido lá pelos idos de 1995 ou 1996. Meu tio, muito mais por dentro de computadores e novas tecnologias do que eu, me falava sobre isso como se fosse algum tipo de coisa mítica, lendária. Eu pouco prestava atenção pois aquilo não fazia parte da minha realidade, ainda mais sendo eu, na época, um religioso, avesso a qualquer coisa que me contaminasse com as coisas "do mundo". Eu sei, eu sei, não precisa fazer essa cara de deboche. Eu estou ciente do que eu parecia.

Mas, alguns anos depois, coisa de 1999 para 2000 eu finalmente acessei a rede mudial de computadores do apartamento de meu irmão, que já tinha acesso, usando um computador MacIntosh. Nessa época eu não sabia muito bem o que fazer na internet, então visitava sites que falavam de filmes e até mesmo fazia uma lista por ordem alfabética de filmes que já havia assistido, em um caderno. Minha mãe achava que o caderno continha endereços das minhas várias namoradas (que ela devia querer muito que eu tivesse, para contar vantagem pras amigas). Mas, eram apenas nomes de filmes.

Cheguei a entrar em salas de bate-papo, mas perdia logo o interesse. A única coisa engraçada era quando eu, meu irmão e minha (ex)cunhada entrávamos com nomes diferentes e fazíamos uma zona, muitas vezes discutindo entre nós mesmos ou coisa parecida. Bom, não me condene, eu era jovem. Um jovem de 30 anos, mas jovem.

Tempos depois, meu irmão me deu um PC que estava parado, um 486 com 350 MB de espaço em disco, e nem imagino quanto de memória. Por um tempo fiquei com ele em casa parado, até que, por essas ironias do destino, me emprestaram um modem sem que eu nem mesmo pedisse. Na verdade, quem emprestou sentia como se eu é que estivesse fazendo um favor a ele. Isso me permitiu acessar a internet de casa. Mas, novamente, não havia muito o que fazer. Até que descobri o ICQ.

Numa história que não caberia aqui, acabei casando devido ao ICQ. É, isso mesmo. Isso me levou para longe de onde eu morava antes e para uma vida com minha própria família. E nem fazia um ano que eu usava a internet. Com a esposa também interessada na nova "onda" que se espalhava, a internet, eu fui adentrando mais e mais este admirável novo mundo.

Eu ainda não tinha encontrado nenhuma utilidade prática para a tal rede, então ia mesmo apenas vagando de cá pra lá e de lá pra cá. Experimentando isso e aquilo. Me tornei membro de grupos que se comunicavam por e-mail, sendo um de Ex-Testemunhas de Jeová e o outro de portadores de Transtorno do Pânico, sendo que até mesmo fui a um churrasco na casa de um dos membros desse último, que reuniu a maioria de componentes. Mas, com o tempo, me desliguei dos dois, meio que naturalmente.

Por esta época eu ainda utilizava o Outlook, programa para ler os e-mails, e nele havia a possibilidade de se entrar em grupos (espécie de fórum) do UOL, que podiam ser lidos tanto on line, no UOL, quando ali, por e-mail no Outlook. Isso foi essencial para que tudo mudasse em minha relação com a internet. Aconteceu aos poucos.

Passei a frequentar o que se chamava "uol.cinema", e que até hoje todos lembram que "o que menos se falava ali, era sobre cinema". Era um grupo de pessoas que estavam ali com apenas uma intenção: se divertir, mesmo que fosse (ou que SÓ fosse) às custas dos outros. Como todos éramos amigos, essas brincadeiras acabavam ficando entre nós mesmos e quase ninguém se ofendia.

Essa amizade virtual em grupo dava margem a que todos confiassem (mesmo que isso não fosse dito abertamente) uns nos outros. Essa confiança me deu coragem de querer fazer um blog. Os blogs estavam começando a ganhar força, e eu deixei meu preconceito inicial de lado, e fui tentar pra valer. Digo pra valer,porque já tentara 3 vezes antes. Uma vez participando de um blog de um dos usuários do "uol.cinema" e duas outras eu mesmo criando blogs que não se mostraram muito animadores. Ou eu não me empenhei de verdade.

Até que um dia resolvi que tentaria pra valer. Resolvi criar um blog com um nome chamativo, o Rapadura Açucarada. Foi então que a amizade com o grupo se mostrou essencial para ele continuar. As visitas vinham basicamente de todos ali, mesmo sem ter nada que o diferenciasse dos outros blogs. Com o tempo, e com o advento dos scans - que novamente começaram meio que por culpa do grupo - o blog se tornou parte da minha vida.

Tinha encontrado um rumo na internet, um caminho.

O blog e eu vivemos muitas aventuras "aprontando altas confusões", até que em 2006/2007 aconteceram duas coisas: Eu criei um fórum chamado F.A.R,R.A (depois de vencer meu preconceito contra fóruns) e eu encontrei você, Jerusalem Jones, pela primeira vez. Duas criações que, junto com o blog, passaram também a fazer parte de minha vida e era como se a estrada se alargasse mais e mais. Mesmo antes dos dois, o blog já me tomava bastante tempo, e com sua chegada e a do fórum, eu passei a me envolver mais ainda com um meio que eu achava que nunca seria nada mais que um lugar para baixar música, no máximo.

Aliás, quando descobri o MP3, eu gravei 200 CDs, que com o tempo estragaram, já que eu tinha mania de fazer capas para TODOS eles e colacava aquela etiqueta redonda no próprio CD. A cola da etiqueta estragava o CD com o tempo. Coisa que tive de descobrir depois de gravar 200.

Bom, entre escrever contos de suas aventuras, e gerenciar o fórum, eu levava tudo sem muitos problemas, a não ser os normais, como retardados loucos que enchiam o saco no fórum de vez em quando. Coisa normal.

O blog ficou famoso por causa dos scans, o fórum por causa das "importações de películas" e cada um praticamente tinha sua história separada, sendo que, ao mesmo tempo, faziam - e fazem - parte de uma mesma história.

O tempo e o vento se encarregou de que mudanças fossem necessárias, tanto em um, como no outro. Mas, eu ainda continuava minha jornada pelos caminhos loucos da internet.

Nesses dez anos vale lembrar as coisas loucas que passei, como ser paquerado pelo professor de informática de uma prima minha, com quem eu falava pelo MSN e, estando ela no curso de informática, seu professor simplesmente viu meu endereço por cima do ombro dela, pegou, me adicionou e veio me paquerar!

Mas, muito mais que isso, vale lembrar as pessoas que conheci, algumas delas pessoalmente, com o tempo, como você, Jones, aqui nessa maldita caverna. Claro que algumas se mostraram uma decepção no mundo real, mas não é desses que me lembro, mas dos que valeram a pena, sendo que talvez, a maior delas tenha sido minha saudosa amiga Tina, que veio a falecer uns dois anos depois que a conheci.

O que mais me alegrou esse tempo todo, foi ver como muitas pessoas partilhavam o desejo em comum de querer dividir de seu tempo e das coisas que apreciavam com outras pessoas. Vi isso assim que comecei o blog e coloquei os scans, e muitas pessoas não se conformavam em apenas baixar, e queriam participar. E participavam. O mesmo se repetiu no fórum. Claro que nem tudo são flores e os motivos de alguns quererem participar se mostravam escusos quando o tempo passava. Mas, se tudo fosse só bondade, onde ficaria a diversão?

Hoje em dia meu tempo na internet se divide em dois blogs, um fórum, um Twiter, e em caçar você, pois sempre me perguntam "e o Jerusalem Jones, não vai mais trazer ele de volta"? Assim sendo, vim atrás de você, depois de todo esse tempo, nessa maldita caverna friorenta, com esse pinga-pinga enlouquecedor, sem ter água por perto para te trazer de volta à ativa.

- Hã... certo. Só duas perguntas antes...

- Sim, pode fazê-las.

- Quem diabos é você? E de que raios dos infernos você falou até agora?

FIM



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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Área 7


ÁREA 7 - MATTHEW REILLY


Quando terminei de ler NEXT, o último livro publicado de Michael Crichton (autor de Jurassic Park entre outros) que morreu em 2008, me perguntei, e agora, quem poderá me defender? Que autor tão bom eu vou encontrar que se compare a ele? Tudo bem, temos Dan Brown, Robin Cook, entre outros que escrevem livros nesta mesma linha. Ainda assim, não era a mesma coisa. Então, quando olhava as estantes da Livraria Saraiva, me deparei com um livro que já vira anteriormente, chamado Área 7. Seu autor era completamente desconhecido pra mim. Sua capa não dizia nada (a capa nacional, não a acima). Uma espécie de pintura abstrata que não definia nada do que o livro poderia ser. Pra piorar, a sinopse realmente não empolgava tanto. Só deixava claro que um fuzileiro naval e o presidente dos EUA estavam no mesmo livro. E que esse fuzileiro - Shane Schofield - vinha de um livro anterior, chamado Estação Polar, que não tinha ali na livraria. Porque então comprar? Bom, o livro era pesado, talvez tenha sido por isso. Porém, quando comecei a ler, só consegui largar, quando terminei as exatas 500 páginas, dois dias depois. Estava exausto, mas sentindo-me recompensado. Michael Crichton tinha um substituto.

Imagine os elementos dos seguintes filmes (e série) condensados em um livro de 500 páginas, por ordem de relevância: Duro de Matar, A Rocha, 24 Horas, A Fortaleza, Força Aérea 1, Silêncio dos Inocentes e Akira (sim, tem uma pitada de Akira). Sendo que, com tudo isso, não é um plágio de nenhum deles (diferente do que James Cameron fez em Avatar). A história do livro é mais ou menos a seguinte:

Um general da Força Aérea implanta em cada potencial candidato a presidente dos Estados Unidos, um chip detonador para 14 bombas atômicas escondidas em hangares dos principais aeroportos em cidades dos EUA. Assim, quando o novo presidente eleito assume, ele tem um dos chips implantados em seu coração.

Durante a visita a base secreta Área 7, junto com agentes do Serviço Secreto e de fuzileiros que o protegem - incluindo Schofield - o tal general tranca a todos na base, e propõe um jogo em que o Presidente é a presa e quem mais estiver com ele. Querendo provar que a presidência é uma instituição falida, o general diz que o presidente (e seus protetores) serão caçados através da base, e se conseguirem sobreviver à tropa de elite de 50 homens altamente treinados (e quimicamente mais fortes) que obedecem apenas ao general, estarão livres.

No entanto, se o general vencer e conseguir matar o presidente, o cessar de seus batimentos cardíacos fará com que o chip em seu coração emita um sinal e detone as 14 bombas em todo país. Shane Schofield, seus companheiros fuzileiros e alguns poucos agentes do Serviço Secreto que sobreviveram à primeira investida, precisam agora proteger o presidente e evitar que ele morra, a qualquer custo.

Mas, ainda está fácil demais. O general capturou o agente que carregava a mala que o Presidente mantém sempre perto de si, para o caso de precisar ativar bombas nucleares em caso de uma guerra. A mala agora está programada para detonar as 14 bombas. E está armada. Além de evitar ser morto, o presidente precisa colocar a palma de sua mão na mala, a cada 90 minutos, para evitar que as bombas sejam detonadas e o país volte ao tempo das cavernas. Só que a mala está com os bandidos.

Moleza demais? Pois bem, o que afinal a Área 7 faz? Porque é tão secreta? E porque o presidente estava lá? Isso é revelado logo no começo do livro. Ficamos sabendo que a Área 7 produz armas biológicas e, também, contra-medidas, ou vacinas, contra armas biológicas de outros países. O complexo está trabalhando justamente na vacina contra uma arma biológica chinesa que mata brancos e negros, mas não afeta asiáticos. A vacina é testada em animais e... prisioneiros dos mais perigosos, em sua maioria serial killers, que tem várias penas de prisão perpétuas acumuladas e que se ofereceram para "experiências científicas". Mas o complexo ainda guarda segredos mais obscuros que esse. E o presidente sabe...

Matthew Reilly não é nenhm novato, apesar de ser jovem, 35 anos. Eu que não o conhecia ainda. Ele é australiano e seu primeiro livro foi publicado em 1996. O segundo livro, Estação Polar, onde Shane Schofield aparece pela primeira vez, foi o que o alçou à fama e o fez se tornar escritor em tempo integral. Shane Schofield já apareceu em 4 livros do autor. Outro personagem que já tem 3 livros é Jack West, Jr.

Aqui no Brasil parece ter sido publicado apenas Estação Polar, Área 7 e Templo (que se passa no mesmo universo das aventuras de Shane Schofield, fazendo até mesmo menção a eventos de Estação Polar, mas não tem a participação do personagem). Estranhamente, Estação Polar trata de um mistério alienígena na Antártida e, alguns anos depois, Dan Brown escreveria Ponto de Impacto, que também trata de um mistério alienígena no Ártico. Mas, nunca ouvi nada sobre acusações de plágio.

Pretendo ler em breve Estação Polar - e quem sabe até ganho de presente - e Templo, que na verdade já está aqui ao meu lado. Na verdade, o cara escreve tão bem, que eu simplesmente saí e fui procurar o livro. Não quis perder... templo. Tu dum tchiii.



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